Devaneios tolos... a me torturar.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O amor líquido...




Ela namora ele. Ele não namora ela.

Sempre ouvi falar que para uma relação dar certo, um deveria gostar mais que o outro. Que quando há muito amor em doses iguais... o relacionamento não tem o contra balanço ideal e... passa por constantes conflitos.
Será?
O que eu tenho visto por aí é muito amor desigual. Mas muito desigual.

Conheço um homem, que é namorado por uma mulher. Ele diz que namora ela, porque sente ser fácil dispensa-la. Como não a vê como sendo a mulher de sua vida, fica fácil um belo dia, dizer o adeus.
Por isso, nesse relacionamento moderno, o final de semana é dos amigos... As festas não deixaram de acontecer.
E não raro ele se refere a ela como uma “boa amiga” e uma “boa companhia”.

Pois eu fico pensando que este tipo de relação está na moda. E que cada vez mais as pessoas se contentam com pequenas porções de ilusão. Como diria Cazuza... “Mentiras sinceras me interessam”.

Eu gosto muito de ler, e recebi a indicação do livro “Amor Líquido” – sobre a fragilidade dos laços humanos, de Zigmunt Bauman.

 “O amor líquido é a sensação de bolsos vazios”. É aquela sensação de que duas pessoas não estão vibrando na mesma sintonia.

Isso geralmente acontece porque há uma terceira pessoa envolvida. Um dos dois vive a sensação de que não pode assumir definitivamente a pessoa, porque em seu coração ainda há uma porta entreaberta... aquele amor mal resolvido, aquela pessoa indecisa sobre assumir ou não uma relação, ou mesmo a rejeição de um amor verdadeiro. 

Ou simplesmente acontece porque as pessoas se acomodam ao lado de outras, somente para não ficar sozinhas. Sem comprometimento.

O autor mostra como o amor passa a ser vivenciado de uma maneira mais insegura, com dúvidas acrescidas à já irresistível e temerária atração de se unir ao outro.

“Nunca houve tanta liberdade na escolha de parceiros, nem tanta variedade de modelos de relacionamentos, e, no entanto, nunca os casais se sentiram tão ansiosos e prontos para rever, ou reverter o rumo da relação.O apelo por fazer escolhas que possam, num espaço muito curto de tempo, serem trocadas por outras mais atualizadas e mais promissoras, não apenas orientam as decisões de compra num mercado abundante de produtos novos, mas também parecem comandar o ritmo da busca por parceiros cada vez mais satisfatórios.
 A ordem do dia nos motiva a entrar em novos relacionamentos sem fechar as portas para outros que possam eventualmente se insinuar com contornos mais atraentes, o que explica o sucesso do que o autor chama de casais semi-separados. Ou então, mais ou menos casados, o que pode ser praticamente a mesma coisa. Não dividir o mesmo espaço, estabelecer os momentos de convívio que preservem a sensação de liberdade, evitar o tédio e os conflitos da vida em comum podem se tornar opções que se configuram como uma saída que promete uma relação com um nível de comprometimento mais fácil de ser rompido. É como procurar um abrigo sem vontade d ocupá-lo por inteiro. Num mundo instantâneo, é preciso estar sempre pronto para outra. Não há tempo para o adiamento, para postergar a satisfação do desejo, nem para o seu amadurecimento. É mais prudente uma sucessão de encontros excitantes com momentos doces e leves que não sejam contaminados pelo ardor da paixão, sempre disposta a enveredar por caminhos que aprisionam e ameaçam a prontidão de estar sempre disponível para novas aventuras."

Eu sinceramente acho que o autor tem razão. Mas condeno aqueles que se deixam usar dessa forma. Principalmente as mulheres, que são a grande maioria nesses tipos de relação.

Eu até me permito me sentir rejeitada, me permito me sentir apaixonada sem ser correspondida, me permito viver uma grande paixão que não tenha futuro, desde que vivida a dois... todos passamos por isso. Me permito não me sentir desejada, ou não me sentir amada.

Mas jamais me permitiria me sentir descartável.

Beijo pra Rafa, que me deu a dica de leitura e que divide comigo essa autoria.

5 comentários:

  1. O minha flor!!!! Mérito seu!!! Apenas tenho lido bastante,pois uma grande amiga ALINE NUNES tem uma "biblioteca" dentro de casa!! Ai pego os livros (às vezes me interesso pela capa e leio a última folha! Não sei pq desta mania!), ela me indica....enfim, agradeço muito a DEUS por ter colocado esta amiga na minha vida! Amo ler seu blog...Assuntos benéficos nos dão uma riqueza de conhecimento, de cultura ( o qual NINGUÉM NOS TIRA!!)e assuntos que nos fazem pensar...
    Mas é verdade, O QUE MAIS TEM SÃO RELAÇOES DO BOSLSOS....Como diz o autor,"chamado assim porque vc guarda no bolso de modo a poder lançar mão delas quando for preciso"
    Mas pensando. LANÇAR MÃO E TER À MÃO QUANDO FOR PRECISO.Então seria uma FACA DE GUMES!! É uma coisa que está relacionado ao instantâneo (fast food)E também a disponibilidade da "pessoa que está no bolso".Ou seria "DISPONIBILIDADE DA PESSOA QUE COLOCA A OUTRA NO BOLSO?"
    Então ao meu ver,quem está com os bolsos vazios à espera de colocar algo até a próxima, é o chefe desta relação(O que comanda). Mas também não posso deixar de dizer que: QUANDO SE TEM ALGO NO BOLSO, O "OBJETO"PODE SER FURTADO OU SEM QUERER (OU QUERENDO) CAIR DO BOLSO. E quem achar pode ser o felizardo....

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  2. Rafa, os livros estão sempre à disposição de quem tem sede por novos mundos!!!

    E fica a dica: esse autor tem livros lindos... O sobre tempo também é fabuloso!

    Parabéns pelo Blog, muito legal!!!!

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  3. Ai gente, me emocionei com vcs agora! E Rafa, tu falou tudo, concluiu o texto com o toque que faltava!
    Eu acho que todas nós um dia já "estivemos no bolso", mas GRAÇAS A DEUS pulamos fora rapidinhoooo! Do bolso de um... para o coração de outro! Esse é nosso lugar de direito!

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  4. as mulheres precisam acordar pra vida minha querida! Acham que é válido se pagar qualquer preço pra ficar do lado de um homem. Isso só desperta um sentimento: pena.
    Nelas, talvez desperte a infelicidade.

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