Devaneios tolos... a me torturar.

sábado, 28 de junho de 2014

A leitura do ontem, a página em branco do amanhã

Oi geeente!

Não sei se isso é bom ou ruim, mas relendo a mim mesma, em textos de 10 anos atrás, fiquei com vontade de me dar umas taquaradas nas canelas. Bateria em mim com umas belas palmadas. (Ah não, palmada agora é crime!)

Eu e meus discursinhos furados, lições de moral de calcinha e achando que era dona do mundo. Uma vez um senhor disse que eu só escrevia “bobajadas”. Temo que ele tinha razão. Mas eram bobajadas de quem tinha 20 anos, por isso pareciam importantes.

Eu era uma “dessas aí” que me causam arrepios no Facebook. Era a indignada, a revoltada, a bobinha apaixonada, a que se achava... e não era.

Nesses 10 anos, muita coisa mudou... além do meu nariz. Graças a Deus!

Pude fazer uma autoanálise e perceber como cresci. Amadureci muito, mudei muitas vezes de ideia (ainda bem!), parei de julgar os outros, deixei de abordar pequenos assuntos, de gente pequena, como eu.

Não estou merecendo o Nobel de literatura, e muito provavelmente leia esse texto daqui a dez anos e tenha uma vontade louca de cometer o suicídio, de tanta vergonha. Porém, preciso confessar que me sinto muito melhor aos 30 do que aos 20.

Vejo a vida por outros ângulos, tenho horizontes mais largos, menos problemas, mais consciência de meus atos, mais domínio sobre meus sentimentos, bunda mais caída, ops, mente evoluída e mais consciência de que sou feliz.

Se você não passou os últimos dez anos escrevendo uma coluna para o jornal toda a semana, com certeza não conseguirá avaliar com tanta clareza quem você era e quem você se tornou em uma década.

Mas também poderá fazer um “mea culpa” sobre quantas vezes foi infantil, preconceituoso, inflexível, bobinho mesmo.

E com mais facilidade entenderá a infantilidade de muitas mulheres, a imaturidade de muitos homens, as idiotices praticadas na vida real ou na Rede Social.

Ficará mais tolerante ao perceber que o tempo só nos traz benefícios, se soubermos utilizá-lo de forma a evoluir, aprender, ter consciência de que não sabemos tudo, aliás, não sabemos nada.

Nem mil encarnações seriam suficientes para aprender o que as pessoas e o mundo têm para nos ensinar, de bom e de ruim.

Juro que lendo meus textos no blog, fiquei com vergonha de mim. Muitas vezes me deparei com uma verdadeira estranha, com ideias que não eram as minhas. Pensei em apagar todas as postagens que considero bobagens impublicáveis.

Mas depois parei, respirei fundo e percebi que aquela linha do tempo só comprova, na real, o quanto somos apenas uma obra inacabada. Sempre estaremos realizando pequenas e grandes reformas, internas e externas.

Infelizes não são aqueles que foram bobos, ingênuos, rebeldes sem causa, românticos incorrigíveis, infantis ou burros mesmo.

Infelizes os que não mudam nunca. E nem sequer percebem que estão sempre estacionados na mesma vaga, da mesma garagem, com vista a um mesmo paredão de cimento, sempre cinza.

Que bom que tive a oportunidade de me ler no passado. Porque fiquei feliz com quem sou hoje. E estou otimista que no futuro, as coisas tendem a melhorar.

Daqui a 10 anos, quem sabe, com muito estudo, sorte e novas experiências, eu conquiste mais pessoas que concordem com minhas ideias, ou pelo menos, que possam respeitá-las. Digo que uma pessoa de sucesso é aquela que conquistou respeito, ao invés de dinheiro.

Por hora, obrigado por me aturarem por uma década. Continuo pobre, mas feliz com a profissão que escolhi. E para os que definitivamente detestam a forma como eu penso, lá vai a trágica notícia: continuarei escrevendo! :D

Um beijo, meus amores!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Liberdade: Qual o significado pra você?

Oi geeente!



Que bom encontrar aquele colega dos tempos de escola, que seguiu por caminhos tão diferentes, e por muito tempo você ficou sem notícias.

Ele encheu uma mochila de sonhos e coragem e partiu pelo mundo, sem destino certo. Um caminhante que faz seu próprio caminho.

Aprendeu inglês na Inglaterra, provou da pizza italiana. Dormiu em albergues, mochilou pelos “States”.

Chegou ao topo da Cordilheira dos Andes e fez o passeio de balão na Capadócia.

Tem o passaporte carimbado de aventuras. Se apaixonou na França, na Espanha e na Austrália. Encontrou a fé no Caminho de Santiago de Compostela. E a perdeu tantas outras vezes, vendo de perto as misérias do mundo.

Foi garçom na Alemanha. Auxiliar de cozinha na Suíça. Professor de português na Grécia. Aluno a vida toda.

Diz ele que liberdade é caminhar. Não importa o rumo, desde que se caminhe. Asas abertas, sem raízes, sem amarras.

Você conhece algum homem-pássaro?

Confesso que, no começo, senti uma pontinha de inveja dessa liberdade de ir e vir, mas por fim, tive pena da solidão atrelada a esse estilo de vida.

Não pena dele, um caminhante convicto, mas pena de mim, se seguisse seu exemplo.

É sobre isso que quero falar nessa semana: o conceito de liberdade varia de pessoa para pessoa.

Meu amigo não tem mãe, nem pai, nem filho. Teve paixões, mas nunca amou profundamente a ponto de dividir com alguém sua liberdade. Porque o amor é uma prisão.

Quem tem alguém, vive preso a este sentimento. Se está longe, sente saudade, precisa voltar. Se está perto, abre mão de si, para cuidar do outro.

Depois que tive minha filha Olívia, que completou seis meses, percebi que quanto mais amamos, mais escravos do amor nos tornamos. Mas é uma escravidão voluntária. Queremos estar presos por toda a eternidade e além.

Os prisioneiros do amor zelam por seus pais, temem por seus filhos, são extensões do coração de seus amantes. Não andam sós, porque têm a responsabilidade de zelar pelo caminho dos seus.

Colocam-se em segundo plano sempre, porque amam além de si, amam além dos limites do amor.

Quem tem pra quem voltar não vai longe.

Quem tem pra quem voltar, não compra passagem só de ida.

Pedi pro meu amigo se ele não sentia falta de pessoas a quem se apegar, se não queria ter filhos, casar...

Ele afirmou que não. Disse que era feliz assim, de bem consigo mesmo, que aprendeu a se bastar e prefere pegar o rumo toda a vez que algo ou alguém começa a ganhar mais importância em sua vida.

Para ele, prisão é ter alguém que lhe pode a liberdade.

Para mim, liberdade é ter alguém pra me prender.

E pra você?

O que significa ser livre?

Beijos, meus amores.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Pátria amada (nem tão) idolatrada, salve, salve!

Oi geeeente!

Existe coisa mais triste que um filho ter vergonha de sua mãe?

Pois é assim que me sinto toda a vez que tenho vergonha de ser brasileira. E isso tem acontecido muito, ultimamente.

Sinto vergonha quando não nos manifestamos, e ficamos omissos a tantos absurdos.

Sinto vergonha, quando nos manifestamos, mas de forma errada, quebrando tudo, depredando, escondendo a cara, e perdendo a legitimidade.

Sinto vergonha do nosso Governo, quando se faz de cego ou é cúmplice na roubalheira e desvio de dinheiro público nas obras da Copa e tantas outras. E há mais de 500 anos a vergonha anda solta na política nacional.

Mas também tenho vergonha ao ouvir a massa mandando uma senhora, no caso nossa presidente, tomar naquele lugar, pro mundo inteiro ouvir.

Sinto vergonha quando invisto no turismo em meu país e sou assaltada toda a vez que compro um suco de fruta da estação, e pago 10 reais por ele. E quando uma pizza custa 100 reais.

Sinto vergonha quando vejo o atendimento à saúde precário, por falta de investimentos. Quando um bebê tem recursos para a realização de uma cirurgia que lhe salvará a vida garantidos pela Justiça, e a União recorre da sentença. Mas não recorre quando bilhões escapam pelo ladrão em obras que não são concluídas, são super-faturadas, ou são obras fantasmas.

Fico envergonhada quando sobra mês e falta salário, porque os preços não param de subir e dizem que não há inflação. Ou quando todos deixam de vender, e dizem que não há crise.

Obviamente sinto vergonha dos brasileiros que nos representam tão mal. Ou melhor, que não nos representam.

Acho engraçado quando usamos a criatividade para rir dos problemas, mas acho deprimente rir pra não chorar. Já diz a canção “rir de tudo é desespero”.

Esses aí que querem levar vantagem em tudo, que não tem educação, que usam o voto para tirar vantagens pessoais, que não trabalham por falta de vontade e vivem do Bolsa Família, os que exploram turistas e não turistas, os que desviam o dinheiro que salvariam vidas, não me representam.

O Brasil hoje é o centro do mundo, em um evento que deveria orgulhar a cada um de nós!

Que lindo ver, no quintal de casa, povos de todas as raças, cores, credos, línguas e culturas, juntos pelo esporte.

Que emocionante ver os jogadores entoarem seus hinos, e na plateia, tanta gente diferente, e no fundo tão igual.

Somos tão alegres, tão carismáticos, tão hospitaleiros, que se quisermos, daremos o maior espetáculo da Terra, nesta Copa 2014.

Por isso meus sentimentos se confundem em um misto de orgulho e vergonha, por tantas coisas boas e tantas coisas ruins acontecendo ao mesmo tempo.

Se desprezamos nosso Brasil, desprezamos a nós mesmos, porque a Nação, sou eu e você.

Pessoas ruins, pessoas sem caráter, pessoas corruptas estão em toda a parte, em todas as profissões, e também na política.

O problema é quando os bons se calam, para os maus gritarem.

Gostaria de encontrar um caminho, um jeito, uma receita mágica para fazer a parte podre do nosso país criar vergonha na cara. Mas milagres não existem.

Então, com minha bandeira verde-amarelo, torço sim pela minha seleção, e chego a seguinte conclusão: O Brasil só vai ter jeito quando cada um fizer sua parte.

Discretamente e cheia de esperança, eu faço a minha.

E você?

terça-feira, 10 de junho de 2014

Surtando, do verbo surtar!

Oi geeente!


Uma amiga reproduziu uma frase de Francisco Mattos, no Facebook, que diz o seguinte: "A verdade é que todos nós carregamos nossos destroços, não se engane com as fotos do Facebook alheio."

Confesso que sempre que estou meio pra baixo (todo mundo tem dias bons e outros nem tão bons, ou não?), evito fazer postagens nas redes sociais.

Em primeiro lugar, não quero contaminar os outros com meus problemas ou pessimismo, e em segundo (e não menos importante), me sinto constrangida em não estar feliz, curtindo, fazendo um programa super legal, ou com alguma imagem maravilhosa de um dia glorioso.

Dificilmente encontramos perfis coerentes com a realidade no Face. Há os extremanente pessimistas, que todo o dia apresentam um drama, um problema, uma reclamação. E há os super felizes, que estão sempre em festas, cercado de amigos, em programas descolados, produzidos, bem vestidos, sorrindo até dar cãibra na boca.

E há todos nós, os normais. (Ou nem tanto!)

Eu não conto pra ninguém, mas tenho dias péssimos. Acordo tomada por um desânimo tão grande, que só um exorcismo arrancaria os demônios que habitam meus pensamentos.

Nesses dias, puxo pouco assunto, e fico no meu canto, com medo de usar minha boca como uma metralhadora, ofendendo pessoas que que amo, e me arrependendo na sequência.

Há os dias que acordo feia. E aí me pergunto: sou mesmo tão feia, e disfarço bem nos dias em que estou de bem com a vida? Ou sou feia até quando não me acho feia? Ou não sou feia, e me vejo feia? Ó céus.

Também acordo sem roupa! Pelo amor de Deus, não saio pelada pelas ruas, não é isso. Mas parece que nada combina com nada. Tenho vontade de jogar tudo pela janela e ir às compras.

E isso abre precedente para os dias que me acho gorda. (Ué, ontem eu achava que tinha emagrecido!)

Tem os dias em que acordo me sentindo só. E aqueles em que acordo me sentindo desvalorizada (ninguém me respeita, ninguém me escuta, ninguém me valoriza, ninguém me amaaaaa!).

E os outros em que acordo me sentindo sem dinheiro (esses só duram 365 dias no ano hahaha).

Em todos os outros, sou uma pessoa feliz.

Agradeço a Deus por ter uma família linda, um bebê que é um doce de menina, amigos que me fazem bem, dinheiro suficiente para ter uma vida confortável e me permitir uns luxos de vez em quando. Agradeço por minha saúde, por estar de bem com meu corpo, minhas ideias, minha vida como um todo.

Sei que tenho tudo que amo, e mais do que preciso. Seria um sacrilégio me sentir menos que feliz, todos os dias.

Mas me sinto.

Pequenos problemas me desestabilizam, confrontos no trabalho me roubam a paciência, choro do bebê na madrugada me tira o sono, e com ele o bom-humor tradicional.

Penso que não sou mal agradecida. Devo ser normal. Ou seria uma neurótica de carteirinha?

Esses aí, sempre felizes o tempo todo, existem mesmo? Ou são candidatos ao papel principal do filme Polianna? São bobos alegres, ou são pessoas que conseguem ver sempre o copo meio cheio?

Será que sou vítima do sistema, do consumismo, do ideal inatingível de perfeição, ou sou igual a todo mundo? Será que meu problema é pensar demais, ou será que é pensar de menos?

Me respondam se as crises existenciais também atingem vocês, caros leitores.

Porque a mim, me atingem pelo menos uma vez por mês (na TPM), como um raio, bem no meio da testa. Tentem me suportar nestes dias, e me amar em todos os outros.

Por hora, um rivotril e boa noite.

PS:

Gente, acho que toda mulher é meio doida. Até as mais equilibradas surtam de vez em quando. No final, de perto ninguém é normal!



quinta-feira, 5 de junho de 2014

Gente que tem sol

Quando a tempestade não deixar o dia amanhecer, pegue seu guarda-chuva de arco-íris, e vá pra perto de gente ensolarada.