Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Reconstruir-se


"Somos feitos de carne e osso. Mas também de sonhos. Aquilo que habita na melhor parte de nós, e que chamam de ilusão. Eu amo o cheirinho da chuva. E o cheiro da primavera. Adoro o cheiro do bolo de chocolate saindo do forno. E do chá de maçã fervendo na panela. Gosto do cheiro, mais que do gosto. Porque posso imaginar o sabor que terá. Sei que às vezes, é só a ilusão do aroma, camuflando o amargo ...que a vida tem. Mas o que seria do paladar sem o olfato? Por isso gosto tanto de sonhar... Toda a vez que eu perco uma ilusão, enterro um pouco de mim mesma. Mas, hoje vou sonhar que está frio, queimar lenha de liberdade na lareira, e pela chaminé... sairão lindas asas de borboleta. Vou ressuscitar todas as minhas ilusões, e voltar a me sentir inteira."
 
 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A vida e as cores que se pinta...

Vamos combinar, os dias são curtos demais, a vida passa depressa demais, os cenários são lindos demais, as nuances variadas demais, as cores, vibrantes demais, para que se viva em preto e branco. Preto no branco, oito ou oitenta, isso ou aquilo. Nem tudo pode ser explicado, medido, pesado, controlado ou projetado. Viver é saber aceitar o grande fascínio do desconhecido que se apresenta todos os dias. E que muda, a cada segundo.
 

O melhor encontro é quando a gente se encontra

... e só quem andou meio perdido sabe, do enorme prazer, de se reencontrar...


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mi Buenos Aires querido!


Amigos! Querem uma dica para um final de semana maravilhoso? Peguem o primeiro avião do Aeroporto Salgado Filho, e desembarquem em Buenos Aires. Uma hora e vinte minutos de vôo e o melhor que pode ser oferecido pelos portenhos vai estar à disposição de vocês.

Declaração de amor

Me confesso apaixonada pelos hermanos. Desde pequena ( e isso foi outro dia, óbvio), me lembro de ter uma atração especial pelos times de futebol dos nossos vizinhos. Além de serem charmosos (adorava o Fernando Redondo, alguém lembra?), eles tinham uma paixão contagiante por suas equipes e uma raça em campo, que era sempre comparada ao modo de jogar dos times gaúchos.

Bom, aí começou um caso de amor com o país do tango e do Maradona.

A primeira vez que fui à Argentina, foi em 2010, quando conheci a região de Bariloche. Jurava que essa rivalidade que é motivo de piadinhas contra argentinos, faria com que me sentisse realmente uma visitante indesejada. Mas não, muito pelo contrário.

Os argentinos são divertidos, despojados de luxo, simples, simpáticos e acolhedores. Esforçam-se em agradar e em nos compreender, por isso, o “portunhol” está em toda a parte.

Buenos Aires, apesar de também apresentar pobreza em alguns pontos, como todos os grandes centros, é uma cidade linda. Organizada, limpa, segura, arborizada, romântica e cultural. Em cada esquina, apresenta um café mais charmoso que o outro.

Nos parques, lindos e de muito verde, as pessoas estão “lagarteando ao sol”. Em um deles, o prefeito chegou a instalar cadeiras e guarda-sóis, dada a necessidade do povo de se jogar no sol e pegar uma cor. Onde tiver um gramado, você chega, tira a roupa e fica na boa (de biquíni óbvio haha), pegando um solzinho.



Segundo nossos guias, os argentinos não querem chegar brancos na “playa”.

A cor deles, sempre bronzeada, é linda. Assim como são sempre interessantes seus estilos. Os cabelos têm um corte único. Os homens são inconfundíveis. As mulheres geralmente possuem cabelos repicados, muitos acessórios, um gosto por vezes duvidoso em suas misturas de estampas, mas não podemos negar que são originais.

Em Puerto Madero, dezenas de restaurantes fazem a alegria dos brasileiros. Aliás, o último a sair do Brasil apagou a luz? (Só vi brasileiros por lá.)



Na “Calle Florida”, o comércio ferve. É um calçadão bem no centro da cidade, onde encontramos de tudo um pouco, por bons preços. Aliás, a moeda dos hermanos está tão desvalorizada que em alguns lugares pagam apenas 30 centavos de real por um peso argentino.


 
Mas a queda da moeda com relação ao real não se refletiu em perda de qualidade de vida para eles. Estão atravessando um período, segundo eles mesmos, de boas oportunidades de trabalho, de lazer, de cultura. Realmente nos deixam grandes exemplos. Não vi violência, nem assaltos ou tumultos, mesmo nos horários da noite. Sempre podemos caminhar tranquilamente pelo centro.

A parte cultural fica por conta, claro, do “Caminito”, que nada mais é que uma quadra de casinhas coloridas, cercado por restaurantes e artistas. É um pelourinho reduzido. Os shows de tango pipocam em todos os lugares, oferecendo shows dignos de Holywood ao tradicional tango puro de Gardel.



 
Os cafés, os alfajores e as carnes são deliciosas. Assim como é delicioso o clima e o astral da cidade.

Passeios pelo Rio da Prata são oferecidos, assim como variadas opções de lazer.


 
Mas o melhor são as pessoas com suas histórias, com seus sorrisos e com suas piadinhas de.... chilenos! Sim, nós brasileiros não somos os principais alvos das piadinhas infames. A disputa por lá é mais acirrada com o Chile.

Buenos Aires é um destino barato, divertido e inesquecível. E quem seguir minha dica, que não esqueça de saborear um “sabroso helado”, porque os sorvetes são maravilhosos!

Besos!




sábado, 7 de janeiro de 2012

Curtas e diretas

"Se estamos na direção da felicidade, pedras e tropeços do caminho, não resultam em erros, e sim em aprendizado. Desconfio, sinceramente, que só morre infeliz, quem fica parado".

"Olhando velhos retratos, pecebi como estive diferente, em cada estação. Em algumas fotos estava melhor em outras, pior. Mas (graças a Deus), jamais estive igual. Mudanças são a mola propulsora da vida. Começam no lado de dentro, refletem no lado de fora. E são sempre bem vindas". 

"Tudo que chega, chega sempre por alguma razão. Concordo com o poeta, principalmente porque ele nos dá a certeza de tudo o que parte, também parte por alguma razão".



quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Seu destino é você quem faz?

Minha história de gaiteira.


Faz tempo que eu não conto uma história real sobre minha vida, né? Pois então hoje vou falar sobre a ocasião em que eu quase virei gaiteira.

Estava conversando com uma amiga sobre escolhas e destino. Debatíamos sobre até que ponto é o destino que nos leva a ser quem somos, e até que ponto nossas escolhas influenciam em nosso destino.

Ela se lamentava, porque enquanto tomávamos um suco, sentadas de frente pra rua, no centro da cidade, passou um ex dela montado em um carrão de luxo. Eles haviam namorado em um tempo que o cara era só uma pessoa de conta bancária comum, mas de um incomum mau humor. Ele era um estúpido. Achava que o mundo girava ao redor do umbigo, queria ser o centro das atenções e vivia contando vantagem. Inclusive, achava o máximo contar intimidades das mulheres. Um babacão com B maiúsculo. Ela tratou logo de despachar o estrupício, mas hoje, para a surpresa geral da nação, ele nem precisou apostar na mega sena de final de ano, porque não caberiam mais dígitos em sua conta no banco.

Enquanto contávamos o dinheiro no bolso pra pagar a nossa conta, ela fez o seguinte comentário: - Se eu não tivesse largado dele, hoje seria rica e teria uma vida de rainha.

Será? Não sei prever o futuro, mas acredito que nossas decisões determinam sim nosso amanhã. O destino nos apresenta opções, e nós somos responsáveis por nossas escolhas. E por isso... guiamos nosso destino.

Disse a ela que entre dinheiro e felicidade, optaria pela felicidade. E foi isso que ela fez. Ninguém consegue viver a vida toda ao lado de alguém só por dinheiro. Ela teve opção, e com certeza fez o melhor.

Foi aí que ela disparou: - Sinceramente, preferia não ter tido escolha na época.

Gente, vocês já imaginaram se não tivéssemos escolha?

Na mesma época que a tal amiga saia com o tal cara, eu trabalhava na Liberal Fm. Estava começando, e apresentava um programa gauchesco aos domingos pela manhã, das 6 ao meio dia. Era eu e minha vaneiras e chamamés, alguns ouvintes madrugadores e um sono implacável que me acometia. Gostava de colocar poesias de Jaime Caetano Braum, que duravam 10 minutos, porque eu podia dormir sentada.

Mas... durante este tempo gaudério, fiz um fã. Era um gaiteiro que ligava aos domingos pedindo música. Eu fazia faculdade em Passo Fundo e pegava ônibus todos os dias à tarde, com a Unesul, pois também trabalhava na televisão da UPF. E em algumas tardes por semana, um homem baixinho, mais velho, sentava do meu lado e ficava me olhando fixo. Aquilo começou a me deixar sem graça. Mas o homem não desistia de encarar essa minha rara beleza.

Pois um domingo de manhã, 7 horas da matina, toca a campainha da rádio. Quando abri, dei de cara com o fã do ônibus, que coincidentemente, era o meu fã gaiteiro! Tinha vindo me conhecer.

Fiquei sem jeito, e educadamente disse que precisava voltar ao trabalho. Como não havia mais ninguém na emissora, decidi daquele dia em diante que não abriria mais a porta para ninguém.

Meio que tirei as esperanças do gaiteiro, mas ele era insistente. Começou a mandar bilhetes e declarações. Foi quando precisei realmente dar um basta. E também foi quando recebi a derradeira carta do “agora ou nunca”.

Um belo dia chegou pelo correio a carta do gaiteiro, meu fã. Nela ele dizia que o destino havia nos unido. Que havíamos nascido um para o outro. E que eu não precisava temer. Era só aceitar o que estava escrito por Deus. Ele já havia planejado nossa romântica fuga. Tinha recebido um convite para ser gaiteiro no México, e eu, poderia, de mochila nas costas viver este grande amor gaudério, ajudando-o em sua turnê pelo país da cucaracha.

E no final dizia: Agora, depende de ti, minha prenda, é sim ou não!

E aí meus queridos? Vocês já imaginaram se não tivéssemos opção de escolha?

Minha amiga hoje seria milionária. E eu, seria ajudante de gaiteiro, aprendiz de Berenice Azambuja em Acapulco!!

Por isso eu digo, o livre arbítrio ainda é o melhor presente que ganhamos do destino!
Mesmo que questionemos os caminhos que tomamos, com certeza, mais adiante teremos a certeza de que sempre estivemos na direção certa.
Arriba!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O perfume que fica nas mãos....



Ganhei uma rosa. Não era meu aniversário. Nem foi no Natal. Não era Dia dos Namorados. Nem havia me reconciliado depois de uma briga. Não tinha feito algo extraordinário. Nem tinha ganho um prêmio qualquer.

Ué?! Seria o fim do mundo se aproximando? Alguém de consciência pesada se desculpando antecipadamente? Ou alguém que logo, logo viria pedir um favor?

Não. Foi simplesmente um presente inesperado em forma de flor.

Lembrei das ocasiões tradicionais para se dar flores a alguém:  amigo secreto, aniversários, velórios.

Principalmente velórios. Eles são sempre floridos. Centenas de flores coloridas. Lindas. Viçosas. Presenteadas pela morte.

Coisa estranha, não? Morto não sente cheiro de flor. Não pode tocar com a ponta dos dedos as delicadas pétalas. Flor não pode colorir o dia do morto. Nem alegrar-lhe a casa.

Então, porque praticamente só compramos flores nestas ocasiões?

Ora, me desculpem. Não quero flores a me enfeitar o túmulo. Quero flores a me enfeitar a vida.

Flores são como elogios. Dificilmente perdemos nosso precioso tempo com palavras gentis dirigidas a alguém, sem nenhuma intenção de recompensa. Simplesmente porque admiramos aquela pessoa. E fazemos questão de dizer o quanto ela é competente, amiga, inteligente, amável, leal.

Flores são abraços. Quantos abraços você dá por dia? Quanto carinho distribui?

Flores são afagos. Quantas vezes você senta em seu sofá, passando a mão pelos cabelos de alguém, pensando em quanto é feliz por ter aquela pessoa a seu lado?

Flores são homenagens. Você homenageia as pessoas em vida? Ou prefere dar-lhes o nome de ruas após seu falecimento?

Flores são pedidos de desculpas. Por ter estado ausente, por ter sido duro, por ter falado o que não devia. Por ter errado.

Flores são tão frágeis. Duram tão pouco. E são simplesmente inesquecíveis.

Flores transformam nosso dia, nossa vida.

Minha mãe sempre me traz jasmins, que tem cheirinho de Natal. Um amigo trouxe uma flor, roubada de sua formatura. E ela tinha cheirinho de conquista. Uma ouvinte da rádio trouxe uma dália. E ela tinha cheirinho de infância, na casa da minha avó.
Flores são sempre doces lembranças.

Porém, eu nunca presenteio com flores. Se você pensar, pode fazer muito tempo que não compra flores para alguém. Talvez, a pessoa que mais amamos neste mundo nunca tenha recebido de nós, uma flor roubada sequer.

Então, façamos enquanto é tempo. Porque flor, em cemitério, infelizmente quer dizer: Você chegou tarde demais.

E precisamos demonstrar nosso amor nem cedo, nem tarde, mas na hora certa!

“Um pouco de perfume sempre fica nas mãos de quem oferece flores”.


Beijos meus amores!