Devaneios tolos... a me torturar.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Pedalando a liberdade

Oi geeente!


Eu não sei andar de bicicleta.

Ando toda desequilibrada, com medo de cair. Vou insegura, e acabo não aproveitando o passeio.

É que sempre tive vergonha de me locomover, pedalando leve, engolindo pela boca o vento que bate no rosto.

Sempre tive medo que as pessoas achassem sem pudor essa liberdade louca de sair por aí, de vestido ao vento pedalando ligeiro, com o sorriso aberto, deixando pra trás carros, prédios, pessoas, rotina, trabalho, preocupações e compromissos.

Afinal, não temos o direito de sermos tão livres assim. Por isso desaprendemos a andar de bicicleta. Compramos nossos carros, fechados, película preta, blindados para que ninguém nos veja. Ninguém saiba o que se passa em nossa alma.

Ora, quem anda de bicicleta está exposto demais. Está pobre demais. Está fora de moda demais.

Porque deixei de andar de bicicleta? Porque cresci. E me deixei contaminar pelo senso comum de que quem cresce tem muita carga de responsabilidade para carregar. Eles têm razão. Minha bicicleta não suportaria.

Que pena sermos assim.

Não nos damos conta de que é mais feliz quem se expõe sem medo do julgamento alheio. Não nos damos conta que “pobre”, é aquele que sequer tem tempo para um belo passeio com o vento batendo no rosto. E que fora de moda é aquele que pensa que o que se tem, está acima do que se é.

Se Guaporé andasse de bicicleta...

As pessoas seriam mais felizes. Mais leves e alegres. Menos preocupadas com o carro que o vizinho tem na garagem. Usariam roupas mais confortáveis, e deixariam em casa o peso que carregam em suas pastas e bolsas, repletas de problemas e frustrações.

Abordei este assunto porque, na Europa, me deparei com centenas de milhares de bicicletas. E em cima delas, moças, senhoras, jovens, velhos, crianças. Estudantes e executivos. Despojadas e chiques. Descabelados e impecáveis figuras. Pedalando pela vida.

Será culpa das nossas “largas avenidas” que largamos de mão do estilo de vida que se têm, olhando o mundo de cima de uma bicicleta?

O que eu vi, no “Velho Mundo”, foi uma liberdade incrível de ser quem se é, sem medo de ser feliz.

Nos parques, pernas de fora, abraços apertados, leituras demoradas, sorrisos no rosto, tinta no cabelo e muitas, muitas bicicletas.

Cada um sendo exatamente como é, sem precisar seguir o conceito social de como deve se portar, se vestir e se comunicar, um adulto que é bem sucedido nos negócios, e que “deu certo na vida”.

O nosso conceito de “dar certo” está muito errado. O nosso conceito de “ser alguém”, faz com que nos percamos de quem gostaríamos de ser.

Chega disso. Pelo menos pra mim.

Reabilite sua bicicleta! Ela pode ser a bermuda e o chinelo que você vai usar no verão que está chegando. Ela pode ser um despreocupado passeio a pé pelas ruas, na companhia de seu filho. Ela pode ser um piquenique no Autódromo, com seus amigos. Ela pode ser um apaixonado beijo público em seu amor.

Viva as bicicletas! Elas ainda vão dominar o mundo.
Basta ter equilíbrio para não cair!

Beijos meus amores! Até a semana que vem!

Liberdade é como saborear um passeio de bicicleta sem precisar apostar corrida com ninguém. Apenas pedalar. No nosso ritmo.”

sábado, 17 de setembro de 2011

Viagem pela Europa: Raízes e Asas

Oi geeeente!


Raízes e asas.
Alguém famoso já escreveu sobre isso. Asas para voar, raízes para ter pra onde voltar. Como é bom ter um lugar pra se sentir em casa, e pra se chamar de seu.
Depois de fazer mais de 25 mil quilômetros, atravessando o Atlântico, percorrendo a França, a Itália e a Espanha, posso dizer que me sinto muito feliz em ser brasileira, em viver nesse país de gente incrível, e em voltar.
Lugares e pessoas.
Conheço muitos lugares no Brasil e na América do Sul. Sempre disse que o melhor dos lugares são as pessoas. Não na Europa. Principalmente na Itália e na França, o melhor dos lugares são os lugares. Uma beleza indescritível, tanto em arte, quanto em arquitetura, e principalmente com relação à natureza. Dos três países, o que mais me marcou foi a magia de Veneza, o charme de Florença, o glamour de Nice, e a viagem no tempo em Toledo, uma cidade medieval preservada. Porém, em matéria de gente, fico mil vezes com os espanhóis, porque de franceses e italianos, trago má impressão. Gente fria, individualista e muito, muito mal educada.
Mama ingrata.
Pra quem sonha em voltar à “nostra Itália” eu digo: não é por nada que o país tem forma de bota. Você só leva bico na bunda dos italianos. Gritalhões, antipáticos e mal educados, eles tratam os turistas como coisas, não como pessoas. Vi muita gente sendo destratada ao pedir informações, e em geral os atendentes de hotéis, restaurantes e lojas, são secos, frios e sem paciência. Lembram dos nônos mão de vaca? Dos antigos carrancudos descendentes de italianos? Sim, eles ainda não evoluíram na Itália. Um famoso aqui de Guaporé faria o maior sucesso por lá. A Itália nos remete à nossa história,para nós, é envolta em poesia. Talvez por isso,logo que a gente percebe que por lá, a recíproca de amor não é verdadeira, a gente se decepcione. Como o país recebe milhões de turistas, por lá, somos apenas mais na multidão. Por isso meus queridos, não esperem tratamento vip na Mama Itália não. Lá tudo é muito caro, e existe taxa até pra respirar. Na Fontana di Trevi, fui tomar um sorvete e o atendente era um legítimo cavalo puro sangue italiano. Eu perguntava, ele não entendia, não respondia, e me mandou escolher logo. Duas bolinhas de gelatto me custaram 25 reais. Deduzi que o Imperador César deva ter tomado o primeiro sorvete de Roma naquele lugar, porque pra ser tão caro, só pode ter história.
Olé!
Já na Espanha tudo é mais caloroso! Os espanhóis são mais gentis e simpatizam com os brasileiros. Em Madrid, facilmente nos locomovemos de metrô, tomamos o tal trem rápido pra Toledo, e fomos para todo o canto, sempre com a ajuda das pessoas.  Adorei estar lá! Senti-me muito bem recebida, e encantei-me  com a cidade de Barcelona, seu clima, sua diversidade. A cidade não dorme nunca, e as pessoas não têm medo de ser originais. Todos os tipos e estilos circulam pelas ruas, como iguais.
Vocês já me imaginaram aí na praça, na madrugada, de bermuda, camiseta, chinelo de dedo, lendo um livro deitada na grama? No dia seguinte me internavam.
Essa é a vantagem das cidades grandes da Europa. Você tem uma liberdade maior de ser, de ousar, de se sentir livre sem ser vigiado ou julgado. Os parques estão repletos de gente namorando, conversando, lendo, descansando, caminhando, praticando atividades físicas. Não importa a hora ou o dia da semana.

As cafonas somos nós.
Outro ponto que eu ressalto é o charme das mulheres e dos homens. Como sabem se vestir! Como são LINDOOOS!!! As mulheres, mesmo básicas, são elegantes. Os homens são estilosos. Os cabelos,  a maquiagem, os acessórios, tudo chama a atenção pela simplicidade e pelo bom gosto. Aqui, nossas peruas se enchem de salto, de cores, de penduricos, tudo justo e brilhoso, e mais parecem um pinheirinho de Natal da 25 de Março, mesmo que usem grifes. Lá, pelo contrário, com grifes ou não, as roupas são sóbrias, porém cheias de estilo. É inexplicável como elas sabem compor um visual. Elas sabem sobrepor peças. Não por nada, as grandes marcas estão por lá. Óculos de sol divinos, chapéus, cintos e bolsas circulam pelas ruas como em um desfile de moda. As mulheres são naturais e andam de bicicleta de salto, e super produzidas. Aliás, a bicicleta equivale à BMW local. Nas ruas estreitas, as “bicis” estão por todas as partes, e os engravatados estacionam suas bikes em seus locais de trabalho como se estivessem com o último modelo Porshe. Viva a simplicidade luxuosa!
Voltamos diferentes
O que posso resumir de minha viagem é que ela foi transformadora, enriquecedora. Mostrou-me como somos pequenos em nosso mundinho, mas ao mesmo tempo como nosso mundinho é bom. Mostrou que é preciso abrir a mente, deixar pra trás os preconceitos, utilizar os bons exemplos e crescer. Precisamos crescer como cidade, como pessoas, como país, mas sem perdermos nossa maior riqueza: o sorriso, a prestatividade e a acolhida que temos para com os outros. Mesmo que eles tenham melhor infraestrutura, mesmo que eles sejam considerados primeiro mundo, mesmo que estejam em muitas coisas, passos a frente de nós, ainda assim, eles têm muito que aprender com os brasileiros!

Brasil
Encontrei dois casais voltando da Itália, para reconstruir a vida no Brasil. Com uma crise das brabas, muitos brasileiros que não têm formação específica ou qualificação em algumas áreas cujos salários são altos, estão praticamente trabalhando para comer. Batalham duro, ganham pouco para o alto custo de vida, e desistiram de viver no exterior. Voltam com saudades e com esperança, afinal, se tem um lugar no mundo onde vive a esperança, esse lugar se chama Brasil.
Que bom voltar em setembro, no mês da Pátria e poder dizer que o melhor do nosso país, somos nós!
E que igual ao povo brasileiro, não há no mundo!

























 Alguns dos cenários inesquecíveis: Ilha di Capri, Barcelona, Florença, Madrid,  Nice, Pisa, Roma, Toledo, Nápoles e Pádua.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Pra que servem os dias? Servem pra gente ser feliz!

Oi geeeente!

Estou mega feliz. Acabei de fazer meu passaporte.

Você deve estar pensando: - Sim, e daí coloninha, é só ir a Passo Fundo e fazer. Mas o tal documento significa a realização de um sonho de muitos anos: carimbá-lo pela Europa.

E novamente, os meus leitores vão se dividir entre o grupo daqueles que acham que viajar para o outro lado do oceano é um sonho impossível, entre os que vão para a Europa como quem vai comprar pão na padaria, e aqueles que sabem que a graça dos sonhos está na dificuldade de conquistá-los.

Desde que me entendo por gente, nunca passou um dia sequer, que eu não estivesse na batalha para a realização de algum sonho. Dos mais simples aos mais grandiosos, trabalho neles, tijolo por tijolo, diariamente.

Por isso eles têm tanto valor para mim. E depois da conquista de cada um, fecho os olhos e consigo sentir aquela sensação indescritível de plenitude e realização.

Não tenho grandes pretensões de acumular bens materiais. Mas respeito quem prioriza isso. Eu sou meio cigarra, e acredito que a nossa casa, de verdade, é o planeta maravilhoso que vivemos. E dividem o teto conosco, todas as pessoas sobre a terra.

Quero muito conhecer minha casa e aqueles que moram comigo. E digo uma coisa para vocês, viajar é um dos melhores e mais enriquecedores investimentos que podemos fazer.

Lembro como se fosse hoje da primeira decolagem em um avião. A aceleração não só daquele monstro enorme, mas do meu coração.

E quando percebi, que além do mar chocolatão de Tramandaí, existia o paraíso de praias de areia fina, águas azuis, verdes, cristalinas?

E no alto da Cordilheira dos Andes? Me senti no topo do mundo, em comunhão com algo bem maior que eu. Foi emocionante.

Tenho lembrança viva da primeira vez que vi a neve cair de mansinho do céu, na Patagônia. Um espetáculo emocionante, que nada tem a ver com os dois ou três pedacinhos de gelo que de vez em quando dão a graça no Rio Grande do Sul.

Sensações, sonhos, desejos, experiências. Pedaços de felicidade. É disso que estou falando.

Vou sair de férias, e inacreditavelmente (pra mim), vou para França, Espanha e Itália. Será que os italianos falam mesmo “porca miséria” e só comem pizza? Será que os franceses só tomam banho de perfume? E serão os espanhóis todos gatos e viris como o goleiro Casillas, da Fúria?

Pego o meu avião repleta de ansiedade, como se fosse de novo meu primeiro dia de aula. Quando a mãe nos deixa para trás e um mundo novo, nada seguro, nos espera.

Como é bom nos sentirmos assim. Fora do nosso mundinho, da zona de conforto, dependendo de estranhos, sendo apenas mais um na multidão. É isso que dá alegria a nossos dias. Emoção. E você não precisa se matar pagando prestações para viajar para longe (embora hoje esteja muito mais fácil) para sentir isso. Basta fazer algo que nunca fez, mas que sempre desejou.

Mas vá colocando mais dificuldade nos seus projetos futuros. Porque dar um duro danado pra conseguir algo, é o que agrega valor à conquista. Conheço muitas pessoas que, em situação econômica confortável, já compraram todos os “sonhos compráveis”, e agora se sentem vazias. Às vezes, o poder de comprar tudo, é que faz com que as coisas percam totalmente a graça. Ter dinheiro não é defeito, pelo contrário. Mas o importante é termos em mente que a verdadeira felicidade não está a venda. E que é possível ser feliz, mesmo com a conta bancária vestindo a camisa do Internacional.

Se você não tem muito dinheiro (like me), trabalhe duro, priorize algo e vá à luta. Se você tem muito dinheiro, invista-o em cultura e autoconhecimento. E saiba que cada dia, é uma oportunidade incrível de ser feliz e de realizar algo.



“Para que servem os dias? Dias são onde vivemos. Eles vêm, nos acordam. Um após o outro. Servem pra gente ser feliz."
P.Larkin.

Beijos meus amores! Estou de férias a partir de hoje!