Devaneios tolos... a me torturar.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A luz e a escuridão

Oi geeeente!


Antônio nasceu prisioneiro em uma caverna. Ele e muitos outros só conheciam aquele ambiente úmido, escuro e frio. Sentados voltados para uma fogueira, somente viam refletidas na parede de terra, sombras da realidade. Sombras em forma de pessoas, animais, árvores. O mundo que conheciam era aquele. Aquela era a realidade.

Como sempre viveu assim, Antônio jamais poderia sonhar com algo diferente daquilo. Desconhecia a palavra liberdade, sequer podia imaginar as cores do mundo lá fora.

Um dia, as amarras que prendiam Antônio ficaram soltas, e vendo que poderia se mover, começou a caminhar para o lado oposto da parede que sempre fora o seu mundo. Quando chegou à abertura da caverna, foi jogado para trás por uma luz muito forte, que praticamente cegou-o.

Perdido em meio à luz, Antônio insistiu em se mover. Caminhou. Caminhou. Caminhou.

Os olhos de Antônio acostumaram-se à luz do sol. E então, ele viu! Viu o verde das árvores e o balançar dos galhos ao sabor do vento. Viu flores multicoloridas e sentiu seu perfume. O azul do céu, o branco das nuvens. O vai e vem de pessoas e animais. Admirou-se com a imensidão sem fim diante dos seus olhos e concluiu que a vida ia muito além da escuridão da caverna.

Teve ânsia de correr, pés descalços, vento no rosto, braços abertos em liberdade. Teve ânsia de provar da água corrente do riacho e do sabor dos frutos da macieira. Teve ânsia de conhecer pessoas, brincar com os bichos e rolar na relva verde.

Mas pensou em todos os seus amigos que ficaram para trás. Quanta injustiça deixá-los lá, sem desfrutar de todas as maravilhas que ele agora conhecia.

Precisava dividir com os seus as descobertas. Precisava falar das cores, dos sons, do movimento e dos sabores que existiam além da escuridão.

Correu para a caverna e passou a desamarrar um a um, seus companheiros. Não havia vigias na caverna, porque acostumados desde sempre àquela realidade, nunca antes alguém tivera curiosidade de ver o que havia fora dela.

Então, sem dificuldades, Antônio levou os seus até a entrada daquele buraco no meio da terra. Quando expostos à luz, os companheiros de Antônio, apavorados, voltaram correndo e gritando para o interior da caverna.

Sentaram-se em seus respectivos lugares, e voltaram a viver a única vida, que para eles, existia.

Antônio, insistentemente contava das maravilhas que existiam lá fora, puxava pelo braço os homens, as mulheres e as crianças.

Gritava para que saíssem. Diziam que eram tolos e medrosos. Não desistia da tarefa de expandir os horizontes dos seus.

Foi tomado por louco. Amarrado. Torturado. Morto.

Ninguém mais, além de Antônio, ousou deixar a escuridão da caverna.

Lá viveram para sempre, os escravos da escuridão. Felizes com sua realidade. Satisfeitos com a situação.

O conhecimento assusta. O novo amedronta. E o diferente dificilmente é compreendido.

A pergunta que fica, para todos nós, que estamos acompanhando esse texto é: em que mundo vivemos?

Será que estamos dentro ou fora da caverna?

Beijos, meus queridos.

PS: Talvez vocês conheçam a Alegoria da Caverna, de Platão. Às vezes, achamos que estamos fora da caverna, mas não estamos. E se estivermos, precisamos respeitar aqueles que estão na caverna. Porque, para eles, a vida é somente aquilo que conseguem ver. Portanto, antes de brigarmos por posicionamentos políticos pós-eleição, vamos refletir um pouco sobre a realidade de cada um. E vamos começar a mudança que desejamos, a partir de nós mesmos.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Deus sou eu

Oi geeente!

Cada vez mais eu acredito na divindade do homem. Se Deus existe, está em nós, disso não tenho dúvida.

Depois da maternidade com certeza me tornei um ser humano melhor. Mais sensível e mais solidário. A dor do outro passou a doer em mim também, e toda a noite, quando peço pela saúde da Olívia, lembro de todas as crianças que sofrem com doenças terríveis, com sofrimentos, com todos os tipos de privações. Por vezes penso que “se Deus existisse de verdade, nenhuma criança sofreria”. Mas aí cai a minha ficha: Deus somos nós.

O que fazemos com nossa divindade?

Trabalhamos nossa inteligência pela evolução da medicina, para salvar vidas consideradas perdidas, para fazer brotar água do deserto, para fazer germinar a semente na terra seca?

Ou a usamos para dominarmos uns aos outros, destruirmos o planeta em nome do desenvolvimento desenfreado, mutilarmos em nome de Deus, corrompermos em nome do poder e matarmos em nome da paz?

Há um Deus em cada missionário na África, em cada médico sem fronteira, em cada voluntário na epidemia do ebola, em cada doação em campanhas beneficentes, em cada ação em prol dos animais, dos pobres, dos fracos, das crianças. Em cada mão estendida há Deus. Em cada olho que não ignora o sofrimento do irmão, há Deus.

Há um Deus que leva alegria às crianças com câncer, há um Deus no cientista que descobre a cura para uma doença, há um Deus no doador de órgãos que morre, mas salva uma vida.

Há um Deus na solidariedade, no amor, no amparo, no carinho.

Há Deus na mente brilhante de Mandela, Ghandi, Jesus Cristo, Einstein.

Há Deus na obra de Da Vinci, Picasso, Michelangelo.

Há Deus na música de Beethoven e nas palavras de Shakespeare.

Assim como havia Deus em Hitler, em Bin Laden, em Genghis Khan.

Havia Deus nas mentes brilhantes que criaram a bomba atômica.

A genialidade divina estava lá.

O homem é que usou seu poder de “Deus”, para os piores fins possíveis. Para os grandes massacres da história. Para atrocidades injustificáveis.

Dê o poder de Deus ao homem e observe.

A todos nós foi dada a genialidade, a capacidade e a divindade.

Há os que usam esse grande poder para espalhar a energia do amor, da transformação, da evolução.

Há os que usam este grande poder para endeusarem-se e julgarem-se superiores aos demais.

Não precisamos ir longe. Basta olharmos ao nosso redor.

Observe a humildade dos que detém o poder. Os humildes trabalham para os outros. Os orgulhosos para si.

Comece observando o comportamento do seu líder, do seu Prefeito, do seu Vereador, do seu chefe, do seu pai. Passe para seu Governador, seu Presidente, seu líder religioso. Observe pequenos e grandes “Deuses”. Observe seu amigo, seu colega, seu vizinho. Observe se a grama verde cresce ao redor deles, ou se tudo o que chegar perto, morre em sua sombra. O poder é canalizado de acordo com a índole e com o caráter de cada ser. Não duvide jamais da força do bem. Mas não desdenhe da força do mal.

E jamais esqueça: o poder de Deus está dentro da gente. Cabe a cada um escolher se esse poder será usado para a luz ou para as trevas.

O céu e o inferno somos nós.

Namastê, (o Deus que vive em mim saúda o Deus que vive em você) meus amores!



terça-feira, 7 de outubro de 2014

Navegar é preciso...

Por uma vida sem tédio: Navegar é preciso, mas o mar depende da imaginação de cada um.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A vida é um círculo...

Oi geeente!

Me peça para definir a vida em uma única letra e te darei um “o” maiúsculo. Você nasce frágil, pequeno e dependente de tudo. É necessário que te alimentem, te embalem, te protejam do frio, velem teu sono, contenham tuas lágrimas e te provoquem o riso. É necessário que te deem segurança, afeto e amor incondicional.

Cuidar de um ser humano quando ele chega ao mundo, despido de tudo, necessitado de tudo, frágil em tudo, não é fácil. Minha pequena Olívia, de nove meses, exige paciência além da paciência, dedicação além da dedicação e amor, além do amor.

Não raro, nas madrugas, ela se põe a chorar pedindo colo e calor. Não é tarefa fácil acalmar o choro do bebê, tampouco é fácil dar toda a atenção necessária, que parece nunca ser suficiente. Você alimenta o bebê, dá banho no bebê, faz o bebê dormir, troca o bebê, brinca com o bebê, alimenta o bebê... e o ciclo é ininterrupto e rotineiro por centenas de dias, até que se torne independente.

Às vezes olho a Olívia dormindo e penso que, se não fosse pelo meu amor, zelo e sentimento de responsabilidade, ela não sobreviveria. Depende de mim pra tudo. Se deixada sozinha em casa, morreria de fome, frio, abandono.

Assim começa nossa jornada na Terra. Não sobreviveríamos sem amor.

Caminhamos em linha reta por anos a fio, sem nunca poder voltar atrás. E assim prosperamos. Fortalecemos asas. Alçamos voos. Conquistamos a independência.

Por muitas vezes, “emburrecemos”. Tolos que somos, julgamos ser possível viver sem o amor, sem o próximo, sem a ajuda de alguém. Nos julgamos capazes de vivermos sós.

Desconsideramos o cuidado. O verbo cuidar. Cuidar de nós, cuidar do outro, cuidar dos bichos, das gentes, das águas, do ar. Descuidamos do nosso mundo, por acharmos, que somos nós, nosso próprio mundo.

Ao longo desta linha reta, sem retornos, chamada vida, vamos caminhando, tropeçando, caindo, levantando. Seguimos lentos, seguimos rápidos, seguimos em passo de valsa, seguimos cantando, seguimos chorando. Acumulamos perdas, ganhos, experiências e aprendizados.

Embora alguns insistam em acumular bens materiais, os mais espertos acumulam pessoas.

Porque, mesmo que você não perceba a sutil mudança, a linha reta se transforma em curva, e reencontra o ponto de partida.

O círculo natural. Se não tivermos nossa trajetória interrompida por doenças ou tragédias, chegaremos lá. Com sorte, ficaremos velhos.

Veremos nossos filhos terem seus filhos. E os filhos deles, filhos. Amaremos nossos netos, e com muita, muita sorte, pegaremos no colo nossos bisnetos. E chegaremos, ao final, ao ponto de partida.

A dependência pelo amor. A visão já não é a mesma. A coordenação motora talvez nos pregue peças. A memória poderá deixar vácuos. A pele não terá o mesmo viço. E a força, quem sabe, nos abandone.

Talvez, precisaremos de alguém que nos coloque pra dormir. Nos ajude no banho. Prepare nossa comida com carinho. E nos dê colo novamente.

Precisaremos, na hora definitiva, de alguém que segure nossa mão, nos conduzindo ao outro lado. Da mesma forma que estendemos nossos braços para receber quem chega a este mundo tão lindo e louco.

Que minha filha possa ter sabedoria, paciência e amor suficientes para fazer por mim, o que hoje, com tanta alegria e dedicação faço por ela.

Não é uma conta a ser cobrada. É um círculo de amor que se fecha. É a roda que faz girar o mundo.

É a vida, em sua plenitude, correndo solta feito um rio. Vencendo curvas, obstáculos, rochas, profundidades, correntezas e calmarias, para novamente encontrar o mar.

Felizes os que hoje amam, e amanhã são amados. E que não estarão sozinhos, jamais!

Que assim seja. Amém.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

E Deus nos deu a língua...

Oi geeente!

Como diz meu filósofo favorito, Homer Simpson: “Eu não minto, apenas faço ficção com a boca”.

Duvido que você nunca tenha se deparado com um mentiroso de carteirinha, sócio remido do Clube da Maledicência, presidente do time Aumentando as Histórias, e fundador da Associação Apimentando a Fofoca. Gente maledicente existe em toda a parte. Mas conviver com pessoas assim realmente é muito difícil.

É o tipo que sempre tem uma opinião negativa sobre todas as coisas. Sempre tem uma história cabeluda sobre todas as pessoas. E nunca, nunquinha, um elogio sincero a alguma coisa ou a alguém.

Fazer ficção com a boca, como diz o Homer, é muito comum e pode ser muito perigoso. As histórias começam a ganhar força, e cada colaborador da novela escreve mais um capítulo, com requintes de crueldade.

Quem alimenta essa indústria da fofoca, geralmente é aquela pessoa sem conteúdo, sem vida própria e sem assunto. Não tem nada mais útil para fazer do que cuidar do alheio.

É aquela pessoa que puxa papo sobre terceiros enquanto você faz a unha, corta o cabelo, levanta peso na academia, aguarda na fila do supermercado, toma o cafezinho no banco, ou folheia o jornal no café.

É aquela pessoa que senta na roda de amigos sem ser convidado e para chamar atenção para si, fala da vida do outro.

No fundo, são carentes de atenção, de afeto, de amizades verdadeiras, amores ardentes e de histórias interessantes sobre si mesmos. Livros em branco que não sabem escrever autobiografias. Pessoas com quintais de barro, a observar o vizinho aparar a grama e regar o jardim.

Se valem da mesquinhez do ser humano e da pequenez de suas almas para alfinetarem tudo e todos ao seu redor.

Adoro assistir novelas, confesso. Sei que ultimamente elas expõem o pior do ser humano, e ensinam tudo o que não deveríamos fazer na vida real.

Particularmente acompanho a história do blogueiro de fofocas, Téo Pereira, que acabou com a vida de “Claudete Bolgari”, ao espalhar para toda a sociedade a vida dupla do promotor de festas. Abriu o armário expondo a sexualidade do rival, com o intuito de fazer seu blog ganhar muitos cliques.

Assim como Téo Pereira, muitos blogueiros sem blog, querem aplacar sua carência afetiva expondo a vida íntima dos demais. Espalham um rastro de destruição, atingindo tanto os inocentes quanto culpados. Atiram no que veem e acertam no que não veem.

Quanto a eles, difícil transformá-los em pessoas melhores. Mas e quanto à nós? Quem somos nós?

Terrenos férteis para que a semente da maldade crie raízes? Somos receptores deste tipo de informação, que não acrescenta nada à nossa vida?

Somos movidos pela curiosidade mórbida de descobrir os esqueletos dos armários alheios, talvez para justificar os nossos?

É sobre isso que me proponho a refletir. E mais: muitas vezes, na ânsia de conter o incêndio de uma maledicência, o envolvido assopra, tentando apagar o fogo. E isso só serve como combustível para colocar mais lenha na fogueira.

A melhor forma de neutralizar pessoas assim é cortando o mal pela raiz. Afaste-se sempre que possível, e o mais importante: não reproduza a informação.

Um bom fofoqueiro só alcança o sucesso se tiver bons ouvintes para repercutir suas injúrias e difamações.

Tenho certeza que você aí tem mais o que fazer da vida, do que falar dos outros.

Ou não?

Beijos, meus amores!



Mural de Recados

Essa coluna é a sugestão de pauta que me foi enviada por uma leitora. Indignada por ter sido alvo de fofocas, afirma que é difícil viver em Guaporé. Na verdade, a fofoca está nas pessoas, não nas cidades. E tudo que um fofoqueiro mais gosta é atingir em cheio seu alvo. Portanto, não dê esse gostinho. A vida segue, e amanhã as más línguas encontram outro alvo. Fofoca velha não rende mais como notícia.