Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Grandes notícias, pequenas cidades


Oi geeente!


Costumo observar grandes tragédias, de cidades pequenas.
Ninguém quer atrair para si uma catástrofe natural, tufão ou terremoto. Tampouco um grande assalto, acidente de trânsito, assassinato.
Mas querendo ou não, todos os fatos que chamam a atenção de uma cidade do interior, acabam virando uma novela, inevitavelmente acompanhada por toda a população.
O padeiro, o carteiro, o cabeleireiro, o porteiro, o jardineiro, todo mundo se envolve.
Primeiro vem a bomba, geralmente através da emissora da rádio local, do vizinho, do amigo, através do boca a boca. Preocupação e medo.
Será que foi com alguém da minha família? Será que foi com um conhecido, um amigo?
Passado o primeiro impacto e contatados todos os familiares, a curiosidade passa a falar mais alto.
Na novela da vida real, todo mundo quer ter um papel de destaque, ou pelo menos uma participação especial.
"Eu já previa isso".
"Vi uma movimentação estranha".
"Testemunhei tudo, estava varrendo a calçada na frente de casa, quando tudo aconteceu".
"Essa história não é bem assim. Fulano, primo da fulana, me falou que viu coisas estranhas acontecerem antes do fato".
“Estava a mais de 200 por hora, pode apostar”.
Depois, as pessoas passam a achar os culpados:
Cadê a polícia? Cadê os políticos? Cadê os padres nessa hora? Onde estava a mãe, que não educou? Será que foi culpa dos professores? Os amigos influenciaram.

Depois entram em cena os mestres da ficção. A pessoa foi vista em dois lugares ao mesmo tempo. Ou então, aumentam o drama, dando ares de Chuck Norris para o herói. Relatam cenas de violência, com doses a mais de sangue e sofrimento.
Parece que quanto pior a história, mais interesse ela gera, mais assunto ela rende.
Vira pauta na padaria, no restaurante, no trabalho, no happy hour.
Todo mundo gosta de ter uma versão mais elaborada, mais rica em detalhes, com novos elementos.
É preciso que o assunto renda, até que outro tome seu lugar.
Para a maioria das pessoas, que adoram um pano pra manga, um novelo de lã para o tricot, um exercício para a língua, a verdade, pouco importa.
Falam, falam, falam, não respeitam parentes, amigos, familiares, envolvidos na tragédia. Se não dói neles, que importa a dor dos outros? Importante é ter assunto.

Quando acontece, em cidade pequena, pequenas tragédias cotidianas, ou grandes tragédias coletivas, mas com os outros, viramos investigadores, testemunhas, policiais, jornalistas, advogados e juízes.

Quando algo acontece conosco, aí nos tornamos (ou nos fazemos de) vítimas.

                                                                     Beijos, meus amores.




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