Devaneios tolos... a me torturar.

terça-feira, 3 de abril de 2018

O Big Brother das Redes Sociais

Não venha me dizer que não gosta de Big Brother Brasil. 
Torcendo o nariz, com cara de intelectual.
Este é o programa mais antigo e mais popular da humanidade. 
E certamente você já deu uma espiadinha.
Os hábitos mudam, a tecnologia avança, os formatos também se modificam. Mas espiar a vida dos outros continua sendo o (mau) hábito preferido no planeta Terra.
Outro dia estava naquela de acompanhar os vídeos dos “stories” do Instagram, onde o tempo todo as pessoas postam momentos de suas rotinas, dicas de moda, beleza, promoções, desabafos, baladas, férias...
Quero deixar claro que AMO essa ferramenta. Ela me leva pelas ruas de Paris, me faz sentar na beira de uma praia na Tailândia e admirar os lançamentos das coleções de moda em Milão.
Faz com que me sinta miserável diante da riqueza e da vida glamurosa de uns, e milionária diante da pobreza de espírito de outros.
Possibilita que eu me aventure por novos canais de trabalho, estendendo a publicidade da minha cidade, do rádio e jornal também para a internet.
Mas caio nos momentos de intimidade de pessoas com as quais não tenho intimidade. 
Estou lá, espiando pelo buraco da fechadura tudo o que acontece na vida delas, dentro da casa delas, com a família delas, entre seus amigos.
Sério, é meio constrangedor. Mesmo porque nossa “visita” fica registrada.
Ora! Vocês vão me dizer que é automático, as pessoas que seguimos vão aparecendo em sequência e quando a gente vê pulou da casa de um pra vida de outro, sem cerimônia.
Mas ainda assim parece meio abusivo. 
Ou não?
Não é uma crítica, é uma reflexão sobre o quanto gostamos de futricar na rotina das pessoas. Abrir seus armários em busca de seus esqueletos.
Agora, o que antes escondíamos, é o trampolim para a fama. Vemos muita gente usando bandeiras como aceitação do corpo, imperfeições femininas, ansiedade, depressão, complexos, apenas para ganhar likes e seguidores, sem uma preocupação real com conteúdo. Pipocam fotos de gente sarada, assim como pipocam fotos de pessoas gordinhas, mas no fundo parece que tudo se resume “à forma”. No final parece que tudo gira em torno do corpo, e que “se amar” perde para “se mostrar”.
Tudo, absolutamente, pode ser dito e mostrado o tempo todo, por todo mundo, sem preocupação nenhuma em trazer algum aprendizado.
É tanta gente vazia abrindo uma vida cheia de futilidade, que acho que sou fútil também. Porque afinal, estou lá de plateia, não estou?
Mas não é culpa dos Iphones, Smartphones, nem do Facebook, nem do Instagram. Nem do BBB.
Isso existe desde sempre.
Desde que passamos a alimentar a curiosidade mórbida sobre o que o outro faz quando ninguém está olhando.
Quando passamos a espalhar por aí segredos e intimidades conosco compartilhadas.
Quando ficamos na janela espionando a vizinhança.
Quando passamos a fofoca adiante.
Mas os “BBB’s” em suas diversas formas nos provam que além de cuidar da vida dos outros, também queremos e gostamos de mostrar a nossa.
A televisão foi soterrada pelas câmeras de vídeo de nossos celulares que transmitem novelas em tempo real de nossos amigos, conhecidos, desconhecidos, famosos e anônimos.
Noite dessas estávamos todos com a TV ligada, mas de olho nas telas de nossos celulares. Aquele aparelho que apareceu na nossa casa para “alienar” a população, está se sentindo só e desprestigiado.
Mas a arte de dar a espiadinha sempre se reinventa e se atualiza.
Não acho que um dia isso vai terminar.
Vai continuar acontecendo.
Mesmo que de forma diferente.
Um beijo!

O resto é MIMIMI

Eu sou mulher. E pra mim isso sempre foi uma grande vantagem. Um olhar mais fragilizado, um sorriso mais aberto ou um pedido mais manhoso, certamente me resolveram muitos problemas. Ainda hoje.
Embora o mundo esteja brutalizado, confesso que comigo ele sempre foi suave. Não tenho grandes traumas, não sofri violência física, nem sucumbi a relacionamentos ou chefes abusivos. Quando a coisa começava a se deteriorar, sempre consegui me afastar e recomeçar.
Então, não sou a pessoa mais indicada a entender esse grito das mulheres violadas.
Entrei na faculdade com facilidade, mesmo a base de muito sacrifício financeiro dos meus pais. Estudei em escola privada e também em escola pública, mas sempre tive apoio para meus estudos. E eles me trouxeram até aqui.
Por isso não seria a pessoa indicada a compreender aqueles que lutam por uma cota nas universidades.
Apesar de sofrer algum tipo de perseguição na escola (todos vivem algum episódio) nunca fui gorda, nem usei óculos fundo de garrafão.
Não sou a pessoa mais indicada a falar sobre buylling.
Nunca fui militante política, não conquistei a democracia, tampouco fui pro pau de arara na ditadura.
Certamente não tenho muito conhecimento prático para empunhar uma bandeira do lado direito ou esquerdo.
Nunca fui perseguida por causa da minha religião. Não sou homossexual. Minha pele não é negra.
Não estou apta a falar com propriedade sobre preconceito ou racismo.
Ou seja: não faço parte de nenhum grupo atual de “mimimi”.
Mas o que é mimimi?
É uma expressão que surgiu para definir gente chata, reclamona e que se queixa sem motivo. Mas está servindo para rotular quem tem muitos motivos para se queixar.
A verdade é que cada um só sente, a dor que dói em si mesmo.
E a falta de respeito com a dor do outro, nos trouxe até aqui.
Criou uma sociedade dividida em dois grupos extremistas, que se atacam mutuamente e disputam a razão a todo custo.
Estão tão certos de serem donos da verdade, que esquecem que não há uma única verdade.
Existe sim, a verdade de cada um. A luta de cada um. A dor de cada um. A injustiça e as feridas que a vida abre em cada um.
Rico, pobre, negro, branco, mulher, homem, esquerda, direita, religioso, pagão. Seres humanos.
Todos passamos por perdas e todos temos parâmetros de acordo com o meio em que nascemos e que vivemos.
Por isso mesmo, ninguém tem o direito de diminuir a dor do outro.
Então se você é daqueles que acha que todo grito é “mimimi”, pare um pouco e coloque-se no lugar de quem grita.
E faça como eu: se não conseguir sentir a dor alheia, pelo menos, respeite-a.
Você não precisa empunhar uma bandeira e lutar, mas por favor, não desmereça a luta dos outros!
O resto é mimimi. De verdade.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

San Andrés!

Não sei por onde começar. É incrível não encontrar palavras, porque há coisas que só os olhos e o coração conseguem transmitir com exatidão. Vou tentar traduzir. Embarquem comigo para a Colômbia e esqueçam todo e qualquer preconceito contra esse país. Embarquem no Vôo 051 da Avianca e vamos fazer conexões em Lima, Bogotá e finalmente, San Andrés. Ou paraíso, como queiram. São 4h30min até Lima. 2h45 min até Bogotá. 1h40 min até a ilha. Há 2 horas e 30 minutos mais ou menos de diferença de fuso horário no destino final, você ganha mais de duas horas de sol na chegada!

A ilha! Disputada entre Nicarágua e Colômbia, até finalmente ser decretada colombiana oficialmente. De colonização espanhola e inglesa em sua maioria. Muitos escravos também desembarcaram por lá. Como por todos os lugares, triste parte de nossa história. Tem 26 km quadrados, literalmente um pedacinho do paraíso. Um pedacinho bem pequeno.

O povo: nativos que falam o espanhol, um pouco de inglês, e entre si, tantas vezes o Crioulo. É fácil de se comunicar e se fazer entender, muito embora não seja um povo muito falante e cheio de informações como as comunidades turísticas profissionais que conhecemos.

Porém, como tudo lá é muito simples e muito perto, em um dia, você já se sente em casa.

O destino: por estar situada no mar do Caribe (muita gente pensa que caribe é um país. E muita gente ainda não sabe que há muitos países banhados pelo mar do Caribe) você já sabe o que vai encontrar: um mar de azul cristalino e de uma natureza exuberante e bela. Mas a ilha de San Andrés tem um charme a mais. Não sei dizer exatamente o que, mas já naveguei por outras águas caribenhas, em outros países e nada me encantou de tal forma.

O “Mar Del Siete Colores”, como é conhecido, tem muitas matizes mais. É um abraço quente, um mergulho renovador, um afago na alma e um convite a deixar todos os problemas para trás. Tudo fica no avião. Para a ilha, você só leva encantamento.

Sim, é uma comunidade pobre. O trânsito caótico é extremamente divertido, porém apesar do perigo e da gritaria, não presenciei um acidente ou incidente. Milhares e milhares de motos, carrinhos de golfe, táxis, mulheres com seus bebês de poucos meses, a tiracolo, famílias inteiras em uma moto, e nada, nada de capacetes não.

As casas ao redor da ilha ou têm influência da arquitetura inglesa, ou são feitas de madeira e muitas folhas de coqueiros para garantir a sombra. Cor. MUITA cor. As cores da Colômbia adornam os coqueirais, os divertidos bares à beira mar e tudo o que se possa imaginar. É uma miscelânea tão grande que do caos, até que podemos chamar de arte.

O centro é bem mais organizado e moderno. Área livre de impostos é um imenso free shop com todas as grandes marcas que você sonhar. E preços que você nem sonha.

É chamado “Caribe que você pode pagar”. E realmente você pode.

San Andrés é encantador porque é original. Apesar de possuir a rede de resorts Decameron, com seus cinco hotéis, e alguns outros poucos nomes famosos, a ilha ainda é do seu povo.

Encontramos pousadas charmosas e acolhedoras administradas por colombianos. Restaurantes de cozinheiras de mão cheia, nativas daquela terra. Bares e locais pitorescos, passeios de barco e lancha rápida, administrados pelos locais e extremamente baratos. MUITO! Evite as grandes redes, os preços são em dólar e pouco convidativos.

Não tem o glamour de Punta Cana, nem o show de uma Las Vegas em Cancun, mas tem natureza pura, selvagem, inigualável.

Na ilha, você aluga uma moto (R$ 70,00) e durante um dia vai parando de praia em praia para curtir cada cenário deslumbrante. São praias de areia branca e fina, de rochas afiadas, de corais. De ondas ou sem uma onda sequer. Azuis, verdes, brancas. Com peixes, iguanas, gaivotas.

Dois passeios são obrigatórios (não deixe de fazê-los!):

Jhonny Cay- Uma pequena ilha de mar fluorescente e digno de cenário de Piratas do Caribe. São 10 minutos em lancha rápida, e o preço por pessoa é de R$ 15,00. Mais R$ 5,00 para entrar na ilha- taxa de preservação. Aí você passa o dia todo. Os passeios partem a partir das 8h30 e voltam às 15h30. Depois a ilha fica completamente vazia.

A comida na ilha também é deliciosa e super acessível. Peixe, arroz, fritas e salada por R$ 25,00. Lagosta por R$ 60,00. Para duas pessoas. Os coquetéis variam de R$ 10,00 a R$ 15,00 e a água custa R$ 3,00.

Aquário- Esse lugar é o mais bonito que já estive na vida. Duas pequenas ilhas. A primeira é um banco de areia onde os corais formam piscinas naturais. Você precisa ter um snorkel e um sapatinho para caminhar entre os corais (aluga a partir de R$ 10,00 na própria ilha, ou compra antes pelo mesmo preço. Os mais profissionais estão R$ 25,00). A segunda ilha é um gramado cercado de coqueiros que te convidam para o descanso à sombra entre um banho de mar e outro. O mar.... ah o mar!!! Você atravessa de uma ilha a outra a pé. Entre peixes, ouriços e arraias.

Esse passeio custa R$ 15,00 por pessoa. É feito em lancha rápida também. Nessa ilha não há muita opção de comida. É possível levar seu próprio lanche.

Dica: Não faça os dois passeios juntos. As agências costumam vendê-los num único dia. Mas vira um corre-corre sem fim. Faça um passeio por dia. 90% dos turistas deixam a ilha em uma hora e você fica com aquele paraíso todo para você! Até partir a última lancha.

Hotéis: a rede hoteleira é variada e os preços também. Então você pode pagar a partir de R$ 180 reais por dia, até mais de R$ 1.000 por dia com all inclusive, e passar bem de todas as formas. Conforme seu orçamento permitir.

Esse passeio foi organizado pela Navetur, e com todo carinho preparado para ser uma experiência única e econômica. Meus gastos foram muito inferiores a qualquer pacote para o Nordeste ou Santa Catarina.

Pagamos tudo na moeda local, o peso colombiano. Está variando entre R$ 90 centavos por mil pesos colombianos a R$ 76 centavos por mil pesos colombianos, dependendo de onde você trocar.

A água na ilha é artigo raro. Não há água potável. Em quase todos os locais a água das torneiras é um tanto salobra. Eles investiram em processos de dessalinização da água dos poços e do próprio mar. Então para beber, como diz Carlinhos: olha a água mineral! Ou a cerveja colombiana! A Aguia foi nossa preferida, ao custo de R$ 3,50 a latinha.

Como vocês podem perceber, San Andres realmente é acessível. 80% do turismo lá é feito pelos próprios colombianos. Mas nós brasileiros, cansados de tanta exploração, estamos começando a embarcar para este lugar inigualável e acessível.

Viajar sempre é um investimento. Nos torna mais felizes, mais cultos, mais empáticos, mais humanos e mais ricos. Ricos em cultura. Foi um imenso prazer estar neste lugar desenhado a pincel fino por Deus! Foi um sonho que durou 6 dias e cinco noites, rendendo lembranças felizes por uma vida toda!

Obrigado Colômbia!























sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O que o espelho dos deuses refletem de você?

Conta a lenda que quando a deusa Ética resolveu descer do Olimpo, tomou forma de uma linda mulher, para impressionar a humanidade. Já por aqui, deslumbrava a todos que viam sua resplandecente figura ao longe. Porém, quanto mais a Ética se aproximava, mais as pessoas mudavam suas expressões e fugiam.Triste e desiludida, a Ética resolveu voltar para junto dos deuses, e no caminho encontrou a deusa Verdade. Percebendo a decepção da amiga, perguntou o que acontecera.
Ética explicou que apesar de ter descido em forma de uma bela mulher, todas as portas se fecharam, bem como os sorrisos. Todos se afastaram. Então a Verdade esclareceu a situação. “Cara Ética. A culpa não é sua. Nós, deuses, quando descemos para a Terra, por mais belos que estejamos em nossa forma humana, simplesmente nos tornamos espelhos de quem se aproxima de nós”.
Eu fico me perguntando qual meu reflexo no espelho dos deuses. E também me conformo em saber que o reflexo muda, conforme passam os anos. Embora a gente envelheça por fora, acredito que fiquemos mais bonitos por dentro, quando adquirimos mais sabedoria, humildade, generosidade, empatia.
Conheci muita gente que sofreu um envelhecimento precoce. Na velocidade de apenas uma conversa.
Aquele sorrisão branco, com os dentes perfeitamente alinhados. Pele lisinha. Com roupas bonitas, perfumes caros, cabelos sedosos, gestos milimetricamente delicados. Aquela pessoa que chega e chama atenção. Cuja beleza resplandece à distância.
Mas cuja pele se enruga e perde a cor. Cabelos vão caindo, quebrando, perdendo o viço. Cujas unhas escurecem e crescem retorcidas por todos os lados. Cujos dentes, ao nos aproximarmos, são escuros e corroídos. Cujo hálito deixa os locais contaminados, impregnados. Cuja voz incomoda os tímpanos. Cuja presença deixa o ambiente pesado, sombrio e triste.
Não há beleza que resista a uma alma amarga.
A uma boca que serve somente para diminuir os outros.
A uma mente doentia que inventa, aumenta ou simplesmente espalha as desgraças alheias.
A um dedo que aponta.
A um olhar que julga sem justiça.
A uma palavra maldita.
Há tempos consigo ver como é feia e triste a figura de quem fala do alheio.
Alimenta-se de pequenas e grandes tragédias.
Ri das desgraças da vida.
Aponta deslizes.
Envenena amizades.
Espalha dor.
E reproduz a maldade.
São os que fogem da ética e não se reconhecem no espelho da verdade.
São tão feios por dentro, que a escuridão que carregam escapa pela boca toda a vez que deixam jorrar de dentro de si aquilo que o coração está cheio: frustração.
Gente bonita diz coisas bonitas. Gente bonita carrega coisas bonitas do lado de dentro.
Gente bonita reflete luz.
Gente bonita não é só bonita na aparência. Gente bonita de verdade faz o mundo mais belo.
O que os espelhos da ética e da verdade refletem diante de você?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Eu estou na moda!

Bem vindos a um novo tempo.
O tempo das pessoas comuns.
Eu sou Michele. Moro numa cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul, com 25 mil habitantes. Peso 61 quilos (depois de dois dias sem comer, sem roupa, sem ar nos pulmões e sem brincos) e devo ter 1,67 de altura.
Sofro horrores com meus cabelos, e não é uma questão de aceitá-los como são, por serem afro ou cacheados ou sei-lá-eu-o-quê. Eles são feios mesmo. F-E-I-O-S ao natural.
Tenho mil e um complexos disfarçáveis facilmente com uma maquiagem e muito embora não me considere feia, conheço pelo menos mais duzentos bilhões de pessoas mais bonitas que eu.
Trabalho feito um camelo no deserto pra ter alguns dias de oásis. Tenho uma filha linda que é minha maior riqueza, mas tem apenas três anos e energia de sobra. Coisa que me falta, após acumular três empregos diferentes para ter um salário decente. (Obrigado Deus, vida, universo pelas oportunidades de trabalho! Gratidão, gratidão, gratidão!)
Mas o que quero dizer é que quando soa a badalada das 22 horas eu já sou abóbora há pelo menos duas... quando a noite chega me sinto aquela maratonista famosa, a Gabriela Andersen, que cruzou a linha de chegada fraca, desidratada e a beira de um desmaio, toda retorcida e arrastando uma perna, na Maratona Olímpica de 1984.
Mas eu tô na moda.
Sim, finalmente eu estou na moda.
Eu vivi para estar na moda.
Compartilho minha alegria com vocês, porque nestes últimos meses diversas oportunidades de trabalho têm surgido para que eu use minha experiência de mais de 20 anos na Comunicação, para apresentar produtos locais simplesmente porque eu GOSTO e eu USO!
Tô falando de lojas, fábricas e empreendedores que usam redes sociais de pessoas normais para mostrar como roupas incríveis, acessórios maravilhosos, serviços de qualidade também deixam pessoas comuns felizes.
Sim. Uma roupa bonita te deixa feliz. Um cabelo bem tratado e obediente te deixa feliz. Um brinco incrível te deixa feliz. Uma produção de maquiagem, foto te deixa feliz.
Porque quando a gente se enfeita, se enfeita para algo bom. Uma festa, um encontro, uma celebração.
Nunca vi ninguém ir ao cabeleireiro para um velório. A não ser o defunto. Porque até esse merece se despedir da vida com dignidade e beleza.
O que quero dizer é que apesar da internet tornar tudo tão vago e tão virtual, ela está tendo um efeito colateral maravilhoso: nos aproximar das coisas boas da nossa terra.
Onde encontro aquele estilo incrível da minha vizinha, que se veste tão bem? Onde a Maria pintou o cabelo mesmo? Quem fez as mechas na Antônia?
Olha o Josué num lugar paradisíaco, como eu chego aí? Carol, quero um colar igual ao teu! Luciane, tem ainda aquela blusinha linda que eu tinha visto no face?
Gente, olha a Luisa, depois que começou a academia realmente teve resultados. Me explica como eu faço pra mudar meu estilo de vida?
Sim. Apesar de recebermos informação de grandes marcas através das Tops internacionais, apesar de invejarmos as blogueiras e suas vidas (supostamente) de cinema provando sabores e desfrutando resorts sempre vestidas pelas grandes marcas, é aqui, agora que a gente vive.
Aqui passamos nossos dias, influenciadas por pessoas reais que nos inspiram. As receitas da nossa mãe. A roupa linda que nossa amiga encontrou no brechó ou postou no grupo de vendas. O passeio revigorante às nossas cachoeiras.
A mãe do coleguinha da minha filha que me ajudou a ficar mais tranquila de deixá-la na escola. A minha maquiadora preferida, que consegue afinar meu nariz como ninguém. O meu prato do coração ( e do estômago) no restaurante da cidade. A comida japonesa, mexicana, árabe que finalmente chegou por aqui!
Você é minha referência. É você que eu vou procurar. É com você que quero conversar.
Você que tem ideias engraçadas, inteligentes, sensatas. Você que tem sempre um programa divertido pra sugerir. Um filme legal, um livro. Uma nova bebida no Primo Café.
Uma massoterapeuta incrível.
Um creminho milagroso que você usou.
Uma loja cuja vendedora é uma simpatia. Em que os preços estão lá embaixo.
Onde começou aquela mega promoção.
Por favor, pessoa real: surja na minha timeline.
Apareça, manifeste-se, some, inspire, exista!
Chega de ficarmos presos a estereótipos de idade, tamanho de manequim, tipo de cabelo ou comportamento.
Estamos na moda. Todos nós. Ditamos tendência. Somos reais.
Que a indústria da publicidade se encaixe na gente.
Estamos cansados de tentar nos encaixar no minúsculo espaço dos padrões inatingíveis.
Um beijo!

sábado, 14 de janeiro de 2017

Não entre, sem ser convidado!

Por favor, não invada a linha do tempo de uma rede social como quem entra na casa de um amigo ou conhecido e vai direto à geladeira servir-se de cerveja, azeitona e queijo picado. Não deite no sofá da timeline com o controle remoto da televisão na mão, com seus canais favoritos sendo zapeados, enquanto o dono da casa assiste perplexo o hóspede espalhado. Sinceramente, o comportamento de quem comenta suas postagens fala muito mais sobre o visitante do que sobre você.
Com exceção de perfis preconceituosos, que incitem violência, cada um é livre para postar o que quiser, quando quiser, como quiser.
Esse ambiente familiar chamado Rede Social é como a casa da gente. Portas fechadas, pequena, recatada, minimalista, limpa, cheirosa, organizada, florida. Bagunçada, enorme, portas escancaradas, sujeira pra todo lado, terra seca. Têm os acumuladores, aqueles postam tudo o que fazem e aqueles que só observam.
Os que são de esquerda, de direita, e volta no meio.
Os que sambam, os que pagodeiam, os que dançam vanerão e outros que odeiam sertanejo, funk e Wesley Safadão.
Tem eu, tem tu, tem vós, pais, mães, tios, tias e tem eles também.
Tem quem viva deitado no sofá e tem aqueles que vão pra rua.
Tem quem bata panela e tem quem afirme que é golpe.
Tem de tudo um pouco. Cada um espiando pela janela.
Agora, dar pitaco na casa do outro, limpar sua sujeira no tapete do vizinho é no mínimo muito, muito chato. Pra você, é claro.
Desde que o mundo é mundo, é preciso conviver com as diferenças. Principalmente com as diferenças de pensamento.
Manter uma certa linha de respeito, dignidade e civilidade é fundamental, até mesmo numa rede social. Não seja o chato palpiteiro em terreno alheio.
Cuide da sua casa, cultive seu jardim, regue suas rosas e cuide bem da sua vida. Reveja suas atitudes, mantenha os limites do seu espaço e respeite o espaço do outro.
Eu sou católica, mas tenho inclinações pro espiritismo, heterossexual, mas super apoio o amor em todas as formas, no mundo LGBT eu sou S. Leio horóscopo, acredito em ETs, meu livro preferido é “O Pequeno Príncipe”, apoio quem não come carne, mas ainda não evoluí suficientemente para abrir mão do churrasco. Isso não me descredencia a defender os animais. Talvez me torne um pouco hipócrita, verdade. Sou casada só na prática, não no papel. Nunca quis subir ao altar vestida de noiva. Tenho uma filha, que vai ser filha única. Não pretendo acumular bens nessa vida, me contento com minha casa e minha bagagem de viagens, que espero que sejam muitas, até o fim da jornada. Se tudo der errado, eu começo outra vez, tudo bem. Acho que sou de direita, mas já votei na esquerda e votaria de novo, se acreditasse nas boas intenções de alguém.
Sou o que sou, mas amanhã serei diferente, e por incrível que pareça, embora às vezes me sinta um pouco incomodada com coisas que considero radicalismo, convivo perfeitamente e harmonicamente com tudo aquilo e aqueles que são o oposto do que sou e do que penso.
Eles me transformam e me fazem ser o que serei amanhã: melhor que hoje.
Não lembro de ter dito uma palavra ofensiva a alguém que fosse totalmente diferente de mim ou contrário àquilo que acredito. O que não me faz melhor que outras pessoas, porque sinceramente, mentalmente já dei voadora no peito de muita gente chata. O fato de não ter dado é que faz toda a diferença nesse mundo violento.
Violento em palavras, gestos, emoções. Gente que escancara e publica todo o ódio, o destempero e o desequilíbrio possível e imaginável.
Gente que não poderia ter um perfil numa rede social, porque sinceramente, jamais teve perfil para conviver em sociedade, já que para (con)viver em sociedade, respeito é o ingrediente básico. Então, tire seus pés de cima da minha mesa, devolva-me o controle remoto da minha televisão, feche a porta da minha geladeira e só entre na minha casa se for para fazer meu dia melhor. Caso contrário, ficaria imensamente grata se você parar de me visitar.
E juro, nem vou sentir sua falta.

Amor maior que eu


Somos feitos de muitas contradições. Bondade, maldade, luz, sombras, solidariedade, egoísmo, humildade, soberba, e todas as ambiguidades que povoam a alma do ser humano. Mas tornar-se mãe, é retirar de dentro de si a melhor parte, e depositar no outro. Não à toa as mães afirmam, assim que dão a luz, que o coração bate fora do peito.
É a melhor tradução da maternidade. Todo seu amor personificado naquele pequeno ser, que até então, era parte de você. É isso.
Está sendo difícil, confesso, perceber que minha menina é um ser além de mim. Ela não sou eu, embora tenha sido. Gerada em meu ventre, alimentada de meu sangue e de meus sonhos, o melhor de mim, dentro de mim mesma.
E agora percebo que ela, não sou eu.
É difícil não ser egoísta nestas horas. Difícil admitir que com apenas três anos ela já seja um ser com personalidade, desejos, rotina e gostos independentes dos meus.
Difícil vê-la escolher suas roupas, decidir por si se quer o cabelo preso ou solto, afirmar que não gosta disso ou daquilo e expressar sua vontade diante de passeios e programações.
Vejo-a dançando suas coreografias, cantando suas musiquinhas e criando personagens imaginários em suas brincadeiras infantis.
Suas frases e conclusões próprias e as coisas que diz e que nunca antes tinha escutado no ambiente familiar. Ela já pensa por si só. E absorve informações muito além de casa.
Ela cresceu. Não é mais o bebê dependente, e eu não sou mais a mamãe canguru.
Como dói e como me alegra olhar da plateia, ou como mera coadjuvante, minha pequena menina em cena, a brilhar num papel que é só dela.
Neste dia 18 de dezembro, minha garotinha completa 3 anos. Oficialmente entra na infância. “Mãe, eu não sou mais bebê”.
Verdade Olívia. Embora eu sempre te ofereça meu colo, percebo que preciso deixá-la construir caminhos pelos próprios passos.
Vejo da maneira mais clara e realista possível que sim, somos frutos do meio onde vivemos, dos sentimentos e educação que recebemos, das oportunidades que obtemos, mas acima de tudo, viemos pra esse planetinha prontos.
Não somos marionetes. Embora sejamos seres lapidados pela vida, quando descemos a esse mundo pelo ventre de nossas mães, já somos um ser com características próprias e únicas. Uma joia rara.
Meu pequeno diamante!
Reparo no seu senso de humor, personalidade. No seu riso fácil e na sua sensibilidade incrível. Na sua pureza e inteligência. Nas suas decisões e em seus medos.
Percebo que não sou você. Fui apenas um instrumento de algo maior, uma força além de mim mesma, para trazê-la a este mundo, para cumprir sua missão.
Fui ponte. Fui meio. Você é o fim.
Uma obra de arte que já não pertence ao artista.
Todas as mães precisam controlar esse sentimento de posse em relação aos filhos. Tenho praticado isso diariamente. Tenho dividido você, meu diamante, com o mundo.
Você é livre, independente. Você é um ser individual e completo.
Mas eu já não sou. Porque foi em você que depositei o melhor de mim. Como uma doadora de órgãos, deixei meu coração bater fora do peito. E dentro dele, está a única felicidade possível para uma mãe:
A felicidade de dar asas para um filho voar e ser eterno ninho, para quando ele quiser voltar.
Não posso simplesmente dizer que te amo. Porque você é meu amor, puro e verdadeiro, que respira, sorri e vive, fora do meu peito.
Feliz aniversário, minha menina!