Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Crianças adulteradas



Acordei com o choro da minha filhinha de quatro meses, de madrugada. Ela acorda à noite esfomeada, pedindo através do lamento, meu peito, seu alimento. Suas fraldas estão molhadas, e depende de mim também, mantê-la limpinha e confortável. Aliás, ela depende não só do meu amor, mas principalmente da minha paciência e do meu cuidado, 24 horas por dia.

É totalmente vulnerável, frágil. Minha bebê depende de mim, neste comecinho de vida, para viver.

Mas minha responsabilidade de mãe, que já é enorme, vai muito além das necessidades vitais de outro ser humano. Eu preciso educar.

É minha responsabilidade ajudá-la a encontrar seu caminho. Que seja um caminho do bem, com felicidade, com respeito, com solidariedade, com justiça, com esperança, com dignidade.

Ser mãe para mim foi uma escolha. Uma escolha consciente, e ciente, de toda essa responsabilidade.

Sou mãe, antes de tudo, e diante de qualquer coisa. Nada, no mundo, é mais importante que o bem estar da minha pequena Olívia. Eu quero protegê-la, a todo custo, da maldade que há no mundo.

Sofro, e meu coração sangra pelos filhos sem mãe, sem pai.

Não me refiro àqueles que perderam seus genitores, e sim àqueles que têm como cuidadores, verdadeiros monstros, dentro de suas casas.

Os seus pais, seus heróis, que deveriam protegê-los dos fantasmas, do bicho papão, da bruxa malvada, são seus algozes. São seus vilões. São a inversão do amor.

Vocês acham que vou falar do pai do menino Bernardo, e também falo dele. Mas me aproximo mais da nossa realidade, e vou até o ProMorar, onde, nas últimas semanas, foram escritos capítulos tristes, de uma história batida, que para muitos, tornou-se banal: a prostituição.

Quando Guaporé ficou perplexa com a notícia da prisão de um senhor de 70 anos, que comprava sexo de uma menina de 13, muitos pensaram: “Essas gurias já são mais espertas que muitas mulheres. Fazem isso conscientes, e de inocentes não têm nada”.

Sim, vocês estão com a razão. De inocentes, elas não têm nada.

A inocência delas foi roubada há muito tempo. Quando bebês, foram criadas com desleixo, fraldas sujas, nariz escorrendo e fome. Fome de afeto.

O exemplo que têm em casa é o legado da pobreza, da ignorância, do vício, que passa de geração para geração nesse país. Mães promíscuas, pais violentos, irmãos marginalizados.

Abusadas, exploradas, adulteradas. Sim, já são mulheres, aos 14 anos.

Porque desde sempre foram acostumadas a pensar que é normal vender o corpo, ou a honra, por qualquer migalha, que muitas vezes compra a única passagem ao mundo dos sonhos: as drogas.

A menina, de 13 anos, que se deitava com o idoso por dinheiro, era forçada a isso pelos pais, desde os nove anos. Forçada a ganhar dinheiro para sustentar o vício do crack, de uso contínuo em sua casa, que nunca foi um lar.

Agora eu pergunto: uma criança de nove anos já sabe o que faz? Claro que não.

Essa jovem foi corrompida desde cedo, pelo mau exemplo, pela falta de proteção, pela falta de amor (amor próprio, e amor do próximo). Quem a ajudou a construir seu caminho, seu futuro?

Aliás, há futuro para o país da prostituição?

Enquanto houver um cliente que pague, haverá uma mãe vendendo a filha como chuchu em feira.

Infelizmente.

Beijo, meus amores.


Nenhum comentário:

Postar um comentário