Devaneios tolos... a me torturar.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Relações com verdade


Oi geeente!


Ofereci meu ombro amigo, mas saí de lá com vontade de dar uma sacudida, ou uns bons tapas. Fingi que compreendi, mas na verdade, até agora me pergunto como ela se deixou abater de tal forma por um homem que simplesmente não valia uma lágrima. Saí jurando a mim mesma que nenhum homem na face da Terra merece que uma mulher chegue ao fundo do poço, vire pó, ao ponto de não ter vontade sequer de tomar banho, abrir as janelas de casa, deixar a luz entrar. Ainda mais ele, que nunca valorizou a mulher que tinha. Era galinha. E baladeiro de plantão. Será que essa burra não percebe, que, ao invés de chorar, deveria dar uma festa?”

Não é assim que agimos diante de amigos, familiares, que enfrentam suas batalhas diárias? Nossa solidariedade geralmente não passa de um sorriso amarelo, um tapinha no ombro, e invariavelmente, um julgamento preconceituoso na mente.

Eu diria que quase ninguém consegue se colocar verdadeiramente no lugar do outro. O que as pessoas conseguem fazer é: colocar a si mesmos na situação do outro. E então, julgar o que eles próprios fariam, se estivessem passando por tudo aquilo.

Aí fica fácil, né! Nossas teorias são sempre lindas e perfeitas, e agiríamos com dignidade, com justiça, com coragem e com sabedoria. Nunca seríamos tão fracos, tão burros, tão submissos. Seríamos?
Não entendemos que outro sente diferente, porque mentes e corações são diferentes também.
Como explicar que, para alguns, amar seja tão dolorido, torturante, enquanto para outros o amor flua de forma fácil e natural, como um rio seguindo seu curso, até encontrar o mar? Porque para alguns, o amor é tormenta e para outros, calmaria?

Porque alguns são tão decididos, em suas carreiras, em seus relacionamentos pessoais, profissionais, enquanto outros sofrem para se fixar em um emprego, ou cultivar amigos de verdade?
Gosto de observar quando uma mesma situação acontece com um grupo de pessoas diferentes.
Vamos novamente tomar como exemplo minha gravidez: enquanto eu passei três meses com a cabeça no vaso vomitando, enquanto eu por vezes me senti feia, gorda, desengonçada, dolorida, inchada e cansada, outras não sentiram uma ponta de enjoo, engordaram míseros nove quilos e desfilavam lépidas e faceiras pelas ruas, enquanto tudo que eu mais queria era enterrar minha cabeça num buraco, feito avestruz, até minha bebê nascer.

Isso não diminui em nada o amor que sinto por minha filha, minha alegria em ser mãe, nem a felicidade em saber que fui presenteada por Deus com um pequeno milagre que está no meu ventre. Isso não me faz menos  mulher, menos “normal”. Enquanto umas mães engordam 20 quilos, outras ficam com o rosto repleto de manchas, outras enfrentam uma gravidez de risco, há aquelas que sonham com parto normal, e aquelas que desejam passar por uma cesariana. Não há diferença em nenhuma nelas no quesito amor. Há apenas diferenças inevitáveis em formas de ser, de pensar, de agir e reagir às mudanças da gravidez. Não aponto o dedo para nenhuma, e sei que, a seu modo, cada uma delas sabe da dor e da delícia desta fase.

Padronizar, julgar, medir, pesar os outros, por suas fraquezas ou virtudes não diminui os outros. Diminui a nós mesmos. Nos torna insensíveis e desumanos, presunçosos e cheios de soberba.

Depois de refletir sobre isso, me vesti de um luto mortal, como se tivesse perdido alguém insubstituível em minha vida. Peguei um bom filme, bati na porta da minha amiga, e resolvi mergulhar na dor dela. Sem julgamentos. Ofereci meu coração aberto e minha mente livre de preconceitos.
Acho que pela primeira vez, na vida, fui uma grande amiga de verdade.

Beijos, meus amores!

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