Devaneios tolos... a me torturar.

sábado, 20 de setembro de 2014

Quero o canivete do MacGyver!

Há muito tempo deixei de ser fashion para ser básica. Acho lindo as mulheres em seus saltos, com suas produções justas e marcadas ao corpo, seus braços esbanjando pulseirismo, seus pescoços carregados de belos adornos, suas orelhas e brincos poderosos, suas mãos cheias de anéis em todos os dedos, e pra dar um toque a mais, os anéis de falange.

Sou fã de vocês!

Mas me desculpem, não consigo. Meu lance é rasteirinha. Minhas orelhas são alérgicas e ficam parecendo dois tomates toda a vez que coloco brincos por mais de 15 minutos. Tenho alergia também nos pulsos (credo, sou toda bichada!) e eles se enchem de minúsculas bolinhas de água se uso relógio ou pulseira em dias quentes. Quanto às roupas justas, aposentei pelo motivo mais óbvio: La pança! Não é uma pançona, é uma pancinha amiga, lembrança da minha gravidez, que confesso, tem sumido com o passar dos meses, mas deixou para trás umas pelanquinhas que me transformam numa gaita de botão, cheia de pequenas dobrinhas quando me sento. (Não por nada, procuro ficar a maior parte do tempo de pé!).

Mas no resumo da ópera, meu estilo é básico.

Eu adoro me arrumar, sou vaidosa, mas deixei de ser neurótica. Não dispenso um bom óculos de sol, passo uma base na cara para tentar amenizar as olheiras do Kung Fu Panda, brigo com os cabelos todas as manhãs, passo dois quilos de rímel nos olhos e me mando ao mundo para cumprir minha rotina.

Estava achando que todas as mulheres deveriam desencanar um pouco e curtir a vida com os pés no chão, quando me deparei com a última tendência fashion do momento: as blogueiras e as tops agora aderiram ao estilo natural de ser. O lance é ser básico e não querer chamar a atenção. No resumo da explicação científica, seria como se a gente tivesse acordado, pulado da cama, colocado a roupa mais confortável possível, e saído para conquistar o mundo com leveza, autoconfiança e naturalidade.

Já estava comemorando o que seria a maior revolução feminina desde que incineramos nossos sutiãs, quando resolvo clicar no link da matéria, que mostrava passo a passo como adotar esse novo “lifestyle” das famosas.

A desgraça da blogueira da matéria pulava da cama às seis da manhã pra tomar seu suco verde detox e comer queijo de minas. Na sequência malhava com 500 quilos em cada perna e praticava Crossfit, que é uma espécie de corre, pula, bate, faz abdominal, luta livre, jui jitsu, pilates, yoga, agachamento, polichinelo e ainda dança uma vaneira, isso num ritmo tão frenético como se um pitbull estivesse prestes a abocanhar suas canelas.

Depois, dando sequência, banho com emulsão de ervas, limpeza de pele e pásmen: salão de beleza!

Lá, a demônia preparou a pele com um primer (pri o quê?!), usou 30 tipos de base misturados para chegar ao seu tom natural de pele e não parecer maquiada, fez alongamento de cílios, batom cor carne para parecer sem batom, sombras em três tons nude, fez a sobrancelha e depois pigmentou, passou um blush em tom dourado para parecer queimadinha de sol, e ufa, partiu para a arrumação dos cabelos.

Três cabelereiros na cabeça da maldita, com 500 tipos de cremes, para depois secar, passar e enrolar. Dando continuidade, desenrolar os cachos, bagunçar os cachos, descabelar os cachos, passar cera nos cachos, para a filha do capeta ficar com os cabelos levemente ondulados, estilo surfista que acabou de sair do mar e secar ao sol.

Depois de todo esse trabalho, veio um séquito de estilistas com suas produções básicas, cuja peça mais barata era uma camiseta com pedrarias bordadas e gola “esmangolada” como dizia a minha avó. A blusinha custava R$ 700,00, porque fazia parte da coleção básico/fashion Stefano Gabbana (me mata!!!).

E assim nossa mulher leve, natural e descolada deixou o local onde fez sua produçãozinha básica para parecer que não se preocupa com a aparência e é linda e despojada naturalmente.

Depois dessa perdi minha fé na humanidade. Se para parecer natural é necessário tanta artificialidade, temo que cada vez mais seja verdade o ditado que diz:

Não existe mulher feia. Existe mulher pobre.

Depois de ler a matéria, juro que queria cortar os pulsos com o canivete do MacGyver. Só não o fiz, porque tinha que escrever a coluna da semana, e contar tudo isso pra vocês!

Morram barangas!

Beijos, meus amores.

4 comentários:

  1. Vou fazer de conta que não li isso. Nada contra, só não parece contigo. Acho!

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  2. Qual delas não parece comigo? A blogueira ou a básica? E Edson, toda a mulher tem direito a uma surtadinha por dia!
    haha
    Beijos!

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  3. Me expressei mal. Foi preciso uma releitura, só então percebi que fui açodado, precipitado, incontido, falha nossa. Vc continua admirável. Deveras. Beijo na cria linda.

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  4. Ufaaaa! Já estava me sentindo burra, feia, mal amada... e sabe que mulher com baixa estima é um perigo! hahahaha
    Beijos, a Olívia agradece!

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