E talvez, minha filha, a lição mais linda e a mais difícil,
seja o amor. Tenho um palpite de que vocês irão se encontrar. Ele vai mostrar
para você todas as suas faces, suas nuances, seus caminhos, seus atalhos e
desvios.
Se pudesse, pularia todas essas fases e colocaria você, de
frente pro mar do amor, numa rede, balançando num vento manso, curtindo a beleza
de um por do sol.
Mas águas bravias chegarão. Tempestades. Ventos que destroem
tudo, para que possamos reconstruir, nos reconstruir, fortalezas.
Já que não posso levá-la até o oásis de um amor tranquilo,
quero preveni-la, do que virá.
Primeiro, e sempre: Você é linda. É única. É especial. Os
outros e você mesma colocarão em dúvida essas verdades. Mas é primordial amar-se,
para depois ser amado. Ame-se meu amor. Aceite-se. Nunca se compare. Você tem
valor.
Você encontrará pessoas boas e pessoas más. Outras apenas
imaturas (algumas que crescem logo, outras que jamais crescerão). Haverá as exibicionistas
e narcisistas. Amar-se é bom, endeusar-se é perigoso.
Então, você irá se relacionar com pessoas que vão te
machucar. Te expor. Farão você esperar, sem que ninguém chegue. Você,
inevitavelmente será usada. Como passatempo de alguém, como segunda opção de
alguém, apenas como um momento. (Sinto informar, mas é bom provável que você
faça o mesmo com algumas pessoas).
É que o desamor também é professor. E todas as más
experiências são válidas, desde que façam nascer em você o amor próprio: o mais
importante de todos.
Sim, talvez te pisem e humilhem. Mas só o farão uma vez. Não
permita que isso se incorpore à sua rotina. Você precisará experimentar: o amor canalha, o
fogo da paixão, a desilusão, o abandono, as lágrimas, a traição, o perdão, o
recomeço, o fim. Você morrerá de amor mais de uma vez, para continuar vivendo.
Mas não se assuste: com isso tudo virá o riso, o brilho nos
olhos, as borboletas no estômago. A sensação única e incrível de estar viva!
Ah... permita-se! Jogue-se no fogo. Transpire vida por todos
os poros. Quebre regras. Liberte-se!
Existe uma entidade, quase uma presença real em nossas vidas
que se chama: opinião dos outros. Não deixe que ela corte suas asas.
Ouça apenas quem realmente se importa com você. Embora,
algumas vezes, a paixão possa deixá-la surda, cega e burra. Aprenda errando meu
amor. E aprenda com os erros dos outros também.
Acima de tudo, antes de mais nada: respeite-se. Ouça seu
corpo, seus limites, seu instinto. Não faça aos outros aquilo que não gostaria
que fizessem com você. Embora, sim, você vá pisar na bola. E depois odiar-se
por isso. Perdoe-se. É importante.
Você até pode se submeter, alguma vez na vida. Mas não se
submeta a vida toda.
Acredite, o amor salva. O amor não prende, ele liberta. Ele
não condena, ele absolve. Ele não pesa, é leve. O amor não fere, ele cura.
Sim! Que os caminhos do amor não te levem a um beco sem saída.
Que no fim, você encontre uma cadeira de balanço, num jardim em flor. Uma mão
firme, um ombro amigo, um abraço acolhedor. Que o amor da sua vida seja casa,
não abandono. Que seja cobertor, não orvalho da madrugada.
Que no final, entre erros, tropeços, acertos, romances,
pequenas tragédias, grandes paixões, o amor seja a sua salvação.
Que ele pouse e faça morada no teu peito. Que ele possa criar
raízes em detrimento de asas, que ele seja fecundo e frutifique. Que o amor
transforme você no melhor que você pode ser.
E quando você desacreditar, lembre-se de mim. Lembre-se de
nós, e tenha a certeza que o amor existe. Foi ele que te trouxe até aqui.
Te amo.
