Oi
geeeente!
Outro
dia, em Porto Alegre, me chamaram para participar de uma pesquisa
sobre comportamento. As mesas, uma do lado da outra, apontavam as faixas
etárias a serem abordadas. Eu (humildemente) me encaminhava para aquela que
correspondia à faixa das balzaquianas, quando o mocinho que organizava, me corrigiu
gentilmente: - A mesa dos 20 anos é aquela ali do lado. Aqui, dos 30 aos 40,
abordamos mais questões sobre organização familiar, maternidade. Na outra
queremos saber sobre comportamento e gostos da juventude.
Eu,
que a cada manhã me aproximo mais dos 34 anos, saí saltitante até
a mesinha dos 20, a bordo da minha bermuda jeans, da minha meia calça, minhas
botinas, minha camisa xadrez, respondendo perguntas sobre gosto musical,
carreira, viagens, etc. Geralmente as pessoas acham que não cruzei a fronteira
dos 30. E, sinceramente, não cruzei mesmo.
A verdade é que (graças a Deus), ninguém mais envelhece.
Nas viagens que faço, vejo senhoras de 80 anos borboleteando como se tivessem
15. Elas são alegres, vestem-se bem, adoram se cuidar, têm papos interessantes,
e têm uma gana de viver, maior do que muita menininha por aí.
Já
não existem mais avós como antigamente. Hoje, o auge da beleza de
uma mulher acontece lá pelos 40 anos, simplesmente porque ela descobre-se
segura de si, percebe o poder que tem, e não se permite envelhecer. Pelo menos
não mentalmente.
Não
estou dizendo que precisamos consultar a Cirurgiã Plástica Medusa,
e pedir: - Por favor, petrifique meu rosto, para que eu não tenha pés de
galinha!
Não
é isso. Estou falando de manter-se jovem no visual e nas ideias.
Continuar produtiva no mercado de trabalho, uma menina no brilho do olhar, e
uma mulher linda, poderosa e sedutora, aos 60, 70, 80.
Vestir-se
para ficar bela, manter o cabelo sedoso e saudável, investir
em pequenos procedimentos pouco invasivos para manter o viço da pele, praticar
exercícios físicos, manter o círculo de amigas, e sonhar. Sonhar sempre! Eis o
segredo para perder 10 anos num piscar de olhos!
Há
50 anos, uma mulher de 40 já assumia a postura de senhora,
deixava o cabelo branquear, fazia um coque, vestia seus óculos de lentes
grossas, e passava suas horas de lazer cozinhando guloseimas para o neto, e
tricotando meias de lã para o marido. A “vó” de antigamente, colocava a chapa
pra descansar no copo de água, enquanto acendia a vela para Nossa Senhora, e
rezava o terço.
Vovozinhas
assim são artigos em extinção. Frutos de outra cultura, de
outro modo de viver. Muitas vezes, foram mulheres podadas, impedidas de ter
voz, em famílias enormes, que as viam apenas como cozinheira, como arrumadeira,
como parideira. Não como uma mulher. Impedidas de desejar, de amar, de se cuidar,
as mulheres de antigamente viviam presas dentro de seus próprios sonhos, muitas
vezes caladas.
Envelheciam
cedo, embrutecidas pelo trabalho duro, de sol a sol, e pelo pouco
acesso à medicina. Adoeciam, morriam jovens. Tinham dezenas de filhos, e passavam
a vida a amamentar.
Sou
orgulhosa delas, guerreiras de seu tempo. Eram doces de
espírito, verdadeiro aconchego, a nós, seus netos. Mas grande parte foi
impedida de ser mulher.
Hoje,
as coisas mudaram. A juventude que se vê em uma mulher de 30,
40, 50, 60, reflete a alma jovem que carregamos dentro de nós. Ainda criamos
filhos e acarinhamos netos. Mas não esquecemos dos carinhos que precisamos ter
conosco. Ainda somos mães e avós. Mas até a morte, seremos mulheres. Seremos a
Luiza Brunet, a Bruna Lombardi, a Maitê Proença de nossos lares.
As mulheres de hoje são
senhoras do tempo. Dominamos os anos, e usamos eles a nosso favor!
E
quem quiser nos dominar, literalmente, leva bala!
Beijo,
meus lindos!











