Devaneios tolos... a me torturar.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Para quando eu morrer...

Oi geeeente!


Recebi surpresa a notícia do falecimento de uma pessoa que há anos eu não via. Ela era responsável pela limpeza em uma rádio onde trabalhei. Uma mulher que era feita de pura bondade, sempre sorridente. Gostava de animais, de ajudar os outros, sempre simpática e agradável. Era muito humilde, e vítima de uma doença que lhe roubou a vida, foi enterrada na semana passada.

Quando fiquei sabendo, já era tarde. Mas uma das filhas me procurou, para saber se através da rádio, era possível realizar algum tido de campanha para pagar o enterro da mãe. Tinha custado cinco mil e quinhentos reais. E a família não sabia de onde tirar o dinheiro.

O enterro foi simples, como ela era. Mas nem por isso foi barato. Temo que morrer esteja mesmo pela hora da morte. Imaginem um enterro cheio de pompa e circunstância. Custa mais de 10 mil reais, se bobear, vai para os 20 mil.

Mas o preço da morte fica muito mais caro, se levarmos em conta um terreno no cemitério (Isso, no cemitério. Imaginem o preço do terreno no céu!). Aqui em Guaporé abriram uma espécie de “leilão” de terrenos no cemitério municipal, onde vale a maior oferta. O lance inicial fica em torno de cinco mil reais. Quem der mais, tem direito de escolher o melhor terreno para ser enterrado. É mais ou menos como comprar um apartamento: quem tem mais, fica com a cobertura.

O custo de vida está tão alto, que não dá mais nem pra morrer!Fala sério!

Por isso, aos meus queridos familiares e amigos, aproveito para deixar algumas recomendações antes da minha morte:

Por favor, não gastem quinze mil reais pra me enterrar. Gastem esse dinheiro comigo em uma viagem de navio pelo Mediterrâneo.

Não, não quero cobertura no cemitério. Quero uma casa aconchegante em vida, grande o suficiente para caber meus amigos e as pessoas que eu amo. Venham me visitar sempre que possível.

Não me deem o caixão mais caro. Minha avó, muitos anos antes de falecer, já falava em escolher seu caixão. A Dona Terezinha tinha uma certa obsessão por morrer com dignidade.

Gente, eu quero é VIVER com dignidade. Não pretendo ficar um só minuto no caixão. Quando bater minhas botinhas, automaticamente minha alma vai para um lugar muito mais feliz do que um caixão debaixo da terra. Mesmo que seja um caixão podre de chique.

Ah, também não venham me homenagear no túmulo. Como eu falei, não estarei lá mesmo. Me deem flores em vida, para enfeitar a sala da minha casa. E após minha morte, por favor, dirijam uma oração a mim quando estiverem reunidos, felizes, lembrando dos bons momentos. Querem me dar flores? Cultivem jardins, e deixem o mundo mais bonito!

Eu sei que todo mundo precisa ser enterrado, cremado, enfim. Então, podem me colocar no caixão mais barato, e podem me enterrar debaixo de uma árvore lá nas terras do meu pai. Que antes foram do meu avô. E antes dele, do meu bisavô. Vou virar pó mesmo. Não quero ocupar espaço no cemitério, não.

Muita gente acha que se mede o valor de uma pessoa pelo tamanho do seu enterro. Pelo número de flores que rodeiam seu caixão. Pelo número de pessoas que compareceram ao seu velório. Em cidade pequena, vale o ditado: “Gente importante tem a missa do velório rezada na Igreja. Porque não cabe todo mundo na capela mortuária”.

Uma ova! O valor da gente é medido pelo número de pessoas que conseguimos reunir em vida: porque valorizam nossa companhia, porque nos querem bem, porque nos amam de verdade.

O problema, minha gente, não é garantir que sejamos enterrados com glamour. O problema é garantir, que não sejamos enterrados vivos.

Portanto, tratemos de viver o máximo que pudermos, com a maior intensidade possível. Porque afinal, a morte, além de ruim e inevitável, ainda por cima é cara!

Beijos, meus amores!

2 comentários:

  1. O que dizer de alguém assim...? Deusa de Guaporé, sábias palavras. Linda demais. Tudo que é bom despenteia, ora. Frase tua. Tô de olho. Benzadeus!!!

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