Devaneios tolos... a me torturar.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Nem todo palhaço é feliz

Oi geeente!


Uma conversa entre adolescentes tratava sobre “boicotar a festa de 15 anos da amiga”. Fiquei imaginando a pobrezinha com uma festa vazia, sem os melhores personagens da turma. Principalmente sem os meninos tão esperados, ou sem as meninas consideradas “chefes de torcida” da escola.

Se você passou pela vida sem sofrer um boicote, considere-se feliz.

Boicotar, segundo o dicionário, é punir, recusando-se a ter relações amistosas, criar embaraços aos interesses.

A prática do boicote é muito mais comum do que se pensa. Está acontecendo neste momento, e pode ser que você seja o alvo.

Muitas vezes, ao abrirmos a boca para falar de alguém que não conhecemos, repassando informações maldosas, estamos praticando o boicote. Queimando alguém na sociedade, pelo simples prazer de fofocar.

Outras vezes detonamos estabelecimentos comerciais concorrentes, ou ainda eventos sociais.

Não por nada, percebemos uma migração coletiva de um restaurante para outro, de uma boate para outra, de um bar para o outro, deixando para trás um rastro de empreendimentos mal sucedidos e falências iminentes.

Pegamos também personagens de uma cidade, de um círculo de amizades ou um familiar para “Judas”, e malhamos o coitado até que não lhe reste nenhuma credibilidade.

Basta uma pisada na bola, para que o boicote coletivo aconteça. E aquele fulano ficará marcado para sempre pela mancada que deu, independente de tudo que tenha feito de bom na vida.

Particularmente, procuro me educar para não ser uma “boicotadora”. Porque às vezes, o somos sem nos darmos conta.

Nossa opinião sempre influencia alguém a agir de alguma forma, para o bem, ou para o mal. Precisamos velar por nossas palavras, para que elas trabalhem pela evolução e não pelo retrocesso.

É tão feio boicotar os outros. É tão triste ser boicotado.

Vejo meninas e meninos traumatizados a vida inteira pelos boicotes na escola. Vejo mulheres sozinhas, marginalizadas, porque são consideradas fora dos padrões da sociedade. Vejo homens rotulados disso ou daquilo. Idosos tido como inúteis. Pessoas com alguma deficiência apontados como incapazes. Boicotamos o tempo todo, fechando portas que serviriam de passagem para que as pessoas tivessem oportunidades de crescimento, de felicidade, de inserção na sociedade.

Não ganhamos nada com isso, praticamos por pura maldade.

Também somos recordistas em boicotar nosso próprio país e nosso povo. Muitos gringos que vieram acompanhar a Copa, de espantaram pela hospitalidade, pela excelente comida, pelas acomodações em hotéis, pela beleza das cidades. Chegaram aqui achando que no Brasil só tinha mato, macaco, mulher de bunda grande e samba. Que imagem vendemos? Óbvio que temos muitos problemas sociais, políticos, mas denegrir nossa própria imagem não vai nos elevar ao ranking de país desenvolvido e gente civilizada.

"O Brasil costuma se superar. Já tivemos nosso tempo de vira-lata. Passou. A tendência agora é a síndrome da hiena raivosa. O vira-lata fracassa por medo de vencer. A hiena nervosa deseja o fracasso coletivo como uma forma de vitória particular”

Concordo com o colunista Juremir da Silva. Somos especialistas em jogar caca em nosso próprio ventilador, e depois, sujos de “m”, quando tudo dá errado, afirmamos convictos: “Eu já sabia”.

Somos auto-boicotadores de mão cheia. Boa parte de nós não confia em si mesmo, não arrisca, não vai à luta, com medo do fracasso. Por isso mesmo passa longe das vitórias. Mereceríamos ser mais confiantes. Com certeza alçaríamos voos mais altos. Mas que triste mania temos, não é?

Boicotar os outros é muito ruim, triste e feio. Mas boicotar a nós mesmos, é imperdoável!

Beijos, meus amores!

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