Devaneios tolos... a me torturar.

sábado, 30 de agosto de 2014

Macaco é macaco e veado é veado... (Falcão)

Oi geeente!

“Essas gazelas gremistas deveriam ser banidas do esporte. Bando de racistas”. Esta foi apenas uma das frases que eu li, na última semana, no quente da discussão sobre racismo, praticado por torcedores do Grêmio, contra o goleiro Aranha, do Santos, no jogo realizado em Porto Alegre.

Outra frase que me chamou atenção: “Os gaúchos escondem que são gays, mas não escondem que são racistas”. Mais uma pérola do Facebook.

As pessoas são tão ignorantes, com o preconceito tão arraigado, que quando defendem um grupo (os negros, no caso), não percebem que estão cometendo o mesmo erro com os homossexuais. Ou seja, eu sou contra o racismo, mas sou homofóbico. Elas por elas.

O que quero dizer com esses exemplos é que sempre (seeeeeempre!!!) que leio comentários sobre futebol, me entristeço com a humanidade. Colorados chamando gremistas de gazelas. Gremistas chamando colorados de macacos. Mas isso não caracteriza um time e outro. Ou uma torcida e outra. Isso caracteriza as pessoas. É o que difere uma PESSOA da outra.

Num domingo, voltando de Porto Alegre, paramos para almoçar em um restaurante na beira da estrada. Era dia de jogo e os ônibus paravam lá, com as torcidas que chegavam do interior para a capital.

Em alguns veículos, saltavam famílias inteiras. Crianças, idosos, pais, mães, jovens. De outros, uma massa bêbada e fanfarrona, que já chegava de garrafa na mão, cigarro na boca e entoando os gritos de guerra da “Geral”.

Todos eram torcedores do mesmo time. Mas havia grupos muito diferentes entre si. E com certeza havia objetivos muito diferentes entre eles. O que esperar de gente bêbada, que já chega em um estádio se empurrando e debochando da torcida adversária?

O racismo é tão fortemente arraigado na cultura do sul do Brasil, que por vezes tenho medo de abrir a minha boca e falar uma barbaridade, sem me dar conta. Não raro ouvimos frases como “coisa de preto”, “negrice”, e até mesmo negros pronunciando ditados como “nego bom não se mistura”.

Outro dia, cansada do trabalho, conversando com amigos, soltei a seguinte burrice: “Queria morar no Nordeste. Vender coco à beira-mar, balançando numa rede”.

Depois de falar, parei para pensar: é essa a imagem que eu tenho do povo nordestino? Será tão mansa a vida deles, que o trabalho se resume a ficar vendo a vida passar, no embalo da rede?

Claro que não! Nas diversas vezes que estive no Nordeste fui recebida por um povo hospitaleiro, alegre, trabalhador. Sempre muito bem servida nos hotéis, nos restaurantes, nos passeios turísticos. Povo solícito e calmo. Tranquilo e batalhador. Passei pelos canaviais e vi gente com carvão até nos dentes, trabalhando sob um calor de 40 graus, dormindo em casebres de terra, na beira das plantações, e recebendo uma miséria.

Mas somos constantemente contaminados por alguns conceitos que fazem com que o preconceito passe de geração para geração: político é corrupto, nordestino é preguiçoso, negro é bandido, muçulmano é terrorista, alemão é nazista.

Aí indignada eu me pergunto: como aquela menina gremista tão bonita, estudada, culta, gritava MACACO em um jogo de futebol, pra todo mundo ouvir?

E eu mesma respondo: enquanto houver um pai, uma mãe, um irmão, em casa, transmitindo a cultura do ódio, da superioridade racial, do preconceito social, religioso, sexual, haverá alguém gritando “bixa”, “macaco”, “gazela”, “nazista”. E pior que esse ódio declarado, é o ódio silencioso. Porque do inimigo que conhecemos, conseguimos nos defender.

O problema é que esse ódio todo circula calado por aí, rastejando feito uma cobra, pronto para dar o bote. E não raro, das palavras que não são gritadas, resultam atitudes impensadas, que explodem em brigas, agressões e mortes. E aí, já vai ser tarde demais para pedir desculpas.

A propósito, quando você xinga alguém, que palavras passam pela sua cabeça?

Beijo, meus amores.





terça-feira, 26 de agosto de 2014

Amizades de ocasião

“Que turma unida vocês tem. Estão sempre se divertindo juntas”, comentei eu.


E como resposta, obtive uma das mais comuns realidades em círculos sociais: “Isso daí não é amizade. É puro marketing. Na hora da festa, todo mundo corre para fazer uma foto feliz e receber curtidas nas redes sociais. Na hora do aperto, não resta quase ninguém”.

Muito antes do aparecimento das redes sociais o mundo já caminhava assim. Amizades e amores de ocasião acompanham o homem desde as cavernas. Todo mundo quer levar alguma vantagem.

Se observarmos grandes grupos que “deram o que falar” nas diferentes gerações em nossa cidade, chegaremos à conclusão que poucos, muito poucos, mantiveram-se unidos.

Porque é fácil ter amigos na festa open bar. Na casa com piscina. No passeio de carro da vez. Fácil é ter amigos para virar as noites na balada, para encher a casa de praia, ou para desfrutar de um final de semana regado a álcool e mulher bonita na casa de campo.

Seguido ouço pessoas falando: “Coitado de fulano, enquanto durou a fama, estava sempre cercado de amigos. Hoje sumiu da vitrine social e anda sozinho”.

Discordo totalmente da afirmação.

O que acontece é exatamente o contrário: “Feliz do fulano. Livrou-se de amigos parasitas, percebeu que pra ser feliz não é necessário estar na vitrine, e só anda com quem realmente importa”.

Quem adora uma frase de efeito deve conhecer aquela que diz:

Quem é de verdade, sabe quem é de mentira.

Uma óva.

Quem é de verdade, precisa descobrir quem é de mentira. E para isso, sofre duras decepções com pessoas importantes, próximas, que se intitulavam amigas, amores e quase irmãs.

Quem precisa desfilar com um bando de baba-ovos ao redor deve estar consciente de que sanguessugas alimentam-se do sangue alheio. É uma via de mão única. Eles não vão estar lá quando você precisar!

Dependendo de nossa postura diante da vida, conseguimos aprender com essas duras lições. Nos tornamos pessoas bem mais seletivas. Podemos ter milhares de conhecidos, mas poucos e bons amigos.

Nas coisas do coração, também aprendemos às duras penas. Podemos experimentar muitos amores, tratá-los com leviandade, com imaturidade e às vezes até com crueldade. Mas também encontraremos pessoas que nos tratarão assim.

A soma dos erros que cometemos e dos que cometem conosco devem servir para nos tornarmos pessoas melhores, mais responsáveis com aqueles que cativamos. Mais humanas e solidárias. Menos aproveitadoras.

Nós somos exatamente aquilo que atraímos. Para o bem e para o mal. Nossa postura diante dos outros determinará que tipo de pessoas teremos ao nosso lado durante nosso caminho.

E depois de várias colheitas, o semeador aprende a lei da semeadura.

Que na vida você encontra quem você merece, e não quem você procura.



Beijos, meus amores!

Mural de Recados

Amizade: existe sim amizade verdadeira e muitos grupos de amigas são exemplo disso aqui na cidade. Na verdade, a amizade é possível onde não há competitividade, e onde há sinceridade e afeto puro, de coração. Preserve esses amigos. São raros e únicos. E valorize sua família, eles são os melhores amigos que você pode ter.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Os toscos vão dominar o mundo

Oi geeente!


Tosco, do dicionário: Não lapidado, nem polido. Grosseiro, rude. Sem instrução. No meu dicionário, tosco é o sem noção.

Estou cansada de gente tosca. Gente que veio ao mundo bruto, e não conseguiu se polir com o passar dos anos e com os ensinamentos da vida. Gente que não tem vontade de aprender, mas está sempre pronto pra opinar. Há ainda o tosco que é instruído, mas usa a instrução apenas para o que lhe convém.

Gente ignorante mesmo, tanto no sentido do desconhecimento, quanto no sentido da falta de tato para lidar com qualquer situação.

O mundo é tomado de toscos. Há toscos de sucesso, porque com muito polimento e delicadeza, fica mais difícil chegar ao poder. Por isso os toscos estão lá, comandando o mundo.

Gente tosca, que declara guerra. Que se acha superior. Gente tosca que comanda torcida de clube de futebol. Gente tosca na política. Gente tosca na chefia. Gente tosca nas redes sociais.

Gente tosca que acredita que grosseria é sinceridade e que isso não é defeito, é qualidade.

Gente tosca que faz piada de mau gosto e se acha engraçado. Que está sempre pronto para julgar o outro sem conhecer. Gente sem limite.

Que se acha estrela, que se acha pop, que se acha Einstein, que se acha moderno, que se acha na moda, que se acha rico, que se acha lindo, que se acha importante, éca, gente que se acha.

Quer ter a real dimensão do quanto o mundo está cheio de toscos?

Crie uma conta em uma rede social.

Observe o comportamento da humanidade.

Mulherada sem noção com foto de peito e bunda de fora, e na legenda uma citação de Gandhi, por um mundo melhor. Toscas.

Homossexuais, bissexuais e heterossexuais acreditando que liberdade sexual é esfregar na cara da sociedade cenas de intimidade, que constrangem e que expõem pessoas sem necessidade. Toscos.

Gente preconceituosa, procurando por mais gente preconceituosa, para juntos formarem grupos preconceituosos.

Lunáticos e fanáticos religiosos, que matam, mutilam e humilham em nome de “Deus”.

Políticos corruptos caras de pau. E políticos bons pagando pelos maus.

Gente tosca que maltrata animal. Que não cuida de criança. Que despreza os idosos. Que debocha de quem tem deficiência.

Todos os tipos de radicais. Aqueles que acreditam serem donos da verdade. E os que acreditam que só há uma verdade.

Gente tosca que só enxerga suas qualidades, e nos outros só os defeitos.

Gente tosca sem paciência no trânsito.

Gente tosca que fala com você sem tirar os olhos do celular.

Gente tosca sem bom humor, sem jogo de cintura, sem flexibilidade.

Gente tosca que não sabe se relacionar com pessoas diferentes, que não sabe lidar com opiniões diferentes. Gente tosca que não respeita as diferenças. Gente tosca, tosca, tosca.

Minha vontade é comprar milhares de milhões de enxadas e mandar essa gente capinar uma horta. Mas seria muita “tosquice” da minha parte.

Porque também é tosco, quem não consegue conviver com gente tosca. Tipo eu.

Beijos, meus amores!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Enquanto houver tempo...

Eu acredito que, mais importante que a pessoa certa, seja o tempo certo de cada pessoa.

Quando se está em descompasso, não há amor que resista. Mesmo que exista.

Pessoas certas se encontram o tempo todo, e se perdem no tempo.

Esse danado do relógio biológico de cada um “tic-taca” uma série de comportamentos que prejudicam relacionamentos.

As necessidades de cada um variam com a idade. Há fases para tudo. Para ser de um só, e para ser do mundo. Para apreciar sabores desconhecidos, e para escolher seu sabor preferido.

Para ter asas, e para criar raízes.

Quando exigimos que o outro pule uma fase da vida para se adaptar a nós, estamos automaticamente tentando mudar seu ritmo. E o descompasso será inevitável. Cedo ou tarde, a fase não vivida baterá à nossa porta, causando muitas vezes devastações irreversíveis.

Nós podemos controlar o que fazer com o tempo, mas não somos donos dele. Nem do nosso tempo, muito menos do tempo do outro.

Há quem floresça no inverno, quem amadureça no outono, quem perca suas folhas no verão, e quem dê frutos na primavera.

É impossível caminhar ao lado de quem voa. Tampouco correr ao lado de quem caminha.

O ritmo de cada um dita o compasso de quem estará, ou não, ao nosso lado.

Besteira e perda de tempo, querer frear o outro.

A solução, para quem tem paciência, amor, e uma dose extra de perdão, é esperar. Esperar passar, esperar crescer, esperar amadurecer, esperar desacelerar.

Ou partir.

Não raro olhamos para trás e enxergamos ao longe, pessoas que um dia estiveram ao nosso lado. Não deixamos de ama-las, de lhes querer bem. Apenas estamos em outro tempo. No nosso tempo. Elas ficaram para trás. No tempo chamado passado. Quiçá, poderão estar novamente em nosso futuro.

Acredito que exista um tempo certo para cada acontecimento marcante de nossa trajetória. Tempo de aprender, tempo de experimentar, tempo de ganhar, tempo de perder, tempo de voar, tempo de criar raízes, tempo de ser só, tempo de ser dois, tempo de multiplicar.

Mas existem pessoas que ficam presas a uma fase da vida. Não conseguem se comprometer, se acomodar, desacelerar. É praticamente impossível caminhar ao lado delas. Deixe que sigam. Ou que fiquem parados no mesmo lugar. Não tente modificar, muito menos julgar, e pior ainda, condenar. Até mesmo um relógio quebrado está certo por um momento.

Siga. Liberte-se. Vá adiante.

Continue caminhando. No seu ritmo.

Um belo dia, vai olhar para o lado, e vai perceber, enfim, que alguém alcançou você. Está em sintonia com seu passo. Respira no seu compasso. Dança conforme o ritmo de sua música. E tem o mesmo destino que você.

O sol vai estar brilhando a sua frente. Um vento leve vai estar batendo em suas costas. Uma sintonia de paz vai proporcionar a certeza de que você está no caminho certo.

E juntos, seguirão, em qualquer ritmo, pé por pé, passo a passo, até que o tempo, esse breve tempo que temos para buscar a felicidade e para viver plenamente, finalmente se esgote.

Fim.