Devaneios tolos... a me torturar.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Enquanto houver tempo...

Eu acredito que, mais importante que a pessoa certa, seja o tempo certo de cada pessoa.

Quando se está em descompasso, não há amor que resista. Mesmo que exista.

Pessoas certas se encontram o tempo todo, e se perdem no tempo.

Esse danado do relógio biológico de cada um “tic-taca” uma série de comportamentos que prejudicam relacionamentos.

As necessidades de cada um variam com a idade. Há fases para tudo. Para ser de um só, e para ser do mundo. Para apreciar sabores desconhecidos, e para escolher seu sabor preferido.

Para ter asas, e para criar raízes.

Quando exigimos que o outro pule uma fase da vida para se adaptar a nós, estamos automaticamente tentando mudar seu ritmo. E o descompasso será inevitável. Cedo ou tarde, a fase não vivida baterá à nossa porta, causando muitas vezes devastações irreversíveis.

Nós podemos controlar o que fazer com o tempo, mas não somos donos dele. Nem do nosso tempo, muito menos do tempo do outro.

Há quem floresça no inverno, quem amadureça no outono, quem perca suas folhas no verão, e quem dê frutos na primavera.

É impossível caminhar ao lado de quem voa. Tampouco correr ao lado de quem caminha.

O ritmo de cada um dita o compasso de quem estará, ou não, ao nosso lado.

Besteira e perda de tempo, querer frear o outro.

A solução, para quem tem paciência, amor, e uma dose extra de perdão, é esperar. Esperar passar, esperar crescer, esperar amadurecer, esperar desacelerar.

Ou partir.

Não raro olhamos para trás e enxergamos ao longe, pessoas que um dia estiveram ao nosso lado. Não deixamos de ama-las, de lhes querer bem. Apenas estamos em outro tempo. No nosso tempo. Elas ficaram para trás. No tempo chamado passado. Quiçá, poderão estar novamente em nosso futuro.

Acredito que exista um tempo certo para cada acontecimento marcante de nossa trajetória. Tempo de aprender, tempo de experimentar, tempo de ganhar, tempo de perder, tempo de voar, tempo de criar raízes, tempo de ser só, tempo de ser dois, tempo de multiplicar.

Mas existem pessoas que ficam presas a uma fase da vida. Não conseguem se comprometer, se acomodar, desacelerar. É praticamente impossível caminhar ao lado delas. Deixe que sigam. Ou que fiquem parados no mesmo lugar. Não tente modificar, muito menos julgar, e pior ainda, condenar. Até mesmo um relógio quebrado está certo por um momento.

Siga. Liberte-se. Vá adiante.

Continue caminhando. No seu ritmo.

Um belo dia, vai olhar para o lado, e vai perceber, enfim, que alguém alcançou você. Está em sintonia com seu passo. Respira no seu compasso. Dança conforme o ritmo de sua música. E tem o mesmo destino que você.

O sol vai estar brilhando a sua frente. Um vento leve vai estar batendo em suas costas. Uma sintonia de paz vai proporcionar a certeza de que você está no caminho certo.

E juntos, seguirão, em qualquer ritmo, pé por pé, passo a passo, até que o tempo, esse breve tempo que temos para buscar a felicidade e para viver plenamente, finalmente se esgote.

Fim.

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