Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Eu tenho a força!



Oi geeeente!


Pelos poderes de Greyscow, EU tenho a FORÇA!


Quem não assistiu He-Man? Eu, particularmente, brincava que era a She-Ha. Lembram? A tradicional frase que o Príncipe Adam usava para obter o poder, destacava a força.

Me peguei perguntando se o poder corrompe. Ou melhor, se o poder corrompe a todos.

Nunca fui pelo uso de força, nem a força bruta, que acredito ser a defesa dos bichos, e não das pessoas, nem pela força do grito. Outro dia, devido às línguas ferinas de pessoas da cidade, me desentendi com uma moça. Engraçado que só nos entendemos quando paramos de falar alto.

Eu que sou totalmente contra o grito e a ofensa, quando ouvi minha voz mais alta do que o necessário, me desconheci. Talvez porque “achava” que estava com a razão, me dei o direito de pensar que “eu tinha a força”.

Engraçado que terminei a discussão com a força de um pedido de desculpas, e o poder de um sorriso.

Quanta gente bem criada, chique e no salto alto que resolve as coisas através da humilhação, do grito, do desacato, da calúnia e da mentira. Às vezes percebo que o poder, talvez não corrompa uma pessoa, talvez mostre quem ela verdadeiramente é.

Conheci um rapaz simples, humilde, que sofreu muito na vida, e que era uma simpatia... antes de se tornar policial militar. Para ele, a função conquistada, e o poder que lhe foi conferido, não o tornou uma pessoa melhor, com a consciência de que ele serve à sociedade, precisa defende-la. Deu a ele a impressão de que ele tinha a força.

Nas abordagens, ao invés de usar da gentileza, para demonstrar que podíamos confiar nele, que ele era um representante da paz e da justiça, ele usava do poder da lei para ser grosseiro, humilhar os demais, ser intransigente, debochado, e fazer uso abusivo da autoridade que tinha.

Pessoas assim ganham fama na cidade, e acabam por generalizar toda uma categoria. Como sempre, os bons pagam pelos maus.

Falo isso como um exemplo, não como uma crítica, porque aqui mesmo na cidade conheço o comandante da Brigada, o Capitão Oliveira, e um policial muito querido, o Vilmar, que são exemplos de como o poder pode transformar para melhor.

Mas em todos os setores da sociedade, do público ao privado, dentro do Executivo, do Judiciário, do Legislativo, da empresa, da entidade, dentro de casa mesmo, conhecemos exemplos de pessoas corrompidas pela sede de poder.

Sinto medo de estar nas mãos de alguns despreparados que aprovam leis, governam cidades, estados, nações. Sinto medo da pessoa mau caráter e de má índole, que está entre aqueles que devem promover segurança e nos defender dos “criminosos”.

Daqueles que imprimem no seu povo, nos seus comandados ou seguidores, o poder como forma de dominar.

Não permitem a liberdade de expressão, a liberdade de discordar, a liberdade de ser diferente.

Tenho medo do poder.

E sinceramente, no meu caso, morro de medo do poder das palavras. Será que elas têm me transformado em alguém melhor, ou simplesmente, em mais uma pessoa hipócrita?



“Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder."

(Abraham Lincoln)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Uma cicatriz

" Peço-lhe neste instante que faça o favor de concordar comigo, que uma cicatriz nunca é feia.
Isto é o que aqueles que produzem cicatrizes querem que pensemos.
Mas você e eu temos que fazer um acordo e desafiá-los.
Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo.

Combinado?

Este vai ser nosso segredo.
Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto.
Uma cicatriz significa: Eu sobrevivi."



* Trecho do emocionante livro "Pequena Abelha", de Chris Cleave.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Espelho, espelho meu...

Oi geeeente!!!




Tudo? Estava eu me roendo de inveja do gaúcho que ganhou mais de 100 milhões na mega-sena, quando lembrei que nunca joguei, em toda a minha vida.



Aí, achei muito original a ideia de um guaporense, que disse que se tivesse ganho aquela grana toda, ficaria bem quietinho e montaria na cidade uma fábrica de velas. Um mês depois, apareceria de carro novo. Seis meses depois, de casa nova. Um ano depois, compraria uma super moto, um carrão para a mulher, um camionetão pro filho, e sairia seis meses em viagem de volta ao mundo.

Quando retornasse a Guaporé, haveria uma fábrica de vela para cada mil habitantes. E ele seria taxado, no mínimo, de traficante.

Ele tem razão. Guaporé, infelizmente, é uma cidade que possui, segundo dados estatísticos comprovados na pele, a maior concentração de invejosos por metro quadrado.

Ô gente pra colocar olho gordo na vida alheia. E não é só o pobre que inveja o rico, não. Isso até seria aceitável. Mas e quando acontece o contrário? O rico e poderoso, perseguindo o menor e mais fraco? A grande indústria, exterminando a pequena? A mega empresária acabando com aquela costureira que resolveu montar confecção própria? Isso sem falar na inveja nas entidades, clubes e sociedades, no trabalho, entre “amigos”, na área afetiva, nos partidos políticos, entre outras.

Aqui, quase todo mundo já ouviu falar mal de si mesmo. Sim, é comum escutarmos: “Fulana falou isso, isso e mais isso de ti”. Se fosse pela língua alheia, Guaporé poderia ser considerada a segunda versão de Sodoma e Gomorra.

Aí, meus queridos, só Jesus salvaria!
A verdade é que não é assim, não! A grande maioria das fofocas é inventada ou aumentada pela língua dos invejosos. Eu queria fazer o teste e verificar, em 50 anos, como Guaporé se desenvolveria, se todos os invejosos fossem exterminados.
Mas amados meus... quem, quem nunca foi contaminado pelo câncer da inveja? Eu sou picada por essa cobra (uiiii!!! haha) quase que diariamente! Quando me vejo colocando olho gordo, ou desejando o mal de alguém, automaticamente me corrijo. Inveja faz mal para quem sente, muito mais do que para quem é alvo dela.

Conheço pessoas tão obsecadas em destruir outra, que vivem 24 horas por dia cuidando da vida do alvo de seu ódio. São mulheres lindas e bem sucedidas que perderam seus amados para a concorrência. São homens dor de cotovelo que viram suas amadas bater asas e voar pro terreno do vizinho. São empresários que não suportam não serem os únicos. São políticos que não querem perder o lugar no partido, líderes que vêem seu lugar ameaçado, jovens que não conseguem ver o grupo rival se divertir... e por aí vai.

Li um texto do Dr. Luis Fernando de Campos Velho, que explica a inveja. Ele diz que todos nós, quando somos gerados, quando nascemos, amamos profundamente nossas mães. Fazemos delas nossos objetos de adoração e desejo. Afinal, dependemos dela para vivermos. Então, percebemos que temos que dividi-la com o mundo. Nos sentimos roubados. E a partir daí, sentimos o amargo gosto de invejar quem nos “roubou”.

“As privações, quando excessivas, são sentidas como um roubo, do mesmo modo que, no adulto, o afastamento de alguém muito amado e necessitado, pode provocar despeito e espírito de vingança. Portanto, uma sequência de duras feridas prepara o cenário para a manifestação da inveja.

O invejoso busca incorporar a pessoa invejada, geralmente revestida por fetiches, como a beleza, a riqueza, o poder ou o prestígio. Diferente é a admiração, em que ocorre uma sadia identificação com a pessoa admirada, e pode ser um ponto de partida para o crescimento individual. O antídoto para a inveja é o amor.”

E isso é bem verdade. Liberte-se da inveja. Ame de verdade. Seu amado ama outra e te faz sofrer? Procure alguém que ame VOCÊ de verdade, ao invés de voltar suas forças para destruir a rival. A grama do vizinho é mais verde? Quem sabe seu jardim precise ser regado? Seu negócio não vai bem? Mude de ramo, ou use da criatividade para crescer.
Enquanto você ficar aí, invejando a felicidade do outro, não terá tempo para correr atrás da sua.

 
Eu particularmente, quando me sinto invejada, ou sinto inveja de alguém, paro, fecho os olhos e rezo. Peço sinceramente para encher meu coração e meus pensamentos de coisas boas, para que eu possa focar meus melhores sentimentos naquilo que conquistei e naquilo que ainda vou conquistar. E vou dizer pra vocês: dá certo. Eu mudei muito nos últimos anos. E pretendo continuar mudando, sempre para melhor.

E você?

“O número dos que nos invejam confirma as nossas capacidades.”

Oscar Wilde



E pra fechar... “De inveja não morro... mas mato um bocado!” Hahaha

Me escrevam: michele@tl.com.br

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

De volta ao começo...

Oi gente.

(Sim, nada de “Oi geeeeente!!”)



Hoje estou cansada.
Acho que as vezes você se sente assim também. Olhe ao redor. Observe as pessoas que costumam estar presentes em festas e eventos da cidade. Reparem suas roupas, maquiagem, seus sorrisos e seus assuntos.
Reparem a beleza e o vazio de suas atitudes. Reparem como dançam e balançam seus copos cheios. Reparem nos seus papos vazios.
Todos se conhecem, se misturam e são homogêneos em suas diferenças. Praticamente todo mundo tenta ser igual.
“Me espanta que tanta gente, minta descaradamente, a mesma mentira.”- diriam os Engenheiros do Havaí.
As vezes penso na futilidade das coisas e das relações. Percebo como há uma necessidade de superexposição. São 32 dentes aparecendo o tempo todo. Cabelo impecável. Amigos descolados. Roupas novas. Muito gloss e purpurina. O grande lance é ser amigo satélite de um astro maior, e sugar luz de sua popularidade, afinal é preciso brilhar
Ora, todos temos brilho próprio. Basta sabermos fazer nossa luz acender.

Fico pensando onde estão os amigos de infância, aqueles que andaram de bicicleta e que caíram de árvores com você? Onde está a melhor amiga que ficou do seu lado, quando você sofreu a primeira decepção amorosa de sua vida? Onde estão seus colegas de escola, seus amigos de faculdade? Seus amigos de verdade?

Perderam-se entre escolhas fundamentais entre o ser, e o ter. Entre o sentir e o aparentar.

Eu tenho conhecido tanta gente, tenho conversado sobre tantos assuntos, tenho sido tantas Micheles diferentes, que me perdi de mim mesma.

E noto que tem muita gente se perdendo. O que está valendo é quem está melhor vestido, quem tem o melhor carro, quem tem o maior número de amigos, quem faz a melhor festa, quem fala mais alto, quem tem mais programas na agenda, quem fica menos em casa.

Quero parar e respirar.

Quero que me convidem pra ficar em casa. Para ver um bom filme. Para ler um bom livro. Quero ter um amigo que compartilhe o silêncio. Quero ter paz na solidão.

Quero ficar de pijama. Chinelo de dedo. Cabelo desarrumado.
Quero sentar na varanda, observar a primavera, e se puder, acampar no meio do mato. Quero conviver mais com bicho do que com gente. E de preferência, não, não quero saber das novidades.
Não quero que me desejem, nem que me achem bonita, nem inteligente. Não quero que pensem nada sobre minha aparência. Só quero perto de mim pessoas que saibam quem eu sou, e não como eu sou. E que estejam do meu lado quando meu rosto enrugar e minha bunda cair.
Chega de grupos de homens e mulheres que riem muito, que tem opiniões sobre tudo, mas que no silêncio, se constrangem, e se transformam em estranhos.
O que percebo são sorrisos amarelos, amizades com laços frágeis e sem nós. Nada os prende de verdade.
Muita teoria, pouca prática.

 
A moda é falar sobre quem está com quem, quem traiu quem, deixando de lado assuntos que realmente importam. Falamos tanto dos outros, para evitarmos olhar e falar sobre nós mesmos.
Pense bem, se você for realmente falar de você, alguém vai escutar?

 
É preferível cuidar da vida dos outros, assim você esquece a sua. Vamos fingir ser alegres. Vamos fingir ser bem enturmados. Vamos fingir ser felizes.


 
Por falar nisso, com que roupa você vai sair hoje?



Gente, escrevi isso, como uma crítica geral a todos nós, que as vezes, deixamos escapar entre os dedos o que realmente importa. E aí, quando for tarde demais para resgatarmos esses valores, nenhum prozac dará jeito!



Para finalizar, nossa frase semanal... vamos evitar ficar como o amigo aí embaixo:



“Sou tão solitário que falo com meu caderno. Ele não fala, mas com aquele monte de orelhas ele presta uma atenção...”

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O que você quer, de verdade?

Oi geeente!



O que você quer, de verdade?

Tudo bem meus lindos e minhas lindas? Nooossa, a repercussão da coluna sobre a roupa da mulherada abalou geral. Muitas pessoas comentaram comigo, umas concordando, outras discordando. E viva a democracia!

Mas eu gostei do resultado, principalmente porque abriu uma brecha pra eu explicar uma coisa: 99,9% dos personagens que aparecem por aqui são inventados. São ilustrações usadas para que eu possa me fazer compreender, chocar, fazer rir, fazer pensar, revoltar, ou fazer com que as pessoas se identifiquem (ou não) comigo.

Sou paga não para falar de uma pessoa, criticar alguém, ou aplaudir alguém. Mas sim para analisar tendências e comportamentos. Ações que causem reações na sociedade.

Esse blá-blá-blá introduz o que eu quero dizer hoje:

O que você faz, a forma como se comporta, a forma como você se veste, se diverte, convive com seus amigos, reflete o que você quer e quem você é de verdade?

Uma moça aqui da cidade saia escondido com um cara há cerca de 2 anos. Eram os melhores amantes, o sexo era demais, o fato de não revelarem o romance, de saírem juntos só no final da festa e só se encontrarem no motel era excitante. Ela realmente gostava muito dele, não saía com mais ninguém e contava os dias para que ele propusesse um namoro. Mas pensava que o que mais o deixava apaixonado era o segredo, o frio na barriga, a cumplicidade. De repente ele apareceu namorando sério. E deixou dela.

Ela, desesperada, perguntou: O que eu fiz de errado? Porque você fez isso comigo?

Ele respondeu: - Jamais poderia imaginar que você queria alguma coisa séria. Sempre achei que fosse só uma curtição pra você.
Outra amiga foi em uma loja e resolveu ser moderna, sexy e inovar no visual. Realmente vestiu uma roupa que não condizia com a personalidade dela. E ficou muito, muito chateada quando os homens começaram a agir como se ela fosse uma mulher fácil. Ela deu a entender, com o estilo provocante que usou, que realmente estava em busca de diversão, companhia, sexo. Porque provocava esse desejo nos homens.

O que estou tentando explicar é que tudo bem se você adora um romance de uma noite. Ama se sentir desejada pelos homens. Ou acha realmente que uma relação só por prazer seja o sonho de consumo da mulher moderna. O importante é ser feliz.

O problema, é que a grande maioria das mulheres não acha isso. A grande maioria quer receber uma ligação no dia seguinte, e ainda se derrete ao receber flores.
Mas, para parecer modernas, independentes e descoladas, elas não deixam transparecer isso.

Talvez a igualdade dos sexos esteja nos transformando “na aparência”, em quem não somos. Infelizmente estamos mascarando nossos reais desejos, atrás de comportamentos que julgamos atuais. Beber, dançar freneticamente, ir a festas praticamente todas as noites, sair com diversos homens, sem compromisso está virando regra, não exceção entre as mulheres.

Mas no final da festa, deitamos nossa cabeça no travesseiro e choramos, sozinhas, o nosso vazio e a nossa solidão.

Seja verdade. Seja você mesmo. Ser solteira por opção, só vale se a solteirice lhe fizer feliz. Senão, não é cafona, nem ultrapassado procurar alguém para amar e respeitar.

“Cada um sabe a dor e a delícia, de ser o que é.”

 
Se você é recatado, se você é tímido, se você é caseiro, tudo bem. Talvez você não seja o mais popular, o mais divertido, o mais moderno. Mas se for amado, vai ser pelo que você verdadeiramente é. E não precisará representar nenhum personagem. Fale o que você sente. Aja de forma que suas atitudes lhe tragam felicidade. Não queira ser quem você não é, e jamais se veja obrigado a imitar o comportamento dos outros.

"Assim que você confiar em si mesmo, você saberá como viver."

(Goethe)

 
Bom meus amores, por hoje era isso. Escrevam, sugiram pautas, falem mal dos outros, ou falem mal de mim, mas falem... através do e-mail: michele@tl.com.br

Aguardo sugestões de pauta!
E pra fechar, quem acha que nossa coluna não tem nada de útil, eu deixo o pensamento da semana:

Papo construtivo é conversa pra arquitetos.

Beijos!