Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A lição da raposa...


A Lição da Raposa...


Fico observando (e claro que já senti na pele) a facilidade com que as pessoas passam um bom verniz na cara e começam a ganhar nossa confiança oferecendo amizade, amor, companhia, carinho, cuidado.

No mundo e na sociedade em que vivemos, sem percebermos nos sentimos carentes de cuidado e atenção. Em meio a turbulência do dia a dia, às crises nas relações, a falta de dinheiro, e a política do cada um por si, é natural que baixemos nossas barreiras e que deixemos o inimigo entrar. Geralmente este tipo de pessoa vai ganhando sua confiança, seu amor, sua dedicação... mas na verdade quer apenas se aproveitar de você de alguma forma. Levar você pra cama. Ser promovido no trabalho. Provar que pode ganhar seu coração. Mostrar para os outros como é bom de lábia. Usufruir de seu círculo social.

O motivo não importa. A razão é sempre a mesma: falta de caráter.

São verdadeiros parasitas. E às vezes você fica tão dependente, que passa a alimenta-los com seu próprio sangue e não consegue se ver livre deles, porque parecem fazer parte do seu corpo.

Não vou ficar citando quantas pessoas cativaram meu coração e depois viraram as costas me deixando no abandono.

Mas vou sugerir que você leia “O Pequeno Príncipe”, de Saint Exupéry. Aqui vai uma provinha do texto eternizado, porém pouco posto em prática hoje em dia:

“-Bom dia, disse a raposa.
-Bom dia, respondeu o principezinho.
-Quem és tu? És tão bela.
- Uma raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste.
- Eu não posso brincar contigo. Não me cativaram ainda.
- Que quer dizer “cativar” ?
- É uma coisa esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços". Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim ÚNICO no mundo. E eu serei única para ti.
Minha vida é monótona. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros.
Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música.
E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil.
Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste!
Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... - Por favor... cativa-me! - disse a raposa.
-Bem quisera, disse o principezinho. Mas tenho pouco tempo e amigos a descobrir e coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa.
Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo pronto na lojas. Mas como não existem lojas de amigos, eles não tem mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me !
- Que é preciso fazer ?
- É preciso ser paciente. Sentarás primeiro longe. Eu te olharei e tu não dirás nada. A linguagem é fonte de mal-entendidos. Mas cada dia sentarás mais perto... E virás sempre na mesma hora. Se tu vens às 4, desde às 3 eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às 4 horas, então, eu estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade.
Assim, o principezinho cativou a raposa.
Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho. Eu não queria te fazer mal, mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis.
- Mas tu vais chorar !
- Vou.
-Então não sais lucrando nada!
- Eu lucro, por causa da cor do trigo. - Eis o meu segredo: Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
Assim, o principezinho cativou a raposa.
Os homens esqueceram essa verdade, mas não a deves esquecer: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

Portanto, não te esforce para conquistar alguém, para depois deixar de se importar com o sentimento que foi despertado. As pessoas que circulam por aí, são comuns e iguais. Mas as pessoas que cativam você se tornam únicas e você passa também a depender delas.

Mudando de assunto...
O Brasil...

Gente, sinceramente, não é uma crítica ao Governo, nem a partido político, mas vamos combinar que está difícil ter uma vida decente neste país. Tudo muito, muito difícil. Às vezes, quando penso que vejo a luz no fim do túnel, vem o trem e me atropela de novo. Preciso trabalhar o dobro para pagar as mesmas contas de sempre. Parece que o dinheiro desvaloriza. Para todo o bom brasileiro classe média despencando na velocidade da luz... deixo esse e-mail que recebi de uma amiga:

KIT DO BRASILEIRO
Vai transar?
O governo dá camisinha.
Já transou?
O governo dá a pílula do dia seguinte.
Teve filho?
O governo dá o Bolsa Família.
Tá desempregado?
O governo dá Bolsa Desemprego.
Vai prestar vestibular?
O governo dá o Bolsa Cota.
Não tem terra?
O governo dá o Bolsa Invasão e ainda te aposenta.
Mas experimenta estudar e andar na linha pra ver o que é que te acontece!!!!

sábado, 20 de junho de 2009

Bela Inteligência


Beleza encanta e até conquista, mas não garante ter a quem se ama.
Beleza atrai gentilezas, elogios e cantadas, mas também inveja e algumas pedradas.
Beleza não deixa de ser uma benção, um presente da natureza, porém, se mal usada, traz arrependimento e tristezas.
Beleza não é privilegio das burras e ignorantes. Pelo contrário! As inteligentes é que, mesmo que exuberantes, fazem da sua beleza quase irrelevante.
Beleza faz bem aos olhos, ao toque, ao cheiro e se conseguirmos, diante dela escutarmos um órgão saltitante no peito descobriremos que ela também faz bem à audição.
Beleza é desejada, e não tiro a razão de quem a deseja. Beleza é exposta com orgulho e concordo totalmente com a alegria de quem a tem. Mas inteligência e sabedoria não deixam de ter vital importância. Pois, como diria o sábio Oscar Wilde, beleza significa simplesmente beleza e qualquer tentativa de associação a isto, significa simplesmente ignorância.

quinta-feira, 18 de junho de 2009


Tua Caminhada


Tua caminhada ainda não terminou....
A realidade te acolhe
dizendo que pela frente
o horizonte da vida necessita
de tuas palavras
e do teu silêncio.

Se amanhã sentires saudades,
lembra-te da fantasia e
sonha com tua próxima vitória.
Vitória que todas as armas do mundo
jamais conseguirão obter,
porque é uma vitória que surge da paz
e não do ressentimento.

É certo que irás encontrar situações
tempestuosas novamente,
mas haverá de ver sempre
o lado bom da chuva que cai
e não a faceta do raio que destrói.

Tu és jovem.
Atender a quem te chama é belo,
lutar por quem te rejeita
é quase chegar a perfeição.
A juventude precisa de sonhos
e se nutrir de lembranças,
assim como o leito dos rios
precisa da água que rola
e o coração necessita de afeto.

Não faças do amanhã
o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo
que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás...
mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te.

- Charles Chaplin -

"Quanto mais talentosa a mulher, mais indócil ela é." [ William Shakespeare ]


Admito que a mulher atual é difícil de aguentar. Somos a antítese da Sandy. Somos as anti-heroínas, o avesso do avesso.

Ah queridos... Sandys não existem. Até a própria Sandy quer se livrar do estereótipo de perfeitinha, purinha, virgenzinha e boazinha. Simplesmente porque é praticamente impossível ser assim.

Duvide de quem dá pinta. Conheço uma Sandy que é humilde, simples, família, pura, só quer o “bem” não importa a quem, é ingênua, saiu da pobreza, só falta dizer que é Nossa Senhora Aparecida... O carro dela foi presente de um senhor casado, o ex-namorado é um pai de família que largou tudo pra bancar a baranga, e por aí vai....

O mundo é dos espertos garota! Mas não venha dar uma de Sandy! Quem se esconde no armário geralmente é aquele que aponta o dedo para julgar os outros...

Não tenho nada de Sandy. Não quero casar de branco, nem quero que ergam um altar quando eu bater as botas.

Queridos, sou mal humorada, dificilmente romântica, às vezes sou encapetada, sou do tipo faça o que digo e não o que faço, tenho TPM, depressão, crise de choro, ódio momentâneo da humanidade, fuço no celular alheio, sou meio destemperada, às vezes ciumenta, às vezes possessiva e às vezes não dou bola pra nada.

Tenho preguiça de depilar a perna no inverno, em casa pareço a Amélia, não sei cozinhar, minha cara sem maquiagem parece a de alguém que fugiu da guerra.

Tenho cabelinho ruim, faço chapinha mesmo, começo a perceber em minha cara pequenos pés de galinha... às vezes fico no meu canto quietinha e às vezes, às vezes eu perco a linha.

Não sou santa nem prostituta. Não me vendo barato, aliás não tem preço que pague o meu apreço.

Parei de querer agradar a todos, bancar a inocente culpada. Fingir gente, não tá com nada...

Não atire pedra que meu telhado é de vidro. Sei que o mundo é maior que meu umbigo... Queridas e queridos, financeiramente, estou sempre a perigo...

Sou assim. Normal e imperfeita. Sem glamour, sem etiqueta. Vou fazendo o meu caminho, vou escrevendo a minha história, baseada na imperfeição, na premissa que é errando que se aprende. Isso se chama ser “gente”.

E eu sei que é isso que você também é.

Joana Prado deixou de ser a Feiticeira. Tiazinha agora é Suzana Alves. Sandy não é mais virgem. E Papai Noel não existe.

Somos interessantes. Somos uma caixinha de surpresas. Somos mulheres. E fazemos parte da vida real!

Mas... “Eu amo de verdade aqueles pra quem eu digo isso, e me irrito de forma inexplicável quando não botam fé nas minhas palavras. Nem sempre coloco em prática aquilo que eu julgo certo. São poucas as pessoas pra quem eu me explico...Sigo meu coração. Aprendi a selecionar meus diamantes... Pedaços de vidro não me enganam mais!” ( Bob Marlery)
E você? É de verdade?

quarta-feira, 17 de junho de 2009


A eterna presença, da vida que foi... na vida que vai.


A presença mais sentida é da pessoa que não está.

Não está de corpo. Não está do lado. Não está por perto.

Está dentro.

O abraço mais esperado. E o único que não veio.

O amor que não foi feito rotina.

Que não foi feito destino.

Que foi rompido.

Roto.

Rasgado.

Cortado.

Vencido.

O amor não vivido até a exaustão dos sentidos.


Mas também o amor invencível, invunerável e inalcançável.

Ninguém percebe a presença daquele que está só na lembrança.

Mas ela toma todos os espaços.

É o que está invisível na foto da praia. Do Natal. Do Ano Novo.

É o suspiro antes de dormir. O olhar perdido impenetrável ao longe.

E o espaço eternamente ocupado naquele lugar do coração, onde ninguém mais tem licença para entrar.

É o segredo guardado no armário.


É o desejo, proibido. Pecado.

A doce ilusão, fantasia.

O sonho inatingível... e por isso, pra sempre sonhado.


Eu sou. Eu estou. Eu fui. Eu serei.

Sempre, sempre, sempre... o amor despedaçado.

O amor perdido, esquecido... e pra sempre... LEMBRADO.

sexta-feira, 12 de junho de 2009


Um dia cinza, apesar do sol.

O último domingo em Guaporé foi pesado e cinza, apesar do sol. Mais um daqueles dias de comoção geral, dor e pesar. Quem passasse, a qualquer hora do dia pela Sílvio Sanson, na altura do Las Carreras iria presenciar um mar de pessoas tentando achar explicação para mais um desses acidentes que chocam e deixam todos anestesiados.

Mas para uma família em especial, o domingo foi a data de uma tragédia que mudou uma história de vida. Um domingo que roubou todos os sonhos de uma menina de 18 anos e seus familiares.

Pensei em não falar sobre isso, porque em um momento de dor lancinante, o que dizer? Que vai passar? Que é preciso ter força? Coragem?

Mas por outro lado, não é justo calar. Principalmente se nossas palavras podem ter o poder de apaziguar a dor de alguém, ou proteger alguém de viver uma experiência como essa.

Quando fui à Capela Mortuária, vi tantos amigos meus, tantos leitores deste espaço e tantos jovens com uma expressão de dor, que me senti na obrigação de tocar nessa ferida.

Perdemos uma jovem de 18 anos. Eu particularmente conheço seu pai, o Roque, e sempre que lembro dele, penso em uma pessoa que dá um exemplo de alegria de viver, de bom humor, de sorriso aberto, trabalho e de amor à família.

Impossível imaginar a dor deste homem ao acordar na madrugada de domingo sem uma flor do seu jardim. A dor da mãe dessa menina. Da irmã.

Impossível pensar na Luanda sem a alegria e a vida da juventude. O rosto dela é uma porcelana pintada com um pincel delicado, traço por traço, pela mão habilidosa de um artista. Linda. Alegre. Com tanto para viver.

Mais uma vítima do trânsito.

Quantos pais devem ter abraçado seus filhos e pedido a Deus que os protegesse nas noites guaporenses. Quantos pais que dividiram a mesma dor, relembraram e sentiram a perda de seus filhos em tantos outros acidentes que já vivenciamos.

Quantos jovens ainda vão morrer vítimas dessas máquinas velozes criadas para nos servir, e não para nos levar à morte?

Na rádio às vezes acho que é bobagem continuarmos a repetir as mesmas campanhas contra o álcool, contra as drogas, contra a velocidade, sobre usar cinto de segurança, respeitar limites... penso que todos já sabemos isso de cor e salteado. Mas de que adianta sabermos as regras, se continuamos a quebra-las? ( E todos nós vivemos quebrando regras.)

Não estou falando das causas do acidente que vitimou a Luanda e que deixou marcas eternas no condutor do veículo. Não há intenção em tragédias como essas. Mas há como tentar evita-las.

Os jovens tem uma ânsia quase que incontrolável de quebrar regras, romper limites, ir além, descobrir o desconhecido, tocar no infinito. Alguns fazem pontes para atingir seus objetivos: pode ser a música, pode ser um esporte radical, pode ser a vontade de pegar a mochila e desbravar o mundo. Mas também pode ser o acelerador de um carro, a curiosidade de experimentar uma droga poderosa, ou a surdez e a cegueira para conselhos e bons exemplos.

Alguns, que sempre foram bons filhos, bons namorados, bons cidadãos, em um descuido, acabam pegando um caminho sem volta.

Acidentes acontecem. Tragédias infelizmente marcam nossas vidas e as vidas de quem amamos. Mas se pudermos evita-las, façamos o possível.

Pensemos em nossos pais, em quem nos ama, naqueles a quem amamos. Pensemos neles sempre que estivermos a ponto de aceitar um barato qualquer, que pode nos custar caro demais. Pensemos neles toda a vez que pisarmos em um acelerador. Para quem busca velocidade, o tempo de um segundo pode ser curto demais para evitar um acidente, e longo demais para ver passar por ele uma vida toda.

A vida é tão rara. Tão preciosa. Tão frágil.

Não há que se medir sofrimento, se julgar, se buscar respostas que não são possíveis.

Há que se solidarizar. Há que se sensibilizar.

Nossa comunidade toda chorou com a família da Luanda. Todos sentimos muito, sentimos fundo. Todos gostaríamos de que o tempo pudesse voltar. E que pudéssemos evitar a tragédia.

Mas por ela, gostaríamos de ver a família poder um dia deixar de pensar em tudo que poderia ter sido vivido, e agradecer por tudo que se viveu.

Luanda foi uma luz. Um tipo de luz que aquece. Que não deixa de brilhar onde quer que esteja.

Que ela possa estar olhando por todos que a amam e aquecendo os corações de todos, todos que foram atingidos por este acidente tão triste e que marcará mais um capítulo da história da juventude de Guaporé.

Meu respeito, minha dor, e meu abraço apertado a toda a família.


Na sociedade Guaporense...

Vai ter Baile de Debutantes! Gente, será que vão voltar à moda os glamurosos bailes de debutantes? Aqui em Guaporé o evento vai acontecer em outubro, no Clube, e as meninas já estão se preparando! Poderíamos inovar e fazer um Electro Funk Baile de Debut! Que tal garotas? Ao invés de dançar a valsa com o papito, vocês vão ter que fazer ele descer até o chão ao som do pancadão! Parabéns pela iniciativa! Claro que vou conferir! Só não vou debutar porque ainda não fiz 15...

Are baba!!!! Tik tik... os amigos estão preocupados com o Edi… parece que depois do acidente, apagaram-se as lamparinas do juízo do nosso amigo. Em um desses encontros de amigos no Sítio do Melatti, do nada, depois da churrascada, o dedicado Edi pediu para lavar a louça... (inacreditável!!!!!!!!!!!!)
Será que é o que estamos pensando? Será que o fim dos tempos está mesmo chegando? Atchá!

Dia dos Namorados... Já que o amor está no ar... Mando um beijo a todos os namorados, casados, apaixonados, amantes, amigos coloridos e afins! Consideramos justa TODA FORMA DE AMOR!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Faz de conta bebê...


Confesso... às vezes é bom "Fazer de conta"


Faz de Conta...


Não respondo teus e-mails, e quando respondo sou ríspido, distante, mantenho-me alheio: FAZ DE CONTA QUE EU TE ODEIO.


Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.


Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.


Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.


Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto: FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.


Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.


Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.


Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.


Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy: FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI.


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Eu amo a Martha. Amo!


Sentir-se amado

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

Martha Medeiros

quarta-feira, 3 de junho de 2009


“Ainda sou a mesma...
A mesma que dançou na grama daquele entardecer de verão, coração aberto, pés no chão... A mesma que se deixou levar na noite mágica e inesquecível, jamais superada por nenhuma outra noite, com nenhuma outra companhia... na nossa primeira vez. A mesma que brindou um novo ano, antes da véspera do ano... na surpresa única de uma declaração de amor. mesma que sentiu o coração parar e a respiração falhar quando ouviu pela primeira vez as palavras mágicas. E que ainda morre, pra reviver, a cada vez que as ouve de novo. A mesma de todas as loucuras só possíveis pra quem vive uma paixão. A mesma que se perde no silêncio das palavras não ditas. No olhar de quem precisa partir, mas não quer dizer adeus. A mesma tão sua. De você tão meu. Tão infinitamente meu... Se ainda sou a mesma, e se você não mudou... O que foi, o que foi meu Deus, que nos aconteceu?”