Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia...

Oi geeeente!


Minhas calças não me servem mais. Tampouco os shortinhos. As saias, então, nem com reza braba. Nos últimos 15 anos, não lembro de ter mudado o tamanho das roupas. Calças que usava há uma década, ainda me serviam. Sempre tive esse corpo. (Tirando os 300ml de silicone, que de ovo frito, me transformaram em uma mulher de peito).

Me olho no espelho e custo a me reconhecer. Não estou aqui me lamuriando, entendam minha linha de raciocínio: transformações bruscas, são as mais complicadas.

Nos acostumamos com nossa imagem. Se somos gordinhos, baixinhos, magros, altos, nossas características físicas também falam sobre nós. Antes de alguém realmente conhecer quem somos, primeiro conhece como somos.

Estou vivendo um belíssimo (e nem sempre fácil) processo de metamorfose e aprendizado. Uma reviravolta de 360 graus, que começou no corpo e vai chegando à mente.

Revendo conceitos, valores, aprendendo a conviver com novas formas, com um novo jeito de me enxergar. Minha vida nunca mais será a mesma.

Em nove meses, vou estar igual à Dona Redonda, de Saramandaia, carregando um enorme barrigão, talvez algumas celulites novas e estrias. Mas com um cérebro mais oxigenado.

Estou convicta de que uma vida sem grandes transformações, é uma vida sem graça. Que cabe eternamente no número 36 das calças jeans. Que nunca transbordou. Decisões que transformam profundamente, exigem coragem. E há muita covardia por aí.

Falo isso porque vejo muitas pessoas que nascem e morrem semente de pipoca. Nunca enfrentam nenhum teste de fogo, e nunca estouram.

Se eu me enxergo igual há pelo menos 15 anos, há pessoas aqui que são exatamente iguais há 70 anos. E não vão mudar nunca.

Executam meticulosamente as mesmas coisas, todos os dias. Sentam nos mesmos bares, pedem as mesmas coisas ao garçom. Criticam sempre as mesmas pessoas. Usam sempre as mesmas roupas. Cortam o cabelo sempre no mesmo salão.

Não gostam de mudanças, têm medo do novo. E mesmo que o sol se ponha 365 vezes no ano, parece que estão vivendo sempre no mesmo dia.

Fazem parte do mesmo grupo político. Da mesma entidade social. Nunca mudam de amigos. Nem de opinião. Guardam seu dinheiro no banco. Não viajam. Não arriscam. Não cometem exageros.

Pão duros de alma, que economizam vida. E passam, magrelos, pelos anos. Sementes que não germinam. Criam seus filhos (quando os têm), à sua imagem e semelhança, e sentem-se fracassados se algo sai diferente do planejado. Acham que estão certos. Que esta é forma correta de viver, porque nunca arriscaram nada, e consequentemente, não ganharam, nem perderam nada.

Desconhecem a adrenalina. O vento na cara. O sabor da liberdade. Desconhecem o fracasso, e tampouco saborearam o doce gosto de uma grande vitória. Apesar das rugas no rosto, décadas depois, ainda se enxergam iguais no espelho.

São ótimos negociantes, quando se trata de bens materiais, e péssimos, quando se trata do que realmente têm valor. Morrem de medo de serem roubados, passados para trás, enganados, traídos, prejudicados. Andam sempre desconfiados, dormem com um olho aberto.

Existem muitos desses circulando pela cidade. Talvez estejam lendo este jornal no Café. Ou tomando um uísque no Clube.

Estão em muitos lugares, mas ainda bem, não estão aqui, digitando esta coluna.

Eu vou engordar, vou emagrecer, vou ter um filho, vou escrever um livro. Mas não vou ficar sentada na poltrona, num dia de domingo.

E você?

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