Oi geeente!
Eu não sei andar de bicicleta.
Ando toda desequilibrada, com medo de cair. Vou insegura, e acabo não aproveitando o passeio.
É que sempre tive vergonha de me locomover, pedalando leve, engolindo pela boca o vento que bate no rosto.
Sempre tive medo que as pessoas achassem sem pudor essa liberdade louca de sair por aí, de vestido ao vento pedalando ligeiro, com o sorriso aberto, deixando pra trás carros, prédios, pessoas, rotina, trabalho, preocupações e compromissos.
Afinal, não temos o direito de sermos tão livres assim. Por isso desaprendemos a andar de bicicleta. Compramos nossos carros, fechados, película preta, blindados para que ninguém nos veja. Ninguém saiba o que se passa em nossa alma.
Ora, quem anda de bicicleta está exposto demais. Está pobre demais. Está fora de moda demais.
Porque deixei de andar de bicicleta? Porque cresci. E me deixei contaminar pelo senso comum de que quem cresce tem muita carga de responsabilidade para carregar. Eles têm razão. Minha bicicleta não suportaria.
Que pena sermos assim.
Não nos damos conta de que é mais feliz quem se expõe sem medo do julgamento alheio. Não nos damos conta que “pobre”, é aquele que sequer tem tempo para um belo passeio com o vento batendo no rosto. E que fora de moda é aquele que pensa que o que se tem, está acima do que se é.
Se Guaporé andasse de bicicleta...
As pessoas seriam mais felizes. Mais leves e alegres. Menos preocupadas com o carro que o vizinho tem na garagem. Usariam roupas mais confortáveis, e deixariam em casa o peso que carregam em suas pastas e bolsas, repletas de problemas e frustrações.
Abordei este assunto porque, na Europa, me deparei com centenas de milhares de bicicletas. E em cima delas, moças, senhoras, jovens, velhos, crianças. Estudantes e executivos. Despojadas e chiques. Descabelados e impecáveis figuras. Pedalando pela vida.
Será culpa das nossas “largas avenidas” que largamos de mão do estilo de vida que se têm, olhando o mundo de cima de uma bicicleta?
O que eu vi, no “Velho Mundo”, foi uma liberdade incrível de ser quem se é, sem medo de ser feliz.
Nos parques, pernas de fora, abraços apertados, leituras demoradas, sorrisos no rosto, tinta no cabelo e muitas, muitas bicicletas.
Cada um sendo exatamente como é, sem precisar seguir o conceito social de como deve se portar, se vestir e se comunicar, um adulto que é bem sucedido nos negócios, e que “deu certo na vida”.
O nosso conceito de “dar certo” está muito errado. O nosso conceito de “ser alguém”, faz com que nos percamos de quem gostaríamos de ser.
Chega disso. Pelo menos pra mim.
Reabilite sua bicicleta! Ela pode ser a bermuda e o chinelo que você vai usar no verão que está chegando. Ela pode ser um despreocupado passeio a pé pelas ruas, na companhia de seu filho. Ela pode ser um piquenique no Autódromo, com seus amigos. Ela pode ser um apaixonado beijo público em seu amor.
Viva as bicicletas! Elas ainda vão dominar o mundo.
Basta ter equilíbrio para não cair!
Beijos meus amores! Até a semana que vem!
“Liberdade é como saborear um passeio de bicicleta sem precisar apostar corrida com ninguém. Apenas pedalar. No nosso ritmo.”



















