Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A vida é um círculo...

Oi geeente!

Me peça para definir a vida em uma única letra e te darei um “o” maiúsculo. Você nasce frágil, pequeno e dependente de tudo. É necessário que te alimentem, te embalem, te protejam do frio, velem teu sono, contenham tuas lágrimas e te provoquem o riso. É necessário que te deem segurança, afeto e amor incondicional.

Cuidar de um ser humano quando ele chega ao mundo, despido de tudo, necessitado de tudo, frágil em tudo, não é fácil. Minha pequena Olívia, de nove meses, exige paciência além da paciência, dedicação além da dedicação e amor, além do amor.

Não raro, nas madrugas, ela se põe a chorar pedindo colo e calor. Não é tarefa fácil acalmar o choro do bebê, tampouco é fácil dar toda a atenção necessária, que parece nunca ser suficiente. Você alimenta o bebê, dá banho no bebê, faz o bebê dormir, troca o bebê, brinca com o bebê, alimenta o bebê... e o ciclo é ininterrupto e rotineiro por centenas de dias, até que se torne independente.

Às vezes olho a Olívia dormindo e penso que, se não fosse pelo meu amor, zelo e sentimento de responsabilidade, ela não sobreviveria. Depende de mim pra tudo. Se deixada sozinha em casa, morreria de fome, frio, abandono.

Assim começa nossa jornada na Terra. Não sobreviveríamos sem amor.

Caminhamos em linha reta por anos a fio, sem nunca poder voltar atrás. E assim prosperamos. Fortalecemos asas. Alçamos voos. Conquistamos a independência.

Por muitas vezes, “emburrecemos”. Tolos que somos, julgamos ser possível viver sem o amor, sem o próximo, sem a ajuda de alguém. Nos julgamos capazes de vivermos sós.

Desconsideramos o cuidado. O verbo cuidar. Cuidar de nós, cuidar do outro, cuidar dos bichos, das gentes, das águas, do ar. Descuidamos do nosso mundo, por acharmos, que somos nós, nosso próprio mundo.

Ao longo desta linha reta, sem retornos, chamada vida, vamos caminhando, tropeçando, caindo, levantando. Seguimos lentos, seguimos rápidos, seguimos em passo de valsa, seguimos cantando, seguimos chorando. Acumulamos perdas, ganhos, experiências e aprendizados.

Embora alguns insistam em acumular bens materiais, os mais espertos acumulam pessoas.

Porque, mesmo que você não perceba a sutil mudança, a linha reta se transforma em curva, e reencontra o ponto de partida.

O círculo natural. Se não tivermos nossa trajetória interrompida por doenças ou tragédias, chegaremos lá. Com sorte, ficaremos velhos.

Veremos nossos filhos terem seus filhos. E os filhos deles, filhos. Amaremos nossos netos, e com muita, muita sorte, pegaremos no colo nossos bisnetos. E chegaremos, ao final, ao ponto de partida.

A dependência pelo amor. A visão já não é a mesma. A coordenação motora talvez nos pregue peças. A memória poderá deixar vácuos. A pele não terá o mesmo viço. E a força, quem sabe, nos abandone.

Talvez, precisaremos de alguém que nos coloque pra dormir. Nos ajude no banho. Prepare nossa comida com carinho. E nos dê colo novamente.

Precisaremos, na hora definitiva, de alguém que segure nossa mão, nos conduzindo ao outro lado. Da mesma forma que estendemos nossos braços para receber quem chega a este mundo tão lindo e louco.

Que minha filha possa ter sabedoria, paciência e amor suficientes para fazer por mim, o que hoje, com tanta alegria e dedicação faço por ela.

Não é uma conta a ser cobrada. É um círculo de amor que se fecha. É a roda que faz girar o mundo.

É a vida, em sua plenitude, correndo solta feito um rio. Vencendo curvas, obstáculos, rochas, profundidades, correntezas e calmarias, para novamente encontrar o mar.

Felizes os que hoje amam, e amanhã são amados. E que não estarão sozinhos, jamais!

Que assim seja. Amém.

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