Devaneios tolos... a me torturar.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Feliz Aniversário, meu amor!




Oi geeeente!


-“Bem-vinda, estranha”. Disse eu, quando você nasceu.

Esperei que, quando você me olhasse pela primeira vez, fosse me reconhecer como sua melhor amiga, sua protetora, seu anjo da guarda, sua mãe. Mas não foi bem assim que aconteceu. Escutei seu choro, e o som de sua voz acordou em mim um novo ser humano. Tão fraco, tão temeroso, tão perdido e preocupado. Ao mesmo tempo tão forte, tão confiante, tão seguro e feliz.

Um misto de todos os sentimentos, numa explosão de alívio e amor incondicional ao ver você, meu pequeno anjo. Sua cabecinha linda, cabelinhos pretos, suas bochechinhas rosadas e seus olhos. Olhos vivos, espertos, brilhantes, questionadores. Olhos de jabuticaba.

Mas éramos duas recém-nascidas. Duas estranhas que precisavam aprender, do zero, a caminhar juntas. Mesmo amando demais você, minha criança, não houve aquela utópica sintonia entre mãe e filha. Faminta, você encontrou o caminho do meu seio, mas precisamos de muito mais tempo para encontrar outros caminhos: os do entendimento.

Seu choro me assustava. E eu tinha medo de machucá-la (tão pequena e tão frágil) no banho, na troca de fraldas, na troca de roupinhas. Impaciente, você berrava por cólicas, por mal estar, por frio ou calor, por fome talvez.

Não conseguia interpretar seus sinais e me sentia fraca, desamparada, frustrada por isso.

Mas nunca desisti de acertar. Quantas horas no colo, com os braços latejando de dor, e com pontadas nas costas, mas determinada a fazer com que você se sentisse protegida, segura. Quantas vezes nas madrugadas, implorei por seu sono, lutando contra o meu. Mas quando você fechava seus olhinhos e suspirava profundo, ficava eu acordada, velando por meu pequeno milagre, com lágrimas nos olhos.

Quanto pavor em sua primeira febre alta, na madrugada de uma quinta feira infernal, onde passei o maior medo de minha vida: medo de não conseguir proteger você.

Querida filha: foram 365 dias desde aquele 18 de dezembro de 2013, quando, às 12:40, você nasceu.

Eu, mãe, nasci também. Hoje, um ano depois, posso dizer que já estamos de pé, ambas dando os primeiros passos. Nos conhecemos, nos reconhecemos, estamos em sintonia. Já conheço os porquês do seu choro, já sei despertar seu riso, reconheço seus gostos, suas birras de menina esperta, seus carinhos de filha amorosa, seus gritinhos de satisfação ou descontentamento.

Se, apenas 365 dias depois, já nos sentimos assim, imagine daqui a 10, 20, 30 anos. Que nossa cumplicidade só aumente. Que possamos ser sempre, confidentes, parceiras, melhores amigas. Mãe e filha.
Quero que você saiba, meu pequeno anjo, que não há perfume que se compare ao seu cheirinho. Não há no mundo nada mais macio que seus cabelos, sua pele rosada e seus dedinhos fofos. Não existe som mais harmonioso que seu riso. Não existe no mundo nada mais forte que nosso amor.
Só desejo que seus dias sejam iluminados, que seu caminho seja longo, que sua vida seja repleta de alegrias, e que você tenha saúde, tenha sucesso, tenha paz e tenha a quem amar. Só peço que eu possa vê-la crescer. Que eu esteja lá no seu primeiro dia de escola. Na sua formatura. No seu casamento. No dia do nascimento do seu primeiro filho. Que eu possa vê-la crescer e se tornar uma mulher realizada e plena.

Minha pequena estranha! Sei que passamos todos os dias, de todos os anos de nossas vidas, tentando conhecer realmente as pessoas que nos são caras. Quero descobrir quem você é, e mais importante: quero contribuir para que você seja quem quiser ser.

Você é meu raio de sol. A luz dos meus olhos. O sorriso do meu rosto.

Você é meu coração. Motivo de acordar todos os dias. Pequena estranha, você é a minha vida!

Te amo do tamanho do infinito. Feliz Aniversário, minha filha.

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E pra você, eu digo sim!



Oi geeente!
Quando soou o sino da linda igrejinha de madeira na Linha Segunda Maternidade, sob uma chuva mansa, uma noiva com olhos cheios de lágrimas, de braços com seu pai caminhou rumo ao altar. Ao som de uma gaita, bem como antigamente, ela dirigiu-se àquele que a esperava, para juntos, dividirem sonhos, alegrias, dificuldades, projetos e o misterioso futuro. Confiantes, com olhos de esperança, e alicerçados no amor, o noivo e a noiva disseram sim, tendo os melhores amigos e familiares por testemunhas.
As paredes de madeira, os santos no altar, as palavras do padre, a magia do sim, a troca de alianças. Tradições de uma cerimônia que persiste por séculos, sem nunca deixar de ser emocionante.
Ao final da missa, todos, sem exceção, posicionaram-se em frente à capela para a foto oficial. Qualquer um que buscar registros antigos vai encontrar as principais celebrações eternizadas com a foto coletiva. Era assim nos casamentos e nos batizados.
As comunidades reuniam-se para rir nas celebrações, para chorar nos velórios, para pedir bênçãos em dificuldades e para agradecer diante das conquistas.
Independente de crença, de fé, de religião ou da forma como escolhemos dizer sim ao amor, é preciso que haja um ritual. Porque a nossa vida, apesar dos anos, dos meses, dos dias e das horas, é marcada por momentos.
É preciso celebrá-los e registrá-los. Seja pelo sim no altar, pela lente do fotógrafo ou pela memória do coração. Na frente de uma multidão, ou a sós, de frente um para o outro.
Quando deixamos de celebrar momentos marcantes, deixamos também de percebê-los.
Quando a noiva chegou ao altar, eu que não casei na Igreja, olhei para meu companheiro, pai da minha filha, e renovei nossa promessa de construirmos uma vida na base do amor. A mãe do noivo, talvez, sonhou alegre o dia em que embalará seu neto.
A mãe da noiva, quem sabe, precisou conter as lágrimas, porque naquele momento, teve a certeza de que a filha havia encontrado o que toda a pessoa no mundo procura:  um amor para chamar de seu.
Cada um, de alguma forma, também foi abençoado naquela igrejinha de madeira. Uns agradeceram, outros pediram, outros apenas sentiram. Mas ninguém ficou indiferente.
Seja na cerimônia budista, hindu, católica, pagã, seja da forma que for, quando alguém celebra o amor, divide bênçãos e multiplica esperanças.
Faz nascer novos sonhos. Instiga o outro a abrir novas estradas, atalhos, picadas, recomeços para amar a mesma pessoa sempre, ou buscar um novo amor.
Porque esse é o grande segredo da felicidade: amar e ser amado.
Por isso, quando os sinos tocaram, todos éramos noivos e noivas, renovando desejos de que tudo dê certo. Firmando promessas de que faremos tudo para dar certo. E confiantes de que, mesmo que nada dê certo, ainda assim, teremos um ao outro.
Um brinde ao amor. Da forma como quisermos celebrá-lo. Desde que o celebremos em cada momento de nossas vidas.
Porque sem amor, nada seríamos.

Um beijo, meus amores.

(Na foto, sob as lentes de Julian de Freitas, a beleza de um casamento à moda antiga e sempre atual, na capelinha da Linha 2ª Maternidade)