Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Dolce far niente...

“Apesar de tudo, tenho achado ultimamente a vida muito boa de ser vivida.”

Caio Fernando Abreu

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Muito prazer, Lilith



Muito prazer, sou Lilith.

A primeira mulher de Adão.
Talvez não seja tão famosa quanto Eva. Talvez você nunca tenha ouvido falar de mim. Mas meio anjo, meio demônio, estou aqui desde o paraíso.
Tudo bem, talvez você me conheça como serpente. Ou tentação.

Também fui criada por Deus, e dele ganhei o dom do livre arbítrio. Não nasci da costela de Adão, e sim do mesmo pó que o Criador utilizou para cria-lo.
Nunca me conformei em ficar por baixo. Nem em importância. Nem em na hora do amor.
Por muito tempo fui discriminada, mas talvez tenha sido a pioneira das mulheres de hoje.
Talvez a história não me dê páginas de glória, e o censo populacional não realize a contagem de quantas são as minhas filhas por aí.
Mas... somos muitas. Diria que somos maioria.

 
Mulheres que não aceitam a história contada de forma a nos condicionar a seres inferiores, subjugados. Sexo frágil.
Nossos caminhos não são certos, ou errados, são apenas caminhos livres, cheios de encruzilhadas, onde optamos por ditar nossas regras, amar sem limites, nos sentirmos amadas. Não somos perfeitas. Somos humanas, pagando o preço por nossos caminhos tortos.
Nós, Liliths somos os demônios que habitam o imaginário de todos os homens que desejam e sonham com mulheres donas de si. E por isso mesmo, jamais dominadas.
Seu julgamento não nos atinge. Muito menos seu olhar acusador.

Sabemos bem... que  todo o homem finge desprezo, por aquilo que não pode possuir.



* Lilith é referida na Cabala como a primeira mulher do bíblico Adão, sendo que em uma passagem (Patai81:455f) ela é acusada de ser a serpente que levou Eva a comer o fruto proibido.

No folclore popular hebreu medieval, ela é tida como a primeira esposa de Adão, que o abandonou, partindo do Jardim do Éden por causa de uma disputa sobre igualdade dos sexos, chegando depois a ser descrita como um demônio.

Ela é também associada a um demônio feminino da noite que se originou na antiga Mesopotâmia. Talvez dada a sua longa associação à noite, surge sem quaisquer precedentes a denominação screech owl, ou seja, como coruja. Na Suméria e na Babilônia ela ao mesmo tempo que era cultuada era identificada com os demônios e espíritos malignos. Seu símbolo era a lua, pois assim como a lua ela seria uma deusa de fases boas e ruins. Alguns estudiosos assimilam ela a várias deusas da fertilidade, assim como deusas cruéis devido ao sincretismo com outras culturas.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O ano que não passou...

Oi geente!
Como estão, nesta época do ano?
Eu estou levando tudo a ponta de faca.
Tô o cão chupando limão azedo; se bobear eu mordo.



Parece que meu corpo já não comporta mais todos os compromissos que acumulei ao longo dos meus 30 anos de vida. Grande obra, essa nossa, de trabalhar feito camelo no deserto, e conseguir arrecadar, na bagagem, uma vida engessada por contas a pagar, horários a respeitar, explicações a dar.

Estou vivendo todos os dias como se fosse o último dia da minha vida. Chego em casa morta, e percebo que só cumpri uma rotina. Ei... Quero fazer a diferença! Quero ter uma ideia brilhante! Quero, em uma sexta feira qualquer, ver o sol se pôr de frente para as Pirâmides do Egito!! Ou simplesmente ver o sol morrer atrás do Cristo, em Guaporé, curtindo um momento raro de paz total.

O acúmulo de trabalho, todas as preocupações e uma coleção de fatos estressantes transbordam de mim por todos os poros. Sou a verdadeira bomba relógio ambulante. Se você me olhar estranho, eu choro.

Será que é possível voltarmos no tempo, ao invés de avançarmos? Meus amigos de infância se tornaram empresários, e agora precisamos agendar com a secretária, um espaço na agenda apertada, para 2011...

Nós, que embarcávamos em um carro abarrotado rumo ao Planeta Atlântida, agora temos casa da praia, e um caseiro tomando conta dela. Por que não temos tempo para desfrutar.

Tomávamos banho de rio, passávamos os domingos no Bíscaro, e agora construímos nossas piscinas, que servem somente para dar o trabalho de mantê-las limpas.

O que nós fizemos com nossa liberdade?

Trocamos por milhões de telefonemas a dar, visitas a fazer, clientes a conquistar, bens de consumo a pagar... e esquecemos de viver.

Vejo minhas amigas empenhadas em suas profissões, trabalhando além do horário normal, aos sábados, domingos, feriados.
Já não passamos mais finais de semana juntas. Ninguém consegue conciliar horários.


É difícil crescer, amadurecer. Queremos tanto nossa independência financeira, e o que fazemos com ela? Nos escravizamos.

Listas imensas de compromissos. Um ou outro, momento de despreocupação e lazer.

Se pudesse pedir algo ao Papai Noel, pediria que me desligasse da tomada.

Por favor, me desconectem, me sequestrem e me levem para uma ilha paradisíaca, onde só haja, sol, mar, uma rede e muuuita comida. ( E eletricidade pra eu fazer chapinha no cabelo... tá e uma gilette, pra depilar, senão viro a macaca Xita!)

Não quero ir para 2011. Me nego. Quero voltar lá para a década de 80, quando era uma adulta de brincadeira, com uma linda casinha no meio do mato, e brincava que crescer... seria tão mais fácil!

Por favor, se alguém quiser ficar comigo, aqui mesmo em 2010, me avise. Adoraria brindar acompanhada, o ano que não passou!



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Hoje o tempo voa, amor...



Oi geeente!

Esse ano passou mais rápido que a semana!
Será que o tempo está passando mais depressa, ou sou eu, que ando em um ritmo acelerado demais?

Não sei se acontece o mesmo com vocês, mas tenho a terrível sensação de que a vida está passando na velocidade da luz. Tenho a mania de fotografar tudo, e depois voltar àqueles bons momentos, porque em tempo real, a gente pisca, e eles acabam.

As viagens, as festas, os encontros... tudo o que esperamos com ansiedade e emoção, voa tão rápido, que parece que nem aconteceu.

Mais um ano inteiro passou e eu estou aqui digitando a coluna. As férias estão chegando, e assim como vão chegar depressa, vão passar também.

Nem consegui me organizar e realizar aquelas velhas promessas de ano novo. Não guardei dinheiro, não larguei da coca-cola, não comecei a frequentar uma academia, não perdi dois quilos, não tive um filho, não escrevi um livro e não plantei uma árvore.

Eu não fiquei rica. Sequer fiz um plano de saúde (vergonha nacional).

Eu nem sei porque planejo tanto a vida, se todos os bons momentos sequer foram planejados.

Vou adotar a doutrina Zeca Pagodiana e deixar a vida me levar, mas, sinceramente, acho que ela está me levando rápido demais.

Meu rosto no espelho não é mais o mesmo dos 18 anos. A pele muda, a gente muda. Mas a cabeça não. Que porcaria! Fomos programados para não envelhecer, dentro de nós.

E dizem que o ser humano é a máquina mais perfeita que existe. Uma ova! O corpo da gente vai mudando, mas a forma de ver a vida não. Somos crianças, com os mesmos medos e os mesmos sonhos, entra ano, sai ano. Só que num corpinho beeem usado, plastificado e botoxado.
Parei outro dia em frente à praça e fiquei olhando um bando de aves em revoada.

E pensei:
Que bom seria ser passarinho. Acordar de manhã e ter como única preocupação em mente, a dúvida:
- Para onde voarei, livre, hoje?

Amigos... todos estamos mais reflexivos ao encerrar 2010. E a única coisa que deixo como mensagem é: “Se o tempo passa depressa, devemos nos esforçar para viver com intensidade e felicidade.”



Porque, como disse Clarice Lispector...

“Um belo dia... se morre.”

Declaração de amor: quero dizer, neste momento derradeiro do ano de 2010, que amo escrever neste espaço. E principalmente, quando escrevo coisas azedas, faço com a intenção de que as pessoas saiam da inércia e façam alguma coisa. Deixem os discursos de lado, e partam para a prática. Falei de muitas coisas, e de muitas pessoas. Se alguém acha que falei mais mal dos outros do que de mim, se engana.

Quem me lê, me conhece. E sabe que me autodetonei o ano todo, para ter moral para criticar o que julgamos ser equivocado em Guaporé. E geralmente, as críticas, sempre com intuito construtivo (e algum deboche), foram feitas por leitores, que não são cegos nem surdos, para seus problemas pessoais e para os problemas coletivos de Guaporé. Continuem meus amigos em 2011. Continuem escrevendo, com sugestões e pautas. Este espaço foi feito para mostrar que ninguém é perfeito... nem eu. (por incrível que pareça! Hahaha)

"Hoje o tempo voa, amor.
Escorre pelas mãos.
Mesmo sem se sentir..."
* Lulu Santos

sábado, 11 de dezembro de 2010

Mais louco é quem me diz... que não é feliz!



"Sim, você é louco, louquinho.
Mas vou lhe contar um segredo: as melhores pessoas são assim."
*  Alice no País das Maravilhas


Nunca me achei totalmente normal. A vida nunca foi simples para mim. Tem gente que enxerga as cores exatamente como elas são: preto, branco, vermelho. Eu sempre consegui ver nelas, as nuances. Por isso, vou além dos fatos, sempre procuro saber o que vem por trás deles.
Isso me tornou muito mais tolerante. E faz com que me sinta um pouco cúmplice de todos aqueles que também não se julgam "tão normais assim".
Fraquezas, erros, tropeços, vitórias, conquistas. Sempre contei com todos estes ingredientes em minha vida. E não nego nada que tenha feito parte da minha história.
Respeito os diferentes, não discrimino os que não se encaixam nos estereotipos ideais da sociedade.
Não sou do tipo que discute gostos, cores e amores.
Detesto os medíocres. Os dissimulados. Os que não se assumem. Os que se enxergam perfeitos. Os que julgam os outros, com medo de olhar para dentro de si.

Não mato, não roubo. Não desejo o mal pra ninguém.  
Fora, isso, já cometi todos os pecados do mundo.

Bom humor e leveza em 2011!

Oi geeente!!!

(Foto Giovani Dalmás)

Então é Natal...e eu já fiz minha cartinha para o Papai Noel dos Correios!

Sou uma pessoa que não pensa em si...sempre coloca os outros em primeiro lugar (haha). Então, meus pedidos beneficiam toda uma comunidade. Espero que alguém adote minha cartinha...

Querido Papai Noel dos Correios, sei que o senhor não é Santo Expedito, mas por favor, tente realizar meus singelos pedidos...

Eu desejo muito que em Guaporé nós tenhamos muitas festas para ir. E que não tenhamos ao mesmo tempo a eletrofunk no Better, o rock metálico na Psy, o pagodinho no Trip, o sertanejo no Texas, tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Para que no ano que vem, e nos próximos, ainda tenhamos todas essas casas noturnas funcionando por aqui.

E que os lindos, solteiros, bem sucedidos, fiéis, procurando um amor, e que tenham mais de 25 anos, saiam dos seus esconderijos e voltem a frequentar a night.

Que o maior show internacional de 2011 não seja Dado Veiga e D’Alessandro (nada contra eles, que são ótimos).

Gostaria muito de acompanhar, no Ginásio Municipal (aquele que ia começar em 2010), mais uma vitória do Guaporé Futsal, na conquista de um título.

E que tenhamos, nos jogos, mais gatas de micro vestido à vácuo e salto 20, pra distrair a torcida adversária. ( E toda a torcida do flamengo também).

Que em 2011, a BV Financeira, em um gesto generoso, perdoe todos os financiamentos a perder de vista que adquirimos, principalmente na compra de nossos Audis e BMWs (ou KAs hehe).

Que o Autódromo Nelson Luis Barro, circuito Vitacir Paludo, torre Aurélio Batista Félix, sedie a Stock Car, e se bobear, a Fórmula 1.

Que Renato Portaluppi, na conquista de um campeonato pelo Grêmio, declare em entrevista ao Fantástico que é guaporense.

Que as reuniões para se falar mal dos outros às seis da manhã nas esquinas da Praça, tomando aquele cafézinho e lendo o I.R., seja um hábito tombado patrimônio histórico-cultural da cidade.

Que o Totó depile pelo menos as costas, pra fazer cena de amor com a Mariana Ximenes.

Que os homens continuem cuidando da mulher do próximo, e continuem esquecendo de cuidar da deles.

E que as mulheres, ao invés de ficarem se preocupando em falar mal umas das outras, se preocupem em defender a categoria, em nome da boa e velha guerra dos sexos.

Que o meteoro (não o da Paixão pelo-amor-de-Deus), que caiu sobre os dinossauros, caia sobre todas as pessoas que desejam o mal dos outros e inventam histórias sem pé nem cabeça sobre personalidades invejadas da cidade.

E que essas personalidades continuem dando muito pano pra manga, deixando as barangas morrendo de inveja.

Que eu receba o convite para o casamento do Completo.

Que o Márcio Carpenedo traga a Beija Flor pra desfilar na Avenida, e eu possa finalmente ficar pelada, já que tá na moda. E se tá na moda, eu quero também!! (Já viram duas mulheres sem roupa na Sílvio Sanson, só em 2010, sério!)

Que a Rita finalmente encontre um nome menos chocante pro piu-piu, sempre presente na coluna dela! (hahaha)

Que o Átyla mantenha a Coluna Final de Semana, depois dessa!
Amém!


Que tenhamos todos muito bom humor para mais 365 dias nessa cidade maravilhosa, cheia de encantos mil, onde somos felizes e sofremos ao mesmo tempo! Viva esse purgatório da beleza e do caos!

E pra mim...


Eu desejo que em 2011 minha vida continue sendo... cuidar da sua!! (haha)



Beijos meus amores!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O mau hábito da fofoca

Oi geeente!!! Como estão todos?




Amados, lindos! Estou passada com uma epidemia que atinge a cidade. Sabe aquelas viroses que deixam todo mundo no banheiro? Sim, aqui deflagrou-se a incontinência verbal. Uma diarréia verborrágica.
Sintam o drama: domingo de tarde um amigo de umas amigas minhas estava na praça central, curtindo uma folga. Eis que no grupo de mulheres ao lado, ele escuta os nomes destas minhas amigas.

E para cada uma delas, sem dó nem piedade, são dirigidos elogios nada positivos. Ele ficou lá, ouvindo o falatório e observando que o “falar mal dos outros” virou a atividade física com mais adeptos por aqui. É um tal de exercitar a língua, que chega a dar medo!

Tem gente que fez tanto músculo na linguinha, que precisa amarrar o queixo, porque ele não aguenta o peso da danada!

Isso é muito comum na terra do “nada útil para fazer”.

Como já abordei aqui incontáveis vezes, cada um de nós, pelo menos uma vez, já ficou sabendo por terceiros, de pessoas nos esculachando publicamente. Aqui, nem Santo Antônio, o padroeiro, escapa. A última que ouvi falar dele, é que ele tinha sequestrado o Menino Jesus, e está pedindo resgate para devolver o guri no Natal!

Rogai por nós, senhor!

Mas como este espaço precisa ter alguma utilidade pública, vou dividir com vocês uma técnica antifofoca que adotei para minha vida.

1° passo:

- Alguém vem contar um babado forte da cidade. Você, então, deve se perguntar:

- Conheço a pessoa em questão? Vi ela fazendo o que estão falando? O que ela fez, de alguma forma prejudica minha vida ou o planeta Terra?

2° passo:

Se as respostas forem negativas, simplesmente peça educadamente para o fofoqueiro de plantão mudar de assunto. E comece a falar sobre a importância da preservação das jaguatiricas mirins para o equilíbrio do ecossistema da mata atlântica.

Simples assim.
Aí, cortaremos pela raiz o telefone sem fio e nos pouparemos de assuntos desagradáveis, fúteis e vazios.



Agora, alguém pode me explicar porque parece tão difícil colocar isso em prática?

Quem fala muito dos outros, sempre acaba revelando o tipo de pessoa que é. Tem um dito popular que explica bem isso:

"Quando Pedro fala de João, conhecemos melhor Pedro que João."
Na boca de gente ruim... ninguém presta!