Oi geeente!
Há uma tribo africana que tem um costume muito bonito. Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo a rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez. A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom, desejando segurança, amor, paz, felicidade. Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros. A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro. Eles se unem, então, para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele perceba totalmente a verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente: “Eu sou bom”.
(Eduardo Galeano- Livro dos Abraços)
Lendo esse texto, me dei conta de quantas pessoas passaram por mim, gritando por socorro. E justamente quando elas precisavam reencontrar a si mesmas, eu virei as costas.
A maior parte de nós faz isso. Mesmo sem querer.
Nos afastamos das pessoas “difíceis”. Das pessoas “complicadas”. Das pessoas “erradas”.
A cada afastamento, jogamos mais uma pá de terra, no buraco onde essa pessoa se enterrou.
Acompanhamos aqueles que trabalham com presidiários, dependentes químicos, depressivos, e admiramos neles a coragem e a bondade que por vezes, nós, tão certinhos, não possuímos.
É muito fácil lidar com gente feliz, de bem com a vida, sem grandes crises existenciais.
Pessoas com problemas reais trazem à tona nossos próprios problemas, que tentamos esconder num cantinho do coração. E para fugir de nós mesmos, fugimos do outro, sem oferecer a mão.
É mais fácil afastar, isolar ou ignorar a pessoa que se tornou um “problema”.
Poucos são aqueles que acreditam, até o fim, na recuperação de alguém que se perdeu pelo caminho.
Fazemos parte da sociedade perfeita, onde os que não seguem as regras ficam à margem.
Condenamos os que erram, caem, são fracos. Para não lembrar que nós também erramos, caímos e fraquejamos.
Geralmente os mais lindos exemplos vêm de povos “não civilizados”, que conseguem manter a essência básica do amor, que é a solidariedade, a compaixão.
No mundo animal, muitas e muitas vezes encontramos mais humanidade que em nossos semelhantes.
Não somos uma sociedade que acolhe. Somos uma sociedade que julga.
Julgamos, com medo de sermos julgados.
Muitas vezes viramos as costas para quem realmente precisa de nossa ajuda, e ajudamos quem nos vira as costas.
Ingratidão, soberba, individualismo. Isso temos de sobra.
O resto, que é essencial, é o que mais nos falta.
“As pessoas boas merecem nosso amor, as pessoas ruins precisam dele”
(Madre Tereza)









