Oi geeente!
“Ofereci meu ombro
amigo, mas saí de lá com vontade de dar uma sacudida, ou uns bons tapas. Fingi
que compreendi, mas na verdade, até agora me pergunto como ela se deixou abater
de tal forma por um homem que simplesmente não valia uma lágrima. Saí jurando a
mim mesma que nenhum homem na face da Terra merece que uma mulher chegue ao
fundo do poço, vire pó, ao ponto de não ter vontade sequer de tomar banho,
abrir as janelas de casa, deixar a luz entrar. Ainda mais ele, que nunca
valorizou a mulher que tinha. Era galinha. E baladeiro de plantão. Será que
essa burra não percebe, que, ao invés de chorar, deveria dar uma festa?”
Não é assim que agimos diante de amigos, familiares, que
enfrentam suas batalhas diárias? Nossa solidariedade geralmente não passa de um
sorriso amarelo, um tapinha no ombro, e invariavelmente, um julgamento
preconceituoso na mente.
Eu diria que quase ninguém consegue se colocar verdadeiramente
no lugar do outro. O que as pessoas conseguem fazer é: colocar a si mesmos na
situação do outro. E então, julgar o que eles próprios fariam, se estivessem
passando por tudo aquilo.
Aí fica fácil, né! Nossas teorias são sempre lindas e
perfeitas, e agiríamos com dignidade, com justiça, com coragem e com sabedoria.
Nunca seríamos tão fracos, tão burros, tão submissos. Seríamos?
Não entendemos que outro sente diferente, porque mentes e
corações são diferentes também.
Como explicar que, para alguns, amar seja tão dolorido,
torturante, enquanto para outros o amor flua de forma fácil e natural, como um
rio seguindo seu curso, até encontrar o mar? Porque para alguns, o amor é
tormenta e para outros, calmaria?
Porque alguns são tão decididos, em suas carreiras, em seus
relacionamentos pessoais, profissionais, enquanto outros sofrem para se fixar
em um emprego, ou cultivar amigos de verdade?
Gosto de observar quando uma mesma situação acontece com um
grupo de pessoas diferentes.
Vamos novamente tomar como exemplo minha gravidez: enquanto
eu passei três meses com a cabeça no vaso vomitando, enquanto eu por vezes me
senti feia, gorda, desengonçada, dolorida, inchada e cansada, outras não
sentiram uma ponta de enjoo, engordaram míseros nove quilos e desfilavam
lépidas e faceiras pelas ruas, enquanto tudo que eu mais queria era enterrar
minha cabeça num buraco, feito avestruz, até minha bebê nascer.
Isso não diminui em nada o amor que sinto por minha filha, minha
alegria em ser mãe, nem a felicidade em saber que fui presenteada por Deus com
um pequeno milagre que está no meu ventre. Isso não me faz menos mulher, menos “normal”. Enquanto umas mães
engordam 20 quilos, outras ficam com o rosto repleto de manchas, outras
enfrentam uma gravidez de risco, há aquelas que sonham com parto normal, e
aquelas que desejam passar por uma cesariana. Não há diferença em nenhuma nelas
no quesito amor. Há apenas diferenças inevitáveis em formas de ser, de pensar,
de agir e reagir às mudanças da gravidez. Não aponto o dedo para nenhuma, e sei
que, a seu modo, cada uma delas sabe da dor e da delícia desta fase.
Padronizar, julgar, medir, pesar os outros, por suas
fraquezas ou virtudes não diminui os outros. Diminui a nós mesmos. Nos torna
insensíveis e desumanos, presunçosos e cheios de soberba.
Depois de refletir sobre isso, me vesti de um luto mortal,
como se tivesse perdido alguém insubstituível em minha vida. Peguei um bom
filme, bati na porta da minha amiga, e resolvi mergulhar na dor dela. Sem
julgamentos. Ofereci meu coração aberto e minha mente livre de preconceitos.
Acho que pela primeira vez, na vida, fui uma grande amiga de
verdade.
Beijos, meus amores!

Show!!! Parabéns!
ResponderExcluir:D obrigado!
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