Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Gratidão!

Oi geeente!

Encostei a cabeça no travesseiro e agradeci. Sabe aquele dia em que nada extraordinário aconteceu, mas que foi perfeito? Minha filha dormia tranquila. Minha família estava reunida para as festas de final de ano.

Analisei o momento da minha vida e percebi que nada me faltava. O que viesse a mais, de bom, seria apenas um complemento para o essencial, que eu já possuía. Precisei de 36 anos para chegar até esse momento. E um sentimento de medo se apossou de mim. Medo de perder. Medo de algo acontecer. Medo de tudo dar errado.

Pensei: certamente não mereço todas essas bênçãos. Ainda tenho muito que aprender, muito que evoluir como ser humano, sou tão fraca e com tantos defeitos. “Deus” vai me punir de alguma forma, para me ensinar mais algumas lições.

Queridos leitores, quantas vezes pensamos assim?

Passamos metade da vida ansiosos, descontentes, insatisfeitos, achando que somos vítimas dos outros, alvo da falta de caráter das pessoas, desvalorizados, mal amados, que não recebemos as oportunidades que merecíamos. Passamos muito tempo desejando mais. Buscando uma felicidade que estava, o tempo todo, na nossa frente.

Depois, com a maturidade, percebemos que ninguém é responsável por nossa insatisfação, infelicidade, insucesso. O fator externo não é nada comparado à força interior. Passamos de coadjuvantes a atores principais em nossas vidas. Rompemos com o que não nos satisfaz. Não condicionamos nossa felicidade a terceiros. Tomamos as rédeas de nossos destinos. Fazemos acontecer.

E aí, quando tínhamos tudo para dar certo, vem a culpa.

A sociedade, as regras, a etiqueta, as convenções, os dogmas, a religião, muitos outros fatores nos fazem sentir culpados.

“Não mereço tanto”. “Não sou tão capaz”. “Há outros melhores que eu”. E aí, com essa sensação de culpa, passamos a nos boicotar.

Se a relação está ótima, passamos a desconfiar que a qualquer momento, tudo vai ruir. Não conseguimos apenas aceitar o momento, nos sentirmos amados, relaxarmos para receber amor. Cercamos o parceiro, desconfiamos, perseguimos, procuramos motivos, provas, indícios de que estamos sendo traídos, de que não somos respeitados, de que amamos mais do que somos amados. Furamos nosso barquinho do amor. Aguamos a relação. Estragamos tudo. De tanto procurarmos provas contra nós mesmos, acabamos por produzi-las.

No trabalho, se conquistamos nosso tão sonhado posto, começamos a temer perdê-lo. Ficamos com medo dos colegas. Começamos boicotar os projetos dos demais companheiros de trabalho. Nos tornamos mais defensivos, fechados, menos amistosos. Ao invés de sermos árvores frondosas e frutíferas, somos a terra seca onde nada consegue crescer ao redor.

Se estamos num momento bom da vida, passamos a temer o pior. Afinal, se melhorar estraga. Só tende a piorar.

Voltando à minha noite de agradecimento, me dei conta de que:

Se estou aqui, se tenho ao meu redor quem eu amo, se trabalho naquilo que gosto, se tenho o suficiente para desfrutar de conforto com simplicidade, se possuo inteligência, o dom que Deus me deu de me comunicar, de escrever, de ser lida, ouvida, se tenho condições de correr atrás e realizar os meus sonhos, sou MERECEDORA.

Algo de bom eu fiz por merecer. Não preciso ter medo. Preciso sim, ter gratidão. Quando vencemos a insatisfação, o medo, e por fim a culpa, estamos prontos.

Prontos para sermos gratos. Gratidão gera mais graças. O mundo conspira a favor dos gratos.

E nada, ninguém, no mundo é capaz de tirar nossa paz interior.

Sejamos gratos. Somos merecedores.

O universo diz “Amém”.

Beijo, meus amores!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Morrer bela, ou viver sentindo-se feia?

Começo a perder a fé na humanidade quando percebo que o grande projeto de vida de muitas mulheres é se tornar uma bunda. Pensem vocês que há muitos anos atrás, lá nos tempos da realeza, havia os plebeus e os nobres. As mulheres almejavam títulos como Duquesa de Devonshire, Rainha da Espanha, Princesa da Inglaterra, Condessa de Castiglione, entre outros. Com certeza ninguém queria ser Rainha da Bunda, Miss Buzanfa ou Garota Rabo Quente.

Mesmo porque, sob aqueles maravilhosos vestidos, sequer um vestígio de bunda aparecia.

O tempo passou, as roupas encolheram e o bom e velho pandeiro conquistou seu lugar ao sol no mundo das subcelebridades.

Infelizmente, hoje, centenas de milhares de lindas mulheres que jamais vão desenvolver uma tese brilhante que lhes renda um prêmio, ou vão escrever um livro famoso, ou fazer grandes descobertas científicas, encontram na bunda a única forma de conquistar fama e glória.

Por incrível que pareça, a bunda não tem mãos, mas abre as portas para o sucesso. Bundas e mais bundas são convidadas para programas televisivos, para a passarela do samba, para capas de revista, para desfiles e entrevistas. Bundas são bem remuneradas e circulam em restaurantes caros, festas badaladas e shows lotados, principalmente no pagode, no axé e no samba. Se não posso ser outra coisa, serei uma bunda.

Assim, muitas meninas buscam o inatingível a qualquer preço: colocam sua saúde em risco pela perfeição estética.

Não estou aqui dando uma de Madre Tereza e criticando a cirurgia plástica. Mesmo porque sou adepta dela. Mas os extremos começam a me assustar.

Não me lembro de alguém que tenha ido raspar o calombo do nariz e tenha morrido na mesa de cirurgia. Mas faltam dedos e mãos para contar quantos casos de morte por lipoaspirações exageradas, por procedimentos muito invasivos mal feitos, por aplicações de produtos nada seguros.

As mortes ainda são poucas perto das aberrações decorrentes destes procedimentos. Deformações e dor, muita dor.

O caso mais recente colocou os gaúchos em polvorosa. A (Vice) Miss Bunda Andressa Urach, de 27 anos, está internada, sedada e respirando com a ajuda de aparelhos no Hospital Conceição em Porto Alegre. Vítima dessa ditadura da beleza, a jovem, linda e loura, errou a mão e exagerou na dose.

Fez, há cinco anos, aplicações de hidrogel e polimetilmetacrilato nas coxas e bumbum, redesenhando seu corpo, alinhando suas curvas e aperfeiçoando suas formas. Os problemas começaram a surgir e nem mesmo a lipoaspiração dos produtos deu jeito.

Hoje, vítima de dores insuportáveis, infecção gravíssima e complicações em decorrência desses procedimentos, pode, segundo um médico da equipe que cuida da modelo, ter as pernas deformadas ou, até mesmo perder um membro, caso não seja possível reverter o quadro. Ainda assim, se sair viva dessa, Andressa tem mais é que comemorar a vida.

Todos nós torcemos para que ela se recupere. É muito triste ver uma pessoa com toda uma vida pela frente ser sacrificada, literalmente, em nome dessa cultura da ditadura da beleza.

Ela é apenas mais uma vítima. Assim como nós somos toda a vez que nos olhamos no espelho e não conseguimos nos aceitar. Toda a vez que nos submetemos a um bisturi sem a real necessidade.

Nossas meninas, nossas adolescentes estão expostas 24h a este modelo cruel de beleza. Serão, elas também, escravas deste universo? Se submeterão, assim como nossa geração, a todos os procedimentos possíveis e imagináveis? Será que vão querer pesar 50 quilos e medir 1 metro e 80? Será que se espelharão nas Angels da Victória Secret, ou nas Dançarinas do Tchan?

Sinceramente, espero que isso mude. Porque tão ruim quanto morrer em busca da beleza, é viver infeliz se achando a mais feia das criaturas.

Que mundo cruel. Vazio. E fútil.

Beijo, meus amores.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

É Natal. Outra Vez.

Oi geeeente!

Adoro jasmins roubados. Desde que me entendo por gente, sou culpada por esse pequeno delito. Desculpem-me os donos de jasmineiros da cidade. É mais forte que eu.

Dentre todos os sentidos, descobri que o olfato tem o poder de nos transportar ao passado. São os cheiros que me pegam pela memória e me levam aos melhores (e piores) momentos da vida.

Cheiro de pão caseiro me deixa de novo de frente para o fogão à lenha da minha avó Graciosa (ela definitivamente não poderia ter outro nome, talvez Dulce, porque além de graciosa foi a pessoa mais doce que já conheci). Mas lá estou eu, pequena, de olhos arregalados e com água na boca a espera do pão quentinho, para passar mel ou manteiga. Que tempo maravilhoso, lá na colônia, misturada com a natureza e com todos os sabores da cozinha da minha avó.

Cheiro de whisky me causa enjoo na hora! Nunca mais consegui colocar a bebida na boca, e pouco me importa se tenha 10, 20 ou 100 anos. Para mim, é horrível, mesmo que seja caro. Me remete diretamente ao primeiro porre, que me fez chegar em casa “vomitando as tripas”. Era adolescente, e mesmo sabendo dos riscos da bebida, obviamente precisei sentir na pele que beber demais, perder o controle dos movimentos do corpo, e principalmente, dos atos, é perigoso, vergonhoso e constrangedor.

Cheiro de molho de cachorro quente! Me remete ao Colégio Scalabrini, durante o recreio. Sinto o sabor do hot dog do bar da escola. Ouço a gritaria das crianças. O corre-corre desenfreado. Estou lá pulando sapata, trocando papel de carta com minhas colegas. Também recordo dos dias em que minha mãe mandava pão com chimia como merenda, ou banana, a mais vergonhosa das frutas, um verdadeiro vexame na época. O infeliz que comia banana na merenda, fatalmente seria taxado de macaco. Lembro também de alguns colegas corajosos, que desde pequenos aprenderam a não dar bola pra opinião alheia, e comiam orgulhosos suas bananas nanicas, caturras e da terra sem se esconder.

O cheiro do perfume dele! Quem nunca esteve apaixonado e não teve a sensação de levitar ao sentir o perfume do seu amor no ar? Às vezes a paixão vai embora, mas o perfume fica.

Flor de cinamomo!!! Quando eles começam a florescer, já sinto o doce sabor da primavera. Parece uma injeção de ânimo, um antidepressivo natural que me renova e traz paz. Nesta época os lugares, as pessoas, o mundo se torna mais bonito aos meus olhos. É o gatilho que dispara em mim a renovação da vida. É tempo de colocar braços e pernas de fora. Tirar as botas do inverno, ficar de pé no chão e vestir-me de luz, de verão, de alegria!

Mas de todos os cheiros que já senti, que me alegram ou que me entristecem, o de jasmim é disparado meu preferido.

Não resisto a roubá-lo. A levá-lo para casa. A tentar preservá-lo em meu vaso de flor.

Deixo ele lá, até que seu último suspiro de vida e de cheiro, encerre o ciclo de sensações que essa linda flor me traz.

O jasmim, pra mim, é a renovação da pureza. Quando ele espalha seu cheiro pelas ruas por onde passo, traz consigo a inocência dos Natais de minha infância. O cheiro da fantasia. Da crença no Papai Noel. Da capacidade de sonhar. O jasmim lembra que é tempo de reunir a família, de engordar uns quilos com a fartura na mesa, de ganhar presentes, de sentir-me especial. Com o cheiro de jasmim, meus avós ainda estão vivos, os primos estão chegando para as brincadeiras, o velho Noel está investigando se fui uma boa menina e estou lá, acreditando em todas as maravilhosas fantasias que povoam as cabecinhas dos pequenos.

O jasmim é minha fonte da juventude.

Toda a vez que ele espalha seu cheiro, eu sou criança. De novo.

Toda a vez que ele perfuma minha cidade é Natal! Outra vez.

Um beijo meus amores, e um mês de dezembro com cheirinho de saudade!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Ninguém falou que ia ser fácil. Só que ia ser lindo!

Oi geeeente!!!

Fui atropelada sequencialmente por um antigo caminhão FNM e por um bitrem. Se você acompanha minhas fotos nas redes sociais e se impressiona com a delicadeza e jeitinho angelical da minha filhinha Maria Olívia, não se engane. O serzinho de pouco mais de 70 cm e menos de 10 quilos é dose pra leão.

A menina encarnou Chuck Norris e agora, contrariada, resolveu distribuir socos e pontapés. Ao trocar a fralda, antes atividade prazerosa e divertida pra ela, agora virou motivo de tortura infantil, e ela odeia colocar as calças. Se soubesse caminhar, seria a primeira nudista a ser fotografada correndo pelas ruas de Guaporé.

Está investindo em luta livre. Com impressionante elasticidade gosta de jogar a cabeça para trás, atingindo praticamente seus próprios calcanhares. Parece um tatu-bola que se enrola ao contrário. Numa dessas investidas “cabeçais” me acertou em cheio “os beiços” e fiquei com bico de pato por uma semana. Fora as aftas que abriram entre a gengiva e os dentes.

Entrevistando um médico sobre envelhecimento saudável, temo que ele tenha olhado pra minha boca e jurado que eu tivesse errado feio no preenchimento labial. Ou que tivesse sido vítima de violência doméstica, tendo levado um soco bem dado de direita do meu marido.

O que quero dizer é que a rapadura é doce, mas não é mole.

Não está sendo fácil dominar meu leãozinho, que só quer colo, ainda não caminha, mas acha que pode correr, desconhece o perigo, é teimosa e ainda por cima resolveu tomar oito mamadeiras por noite, tornando-me um zumbi a circular pela cidade com olhar perdido no horizonte, mais parecendo vítima de labirintite.

Uma fase complicada. Não tenho mais tempo pra nada e ainda escuto umas bocas de conflito dizendo que mãe que fica em casa só cuidando dos filhos é dondoca. Às vezes, penso que quebrar paralelepípedos o dia inteiro seja mais fácil que passar 24h com um bebê.

Vocês vão me criticar e dizer que não posso me queixar, afinal, sou mãe de um anjo lindo e perfeito. E eu sei disso. Tanto, que toda a noite, quando deito a cabeça no travesseiro, somente agradeço. Não importa se o dia tenha sido ótimo, bom, mais ou menos ou péssimo. Eu AGRADEÇO. Há muito deixei de pedir.

Quando vejo meu bebê lindo, o formato de seu rostinho, suas pestanas compridas, sua boquinha redondinha e seus olhos enormes e curiosos, eu choro de alegria. Quando escuto suas primeiras palavrinhas (ela fala mandarin), tenho vontade de lhe dar o prêmio Nobel de Oratória.

Mas nem por isso, minto. Eu falo a verdade. É lindo, mas não é fácil. Assim como a vida. Assim como os relacionamentos. Assim como o amor. Assim como o trabalho. Todo mundo tem alegrias, conquistas e todo mundo tem problemas, por mais linda que seja a vida. Você, eu, nós, eles, não somos regras nem exceções.

Estamos aqui para aprender e evoluir. E ninguém evolui sentada numa cadeira, com o cabelo arrumado, a unha feita, a roupa de grife, tomando o chá das cinco, e falando da vida alheia. Evoluímos na dor, no sufoco, no susto, na surpresa, na alegria, na solidariedade, na decepção, na declaração de amor ou ódio.

Nossa vida não é tão bela quanto o Facebook, nem tão feia quanto pintam as más línguas. Aliás, essa gente linguaruda tem o rabo tão preso, que se correr 200m é puxado para trás na velocidade da luz, como que por um elástico invisível e cai com a bunda mole em cima de um formigueiro.



Sei que todas as mães passam por isso, embora algumas com menos dificuldades e mais louvor. Mas no final, só queremos criar nossos filhos com amor, que não tenham roupas bonitas, e sim almas bonitas.



Porque alma feia tá cheio por aí. E pra isso não existe filtro que dê jeito. E por incrível que pareça, toda a alma feia, vem junto com uma língua bem comprida.



Proteja-nos de gente falsa, Senhor! E que o amor nos una sempre. Amém.



Beijos, meus amores!



sábado, 1 de novembro de 2014

Que a frustração não nos sufoque. Amém.

Oi geeeeente!

Não sei a receita da felicidade. Mas a receita da infelicidade, com certeza é a frustração. É possível conviver com inúmeros defeitos do ser humano. Mas é difícil aguentar alguém frustrado o tempo todo.

A pessoa frustrada geralmente despeja no outro todo a sua frustração. É mal resolvida, e geralmente covarde, e pinta o mundo com as cores de seu insucesso. Fuja, a qualquer custo, desta armadilha.

Uma pessoa frustrada acredita que o mundo tem uma dívida com ela. Está descontente com seu trabalho, acha merece mais reconhecimento, e uma remuneração melhor. Acha que os amigos não são bons o suficiente, e com certeza, mereceria gente mais inteligente, descolada e divertida ao seu redor. O relacionamento não vai pra frente, porque o outro não corresponde aos seus anseios, não lhe arranca suspiros ou tira-lhe o ar. Não é ambicioso suficiente, nem sofisticado suficiente, nem rico o suficiente para garantir a vida, a segurança e a diversão que ela merece.

O frustrado olha ao seu redor e não se reconhece. Não deveria estar ali. Esta, definitivamente, não é a vida que sempre quis e merece.

Culpa a cidade, culpa a empresa, culpa o namorado, o síndico do prédio, o país, o governo, a sogra, a amiga, a cunhada, o cachorro do vizinho.

Porém, quando coloca a cabeça no travesseiro, admite em silêncio, que não existe outro culpado, além de si.

O mais engraçado é que dificilmente encontramos um frustrado sincero.

Pudera! Vivemos no mundo do Facebook, onde só a felicidade importa. Mesmo que seja irreal.

Não raro, a pessoa frustrada não aparenta isso. Aparece feliz em público, e não demonstra insatisfação.

Mas ao chegar em casa, puxa briga e vai dormir emburrada. Na empresa destila veneno e mau humor. Entre amigos, promove a inveja e picuinhas desnecessárias.

Vive um mundo de aparências por pura covardia de desafiar as convenções sociais e os rótulos aceitos como “sucesso”.

Já vi gente deixando para trás a máscara, para vestir a verdadeira pele. Mesmo que a sociedade torça o nariz.

Deixar o importante cargo, na mais badalada empresa para, apesar de perder dinheiro, ganhar mais qualidade de vida, tempo e lazer.

Abandonar a relação, que apesar de consolidada e socialmente aceita, na verdade era um barco furado, fadado ao naufrágio, mesmo que os marinheiros, com balde em punho, insistissem em tirar a água do porão.

Dizer adeus à velha turma, que apesar das festas faraônicas, do agito e badalação, da ostentação e da pompa, era um ninho de cobras venenosas, que estava lá, unida para as horas boas, e completamente desunida nas horas ruins.

Pegar a mochila e cair no mundo. Sair do armário e assumir a sexualidade. Cortar o cabelo bem curto. Rir bem alto. Abrir o próprio negócio. Fechar a empresa que só traz problemas. Largar o terno e vestir bermudas. Não ter nenhum filho. Ter cinco filhos. Casar de véu e grinalda aos 40. Pedir o divórcio aos 50. Não casar. Morar sozinho. Morar com a mãe. Fazer medicina. Fazer artes cênicas. Virar hippie. Criar asas. Criar raízes.

Fazer aquilo que a alma pede. Que a alma exige. Que a alma grita.

Obter sucesso, mas por méritos próprios, desprendendo-se do medo, das convenções, dos preconceitos!

A frustração que mora dentro de um coração é um câncer silencioso que contamina a todos.

A melhor quimioterapia é criar coragem para ser quem você quer ser.

É possível, necessário, e acredite, só depende de nós!

Beijos, meus amores!



segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A luz e a escuridão

Oi geeeente!


Antônio nasceu prisioneiro em uma caverna. Ele e muitos outros só conheciam aquele ambiente úmido, escuro e frio. Sentados voltados para uma fogueira, somente viam refletidas na parede de terra, sombras da realidade. Sombras em forma de pessoas, animais, árvores. O mundo que conheciam era aquele. Aquela era a realidade.

Como sempre viveu assim, Antônio jamais poderia sonhar com algo diferente daquilo. Desconhecia a palavra liberdade, sequer podia imaginar as cores do mundo lá fora.

Um dia, as amarras que prendiam Antônio ficaram soltas, e vendo que poderia se mover, começou a caminhar para o lado oposto da parede que sempre fora o seu mundo. Quando chegou à abertura da caverna, foi jogado para trás por uma luz muito forte, que praticamente cegou-o.

Perdido em meio à luz, Antônio insistiu em se mover. Caminhou. Caminhou. Caminhou.

Os olhos de Antônio acostumaram-se à luz do sol. E então, ele viu! Viu o verde das árvores e o balançar dos galhos ao sabor do vento. Viu flores multicoloridas e sentiu seu perfume. O azul do céu, o branco das nuvens. O vai e vem de pessoas e animais. Admirou-se com a imensidão sem fim diante dos seus olhos e concluiu que a vida ia muito além da escuridão da caverna.

Teve ânsia de correr, pés descalços, vento no rosto, braços abertos em liberdade. Teve ânsia de provar da água corrente do riacho e do sabor dos frutos da macieira. Teve ânsia de conhecer pessoas, brincar com os bichos e rolar na relva verde.

Mas pensou em todos os seus amigos que ficaram para trás. Quanta injustiça deixá-los lá, sem desfrutar de todas as maravilhas que ele agora conhecia.

Precisava dividir com os seus as descobertas. Precisava falar das cores, dos sons, do movimento e dos sabores que existiam além da escuridão.

Correu para a caverna e passou a desamarrar um a um, seus companheiros. Não havia vigias na caverna, porque acostumados desde sempre àquela realidade, nunca antes alguém tivera curiosidade de ver o que havia fora dela.

Então, sem dificuldades, Antônio levou os seus até a entrada daquele buraco no meio da terra. Quando expostos à luz, os companheiros de Antônio, apavorados, voltaram correndo e gritando para o interior da caverna.

Sentaram-se em seus respectivos lugares, e voltaram a viver a única vida, que para eles, existia.

Antônio, insistentemente contava das maravilhas que existiam lá fora, puxava pelo braço os homens, as mulheres e as crianças.

Gritava para que saíssem. Diziam que eram tolos e medrosos. Não desistia da tarefa de expandir os horizontes dos seus.

Foi tomado por louco. Amarrado. Torturado. Morto.

Ninguém mais, além de Antônio, ousou deixar a escuridão da caverna.

Lá viveram para sempre, os escravos da escuridão. Felizes com sua realidade. Satisfeitos com a situação.

O conhecimento assusta. O novo amedronta. E o diferente dificilmente é compreendido.

A pergunta que fica, para todos nós, que estamos acompanhando esse texto é: em que mundo vivemos?

Será que estamos dentro ou fora da caverna?

Beijos, meus queridos.

PS: Talvez vocês conheçam a Alegoria da Caverna, de Platão. Às vezes, achamos que estamos fora da caverna, mas não estamos. E se estivermos, precisamos respeitar aqueles que estão na caverna. Porque, para eles, a vida é somente aquilo que conseguem ver. Portanto, antes de brigarmos por posicionamentos políticos pós-eleição, vamos refletir um pouco sobre a realidade de cada um. E vamos começar a mudança que desejamos, a partir de nós mesmos.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Deus sou eu

Oi geeente!

Cada vez mais eu acredito na divindade do homem. Se Deus existe, está em nós, disso não tenho dúvida.

Depois da maternidade com certeza me tornei um ser humano melhor. Mais sensível e mais solidário. A dor do outro passou a doer em mim também, e toda a noite, quando peço pela saúde da Olívia, lembro de todas as crianças que sofrem com doenças terríveis, com sofrimentos, com todos os tipos de privações. Por vezes penso que “se Deus existisse de verdade, nenhuma criança sofreria”. Mas aí cai a minha ficha: Deus somos nós.

O que fazemos com nossa divindade?

Trabalhamos nossa inteligência pela evolução da medicina, para salvar vidas consideradas perdidas, para fazer brotar água do deserto, para fazer germinar a semente na terra seca?

Ou a usamos para dominarmos uns aos outros, destruirmos o planeta em nome do desenvolvimento desenfreado, mutilarmos em nome de Deus, corrompermos em nome do poder e matarmos em nome da paz?

Há um Deus em cada missionário na África, em cada médico sem fronteira, em cada voluntário na epidemia do ebola, em cada doação em campanhas beneficentes, em cada ação em prol dos animais, dos pobres, dos fracos, das crianças. Em cada mão estendida há Deus. Em cada olho que não ignora o sofrimento do irmão, há Deus.

Há um Deus que leva alegria às crianças com câncer, há um Deus no cientista que descobre a cura para uma doença, há um Deus no doador de órgãos que morre, mas salva uma vida.

Há um Deus na solidariedade, no amor, no amparo, no carinho.

Há Deus na mente brilhante de Mandela, Ghandi, Jesus Cristo, Einstein.

Há Deus na obra de Da Vinci, Picasso, Michelangelo.

Há Deus na música de Beethoven e nas palavras de Shakespeare.

Assim como havia Deus em Hitler, em Bin Laden, em Genghis Khan.

Havia Deus nas mentes brilhantes que criaram a bomba atômica.

A genialidade divina estava lá.

O homem é que usou seu poder de “Deus”, para os piores fins possíveis. Para os grandes massacres da história. Para atrocidades injustificáveis.

Dê o poder de Deus ao homem e observe.

A todos nós foi dada a genialidade, a capacidade e a divindade.

Há os que usam esse grande poder para espalhar a energia do amor, da transformação, da evolução.

Há os que usam este grande poder para endeusarem-se e julgarem-se superiores aos demais.

Não precisamos ir longe. Basta olharmos ao nosso redor.

Observe a humildade dos que detém o poder. Os humildes trabalham para os outros. Os orgulhosos para si.

Comece observando o comportamento do seu líder, do seu Prefeito, do seu Vereador, do seu chefe, do seu pai. Passe para seu Governador, seu Presidente, seu líder religioso. Observe pequenos e grandes “Deuses”. Observe seu amigo, seu colega, seu vizinho. Observe se a grama verde cresce ao redor deles, ou se tudo o que chegar perto, morre em sua sombra. O poder é canalizado de acordo com a índole e com o caráter de cada ser. Não duvide jamais da força do bem. Mas não desdenhe da força do mal.

E jamais esqueça: o poder de Deus está dentro da gente. Cabe a cada um escolher se esse poder será usado para a luz ou para as trevas.

O céu e o inferno somos nós.

Namastê, (o Deus que vive em mim saúda o Deus que vive em você) meus amores!



terça-feira, 7 de outubro de 2014

Navegar é preciso...

Por uma vida sem tédio: Navegar é preciso, mas o mar depende da imaginação de cada um.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A vida é um círculo...

Oi geeente!

Me peça para definir a vida em uma única letra e te darei um “o” maiúsculo. Você nasce frágil, pequeno e dependente de tudo. É necessário que te alimentem, te embalem, te protejam do frio, velem teu sono, contenham tuas lágrimas e te provoquem o riso. É necessário que te deem segurança, afeto e amor incondicional.

Cuidar de um ser humano quando ele chega ao mundo, despido de tudo, necessitado de tudo, frágil em tudo, não é fácil. Minha pequena Olívia, de nove meses, exige paciência além da paciência, dedicação além da dedicação e amor, além do amor.

Não raro, nas madrugas, ela se põe a chorar pedindo colo e calor. Não é tarefa fácil acalmar o choro do bebê, tampouco é fácil dar toda a atenção necessária, que parece nunca ser suficiente. Você alimenta o bebê, dá banho no bebê, faz o bebê dormir, troca o bebê, brinca com o bebê, alimenta o bebê... e o ciclo é ininterrupto e rotineiro por centenas de dias, até que se torne independente.

Às vezes olho a Olívia dormindo e penso que, se não fosse pelo meu amor, zelo e sentimento de responsabilidade, ela não sobreviveria. Depende de mim pra tudo. Se deixada sozinha em casa, morreria de fome, frio, abandono.

Assim começa nossa jornada na Terra. Não sobreviveríamos sem amor.

Caminhamos em linha reta por anos a fio, sem nunca poder voltar atrás. E assim prosperamos. Fortalecemos asas. Alçamos voos. Conquistamos a independência.

Por muitas vezes, “emburrecemos”. Tolos que somos, julgamos ser possível viver sem o amor, sem o próximo, sem a ajuda de alguém. Nos julgamos capazes de vivermos sós.

Desconsideramos o cuidado. O verbo cuidar. Cuidar de nós, cuidar do outro, cuidar dos bichos, das gentes, das águas, do ar. Descuidamos do nosso mundo, por acharmos, que somos nós, nosso próprio mundo.

Ao longo desta linha reta, sem retornos, chamada vida, vamos caminhando, tropeçando, caindo, levantando. Seguimos lentos, seguimos rápidos, seguimos em passo de valsa, seguimos cantando, seguimos chorando. Acumulamos perdas, ganhos, experiências e aprendizados.

Embora alguns insistam em acumular bens materiais, os mais espertos acumulam pessoas.

Porque, mesmo que você não perceba a sutil mudança, a linha reta se transforma em curva, e reencontra o ponto de partida.

O círculo natural. Se não tivermos nossa trajetória interrompida por doenças ou tragédias, chegaremos lá. Com sorte, ficaremos velhos.

Veremos nossos filhos terem seus filhos. E os filhos deles, filhos. Amaremos nossos netos, e com muita, muita sorte, pegaremos no colo nossos bisnetos. E chegaremos, ao final, ao ponto de partida.

A dependência pelo amor. A visão já não é a mesma. A coordenação motora talvez nos pregue peças. A memória poderá deixar vácuos. A pele não terá o mesmo viço. E a força, quem sabe, nos abandone.

Talvez, precisaremos de alguém que nos coloque pra dormir. Nos ajude no banho. Prepare nossa comida com carinho. E nos dê colo novamente.

Precisaremos, na hora definitiva, de alguém que segure nossa mão, nos conduzindo ao outro lado. Da mesma forma que estendemos nossos braços para receber quem chega a este mundo tão lindo e louco.

Que minha filha possa ter sabedoria, paciência e amor suficientes para fazer por mim, o que hoje, com tanta alegria e dedicação faço por ela.

Não é uma conta a ser cobrada. É um círculo de amor que se fecha. É a roda que faz girar o mundo.

É a vida, em sua plenitude, correndo solta feito um rio. Vencendo curvas, obstáculos, rochas, profundidades, correntezas e calmarias, para novamente encontrar o mar.

Felizes os que hoje amam, e amanhã são amados. E que não estarão sozinhos, jamais!

Que assim seja. Amém.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

E Deus nos deu a língua...

Oi geeente!

Como diz meu filósofo favorito, Homer Simpson: “Eu não minto, apenas faço ficção com a boca”.

Duvido que você nunca tenha se deparado com um mentiroso de carteirinha, sócio remido do Clube da Maledicência, presidente do time Aumentando as Histórias, e fundador da Associação Apimentando a Fofoca. Gente maledicente existe em toda a parte. Mas conviver com pessoas assim realmente é muito difícil.

É o tipo que sempre tem uma opinião negativa sobre todas as coisas. Sempre tem uma história cabeluda sobre todas as pessoas. E nunca, nunquinha, um elogio sincero a alguma coisa ou a alguém.

Fazer ficção com a boca, como diz o Homer, é muito comum e pode ser muito perigoso. As histórias começam a ganhar força, e cada colaborador da novela escreve mais um capítulo, com requintes de crueldade.

Quem alimenta essa indústria da fofoca, geralmente é aquela pessoa sem conteúdo, sem vida própria e sem assunto. Não tem nada mais útil para fazer do que cuidar do alheio.

É aquela pessoa que puxa papo sobre terceiros enquanto você faz a unha, corta o cabelo, levanta peso na academia, aguarda na fila do supermercado, toma o cafezinho no banco, ou folheia o jornal no café.

É aquela pessoa que senta na roda de amigos sem ser convidado e para chamar atenção para si, fala da vida do outro.

No fundo, são carentes de atenção, de afeto, de amizades verdadeiras, amores ardentes e de histórias interessantes sobre si mesmos. Livros em branco que não sabem escrever autobiografias. Pessoas com quintais de barro, a observar o vizinho aparar a grama e regar o jardim.

Se valem da mesquinhez do ser humano e da pequenez de suas almas para alfinetarem tudo e todos ao seu redor.

Adoro assistir novelas, confesso. Sei que ultimamente elas expõem o pior do ser humano, e ensinam tudo o que não deveríamos fazer na vida real.

Particularmente acompanho a história do blogueiro de fofocas, Téo Pereira, que acabou com a vida de “Claudete Bolgari”, ao espalhar para toda a sociedade a vida dupla do promotor de festas. Abriu o armário expondo a sexualidade do rival, com o intuito de fazer seu blog ganhar muitos cliques.

Assim como Téo Pereira, muitos blogueiros sem blog, querem aplacar sua carência afetiva expondo a vida íntima dos demais. Espalham um rastro de destruição, atingindo tanto os inocentes quanto culpados. Atiram no que veem e acertam no que não veem.

Quanto a eles, difícil transformá-los em pessoas melhores. Mas e quanto à nós? Quem somos nós?

Terrenos férteis para que a semente da maldade crie raízes? Somos receptores deste tipo de informação, que não acrescenta nada à nossa vida?

Somos movidos pela curiosidade mórbida de descobrir os esqueletos dos armários alheios, talvez para justificar os nossos?

É sobre isso que me proponho a refletir. E mais: muitas vezes, na ânsia de conter o incêndio de uma maledicência, o envolvido assopra, tentando apagar o fogo. E isso só serve como combustível para colocar mais lenha na fogueira.

A melhor forma de neutralizar pessoas assim é cortando o mal pela raiz. Afaste-se sempre que possível, e o mais importante: não reproduza a informação.

Um bom fofoqueiro só alcança o sucesso se tiver bons ouvintes para repercutir suas injúrias e difamações.

Tenho certeza que você aí tem mais o que fazer da vida, do que falar dos outros.

Ou não?

Beijos, meus amores!



Mural de Recados

Essa coluna é a sugestão de pauta que me foi enviada por uma leitora. Indignada por ter sido alvo de fofocas, afirma que é difícil viver em Guaporé. Na verdade, a fofoca está nas pessoas, não nas cidades. E tudo que um fofoqueiro mais gosta é atingir em cheio seu alvo. Portanto, não dê esse gostinho. A vida segue, e amanhã as más línguas encontram outro alvo. Fofoca velha não rende mais como notícia.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Vocação para tudo na vida. Qual é a sua?

Oi geeente!

Uma amiga convicta me disse: “Sou egoísta demais para ser mãe”.

Na tampa eu respondi: “Egoísta é a mulher que se torna mãe sem querer abrir mão de nada pelo filho”.

Cada vez mais tenho a certeza de que, para tudo na vida, é necessário ter vocação. Para desempenhar qualquer papel, do mais importante ao mais simples que seja, é necessário fazê-lo com amor e doação.

Ser mãe é, acima de tudo, abrir mão de si mesma por um longo período. Senão, pela vida toda.

O filho pequeno exige mais que amor. Exige presença. Não há mais tempo para a vida social agitada, para viagens de última hora, para noitadas, para uma vida profissional de agenda lotada.

Mesmo que, aos poucos, possamos retomar nossa rotina, sabemos que a grande prioridade, agora é outra, além de nós.

Por isso, egoísta é a mulher que tem filho para seguir padrões sociais ou por influência de terceiros. Egoísta é a mulher que tem filhos para prender marido. Ou porque foi coagida pela insistência da família.

Egoísta é a mulher que tem filhos e larga para outros criarem. As famosas crianças terceirizadas.

É claro que com o alto custo de vida e com as exigências do mercado de trabalho, as mães precisam se transformar na “Mulher Maravilha”. Precisam trabalhar fora, se veem obrigadas a deixar as crianças em períodos nas escolinhas, com babás, vovós ou titias.

Mas mãe que é mãe por vocação, o faz com o coração apertado e se desdobra em mil para estar, o maior tempo possível ao lado da criança.

Mãe de verdade educa pelo exemplo. Tem tempo para brincadeiras. Para ensinamentos. Para cuidar da febre na madrugada, que insiste em aparecer feito um fantasma, matando a gente de preocupação.

Mãe de verdade ama além do próprio amor e daria a vida pelo bem estar de um filho.

Por isso, egoísta é a mulher que tem filhos e não tem paciência. A que tem filhos e não dedica seu tempo a eles. Que tem filhos e abandona, maltrata, submete a situações de agressão moral e física, à falta de carinho, compreensão.

Palmas para as mulheres que sabem que é melhor não colocar no mundo mais um filho carente de amor.

Elas são a salvação da humanidade. Se todos fossem assim, não haveria abandono, não haveria orfanato, não haveria sequer uma criança virando adulto complexado e infeliz pela falta de afeto.

Para sermos qualquer coisa em nossa vida, precisamos colocar nossa alma e nosso coração a frente de nosso cérebro.

E isso não vale apenas para a maternidade.

Não seja jornalista se não tiver responsabilidade e amor pela VERDADE. Não seja advogado se não tiver consciência da ética e amor pela JUSTIÇA. Não seja médico se não tiver amor pela medicina e pela VIDA! Não seja político se não tiver honra e amor pela IGUALDADE. Não seja mãe se não tiver responsabilidade e AMOR por seu filho.

Chega de gente egoísta e desqualificada, incapacitada de olhar o mundo com os olhos do coração.

Chega de gente errando feio em setores onde não podemos errar.

Ninguém é perfeito, mas que possamos ser pelo menos humanos com aqueles que dependem de nós.

Egoísta não é aquele que admite suas limitações e enxerga suas deficiências. Egoísta é aquele que quer abraçar o mundo, sem braços suficientes para abraçar aquele que está ao seu lado, e mais necessita.

Beijos, meus amores!

sábado, 20 de setembro de 2014

Quero o canivete do MacGyver!

Há muito tempo deixei de ser fashion para ser básica. Acho lindo as mulheres em seus saltos, com suas produções justas e marcadas ao corpo, seus braços esbanjando pulseirismo, seus pescoços carregados de belos adornos, suas orelhas e brincos poderosos, suas mãos cheias de anéis em todos os dedos, e pra dar um toque a mais, os anéis de falange.

Sou fã de vocês!

Mas me desculpem, não consigo. Meu lance é rasteirinha. Minhas orelhas são alérgicas e ficam parecendo dois tomates toda a vez que coloco brincos por mais de 15 minutos. Tenho alergia também nos pulsos (credo, sou toda bichada!) e eles se enchem de minúsculas bolinhas de água se uso relógio ou pulseira em dias quentes. Quanto às roupas justas, aposentei pelo motivo mais óbvio: La pança! Não é uma pançona, é uma pancinha amiga, lembrança da minha gravidez, que confesso, tem sumido com o passar dos meses, mas deixou para trás umas pelanquinhas que me transformam numa gaita de botão, cheia de pequenas dobrinhas quando me sento. (Não por nada, procuro ficar a maior parte do tempo de pé!).

Mas no resumo da ópera, meu estilo é básico.

Eu adoro me arrumar, sou vaidosa, mas deixei de ser neurótica. Não dispenso um bom óculos de sol, passo uma base na cara para tentar amenizar as olheiras do Kung Fu Panda, brigo com os cabelos todas as manhãs, passo dois quilos de rímel nos olhos e me mando ao mundo para cumprir minha rotina.

Estava achando que todas as mulheres deveriam desencanar um pouco e curtir a vida com os pés no chão, quando me deparei com a última tendência fashion do momento: as blogueiras e as tops agora aderiram ao estilo natural de ser. O lance é ser básico e não querer chamar a atenção. No resumo da explicação científica, seria como se a gente tivesse acordado, pulado da cama, colocado a roupa mais confortável possível, e saído para conquistar o mundo com leveza, autoconfiança e naturalidade.

Já estava comemorando o que seria a maior revolução feminina desde que incineramos nossos sutiãs, quando resolvo clicar no link da matéria, que mostrava passo a passo como adotar esse novo “lifestyle” das famosas.

A desgraça da blogueira da matéria pulava da cama às seis da manhã pra tomar seu suco verde detox e comer queijo de minas. Na sequência malhava com 500 quilos em cada perna e praticava Crossfit, que é uma espécie de corre, pula, bate, faz abdominal, luta livre, jui jitsu, pilates, yoga, agachamento, polichinelo e ainda dança uma vaneira, isso num ritmo tão frenético como se um pitbull estivesse prestes a abocanhar suas canelas.

Depois, dando sequência, banho com emulsão de ervas, limpeza de pele e pásmen: salão de beleza!

Lá, a demônia preparou a pele com um primer (pri o quê?!), usou 30 tipos de base misturados para chegar ao seu tom natural de pele e não parecer maquiada, fez alongamento de cílios, batom cor carne para parecer sem batom, sombras em três tons nude, fez a sobrancelha e depois pigmentou, passou um blush em tom dourado para parecer queimadinha de sol, e ufa, partiu para a arrumação dos cabelos.

Três cabelereiros na cabeça da maldita, com 500 tipos de cremes, para depois secar, passar e enrolar. Dando continuidade, desenrolar os cachos, bagunçar os cachos, descabelar os cachos, passar cera nos cachos, para a filha do capeta ficar com os cabelos levemente ondulados, estilo surfista que acabou de sair do mar e secar ao sol.

Depois de todo esse trabalho, veio um séquito de estilistas com suas produções básicas, cuja peça mais barata era uma camiseta com pedrarias bordadas e gola “esmangolada” como dizia a minha avó. A blusinha custava R$ 700,00, porque fazia parte da coleção básico/fashion Stefano Gabbana (me mata!!!).

E assim nossa mulher leve, natural e descolada deixou o local onde fez sua produçãozinha básica para parecer que não se preocupa com a aparência e é linda e despojada naturalmente.

Depois dessa perdi minha fé na humanidade. Se para parecer natural é necessário tanta artificialidade, temo que cada vez mais seja verdade o ditado que diz:

Não existe mulher feia. Existe mulher pobre.

Depois de ler a matéria, juro que queria cortar os pulsos com o canivete do MacGyver. Só não o fiz, porque tinha que escrever a coluna da semana, e contar tudo isso pra vocês!

Morram barangas!

Beijos, meus amores.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

É setembro. Outra vez.

Oi geeeente!

É setembro e eu completo 36 anos. Ontem mesmo, no meu quarto, eu tinha 16. Vejo as flores dos ipês, das azaléias e das laranjeiras. Sinto, com o mesmo efeito renovador, o perfume das flores de cinamomo.

É setembro, eu completo 36, e tudo parece que foi ontem (e não foi?). A vida renasce em mais uma primavera, no mês em que eu nasci.

Fazer aniversário, pra mim, sempre foi um motivo de melancolia. Nunca fui adepta de festejar meu dia. Embora goste dos afagos que recebo dos amigos, preferia sempre pular essa data do calendário. E nada tem a ver com ficar mais velha. Tem a ver com a sensação de finitude.

Não sei quando deixei de acreditar na imortalidade.

Acho que quando percebi que tinha muito a perder, comecei a encarar a morte com outros olhos. Tenho medo dela me rondar num acidente de trânsito, numa queda de avião, numa doença maligna, numa bala perdida.

Quando pensamos em finitude, começamos a ter medo da vida.

É setembro e até ontem eu não pensava muito nisso. Meu espírito era livre e louco, sedento e nômade. Queria explorar, aventurar, desbravar. Sem limites ou consequências.

É setembro, e eu penso que amadureci, mas não envelheci. Ainda tenho alma de borboleta, porém, percebo que a carga de responsabilidades me tornou mais sensível à perda.

Parecia que antes, nada me fazia falta. E agora, já não tenho mais tempo a perder. E não quero perder ninguém.

Isso acontece, porque o tempo passou, eu cresci, a vida me ensinou a ser mais simples e seletiva, e só me restou o que é imprescindível.

Aos 36 eu só trabalho naquilo que acredito, só convivo com quem me faz bem, só cultivo aquilo que amo.

Já não tenho uma gaveta onde acumulo ódios e rancores. E também não guardo anotado o nome de quem me fez algum mal.

Já me perdoei pelos erros que cometi, e se quem foi atingido não me perdoou, desculpe, mas não carrego culpas. Não mais.

Quando chega a primavera e você olha para sua vida com a sensação de que ela poderia congelar agora, neste exato momento em que tudo está exatamente como você sonhou, você começa a ter medo do terrível e imutável destino de todos nós: o fim.

Quando eu tinha 16, eu pensava que demoraria um século para chegar aos 30. Que eu não precisava usar protetor solar. Que eu jamais teria cabelos brancos. Que bastava uma noite de sono, e tudo se resolvia.

Quando eu tinha 16, o porre passava logo e não deixava ressaca. O sono não dormido não cobrava seu preço. A juventude parecia não ter fim.

Quando tinha 16, eu era dona do mundo, e ele jamais me tiraria aquilo que conquistei.

É setembro, e eu tenho 36. E hoje eu sei que a pele envelhece, que o cabelo embranquece, que o corpo dá sinais de cansaço e que o tempo neste mundo é curto demais. Passa depressa demais. Os anos se transformam em dias. E décadas passam em meses.

É setembro, eu tenho 36, e hoje, sei que nenhum de nós é imortal. Que somos donos de nossos atos e reféns de suas consequências. Que amanhã pode ser tarde para dizer eu te amo, e pode ser impossível pedir perdão.

É setembro, eu tenho 36, e sei que a vida não começa aos 40. Ela começa todos os dias. E que o hoje é um presente que recebemos.

É setembro e eu sei, que cada dia é um começo. Mas ao mesmo tempo, é um começo que me aproxima mais do fim.

Por isso, não desperdiço tempo pensando no amanhã ou vivendo no ontem. A vida é agora. É preciso fazer valer cada floração da primavera. É preciso cultivar flores. E comemorar os frutos, que deixaremos por aqui, quando partirmos.

É setembro eu celebro a vida! E você?

Beijos, meus amores!

sábado, 30 de agosto de 2014

Macaco é macaco e veado é veado... (Falcão)

Oi geeente!

“Essas gazelas gremistas deveriam ser banidas do esporte. Bando de racistas”. Esta foi apenas uma das frases que eu li, na última semana, no quente da discussão sobre racismo, praticado por torcedores do Grêmio, contra o goleiro Aranha, do Santos, no jogo realizado em Porto Alegre.

Outra frase que me chamou atenção: “Os gaúchos escondem que são gays, mas não escondem que são racistas”. Mais uma pérola do Facebook.

As pessoas são tão ignorantes, com o preconceito tão arraigado, que quando defendem um grupo (os negros, no caso), não percebem que estão cometendo o mesmo erro com os homossexuais. Ou seja, eu sou contra o racismo, mas sou homofóbico. Elas por elas.

O que quero dizer com esses exemplos é que sempre (seeeeeempre!!!) que leio comentários sobre futebol, me entristeço com a humanidade. Colorados chamando gremistas de gazelas. Gremistas chamando colorados de macacos. Mas isso não caracteriza um time e outro. Ou uma torcida e outra. Isso caracteriza as pessoas. É o que difere uma PESSOA da outra.

Num domingo, voltando de Porto Alegre, paramos para almoçar em um restaurante na beira da estrada. Era dia de jogo e os ônibus paravam lá, com as torcidas que chegavam do interior para a capital.

Em alguns veículos, saltavam famílias inteiras. Crianças, idosos, pais, mães, jovens. De outros, uma massa bêbada e fanfarrona, que já chegava de garrafa na mão, cigarro na boca e entoando os gritos de guerra da “Geral”.

Todos eram torcedores do mesmo time. Mas havia grupos muito diferentes entre si. E com certeza havia objetivos muito diferentes entre eles. O que esperar de gente bêbada, que já chega em um estádio se empurrando e debochando da torcida adversária?

O racismo é tão fortemente arraigado na cultura do sul do Brasil, que por vezes tenho medo de abrir a minha boca e falar uma barbaridade, sem me dar conta. Não raro ouvimos frases como “coisa de preto”, “negrice”, e até mesmo negros pronunciando ditados como “nego bom não se mistura”.

Outro dia, cansada do trabalho, conversando com amigos, soltei a seguinte burrice: “Queria morar no Nordeste. Vender coco à beira-mar, balançando numa rede”.

Depois de falar, parei para pensar: é essa a imagem que eu tenho do povo nordestino? Será tão mansa a vida deles, que o trabalho se resume a ficar vendo a vida passar, no embalo da rede?

Claro que não! Nas diversas vezes que estive no Nordeste fui recebida por um povo hospitaleiro, alegre, trabalhador. Sempre muito bem servida nos hotéis, nos restaurantes, nos passeios turísticos. Povo solícito e calmo. Tranquilo e batalhador. Passei pelos canaviais e vi gente com carvão até nos dentes, trabalhando sob um calor de 40 graus, dormindo em casebres de terra, na beira das plantações, e recebendo uma miséria.

Mas somos constantemente contaminados por alguns conceitos que fazem com que o preconceito passe de geração para geração: político é corrupto, nordestino é preguiçoso, negro é bandido, muçulmano é terrorista, alemão é nazista.

Aí indignada eu me pergunto: como aquela menina gremista tão bonita, estudada, culta, gritava MACACO em um jogo de futebol, pra todo mundo ouvir?

E eu mesma respondo: enquanto houver um pai, uma mãe, um irmão, em casa, transmitindo a cultura do ódio, da superioridade racial, do preconceito social, religioso, sexual, haverá alguém gritando “bixa”, “macaco”, “gazela”, “nazista”. E pior que esse ódio declarado, é o ódio silencioso. Porque do inimigo que conhecemos, conseguimos nos defender.

O problema é que esse ódio todo circula calado por aí, rastejando feito uma cobra, pronto para dar o bote. E não raro, das palavras que não são gritadas, resultam atitudes impensadas, que explodem em brigas, agressões e mortes. E aí, já vai ser tarde demais para pedir desculpas.

A propósito, quando você xinga alguém, que palavras passam pela sua cabeça?

Beijo, meus amores.





terça-feira, 26 de agosto de 2014

Amizades de ocasião

“Que turma unida vocês tem. Estão sempre se divertindo juntas”, comentei eu.


E como resposta, obtive uma das mais comuns realidades em círculos sociais: “Isso daí não é amizade. É puro marketing. Na hora da festa, todo mundo corre para fazer uma foto feliz e receber curtidas nas redes sociais. Na hora do aperto, não resta quase ninguém”.

Muito antes do aparecimento das redes sociais o mundo já caminhava assim. Amizades e amores de ocasião acompanham o homem desde as cavernas. Todo mundo quer levar alguma vantagem.

Se observarmos grandes grupos que “deram o que falar” nas diferentes gerações em nossa cidade, chegaremos à conclusão que poucos, muito poucos, mantiveram-se unidos.

Porque é fácil ter amigos na festa open bar. Na casa com piscina. No passeio de carro da vez. Fácil é ter amigos para virar as noites na balada, para encher a casa de praia, ou para desfrutar de um final de semana regado a álcool e mulher bonita na casa de campo.

Seguido ouço pessoas falando: “Coitado de fulano, enquanto durou a fama, estava sempre cercado de amigos. Hoje sumiu da vitrine social e anda sozinho”.

Discordo totalmente da afirmação.

O que acontece é exatamente o contrário: “Feliz do fulano. Livrou-se de amigos parasitas, percebeu que pra ser feliz não é necessário estar na vitrine, e só anda com quem realmente importa”.

Quem adora uma frase de efeito deve conhecer aquela que diz:

Quem é de verdade, sabe quem é de mentira.

Uma óva.

Quem é de verdade, precisa descobrir quem é de mentira. E para isso, sofre duras decepções com pessoas importantes, próximas, que se intitulavam amigas, amores e quase irmãs.

Quem precisa desfilar com um bando de baba-ovos ao redor deve estar consciente de que sanguessugas alimentam-se do sangue alheio. É uma via de mão única. Eles não vão estar lá quando você precisar!

Dependendo de nossa postura diante da vida, conseguimos aprender com essas duras lições. Nos tornamos pessoas bem mais seletivas. Podemos ter milhares de conhecidos, mas poucos e bons amigos.

Nas coisas do coração, também aprendemos às duras penas. Podemos experimentar muitos amores, tratá-los com leviandade, com imaturidade e às vezes até com crueldade. Mas também encontraremos pessoas que nos tratarão assim.

A soma dos erros que cometemos e dos que cometem conosco devem servir para nos tornarmos pessoas melhores, mais responsáveis com aqueles que cativamos. Mais humanas e solidárias. Menos aproveitadoras.

Nós somos exatamente aquilo que atraímos. Para o bem e para o mal. Nossa postura diante dos outros determinará que tipo de pessoas teremos ao nosso lado durante nosso caminho.

E depois de várias colheitas, o semeador aprende a lei da semeadura.

Que na vida você encontra quem você merece, e não quem você procura.



Beijos, meus amores!

Mural de Recados

Amizade: existe sim amizade verdadeira e muitos grupos de amigas são exemplo disso aqui na cidade. Na verdade, a amizade é possível onde não há competitividade, e onde há sinceridade e afeto puro, de coração. Preserve esses amigos. São raros e únicos. E valorize sua família, eles são os melhores amigos que você pode ter.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Os toscos vão dominar o mundo

Oi geeente!


Tosco, do dicionário: Não lapidado, nem polido. Grosseiro, rude. Sem instrução. No meu dicionário, tosco é o sem noção.

Estou cansada de gente tosca. Gente que veio ao mundo bruto, e não conseguiu se polir com o passar dos anos e com os ensinamentos da vida. Gente que não tem vontade de aprender, mas está sempre pronto pra opinar. Há ainda o tosco que é instruído, mas usa a instrução apenas para o que lhe convém.

Gente ignorante mesmo, tanto no sentido do desconhecimento, quanto no sentido da falta de tato para lidar com qualquer situação.

O mundo é tomado de toscos. Há toscos de sucesso, porque com muito polimento e delicadeza, fica mais difícil chegar ao poder. Por isso os toscos estão lá, comandando o mundo.

Gente tosca, que declara guerra. Que se acha superior. Gente tosca que comanda torcida de clube de futebol. Gente tosca na política. Gente tosca na chefia. Gente tosca nas redes sociais.

Gente tosca que acredita que grosseria é sinceridade e que isso não é defeito, é qualidade.

Gente tosca que faz piada de mau gosto e se acha engraçado. Que está sempre pronto para julgar o outro sem conhecer. Gente sem limite.

Que se acha estrela, que se acha pop, que se acha Einstein, que se acha moderno, que se acha na moda, que se acha rico, que se acha lindo, que se acha importante, éca, gente que se acha.

Quer ter a real dimensão do quanto o mundo está cheio de toscos?

Crie uma conta em uma rede social.

Observe o comportamento da humanidade.

Mulherada sem noção com foto de peito e bunda de fora, e na legenda uma citação de Gandhi, por um mundo melhor. Toscas.

Homossexuais, bissexuais e heterossexuais acreditando que liberdade sexual é esfregar na cara da sociedade cenas de intimidade, que constrangem e que expõem pessoas sem necessidade. Toscos.

Gente preconceituosa, procurando por mais gente preconceituosa, para juntos formarem grupos preconceituosos.

Lunáticos e fanáticos religiosos, que matam, mutilam e humilham em nome de “Deus”.

Políticos corruptos caras de pau. E políticos bons pagando pelos maus.

Gente tosca que maltrata animal. Que não cuida de criança. Que despreza os idosos. Que debocha de quem tem deficiência.

Todos os tipos de radicais. Aqueles que acreditam serem donos da verdade. E os que acreditam que só há uma verdade.

Gente tosca que só enxerga suas qualidades, e nos outros só os defeitos.

Gente tosca sem paciência no trânsito.

Gente tosca que fala com você sem tirar os olhos do celular.

Gente tosca sem bom humor, sem jogo de cintura, sem flexibilidade.

Gente tosca que não sabe se relacionar com pessoas diferentes, que não sabe lidar com opiniões diferentes. Gente tosca que não respeita as diferenças. Gente tosca, tosca, tosca.

Minha vontade é comprar milhares de milhões de enxadas e mandar essa gente capinar uma horta. Mas seria muita “tosquice” da minha parte.

Porque também é tosco, quem não consegue conviver com gente tosca. Tipo eu.

Beijos, meus amores!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Enquanto houver tempo...

Eu acredito que, mais importante que a pessoa certa, seja o tempo certo de cada pessoa.

Quando se está em descompasso, não há amor que resista. Mesmo que exista.

Pessoas certas se encontram o tempo todo, e se perdem no tempo.

Esse danado do relógio biológico de cada um “tic-taca” uma série de comportamentos que prejudicam relacionamentos.

As necessidades de cada um variam com a idade. Há fases para tudo. Para ser de um só, e para ser do mundo. Para apreciar sabores desconhecidos, e para escolher seu sabor preferido.

Para ter asas, e para criar raízes.

Quando exigimos que o outro pule uma fase da vida para se adaptar a nós, estamos automaticamente tentando mudar seu ritmo. E o descompasso será inevitável. Cedo ou tarde, a fase não vivida baterá à nossa porta, causando muitas vezes devastações irreversíveis.

Nós podemos controlar o que fazer com o tempo, mas não somos donos dele. Nem do nosso tempo, muito menos do tempo do outro.

Há quem floresça no inverno, quem amadureça no outono, quem perca suas folhas no verão, e quem dê frutos na primavera.

É impossível caminhar ao lado de quem voa. Tampouco correr ao lado de quem caminha.

O ritmo de cada um dita o compasso de quem estará, ou não, ao nosso lado.

Besteira e perda de tempo, querer frear o outro.

A solução, para quem tem paciência, amor, e uma dose extra de perdão, é esperar. Esperar passar, esperar crescer, esperar amadurecer, esperar desacelerar.

Ou partir.

Não raro olhamos para trás e enxergamos ao longe, pessoas que um dia estiveram ao nosso lado. Não deixamos de ama-las, de lhes querer bem. Apenas estamos em outro tempo. No nosso tempo. Elas ficaram para trás. No tempo chamado passado. Quiçá, poderão estar novamente em nosso futuro.

Acredito que exista um tempo certo para cada acontecimento marcante de nossa trajetória. Tempo de aprender, tempo de experimentar, tempo de ganhar, tempo de perder, tempo de voar, tempo de criar raízes, tempo de ser só, tempo de ser dois, tempo de multiplicar.

Mas existem pessoas que ficam presas a uma fase da vida. Não conseguem se comprometer, se acomodar, desacelerar. É praticamente impossível caminhar ao lado delas. Deixe que sigam. Ou que fiquem parados no mesmo lugar. Não tente modificar, muito menos julgar, e pior ainda, condenar. Até mesmo um relógio quebrado está certo por um momento.

Siga. Liberte-se. Vá adiante.

Continue caminhando. No seu ritmo.

Um belo dia, vai olhar para o lado, e vai perceber, enfim, que alguém alcançou você. Está em sintonia com seu passo. Respira no seu compasso. Dança conforme o ritmo de sua música. E tem o mesmo destino que você.

O sol vai estar brilhando a sua frente. Um vento leve vai estar batendo em suas costas. Uma sintonia de paz vai proporcionar a certeza de que você está no caminho certo.

E juntos, seguirão, em qualquer ritmo, pé por pé, passo a passo, até que o tempo, esse breve tempo que temos para buscar a felicidade e para viver plenamente, finalmente se esgote.

Fim.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Para quando eu morrer...

Oi geeeente!


Recebi surpresa a notícia do falecimento de uma pessoa que há anos eu não via. Ela era responsável pela limpeza em uma rádio onde trabalhei. Uma mulher que era feita de pura bondade, sempre sorridente. Gostava de animais, de ajudar os outros, sempre simpática e agradável. Era muito humilde, e vítima de uma doença que lhe roubou a vida, foi enterrada na semana passada.

Quando fiquei sabendo, já era tarde. Mas uma das filhas me procurou, para saber se através da rádio, era possível realizar algum tido de campanha para pagar o enterro da mãe. Tinha custado cinco mil e quinhentos reais. E a família não sabia de onde tirar o dinheiro.

O enterro foi simples, como ela era. Mas nem por isso foi barato. Temo que morrer esteja mesmo pela hora da morte. Imaginem um enterro cheio de pompa e circunstância. Custa mais de 10 mil reais, se bobear, vai para os 20 mil.

Mas o preço da morte fica muito mais caro, se levarmos em conta um terreno no cemitério (Isso, no cemitério. Imaginem o preço do terreno no céu!). Aqui em Guaporé abriram uma espécie de “leilão” de terrenos no cemitério municipal, onde vale a maior oferta. O lance inicial fica em torno de cinco mil reais. Quem der mais, tem direito de escolher o melhor terreno para ser enterrado. É mais ou menos como comprar um apartamento: quem tem mais, fica com a cobertura.

O custo de vida está tão alto, que não dá mais nem pra morrer!Fala sério!

Por isso, aos meus queridos familiares e amigos, aproveito para deixar algumas recomendações antes da minha morte:

Por favor, não gastem quinze mil reais pra me enterrar. Gastem esse dinheiro comigo em uma viagem de navio pelo Mediterrâneo.

Não, não quero cobertura no cemitério. Quero uma casa aconchegante em vida, grande o suficiente para caber meus amigos e as pessoas que eu amo. Venham me visitar sempre que possível.

Não me deem o caixão mais caro. Minha avó, muitos anos antes de falecer, já falava em escolher seu caixão. A Dona Terezinha tinha uma certa obsessão por morrer com dignidade.

Gente, eu quero é VIVER com dignidade. Não pretendo ficar um só minuto no caixão. Quando bater minhas botinhas, automaticamente minha alma vai para um lugar muito mais feliz do que um caixão debaixo da terra. Mesmo que seja um caixão podre de chique.

Ah, também não venham me homenagear no túmulo. Como eu falei, não estarei lá mesmo. Me deem flores em vida, para enfeitar a sala da minha casa. E após minha morte, por favor, dirijam uma oração a mim quando estiverem reunidos, felizes, lembrando dos bons momentos. Querem me dar flores? Cultivem jardins, e deixem o mundo mais bonito!

Eu sei que todo mundo precisa ser enterrado, cremado, enfim. Então, podem me colocar no caixão mais barato, e podem me enterrar debaixo de uma árvore lá nas terras do meu pai. Que antes foram do meu avô. E antes dele, do meu bisavô. Vou virar pó mesmo. Não quero ocupar espaço no cemitério, não.

Muita gente acha que se mede o valor de uma pessoa pelo tamanho do seu enterro. Pelo número de flores que rodeiam seu caixão. Pelo número de pessoas que compareceram ao seu velório. Em cidade pequena, vale o ditado: “Gente importante tem a missa do velório rezada na Igreja. Porque não cabe todo mundo na capela mortuária”.

Uma ova! O valor da gente é medido pelo número de pessoas que conseguimos reunir em vida: porque valorizam nossa companhia, porque nos querem bem, porque nos amam de verdade.

O problema, minha gente, não é garantir que sejamos enterrados com glamour. O problema é garantir, que não sejamos enterrados vivos.

Portanto, tratemos de viver o máximo que pudermos, com a maior intensidade possível. Porque afinal, a morte, além de ruim e inevitável, ainda por cima é cara!

Beijos, meus amores!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Inverno bom pra piriguete!

Oi geeente!



Nesses dias de calor em pleno inverno, quando a temperatura chegou a (pásmen!) 30 graus em julho, lembrei de uma ocasião em que estava em Gramado num domingo de sol, na entrada da primavera. A cidade é pequena e, a cada esquina, nos encontramos com as mesmas pessoas, que estão fazendo o mesmo que nós: turistando.

Pois uma família, que pelo sotaque era do Nordeste, deve ter comprado aqueles pacotes turísticos de final de temporada, com os dizeres: Serra Gaúcha com neve!!!!

Gente, se já está difícil encontrar neve em Bariloche e Santiago do Chile, imaginem em Bento! Pois a família estava confiante, e precisava voltar pra casa com histórias de frio (muuuuito frio) pra contar.

Aquelas criaturas usavam manta e gorro num calor de 40 graus! Enquanto eu me jogava de boca num sorvete, as pobres crianças tomavam chocolate quente e o pai fotografava tudo. A mulher, com as bochechas já vermelhas de tanto calor, posava de casaco de couro e cachecol para uma foto no Lago Negro, e atrás dela o vendedor de pipocas estava de regata. (Imagine quem olhasse as fotos no Facebook! Ia achar que um dos dois estava precisando ser internado!)

Passei o domingo inteiro observando aquela família engraçada, que pagou uma banana para passar férias no frio, e fingiu que estava frio, só para não perder a graça.

No final do dia, desfigurados, os pobres devem ter voltado para o hotel, e devem ter dormido pelados na sacada, pra refrescar.

O que quero dizer é que realmente estamos vivendo um tempo impossível de definir estações do ano. E as pessoas ficam completamente sem noção de como se vestir.

Num sábado de julho, na praça de Guaporé, tanto tinha gente de casaco de lã e bota montaria, como de sandália e barriga de fora. Sim, as bordinhas de catupiry e os piercings saíram para tomar sol! (Nada contra borda de catupiry, mesmo porque eu tenho tanto pneu que posso montar uma borracharia). Destaco é o contraste.

Os pezinhos que estavam de fora em sapatos abertos eram tão brancos, que mais um pouco era preciso chamar a Funerária! Gente, pé de defunto passa vergonha.

Eu mesma estava usando uma básica com um casaquinho e lá pelas tantas precisei arregaçar as mangas e colocar os braços pra fora. Entre o branco da pele e o preto dos pelos dos braços, fiquei com medo de ser confundida com um macaco! Socorroooo!

Não estamos prontos para isso São Pedro! Aqui no sul as mulheres vão gradualmente se preparando para expor braços, pernas, pés e barrigas. Vamos timidamente pegando um solzinho, recuperando um pouco de cor, depois de meses debaixo de casacos pesados.

O inverno quente é a alegria das piriguetes! Isso as livra das graves infecções respiratórias, já que insistem em sair peladas mesmo com temperatura abaixo de zero!

Inverno quente é uma afronta à gauchada, que adora sentar pertinho do fogão à lenha, comendo pinhão, amendoim, batata doce e tomando mate. Tem que ser muito macho pra aguentar uma cuia de chimarrão no inverno dos 30 graus, sem suar!

Minha mãe resolveu fazer polenta no fogão campeiro lá de casa, e coitadinha, foi parara no hospital por desidratação. Entre mexer a polenta e suar, perdeu muito líquido.

Estou com medo do que vem pela frente. No ano passado nosso verão registrou temperaturas mais quentes que as do deserto do Saara.

Não sei que roupa comprar, como vestir minha filha de seis meses, não sei de saio de casa de poncho ou de biquíni.

Vivemos dias em que em menos de 24 horas vamos de zero a trinta graus, num piscar de olhos.

Acho que o clima está louco. Ou os loucos seríamos nós?

Beijos, meus amores!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Nem todo palhaço é feliz

Oi geeente!


Uma conversa entre adolescentes tratava sobre “boicotar a festa de 15 anos da amiga”. Fiquei imaginando a pobrezinha com uma festa vazia, sem os melhores personagens da turma. Principalmente sem os meninos tão esperados, ou sem as meninas consideradas “chefes de torcida” da escola.

Se você passou pela vida sem sofrer um boicote, considere-se feliz.

Boicotar, segundo o dicionário, é punir, recusando-se a ter relações amistosas, criar embaraços aos interesses.

A prática do boicote é muito mais comum do que se pensa. Está acontecendo neste momento, e pode ser que você seja o alvo.

Muitas vezes, ao abrirmos a boca para falar de alguém que não conhecemos, repassando informações maldosas, estamos praticando o boicote. Queimando alguém na sociedade, pelo simples prazer de fofocar.

Outras vezes detonamos estabelecimentos comerciais concorrentes, ou ainda eventos sociais.

Não por nada, percebemos uma migração coletiva de um restaurante para outro, de uma boate para outra, de um bar para o outro, deixando para trás um rastro de empreendimentos mal sucedidos e falências iminentes.

Pegamos também personagens de uma cidade, de um círculo de amizades ou um familiar para “Judas”, e malhamos o coitado até que não lhe reste nenhuma credibilidade.

Basta uma pisada na bola, para que o boicote coletivo aconteça. E aquele fulano ficará marcado para sempre pela mancada que deu, independente de tudo que tenha feito de bom na vida.

Particularmente, procuro me educar para não ser uma “boicotadora”. Porque às vezes, o somos sem nos darmos conta.

Nossa opinião sempre influencia alguém a agir de alguma forma, para o bem, ou para o mal. Precisamos velar por nossas palavras, para que elas trabalhem pela evolução e não pelo retrocesso.

É tão feio boicotar os outros. É tão triste ser boicotado.

Vejo meninas e meninos traumatizados a vida inteira pelos boicotes na escola. Vejo mulheres sozinhas, marginalizadas, porque são consideradas fora dos padrões da sociedade. Vejo homens rotulados disso ou daquilo. Idosos tido como inúteis. Pessoas com alguma deficiência apontados como incapazes. Boicotamos o tempo todo, fechando portas que serviriam de passagem para que as pessoas tivessem oportunidades de crescimento, de felicidade, de inserção na sociedade.

Não ganhamos nada com isso, praticamos por pura maldade.

Também somos recordistas em boicotar nosso próprio país e nosso povo. Muitos gringos que vieram acompanhar a Copa, de espantaram pela hospitalidade, pela excelente comida, pelas acomodações em hotéis, pela beleza das cidades. Chegaram aqui achando que no Brasil só tinha mato, macaco, mulher de bunda grande e samba. Que imagem vendemos? Óbvio que temos muitos problemas sociais, políticos, mas denegrir nossa própria imagem não vai nos elevar ao ranking de país desenvolvido e gente civilizada.

"O Brasil costuma se superar. Já tivemos nosso tempo de vira-lata. Passou. A tendência agora é a síndrome da hiena raivosa. O vira-lata fracassa por medo de vencer. A hiena nervosa deseja o fracasso coletivo como uma forma de vitória particular”

Concordo com o colunista Juremir da Silva. Somos especialistas em jogar caca em nosso próprio ventilador, e depois, sujos de “m”, quando tudo dá errado, afirmamos convictos: “Eu já sabia”.

Somos auto-boicotadores de mão cheia. Boa parte de nós não confia em si mesmo, não arrisca, não vai à luta, com medo do fracasso. Por isso mesmo passa longe das vitórias. Mereceríamos ser mais confiantes. Com certeza alçaríamos voos mais altos. Mas que triste mania temos, não é?

Boicotar os outros é muito ruim, triste e feio. Mas boicotar a nós mesmos, é imperdoável!

Beijos, meus amores!

terça-feira, 1 de julho de 2014

Nossos filhos, nosso espelho

Muitas vezes a escrita nos permite encontros e trocas de experiência com pessoas que jamais imaginaríamos. Escrever é se expor. Você publica sua opinião, e claro, fica lá preparada para ser julgada, apoiada ou criticada. É um risco que se corre.

Depois que fiquei grávida e tive meu bebê, por muitas vezes dividi com leitores meus sentimentos como mãe. As alegrias, as dificuldades, o modo como vejo o mundo e como pretendo criar minha filha. Em um desses encontros de trocas de experiências, aprendi uma lição inesperada, que divido com vocês.

Uma leitora contou que descobriu, ainda durante a gestação, que teria uma filha especial. A menina, chamada Alice, hoje tem a idade da minha filha Olívia.

Enquanto eu fazia todos os exames de pré-natal, pensei em como reagiria se recebesse a notícia de que meu bebê tinha algum problema de saúde.

Pois foi o que aconteceu a ela. No começo, ela conta que não conseguia comer, tomar banho, abrir a janela para ver o sol. Jamais rejeitou a criança, mas chorava desesperada, por dar a luz um ser que ela considerava frágil demais, para as maldades do mundo.

Pensava se, alguma dia, sua filha seria independente, conseguiria ter uma vida normal, sem a proteção dos pais.

Passado o impacto da notícia, ela afirma que a ficha caiu. Que finalmente pode perceber que seria mãe como qualquer outra. Que todas nós estamos correndo os mesmos riscos o tempo todo. O futuro é sempre uma caixinha de surpresas. Então, decidiu ser uma fortaleza, onde sua filha encontraria segurança, e mais do que isso, onde poderia encontrar a ferramenta que a levaria a uma vida como qualquer outra criança.

A mãe de Alice visitou escolas especiais, conheceu crianças prodígio dentro de suas limitações, que superaram limites e diagnósticos. Conversou com profissionais, montou um esquema de estimulação, onde a pequenina receberia todo o apoio para desenvolver-se na parte motora, na fonoaudiologia, para poder levar uma vida como qualquer outra menina de sua idade.

Sentiu-se forte e feliz pelo desafio que a vida tinha lhe dado: seria uma super-mãe, escolhida para conduzir um ser iluminado a evoluir com segurança, afeto, compreensão e amor.

Ela conta que, a partir do momento em que deixou de ver seu bebê como alguém com deficiências, passou a sentir-se incrivelmente preparada para esta tarefa.

Foi aí que ela lançou um desafio para mim, como mãe.

Diz ela:

“Temia por minha filha. Pelas maldades do mundo. Pela forma como as pessoas a olhariam. Talvez com pena, talvez com curiosidade, ou com desprezo. Como mãe, não aguentaria ver minha filhinha sofrer. Por isso, comecei por mim. Me propus a ver minha filha como normal, e assim tem sido desde seu nascimento. É claro que ela precisa de mais estímulos, mas tem se desenvolvido e nos surpreendido a cada dia. É um ser de amor. Puro amor. E quem é assim, sensível, puro, pode ser facilmente magoado. Já reparou, Michele? As crianças estão acostumadas a conviver com amiguinhos de cabelos loiros, cabelos castanhos, lisos ou ondulados, mais baixinhos, mais altos, mais magrinhos. Elas são criadas de modo a não discriminar essas diferenças. São diferenças consideradas normais. Agora, coloque numa sala de aula uma criança com cabelinho sarará, uma bem gordinha, ou com alguma deficiência física ou mental. São essas crianças as vítimas do tão temido Bullyng. Porque essas diferenças também não são respeitadas? Porque existem crianças que são pequenos monstrinhos? Preconceituosas e maldosas? É esta a pergunta que eu faço a você, e por extensão a todas as mães, que neste momento passam pelo desafio de educar e criar um filho. Eu estou criando a Alice para ser e para se ver como uma criança perfeitamente normal.

E você, como está criando a Olívia para ver a Alice?”

Com essa pergunta fecho este texto. Permitindo que todos nós façamos um exame da consciência, para encontrar a resposta.

Beijos, meus amores.

Na foto: esse figurinha é o Vinícius. Ele ganhou um ensaio através de um concurso feito pela Special Kids Photography. (Fotógrafo Eduardo Guillon)





sábado, 28 de junho de 2014

A leitura do ontem, a página em branco do amanhã

Oi geeente!

Não sei se isso é bom ou ruim, mas relendo a mim mesma, em textos de 10 anos atrás, fiquei com vontade de me dar umas taquaradas nas canelas. Bateria em mim com umas belas palmadas. (Ah não, palmada agora é crime!)

Eu e meus discursinhos furados, lições de moral de calcinha e achando que era dona do mundo. Uma vez um senhor disse que eu só escrevia “bobajadas”. Temo que ele tinha razão. Mas eram bobajadas de quem tinha 20 anos, por isso pareciam importantes.

Eu era uma “dessas aí” que me causam arrepios no Facebook. Era a indignada, a revoltada, a bobinha apaixonada, a que se achava... e não era.

Nesses 10 anos, muita coisa mudou... além do meu nariz. Graças a Deus!

Pude fazer uma autoanálise e perceber como cresci. Amadureci muito, mudei muitas vezes de ideia (ainda bem!), parei de julgar os outros, deixei de abordar pequenos assuntos, de gente pequena, como eu.

Não estou merecendo o Nobel de literatura, e muito provavelmente leia esse texto daqui a dez anos e tenha uma vontade louca de cometer o suicídio, de tanta vergonha. Porém, preciso confessar que me sinto muito melhor aos 30 do que aos 20.

Vejo a vida por outros ângulos, tenho horizontes mais largos, menos problemas, mais consciência de meus atos, mais domínio sobre meus sentimentos, bunda mais caída, ops, mente evoluída e mais consciência de que sou feliz.

Se você não passou os últimos dez anos escrevendo uma coluna para o jornal toda a semana, com certeza não conseguirá avaliar com tanta clareza quem você era e quem você se tornou em uma década.

Mas também poderá fazer um “mea culpa” sobre quantas vezes foi infantil, preconceituoso, inflexível, bobinho mesmo.

E com mais facilidade entenderá a infantilidade de muitas mulheres, a imaturidade de muitos homens, as idiotices praticadas na vida real ou na Rede Social.

Ficará mais tolerante ao perceber que o tempo só nos traz benefícios, se soubermos utilizá-lo de forma a evoluir, aprender, ter consciência de que não sabemos tudo, aliás, não sabemos nada.

Nem mil encarnações seriam suficientes para aprender o que as pessoas e o mundo têm para nos ensinar, de bom e de ruim.

Juro que lendo meus textos no blog, fiquei com vergonha de mim. Muitas vezes me deparei com uma verdadeira estranha, com ideias que não eram as minhas. Pensei em apagar todas as postagens que considero bobagens impublicáveis.

Mas depois parei, respirei fundo e percebi que aquela linha do tempo só comprova, na real, o quanto somos apenas uma obra inacabada. Sempre estaremos realizando pequenas e grandes reformas, internas e externas.

Infelizes não são aqueles que foram bobos, ingênuos, rebeldes sem causa, românticos incorrigíveis, infantis ou burros mesmo.

Infelizes os que não mudam nunca. E nem sequer percebem que estão sempre estacionados na mesma vaga, da mesma garagem, com vista a um mesmo paredão de cimento, sempre cinza.

Que bom que tive a oportunidade de me ler no passado. Porque fiquei feliz com quem sou hoje. E estou otimista que no futuro, as coisas tendem a melhorar.

Daqui a 10 anos, quem sabe, com muito estudo, sorte e novas experiências, eu conquiste mais pessoas que concordem com minhas ideias, ou pelo menos, que possam respeitá-las. Digo que uma pessoa de sucesso é aquela que conquistou respeito, ao invés de dinheiro.

Por hora, obrigado por me aturarem por uma década. Continuo pobre, mas feliz com a profissão que escolhi. E para os que definitivamente detestam a forma como eu penso, lá vai a trágica notícia: continuarei escrevendo! :D

Um beijo, meus amores!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Liberdade: Qual o significado pra você?

Oi geeente!



Que bom encontrar aquele colega dos tempos de escola, que seguiu por caminhos tão diferentes, e por muito tempo você ficou sem notícias.

Ele encheu uma mochila de sonhos e coragem e partiu pelo mundo, sem destino certo. Um caminhante que faz seu próprio caminho.

Aprendeu inglês na Inglaterra, provou da pizza italiana. Dormiu em albergues, mochilou pelos “States”.

Chegou ao topo da Cordilheira dos Andes e fez o passeio de balão na Capadócia.

Tem o passaporte carimbado de aventuras. Se apaixonou na França, na Espanha e na Austrália. Encontrou a fé no Caminho de Santiago de Compostela. E a perdeu tantas outras vezes, vendo de perto as misérias do mundo.

Foi garçom na Alemanha. Auxiliar de cozinha na Suíça. Professor de português na Grécia. Aluno a vida toda.

Diz ele que liberdade é caminhar. Não importa o rumo, desde que se caminhe. Asas abertas, sem raízes, sem amarras.

Você conhece algum homem-pássaro?

Confesso que, no começo, senti uma pontinha de inveja dessa liberdade de ir e vir, mas por fim, tive pena da solidão atrelada a esse estilo de vida.

Não pena dele, um caminhante convicto, mas pena de mim, se seguisse seu exemplo.

É sobre isso que quero falar nessa semana: o conceito de liberdade varia de pessoa para pessoa.

Meu amigo não tem mãe, nem pai, nem filho. Teve paixões, mas nunca amou profundamente a ponto de dividir com alguém sua liberdade. Porque o amor é uma prisão.

Quem tem alguém, vive preso a este sentimento. Se está longe, sente saudade, precisa voltar. Se está perto, abre mão de si, para cuidar do outro.

Depois que tive minha filha Olívia, que completou seis meses, percebi que quanto mais amamos, mais escravos do amor nos tornamos. Mas é uma escravidão voluntária. Queremos estar presos por toda a eternidade e além.

Os prisioneiros do amor zelam por seus pais, temem por seus filhos, são extensões do coração de seus amantes. Não andam sós, porque têm a responsabilidade de zelar pelo caminho dos seus.

Colocam-se em segundo plano sempre, porque amam além de si, amam além dos limites do amor.

Quem tem pra quem voltar não vai longe.

Quem tem pra quem voltar, não compra passagem só de ida.

Pedi pro meu amigo se ele não sentia falta de pessoas a quem se apegar, se não queria ter filhos, casar...

Ele afirmou que não. Disse que era feliz assim, de bem consigo mesmo, que aprendeu a se bastar e prefere pegar o rumo toda a vez que algo ou alguém começa a ganhar mais importância em sua vida.

Para ele, prisão é ter alguém que lhe pode a liberdade.

Para mim, liberdade é ter alguém pra me prender.

E pra você?

O que significa ser livre?

Beijos, meus amores.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Pátria amada (nem tão) idolatrada, salve, salve!

Oi geeeente!

Existe coisa mais triste que um filho ter vergonha de sua mãe?

Pois é assim que me sinto toda a vez que tenho vergonha de ser brasileira. E isso tem acontecido muito, ultimamente.

Sinto vergonha quando não nos manifestamos, e ficamos omissos a tantos absurdos.

Sinto vergonha, quando nos manifestamos, mas de forma errada, quebrando tudo, depredando, escondendo a cara, e perdendo a legitimidade.

Sinto vergonha do nosso Governo, quando se faz de cego ou é cúmplice na roubalheira e desvio de dinheiro público nas obras da Copa e tantas outras. E há mais de 500 anos a vergonha anda solta na política nacional.

Mas também tenho vergonha ao ouvir a massa mandando uma senhora, no caso nossa presidente, tomar naquele lugar, pro mundo inteiro ouvir.

Sinto vergonha quando invisto no turismo em meu país e sou assaltada toda a vez que compro um suco de fruta da estação, e pago 10 reais por ele. E quando uma pizza custa 100 reais.

Sinto vergonha quando vejo o atendimento à saúde precário, por falta de investimentos. Quando um bebê tem recursos para a realização de uma cirurgia que lhe salvará a vida garantidos pela Justiça, e a União recorre da sentença. Mas não recorre quando bilhões escapam pelo ladrão em obras que não são concluídas, são super-faturadas, ou são obras fantasmas.

Fico envergonhada quando sobra mês e falta salário, porque os preços não param de subir e dizem que não há inflação. Ou quando todos deixam de vender, e dizem que não há crise.

Obviamente sinto vergonha dos brasileiros que nos representam tão mal. Ou melhor, que não nos representam.

Acho engraçado quando usamos a criatividade para rir dos problemas, mas acho deprimente rir pra não chorar. Já diz a canção “rir de tudo é desespero”.

Esses aí que querem levar vantagem em tudo, que não tem educação, que usam o voto para tirar vantagens pessoais, que não trabalham por falta de vontade e vivem do Bolsa Família, os que exploram turistas e não turistas, os que desviam o dinheiro que salvariam vidas, não me representam.

O Brasil hoje é o centro do mundo, em um evento que deveria orgulhar a cada um de nós!

Que lindo ver, no quintal de casa, povos de todas as raças, cores, credos, línguas e culturas, juntos pelo esporte.

Que emocionante ver os jogadores entoarem seus hinos, e na plateia, tanta gente diferente, e no fundo tão igual.

Somos tão alegres, tão carismáticos, tão hospitaleiros, que se quisermos, daremos o maior espetáculo da Terra, nesta Copa 2014.

Por isso meus sentimentos se confundem em um misto de orgulho e vergonha, por tantas coisas boas e tantas coisas ruins acontecendo ao mesmo tempo.

Se desprezamos nosso Brasil, desprezamos a nós mesmos, porque a Nação, sou eu e você.

Pessoas ruins, pessoas sem caráter, pessoas corruptas estão em toda a parte, em todas as profissões, e também na política.

O problema é quando os bons se calam, para os maus gritarem.

Gostaria de encontrar um caminho, um jeito, uma receita mágica para fazer a parte podre do nosso país criar vergonha na cara. Mas milagres não existem.

Então, com minha bandeira verde-amarelo, torço sim pela minha seleção, e chego a seguinte conclusão: O Brasil só vai ter jeito quando cada um fizer sua parte.

Discretamente e cheia de esperança, eu faço a minha.

E você?

terça-feira, 10 de junho de 2014

Surtando, do verbo surtar!

Oi geeente!


Uma amiga reproduziu uma frase de Francisco Mattos, no Facebook, que diz o seguinte: "A verdade é que todos nós carregamos nossos destroços, não se engane com as fotos do Facebook alheio."

Confesso que sempre que estou meio pra baixo (todo mundo tem dias bons e outros nem tão bons, ou não?), evito fazer postagens nas redes sociais.

Em primeiro lugar, não quero contaminar os outros com meus problemas ou pessimismo, e em segundo (e não menos importante), me sinto constrangida em não estar feliz, curtindo, fazendo um programa super legal, ou com alguma imagem maravilhosa de um dia glorioso.

Dificilmente encontramos perfis coerentes com a realidade no Face. Há os extremanente pessimistas, que todo o dia apresentam um drama, um problema, uma reclamação. E há os super felizes, que estão sempre em festas, cercado de amigos, em programas descolados, produzidos, bem vestidos, sorrindo até dar cãibra na boca.

E há todos nós, os normais. (Ou nem tanto!)

Eu não conto pra ninguém, mas tenho dias péssimos. Acordo tomada por um desânimo tão grande, que só um exorcismo arrancaria os demônios que habitam meus pensamentos.

Nesses dias, puxo pouco assunto, e fico no meu canto, com medo de usar minha boca como uma metralhadora, ofendendo pessoas que que amo, e me arrependendo na sequência.

Há os dias que acordo feia. E aí me pergunto: sou mesmo tão feia, e disfarço bem nos dias em que estou de bem com a vida? Ou sou feia até quando não me acho feia? Ou não sou feia, e me vejo feia? Ó céus.

Também acordo sem roupa! Pelo amor de Deus, não saio pelada pelas ruas, não é isso. Mas parece que nada combina com nada. Tenho vontade de jogar tudo pela janela e ir às compras.

E isso abre precedente para os dias que me acho gorda. (Ué, ontem eu achava que tinha emagrecido!)

Tem os dias em que acordo me sentindo só. E aqueles em que acordo me sentindo desvalorizada (ninguém me respeita, ninguém me escuta, ninguém me valoriza, ninguém me amaaaaa!).

E os outros em que acordo me sentindo sem dinheiro (esses só duram 365 dias no ano hahaha).

Em todos os outros, sou uma pessoa feliz.

Agradeço a Deus por ter uma família linda, um bebê que é um doce de menina, amigos que me fazem bem, dinheiro suficiente para ter uma vida confortável e me permitir uns luxos de vez em quando. Agradeço por minha saúde, por estar de bem com meu corpo, minhas ideias, minha vida como um todo.

Sei que tenho tudo que amo, e mais do que preciso. Seria um sacrilégio me sentir menos que feliz, todos os dias.

Mas me sinto.

Pequenos problemas me desestabilizam, confrontos no trabalho me roubam a paciência, choro do bebê na madrugada me tira o sono, e com ele o bom-humor tradicional.

Penso que não sou mal agradecida. Devo ser normal. Ou seria uma neurótica de carteirinha?

Esses aí, sempre felizes o tempo todo, existem mesmo? Ou são candidatos ao papel principal do filme Polianna? São bobos alegres, ou são pessoas que conseguem ver sempre o copo meio cheio?

Será que sou vítima do sistema, do consumismo, do ideal inatingível de perfeição, ou sou igual a todo mundo? Será que meu problema é pensar demais, ou será que é pensar de menos?

Me respondam se as crises existenciais também atingem vocês, caros leitores.

Porque a mim, me atingem pelo menos uma vez por mês (na TPM), como um raio, bem no meio da testa. Tentem me suportar nestes dias, e me amar em todos os outros.

Por hora, um rivotril e boa noite.

PS:

Gente, acho que toda mulher é meio doida. Até as mais equilibradas surtam de vez em quando. No final, de perto ninguém é normal!