Devaneios tolos... a me torturar.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O amor por impulso



Outro dia perguntaram se minha gravidez tinha sido planejada. Eu parei para pensar e me dei conta de que foi a atitude mais arriscada da minha vida. Ter um filho foi um mergulho no vazio, um salto da mais alta montanha.

Você sai de casa todo o dia rezando para que nada de ruim aconteça. Você liga a televisão e os noticiários só trazem tragédias, catástrofes, acidentes, violência. Se o telefone toca na madrugada, você já começa uma oração pelos seus.  Crianças passam fome no planeta onde a riqueza concentra-se na mão de poucos, e a pobreza é dividida por milhões.

Talvez a decisão de ter um filho tenha sido a mais louca e inconsequente da minha vida.
Mas com certeza, foi a melhor.

Sim, planejamos nossa filha, voltando nossa face somente para o lado onde o sol nasce. Naquele lugar onde os sonhos são possíveis, onde moram as pessoas boas, e onde a felicidade é compartilhada.
Planejamos nossa filha pensando no futuro que gostaríamos de construir. Olhando para um amanhã, melhor que hoje, onde crianças não morrem de fome, não são espancadas por seus próprios familiares, nem são vítimas das mais absurdas violências.

Planejamos nossa filha para viver em um lugar onde os abraços são apertados, a mesa é farta, o carinho não falta, a alegria é presença constante, e a vida é longa.

Onde a grama é verde, os pássaros cantam, o balanço embala e o futuro é uma promessa boa.

Apesar de todo o mal do mundo, assim como eu, tantas mães nesse momento, afagam suas barrigas, sorrindo para um amanhã cheio de esperança.

Planejar ter um filho é dar um passo no breu. Mas um passo firme, repleto de fé e de amor. E o amor sempre aponta o melhor caminho, mesmo que seja no escuro.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Eu também sou as histórias que não vivi...


Oi geeente!


Ah, se eu pudesse dar um conselho a você, diria para que começasse agora mesmo a exercitar o hábito de ler. Na verdade, acho que este conselho seria chover no molhado, porque quem lê colunas de jornais, costuma ler livros também. Gostaria que esta mensagem chegasse a quem não lê.
Tenho pena de quem vive preso em uma única vida, e que não tem a oportunidade de fugir dela de vez em quando, aventurando-se em universos e sentimentos nunca antes imaginados. Ler é ter a chance de viver uma história extraordinária, mesmo que não seja a sua.

Um bom livro é uma oportunidade única de, aconchegado entre travesseiros e lençóis, esquecer dos problemas, da monotonia de um domingo de tarde, de um dia difícil, e simplesmente despir-se de sua pele e encarnar um personagem, que não o seu.

Quem se entrega a uma boa história contida em um livro, perde o hábito de ficar na janela, bisbilhotando vizinho, não precisa cuidar da vida dos outros, quando a sua está em período de banho Maria.
Dedicar-se a uma boa história é atravessar fronteiras sem sair do lugar. Sentir gostos e cheiros. Ser tocado por um novo amor, experimentar de novo uma primeira vez.

É percorrer o mundo sem pegar um avião sequer. E mais que isso: conhecer o ser humano tão a fundo, a ponto de colocar-se no lugar do outro, com suas angústias, fraquezas, pecados, crimes, castigos, punições e redenções.
É se aproveitar dos erros dos outros, para não cometê-los na vida real.
Quem lê tem mais assunto, é mais sensível e inteligente, e é infinitamente interessante.
Quem lê carrega lições das histórias que viveu nos livros. Cria asas sem sair do chão.
Quem lê dispõe-se a novas aventuras e, principalmente, tem a mente aberta para qualquer desafio.
Amo essa gente curiosa, sensível e apaixonada, que lê.
Eu devoro um livro atrás do outro, com um desejo voraz de ser jovem e ser velha, ser doente e sã, ser vilão e ser heroína, ser culpada e ser inocente. Ser amada ou desprezada. Ser infeliz, ou ter um final feliz para sempre.

Quando fecho minha mais recente paixão, ao chegar na última página, por fim, agradeço por ser quem sou.
E agradeço ainda por não ter nenhuma história espetacular que renda um livro dos mais vendidos.
Porque são nos dias comuns, de gente comum, que os milagres acontecem.

Não precisamos ser derrotados em uma guerra, perdermos nosso amor para sempre, sofrermos com doenças raras incuráveis ou sermos vítimas de grandes intrigas e traições para aprendermos lições simples, que grandes livros nos trazem.

No final das contas, sou grata por acabar meu Best Seller e perceber que eu sou a personagem feliz de uma rotina que pode não ser brilhante, mas que sempre termina com o carinho de quem eu amo, o abraço de quem importa, e o apoio de quem eu preciso para viver.
Espero que as histórias dos livros continuem a nos ensinar grandes lições, sem que precisemos passar por grandes sofrimentos para aprendê-las.

Por isso, a todos que querem se tornar seres humanos melhores e mais felizes com o que possuem, eu deixo o meu conselho: comecem a ler hoje mesmo!

Beijos, meus amores!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Relações com verdade


Oi geeente!


Ofereci meu ombro amigo, mas saí de lá com vontade de dar uma sacudida, ou uns bons tapas. Fingi que compreendi, mas na verdade, até agora me pergunto como ela se deixou abater de tal forma por um homem que simplesmente não valia uma lágrima. Saí jurando a mim mesma que nenhum homem na face da Terra merece que uma mulher chegue ao fundo do poço, vire pó, ao ponto de não ter vontade sequer de tomar banho, abrir as janelas de casa, deixar a luz entrar. Ainda mais ele, que nunca valorizou a mulher que tinha. Era galinha. E baladeiro de plantão. Será que essa burra não percebe, que, ao invés de chorar, deveria dar uma festa?”

Não é assim que agimos diante de amigos, familiares, que enfrentam suas batalhas diárias? Nossa solidariedade geralmente não passa de um sorriso amarelo, um tapinha no ombro, e invariavelmente, um julgamento preconceituoso na mente.

Eu diria que quase ninguém consegue se colocar verdadeiramente no lugar do outro. O que as pessoas conseguem fazer é: colocar a si mesmos na situação do outro. E então, julgar o que eles próprios fariam, se estivessem passando por tudo aquilo.

Aí fica fácil, né! Nossas teorias são sempre lindas e perfeitas, e agiríamos com dignidade, com justiça, com coragem e com sabedoria. Nunca seríamos tão fracos, tão burros, tão submissos. Seríamos?
Não entendemos que outro sente diferente, porque mentes e corações são diferentes também.
Como explicar que, para alguns, amar seja tão dolorido, torturante, enquanto para outros o amor flua de forma fácil e natural, como um rio seguindo seu curso, até encontrar o mar? Porque para alguns, o amor é tormenta e para outros, calmaria?

Porque alguns são tão decididos, em suas carreiras, em seus relacionamentos pessoais, profissionais, enquanto outros sofrem para se fixar em um emprego, ou cultivar amigos de verdade?
Gosto de observar quando uma mesma situação acontece com um grupo de pessoas diferentes.
Vamos novamente tomar como exemplo minha gravidez: enquanto eu passei três meses com a cabeça no vaso vomitando, enquanto eu por vezes me senti feia, gorda, desengonçada, dolorida, inchada e cansada, outras não sentiram uma ponta de enjoo, engordaram míseros nove quilos e desfilavam lépidas e faceiras pelas ruas, enquanto tudo que eu mais queria era enterrar minha cabeça num buraco, feito avestruz, até minha bebê nascer.

Isso não diminui em nada o amor que sinto por minha filha, minha alegria em ser mãe, nem a felicidade em saber que fui presenteada por Deus com um pequeno milagre que está no meu ventre. Isso não me faz menos  mulher, menos “normal”. Enquanto umas mães engordam 20 quilos, outras ficam com o rosto repleto de manchas, outras enfrentam uma gravidez de risco, há aquelas que sonham com parto normal, e aquelas que desejam passar por uma cesariana. Não há diferença em nenhuma nelas no quesito amor. Há apenas diferenças inevitáveis em formas de ser, de pensar, de agir e reagir às mudanças da gravidez. Não aponto o dedo para nenhuma, e sei que, a seu modo, cada uma delas sabe da dor e da delícia desta fase.

Padronizar, julgar, medir, pesar os outros, por suas fraquezas ou virtudes não diminui os outros. Diminui a nós mesmos. Nos torna insensíveis e desumanos, presunçosos e cheios de soberba.

Depois de refletir sobre isso, me vesti de um luto mortal, como se tivesse perdido alguém insubstituível em minha vida. Peguei um bom filme, bati na porta da minha amiga, e resolvi mergulhar na dor dela. Sem julgamentos. Ofereci meu coração aberto e minha mente livre de preconceitos.
Acho que pela primeira vez, na vida, fui uma grande amiga de verdade.

Beijos, meus amores!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Eu desejo...


Oi geeente!

Num sábado à noite qualquer, estava indecisa sobre o que pedir na tele-entrega para jantar. Filé ao molho disso, ou daquilo? Pizza? Massas? Sushi? Sabe quando você abre a porta da geladeira e nada te satisfaz?
Se temos muitas opções, geralmente ficamos indecisos e perdemos a oportunidade de darmos valor às coisas certas.
Lembrei dos meus primeiros meses de gravidez, quando os enjoos fortíssimos não me permitiam sequer pensar em comida. Todos os cheiros e gostos revoltavam meu estômago, de modo que havia perdido um dos maiores prazeres da minha vida: encher bem o bucho. O único alimento que não me fazia mal, e que dava água na boca era a maçã!
Sim, essa fruta comum, que por vezes discriminamos na prateleira do mercado, porque está sempre à nossa disposição, praticamente nas quatro estações do ano. Não tem o glamour de um cacho de uvas dedo de dama, nem é tão exótica quanto a fruta do conde. Simplesmente é uma tradicional e tão facilmente encontrada maçã.
Pois pra mim, naquele período, maçã virou artigo de luxo. O gosto, o suco, a sensação de bem-estar que proporcionava, elevou a fruta ao mais requintado prato da gastronomia mundial.
Já repararam como somos assim em nossa vida?
Pararam para pensar em como só damos valor, quando o básico nos falta?
Observo o modo como as pessoas agem e percebo que a maior fonte de arrependimentos em nossa vida é essa: não valorizar o que é precioso, embora pareça comum. Até perdermos.

Por isso elaborei uma oração, um mantra, para que eu jamais me esqueça de valorizar o que está ao meu alcance e que realmente é importante para mim:

Que eu não precise sentir fome para dar valor ao fruto.
Que eu não precise sentir sede para dar valor à água.
Que eu não precise ficar desempregada, para dar valor ao meu trabalho.
Que eu não precise sentir abandono, para dar valor aos meus amigos.
Que eu não precise ser traída, para dar valor à fidelidade.
Que eu não precise sentir desamparo, para dar valor a um abraço.
Que eu não precise sentir tristeza, para dar valor à alegria.
Que eu não precise perder tudo, para dar valor ao que possuo.
Que eu não precise de lágrimas, para dar valor ao riso.
Que eu não precise sofrer uma injustiça, para aprender a ser justa.
Que eu não precise sentir desamor, para demonstrar que amo.
Que eu não seja vítima da mentira, para valorizar a sinceridade.
Que eu não precise me sentir órfã, para dar valor aos meus pais.
Que eu consiga perceber que a riqueza consiste nos laços de afeto verdadeiros, que se fortalecem no tempo e nas dificuldades.
Que eu possa amar cada vez mais quem está meu lado todo dia, e que enfrenta cada pequeno desafio do caminho, em detrimento daqueles que oferecem um mundo perfeito e completamente ilusório.
Que eu não encontre braços cruzados, para dar valor a uma mão estendida.
E que eu não precise enfrentar a morte, para dar valor à vida.
E que eu saiba ser grata, por receber de presente aquilo que dá sentido à nossa existência: o amor verdadeiro.
Amém!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Grandes notícias, pequenas cidades


Oi geeente!


Costumo observar grandes tragédias, de cidades pequenas.
Ninguém quer atrair para si uma catástrofe natural, tufão ou terremoto. Tampouco um grande assalto, acidente de trânsito, assassinato.
Mas querendo ou não, todos os fatos que chamam a atenção de uma cidade do interior, acabam virando uma novela, inevitavelmente acompanhada por toda a população.
O padeiro, o carteiro, o cabeleireiro, o porteiro, o jardineiro, todo mundo se envolve.
Primeiro vem a bomba, geralmente através da emissora da rádio local, do vizinho, do amigo, através do boca a boca. Preocupação e medo.
Será que foi com alguém da minha família? Será que foi com um conhecido, um amigo?
Passado o primeiro impacto e contatados todos os familiares, a curiosidade passa a falar mais alto.
Na novela da vida real, todo mundo quer ter um papel de destaque, ou pelo menos uma participação especial.
"Eu já previa isso".
"Vi uma movimentação estranha".
"Testemunhei tudo, estava varrendo a calçada na frente de casa, quando tudo aconteceu".
"Essa história não é bem assim. Fulano, primo da fulana, me falou que viu coisas estranhas acontecerem antes do fato".
“Estava a mais de 200 por hora, pode apostar”.
Depois, as pessoas passam a achar os culpados:
Cadê a polícia? Cadê os políticos? Cadê os padres nessa hora? Onde estava a mãe, que não educou? Será que foi culpa dos professores? Os amigos influenciaram.

Depois entram em cena os mestres da ficção. A pessoa foi vista em dois lugares ao mesmo tempo. Ou então, aumentam o drama, dando ares de Chuck Norris para o herói. Relatam cenas de violência, com doses a mais de sangue e sofrimento.
Parece que quanto pior a história, mais interesse ela gera, mais assunto ela rende.
Vira pauta na padaria, no restaurante, no trabalho, no happy hour.
Todo mundo gosta de ter uma versão mais elaborada, mais rica em detalhes, com novos elementos.
É preciso que o assunto renda, até que outro tome seu lugar.
Para a maioria das pessoas, que adoram um pano pra manga, um novelo de lã para o tricot, um exercício para a língua, a verdade, pouco importa.
Falam, falam, falam, não respeitam parentes, amigos, familiares, envolvidos na tragédia. Se não dói neles, que importa a dor dos outros? Importante é ter assunto.

Quando acontece, em cidade pequena, pequenas tragédias cotidianas, ou grandes tragédias coletivas, mas com os outros, viramos investigadores, testemunhas, policiais, jornalistas, advogados e juízes.

Quando algo acontece conosco, aí nos tornamos (ou nos fazemos de) vítimas.

                                                                     Beijos, meus amores.