Devaneios tolos... a me torturar.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Não entre, sem ser convidado!

Por favor, não invada a linha do tempo de uma rede social como quem entra na casa de um amigo ou conhecido e vai direto à geladeira servir-se de cerveja, azeitona e queijo picado. Não deite no sofá da timeline com o controle remoto da televisão na mão, com seus canais favoritos sendo zapeados, enquanto o dono da casa assiste perplexo o hóspede espalhado. Sinceramente, o comportamento de quem comenta suas postagens fala muito mais sobre o visitante do que sobre você.
Com exceção de perfis preconceituosos, que incitem violência, cada um é livre para postar o que quiser, quando quiser, como quiser.
Esse ambiente familiar chamado Rede Social é como a casa da gente. Portas fechadas, pequena, recatada, minimalista, limpa, cheirosa, organizada, florida. Bagunçada, enorme, portas escancaradas, sujeira pra todo lado, terra seca. Têm os acumuladores, aqueles postam tudo o que fazem e aqueles que só observam.
Os que são de esquerda, de direita, e volta no meio.
Os que sambam, os que pagodeiam, os que dançam vanerão e outros que odeiam sertanejo, funk e Wesley Safadão.
Tem eu, tem tu, tem vós, pais, mães, tios, tias e tem eles também.
Tem quem viva deitado no sofá e tem aqueles que vão pra rua.
Tem quem bata panela e tem quem afirme que é golpe.
Tem de tudo um pouco. Cada um espiando pela janela.
Agora, dar pitaco na casa do outro, limpar sua sujeira no tapete do vizinho é no mínimo muito, muito chato. Pra você, é claro.
Desde que o mundo é mundo, é preciso conviver com as diferenças. Principalmente com as diferenças de pensamento.
Manter uma certa linha de respeito, dignidade e civilidade é fundamental, até mesmo numa rede social. Não seja o chato palpiteiro em terreno alheio.
Cuide da sua casa, cultive seu jardim, regue suas rosas e cuide bem da sua vida. Reveja suas atitudes, mantenha os limites do seu espaço e respeite o espaço do outro.
Eu sou católica, mas tenho inclinações pro espiritismo, heterossexual, mas super apoio o amor em todas as formas, no mundo LGBT eu sou S. Leio horóscopo, acredito em ETs, meu livro preferido é “O Pequeno Príncipe”, apoio quem não come carne, mas ainda não evoluí suficientemente para abrir mão do churrasco. Isso não me descredencia a defender os animais. Talvez me torne um pouco hipócrita, verdade. Sou casada só na prática, não no papel. Nunca quis subir ao altar vestida de noiva. Tenho uma filha, que vai ser filha única. Não pretendo acumular bens nessa vida, me contento com minha casa e minha bagagem de viagens, que espero que sejam muitas, até o fim da jornada. Se tudo der errado, eu começo outra vez, tudo bem. Acho que sou de direita, mas já votei na esquerda e votaria de novo, se acreditasse nas boas intenções de alguém.
Sou o que sou, mas amanhã serei diferente, e por incrível que pareça, embora às vezes me sinta um pouco incomodada com coisas que considero radicalismo, convivo perfeitamente e harmonicamente com tudo aquilo e aqueles que são o oposto do que sou e do que penso.
Eles me transformam e me fazem ser o que serei amanhã: melhor que hoje.
Não lembro de ter dito uma palavra ofensiva a alguém que fosse totalmente diferente de mim ou contrário àquilo que acredito. O que não me faz melhor que outras pessoas, porque sinceramente, mentalmente já dei voadora no peito de muita gente chata. O fato de não ter dado é que faz toda a diferença nesse mundo violento.
Violento em palavras, gestos, emoções. Gente que escancara e publica todo o ódio, o destempero e o desequilíbrio possível e imaginável.
Gente que não poderia ter um perfil numa rede social, porque sinceramente, jamais teve perfil para conviver em sociedade, já que para (con)viver em sociedade, respeito é o ingrediente básico. Então, tire seus pés de cima da minha mesa, devolva-me o controle remoto da minha televisão, feche a porta da minha geladeira e só entre na minha casa se for para fazer meu dia melhor. Caso contrário, ficaria imensamente grata se você parar de me visitar.
E juro, nem vou sentir sua falta.

Amor maior que eu


Somos feitos de muitas contradições. Bondade, maldade, luz, sombras, solidariedade, egoísmo, humildade, soberba, e todas as ambiguidades que povoam a alma do ser humano. Mas tornar-se mãe, é retirar de dentro de si a melhor parte, e depositar no outro. Não à toa as mães afirmam, assim que dão a luz, que o coração bate fora do peito.
É a melhor tradução da maternidade. Todo seu amor personificado naquele pequeno ser, que até então, era parte de você. É isso.
Está sendo difícil, confesso, perceber que minha menina é um ser além de mim. Ela não sou eu, embora tenha sido. Gerada em meu ventre, alimentada de meu sangue e de meus sonhos, o melhor de mim, dentro de mim mesma.
E agora percebo que ela, não sou eu.
É difícil não ser egoísta nestas horas. Difícil admitir que com apenas três anos ela já seja um ser com personalidade, desejos, rotina e gostos independentes dos meus.
Difícil vê-la escolher suas roupas, decidir por si se quer o cabelo preso ou solto, afirmar que não gosta disso ou daquilo e expressar sua vontade diante de passeios e programações.
Vejo-a dançando suas coreografias, cantando suas musiquinhas e criando personagens imaginários em suas brincadeiras infantis.
Suas frases e conclusões próprias e as coisas que diz e que nunca antes tinha escutado no ambiente familiar. Ela já pensa por si só. E absorve informações muito além de casa.
Ela cresceu. Não é mais o bebê dependente, e eu não sou mais a mamãe canguru.
Como dói e como me alegra olhar da plateia, ou como mera coadjuvante, minha pequena menina em cena, a brilhar num papel que é só dela.
Neste dia 18 de dezembro, minha garotinha completa 3 anos. Oficialmente entra na infância. “Mãe, eu não sou mais bebê”.
Verdade Olívia. Embora eu sempre te ofereça meu colo, percebo que preciso deixá-la construir caminhos pelos próprios passos.
Vejo da maneira mais clara e realista possível que sim, somos frutos do meio onde vivemos, dos sentimentos e educação que recebemos, das oportunidades que obtemos, mas acima de tudo, viemos pra esse planetinha prontos.
Não somos marionetes. Embora sejamos seres lapidados pela vida, quando descemos a esse mundo pelo ventre de nossas mães, já somos um ser com características próprias e únicas. Uma joia rara.
Meu pequeno diamante!
Reparo no seu senso de humor, personalidade. No seu riso fácil e na sua sensibilidade incrível. Na sua pureza e inteligência. Nas suas decisões e em seus medos.
Percebo que não sou você. Fui apenas um instrumento de algo maior, uma força além de mim mesma, para trazê-la a este mundo, para cumprir sua missão.
Fui ponte. Fui meio. Você é o fim.
Uma obra de arte que já não pertence ao artista.
Todas as mães precisam controlar esse sentimento de posse em relação aos filhos. Tenho praticado isso diariamente. Tenho dividido você, meu diamante, com o mundo.
Você é livre, independente. Você é um ser individual e completo.
Mas eu já não sou. Porque foi em você que depositei o melhor de mim. Como uma doadora de órgãos, deixei meu coração bater fora do peito. E dentro dele, está a única felicidade possível para uma mãe:
A felicidade de dar asas para um filho voar e ser eterno ninho, para quando ele quiser voltar.
Não posso simplesmente dizer que te amo. Porque você é meu amor, puro e verdadeiro, que respira, sorri e vive, fora do meu peito.
Feliz aniversário, minha menina!

Eternamente jovem...

Há tempos não recebia um email com uma dose de veneno. Como o remetente não se identificou, me permito achar que realmente tinha maldade em seu conteúdo. A sugestão de pauta era “o que eu acho das coroas que namoram os novinhos e querem ter pra sempre 20 anos”.
Bom, opinião e bunda todo mundo tem, diz o ditado. Umas são melhores que as outras, obviamente.
Lá vai a minha (opinião).
Acho triste, muito triste uma mulher madura namorar um carinha mais jovem e querer ter pra sempre 20 anos. Porque ninguém tem pra sempre 20 anos, a não ser quem teve uma morte prematura e não conseguiu completar 30, 40, 50, 60...
Se eu namoro um cara mais novo e vivo presa ao comportamento e à estética de um corpo de 20 anos, certamente serei infeliz. E o amor, meus caros, não nasceu pra trazer infelicidade.
Uma mulher de 40 anos jamais vai ter uma pele de 20. Independente de quantos processos estéticos faça, do quanto se alimente bem ou de quantas horas passe na academia. Se beliscar a pele, ela já não volta automaticamente pro lugar. Ela fica lá, enrugadinha e preguiçosa, antes de voltar a ficar lisinha. O pescoço, as dobras dos cotovelos e do joelho, os pés de galinha, os cabelos brancos podem ser amenizados, disfarçados, mas jamais serão exterminados. Eles estão lá para mostrar que você viveu até os 40 anos. Oba!
Por isso tenho muita pena da prisão da juventude, muito embora às vezes ela também me segure pelo pé.
Agora se você me perguntar o que eu acho de uma mulher de 40 anos, com orgulho de ter 40 anos e que namora um cara de 20, que sabe que tem uma mulher de 40 ao seu lado e a respeita, eu vou dizer: que sorte a dele!
Porque é incrível o que o tempo faz com a alma de quem vive de bem consigo mesmo! Se o viço da pele não é o mesmo, a alma, cada vez rejuvenesce e se torna mais atraente.
Uma mulher madura sabe dar valor para o que tem valor. Sabe ser leve, divertida, segura de si, vivida, independente, inteligente. Soma à juventude , a experiência de quem já passou por essa estrada.
Eu não tenho nada contra nenhum tipo de relacionamento, desde que haja respeito. Respeito de um pelo outro, e respeito pelo que se é.
Que dó de quem vive uma metamorfose forçada toda a vez que muda de amor. Era rock, virou pop. Era sofá, virou academia. Era único, virou cópia barata para impressionar alguém.
A gente já foi assim. Só que depois dos 30, realmente não dá.
Ou soma, ou some.
As coisas ficam mais fáceis, os pontos finais mais definitivos. Menos drama, porque a vida é curta demais para “tentar ser”.
Não tento ser jovem. Sou jovem. Serei eternamente, valorizando cada um dos anos que atravessei e mantendo o espírito leve de criança, com olhos curiosos para o mundo. Rejuvenesço a cada primeira vez. Por isso, jamais deixarei de experimentar o novo. Envelhecer é deixar de se aventurar.
Quando morrer, digam que morri vivendo.
A verdade sobre o amor é simples:
Ninguém consegue amar verdadeiramente alguém que não se ama e que representa um papel no palco da vida.
Ou você é original, ou você não existe.
Um beijo! Tim-tim!

Lembranças vivas no fundo do coração

Muitas vezes a gente sai de casa com um propósito, e acaba sendo surpreendido com uma experiência que nos emociona. Saí numa tarde ensolarada, de céu de brigadeiro, rumo aos Caminhos de Pedra, em Bento Gonçalves, conhecidos como nossa Toscana particular.
E é. Quem já teve a oportunidade de visitar essa região linda da Itália, vai se sentir de volta à terra dos imigrantes quando cruzar os Caminhos de Pedra. Claro que é uma mescla de passado e presente. De desenvolvimento e preservação histórica. Uma casa moderna faz divisa com o centenário casarão. De repente, você olha pro lado do asfalto cinza e quente e mergulha no túnel do tempo, direto pro moinho cuja roda ainda gira movida pela água límpida e cristalina do riacho. O cachorro, pastor de ovelhas, bebe um gole d´água. As roseiras estão floridas. Os parreirais começam a maturar os grãos. Vem chegando o tempo da colheita.
Tudo isso é mágico, mas muitas vezes, em um passeio, uma lembrança te pega pelo pé e te remete a momentos que realmente marcaram tua vida. Foi assim comigo.
Uma das paradas foi numa casa de massas, instalada em um complexo de casarões antigos, de madeira escura, escadinhas simpáticas e flores nos canteiros.
Dentro, todo tipo de sabores coloniais: compotas, chimias, geléias, rapaduras e biscoitos. Sim, biscoitos.
E foi aí que o túnel do tempo me devolveu à infância. Um cheiro peculiar, conhecido, íntimo.
Olhei pra cozinha e lá estava ela, cortando a massa, colocando os biscoitos na forma, e levando ao forno. O cheiro de lar, de vó, de infância, de pureza, de felicidade me imobilizou. Eu não consegui segurar e grossas lágrimas começaram a descer. Há décadas eu não via aquela cena, eu não sentia aquele cheiro!
A produção dos biscoitos se foi com ela, minha nona. As fornadas inteiras, as centenas de biscoitos cheirosos distribuídos entre filhos e netos, se foram com ela. Enterrados com seu amor, com seu sabor e com seu cheiro.
Cheiro de infância. Cheiro da casa da minha vó. Olhei ao redor pra tentar me recompor e tudo o que consegui foi me enterrar ainda mais no passado. A madeira sem tinta. A banca. O fogão de lenha. A escada para o sótão. O tanque. O forno. Os pássaros. O quintal. As dálias e rosas do jardim.
Meu Deus! Como são incríveis esses momentos em que podemos viver hoje, sentimentos de anos atrás.
Um perfume, e lá vamos nós rumo às sensações mais incríveis!
Alguém que passou por você, usando o perfume dele! E você se arrepia como se sentisse o toque da paixão, outra vez.
O cheirinho de bebê e a saudade da eterna confusão de fraldas, panos e cuidado com a criança que cresceu.
O churrasco assando na brasa te fazendo rever o pai, o avô, em frente à churrasqueira tirando uma lasquinha de carne, para ver o filho, o neto sorrir.
Os jasmineiros e os natais.
As uvas e o verão.
A chuva, a poeira que assenta e a alma lavada.
A mata úmida e o frescor da natureza.
O cheiro da nossa casa.
O perfume da comida da nossa mãe.
O biscoito do forno da nossa avó.
Nada se perde nessa vida, nessa coisa que inventamos e colocamos o nome de relógio, o dono do tempo. Ele não pode nos roubar as lembranças!
Nada passa. Tudo fica. Nada morre, tudo vive, enquanto a gente puder voltar.
Passado o déjà vu, segui meu caminho, com o coração cheio de alegria pela infância feliz, que me tornou a pessoa que sou hoje: Grata pela vida!
Obrigado meu Deus!