Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Eu sinto muito... será que sente?


Oi geeeente!!! Ando noveleira que dá gosto! Fiquei impressionada com as cenas da novela de Manoel Carlos envolvendo a Luciana, a Helena e a Tereza. Diante de uma tragédia, de um acidente, de uma perda... até que ponto você consegue sentir e apaziguar a dor do outro?

Quantas vezes você foi a um velório de alguém conhecido e abraçou os familiares dizendo:

Eu sinto muito....

Será que sente mesmo?

Eu, neste ano, passei batido o dia de finados, sem ir ao cemitério. Vi minha mãe preparando flores e organizando a visita aos pais dela já falecidos... Aí lembrei que outro dia, fui a um velório de uma pessoa importante para um amigo meu. Abracei meu amigo com força. Disse que sentia muito.

Mas logo depois fui tomar um sorvete...

Na manifestação pela paz no trânsito, promovida pelo Leo Clube, a professora Luli Marca, que perdeu o filho Marcelo em um acidente, disse uma coisa que mexeu comigo: - “Não adianta eu falar da minha dor. Só quem sofreu a mesma perda que eu, poderia entender”.

É verdade. Até imaginamos a dor dos outros. Mas só conseguimos sentir nossas próprias dores. E ninguém pode nos anestesiar delas.

Você já reparou que até nos comovemos, nos solidarizamos com a dor dos outros, mas e quanto a sofrer com elas? Quanto a perder noites de sono, quanto a deixar de fazer coisas que gostamos, ou que precisamos fazer no trabalho, para efetivamente fazer algo para ajudar alguém que está sofrendo... será que fazemos isso?

Eu não faço.

Sou algum tipo de monstro? Não, claro que não.

Sou da turma quase unânime que se solidariza, se comove, mas realmente não consegue viver a dor do outro. Poucos são aqueles que realmente se sacrificam por quem não conhecem. Que fazem algo efetivo para ajudar a curar as feridas do próximo.

Sentimos uma comoção superficial, e logo depois vamos cuidar de nossas vidas, de nossos umbigos.

Nossas relações se tornam rasas, sem profundidade. Possuímos mil amigos para o riso, nenhum para as lágrimas.

Uma multidão está conosco quando oferecemos alguma vantagem. Somos tão miseravelmente sós quando estamos em dificuldades sérias.

Os homens e as mulheres se envolvem uns com os outros sem realmente se importarem com o nível de sentimento que estão despertando. Por isso há tantas pessoas sofrendo sozinhas, por amor. Tendo que lamber suas próprias feridas, porque os relacionamentos se tornaram tão descartáveis, que ficou fora de moda esperar por alguém, acreditar em alguém, amar profundamente alguém.

É por isso que pregamos a amizade, a solidariedade, o companheirismo, e estamos cada vez mais isolados e sós. Porque é tudo da boca pra fora...

Pense com o coração: quem você ama de verdade? Por quem você deixaria de lado sua vida, para estar vivendo os dias mais escuros, pesados e difíceis da vida de outra pessoa?

Na doença, na dor, contamos com nossos filhos, nossos pais... As vezes nem com esses.

Grandes herois, gênios, pensadores e artistas se mantêm vivos para sempre devido a seus legados históricos.

Mas nós, meros mortais? Quem, em nosso círculo próximo, vai nos manter vivos na memória quando formos embora?

Quem irá separar nossas flores no dia de finados? Quem chorará sozinho e calado nossa ausência alguns anos depois?

A Martha Medeiros foi feliz em fazer uma crônica sobre a criatura que nos manterá vivos depois de nossa morte. Aquela pessoa que vai lembrar de você em todas datas marcantes, em todos os vazios que sua ausência deixará.

Mas eu estou preocupada com a criatura que nos manterá vivos enquanto estivermos vivos. Aquela que vai nos tirar do buraco da fossa, do fracasso, da doença, da invalidez, da loucura e da dor. Aquela mão que nos puxa para fora da escuridão.

Vamos começar escolhendo pelo menos uma pessoa a quem amar de verdade e profundamente. Vamos nos preocupar e sentir a dor do outro de verdade. De verdade. Vamos fazer a diferença na vida de alguém, e pelo menos para esse alguém, seremos fundamentais. Só assim, alguém, algum dia, sentirá que vale a pena sofrer por nós, ou conosco.


“ Dissestes que se tua voz...tivesse força igual... À imensa dor que sentes...Teu grito acordaria, não só a tua casa, mas a vizinhança inteira...” Renato Russo

Mudando de assunto...


Gente, recebi uma carta, de uma mãe loira, preocupada com seu filho. Eu, como estou mais solidária depois da minha crônica, resolvi publicar....
Meu querido filho Frederico...
“ Escrevo estas poucas linhas que é para saber que estou viva. Escrevo devagar porque sei que não gosta de ler depressa. Se receber esta carta, é porque chegou. Se ela não chegar, avisa-me que eu mando outra.
O teu pai leu no jornal que a maioria dos acidentes ocorre a 1 km de casa. Por isso, mudamo-nos pra mais longe.
Sobre o casaco que queria, o teu tio disse que seria muito caro mandar pelo correio por causa dos botões de ferro que pesam muito. Assim, arranquei os botões e coloquei-os no bolso. Quando chegar aí, pregue-os de novo.
No outro dia, houve uma explosão no botijão de gás aqui na cozinha. Teu pai e eu fomos atirados pelo ar e caímos fora de casa. Que emoção! Foi a primeira vez em muitos anos que o teu pai e eu saímos juntos.
Sobre o nosso cão, o Rexlino, anteontem foi atropelado e tiveram que lhe cortar o rabo, por isso toma cuidado quando atravessar a rua. Tua irmã Laura vai ser mãe, mas ainda não sabemos se é menino ou menina. Portanto, não sei se vai ser tio ou tia.
Hoje, teu irmão Valclinton me deu muito trabalho. Fechou o carro e deixou as chaves lá dentro. Tive de ir em casa, pegar a reserva para a abrir. Por sorte, cheguei antes de começar a chuva, pois a capota estava arriada. Se vir a Dona Rosinha, diz-lhe que mando lembranças. Se não a vir, não digas nada.

Um beijo, tua mãe.
PS: Era para te mandar os 300 reais que me pediu, mas quando me lembrei já tinha fechado o envelope.”

Gente... mãe é mãe! Hahaha


Depois dessa vou indo! Até a semana que vem príncipes e princesas!

Mural de Recados:
Primeiríssimo! Beijo pra minha amiga loira que me mandou esse e-mail! É muito divertido quando conseguimos levar a vida com bom humor!
Pra todos que me escreveram me defendendo! Quando alguém me xinga, sempre saltam alguns leitores em defesa dessa “colonista”. Uipiiiii! Obrigado, depois eu pago uma rodada no Pirigoso!
A Juliane Sonza!!!! Parabéns! Foi a vencedora da promoção da Joalheira e Óptica Sebben e ganhou lentes de contato coloridas! Falando em ganhar... a Joalheria antecipou o Natal, e na compra de seus óculos de grau você ganha um relógio Mondaine!
Giovani!!! Obrigado por escrever! Também sou da turma da verdade, da justiça e do amor!
Gente, contagem regressiva para o final do ano e virada antecipada com Tamar Promoter. Uma festa que faz a Ilha de Caras passar vergonha! No Pesque e Pague Giaretta! Dia 28 de novembro!!!


Que tudoooo! A Leila Moreno vai estar em Guaporé! Chique de doer! Ela é fera, adoro assistir Altas Horas e acompanhar o talento dessa mulher! Ela fez o seriado Antônia! Lembram? Vai estar aqui na festa promovida pelos meus amigos Márcio e Dani Lanzoni! É isso aí! Fazendo acontecer em Guaporé!


Fui! Me fucem, me escrevam, me acompanhem!
Orkut: Michele Lunardi
Twitter: twitter.com/MicheLunardi
Meu Blog: michelunardi.blogspot.com

9 comentários:

  1. Nossa, qta verdade! Acredito q ninguém sabe o tamanho da dor de outra pessoa, e de mãe ainda acho q é mais difíl de se entender, compreender... Eu mesma já disse várias vezes q "ninguém sabe o q sofri" qdo tive cancer renal! Pena, dó... todo mundo tem, mas sentir na pele são outros 500!

    Bjssss

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  2. "Eu aprendi que algumas vezes tudo o que precisamos é de uma mão para segurar e um coração para nos entender."
    (William Shakespeare)

    Diz tudo!!!!

    Beijos,
    ótimo Findi!!!!

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  3. Oi, Michele! Na novela Viver a Vida o que se viu foi uma metáfora racista. A Sinhá (Tereza) agredindo a Negra (Helena), troféu do Senhor do Engenho (Marcos). Nos tempos da cana-de-açúcar, era comum sinhás punirem com as torturas mais cruéis as escravas escolhidas pelo senhor. A Negra ajoelhada, pronta para receber o castigo, dizendo-se culpada na frente da Senhora puritana, rejeitada e sexualmente fria, foi uma das cenas mais deprimentes que já vi na TV. Aliás, como outrora as sinhás, a agressora não trabalha. E a filha paraplégica é a substituição do motivo sexual.

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  4. Se a intenção do Manoel Carlos era fomentar esse tipo de revolta, ele conseguiu. Porque a tragédia da Luciana, já não nos comove tanto quanto a injustiça cometida contra a Helena. E outro ponto que me chamou atenção é o quanto às vezes somos mal interpretados quando somente queremos ajudar.

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  5. Dr Luis Fernando!Às vezes me revolto diante da Tv, e meu marido diz: - Calma... é só uma novela.
    E eu respondo... não é novela não, é a vida real.

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  6. Li em algum lugar que o Manoel Carlos está ensindando péssimos hábitos de higiene á população: uma que só chora e limpa o "ranho" com a manga da blusa (Helena) e outra que se acha gorda, finge comer e cospe tudo no guardanapo (Renata)... Daí me pergunto: é a arte imitando a vida ou a vida imitando a arte...?????

    Quanto ao ACIDENTE da Luciana, minha família vivenciou algo parecido, mas foi uma FATALIDADE.
    Já na novela, como a denominação diz: foi um ACIDENTE, e claro, muitas vezes podemos "ajudar" a evitar,conscicentemente ou não, outras vezes é pura FATALIDADE mesmo!!!

    Belo artigo esta semana, demais essa polêmica e reflexão...

    Também concordo com o comentário do Luis Fernando, mas também, como mãe, numa situação dessas não sei se conseguiria, ao menos num primeiro momento, ser imparcial... Sempre dá uma "sensação melhor" "culpar alguém" por algo, que nos machuca ou machuca alguém que amamos muito, e que na verdade a meu ver somente Deus tem o 'controle'.

    Beijos...

    (se escrevi muita bobagem, me perdoa... é que meu anti-deprê deve estar fazendo efeito!!!)

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  7. hahaha e viva o anti deprê! E viva os assuntos que rendem boas reflexões! E claro, sempre, sempre, mesmo que sem querer, procuramos alguém a quem culpar...

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  8. olá... muuuuuuuuuito legal seu blog...achei super interessante, vou te seguir... bj

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