Devaneios tolos... a me torturar.

segunda-feira, 31 de março de 2014

O estuprador nunca é inocente



Oi geeente!



Correndo os olhos pelos sites de notícias, uma imagem imediatamente chamou minha atenção. Era uma reportagem, de um jornal, sobre uma mulher que havia sido estuprada. Antes de ler a notícia, a foto me deixou perplexa. Mostrava uma mulher e uma criança, caídas no chão, na beira da estrada, agarradas uma a outra. A mãe, com as calças nos tornozelos, e a menina com a face machucada, nos braços da mulher.

Quando li a notícia, meu estômago revirou, meus olhos se encheram de lágrimas. Ela havia sido perseguida, estuprada e espancada, na frente da filhinha, de dois anos. A menina também havia sido espancada e seu rostinho tinha as marcas dessa violência. A mãe, em coma, foi encaminhada para uma UTI e estava em estado grave, e a menina estava desacordada e ainda não tinham informações de seu estado de saúde.

Não sei o que aconteceu com elas. Não sei quem eram. Não sei se ficaram bem (Aliás, é possível ficar bem depois de um trauma como esse?). Só sei que nenhuma mulher no mundo, de prostituta a santa, merece ser violentada, espancada, humilhada, maltratada.

Sexo deve ser feito com amor. Ou, pelo menos, com desejo. Desejo de ambos. Quando um não quer, o sexo não pode e não deve ocorrer. Uma mulher tem direito de desistir até mesmo na hora H. Ela precisa ser respeitada. Seu corpo é seu santuário. Não deve ser violado.

Durante todos esses anos em que trabalho na imprensa local, um fato me marcou, aqui em Guaporé. Uma idosa que teve a casa (no interior) invadida por um criminoso. Ela foi violentada, agredida com brutalidade e morta. Sua casa foi incendiada. Toda a vez que eu passava pela ERS 129, olhava para aquela casinha, cujas paredes tinham marcas negras deixadas pelo fogo. Meu coração se entristecia e eu rezava para aquela vovó.

O monstro que fez isso com ela foi identificado e preso, mas a vida dela, ninguém trouxe de volta. Ninguém conseguiu consolar sua família, muito menos entender como um ser humano é capaz de tamanha maldade. Aliás, um estuprador não pode ser chamado de ser humano, muito menos de animal (estaríamos ofendendo os animais).

Um estuprador é uma aberração, um criminoso perigoso, um doente, alguém que precisa ficar longe da sociedade. Ele representa um perigo para crianças, meninas, mulheres, enfim, um perigo para todos.

Um estuprador não escolhe suas vítimas pela cor da moda, não quer saber se ela usa minissaia ou burqa, não quer saber se tem uma criança pequena nos braços.

Ele ataca, fere, violenta, ele deixa marcas eternas e profundas em suas vítimas.

Um estuprador é um bandido, um criminoso, uma pessoa com uma conduta injustificável.
Ele nunca é inocente. Nunca.

E então, surge a pesquisa do IPEA, que diz que 65,1% dos entrevistados concordam com a frase "Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.

Para explicar este absurdo, os estudiosos dizem que o problema é o machismo que impera na sociedade.
Pois eu digo, o problema não é o machismo. O problema é a IGNORÂNCIA. 

Será que essas pessoas sabem o que é um estupro? Será que sabem que suas irmãs, suas mães, suas filhas, estão à mercê de um estuprador, que anda por aí, misturado a pessoas normais?

Claro que não sabem. São ignorantes com I maiúsculo.

Para estes entrevistados, com tamanho grau de burrice, eu peço:
- Perdoai-os Senhor. Eles definitivamente não sabem o que dizem.

Beijos, meus amores.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Quando a luz dos olhos teus...



Oi geeente!


Quando a Olívia nasceu, uma névoa encobria seus olhinhos. Dizem que bebês recém-nascidos não enxergam direito, que aos poucos, passam a ver com mais clareza e definição.
Os olhos dela, antes escuros como duas jabuticabas, foram clareando também. Não sei definir a cor que eles têm. São esverdeados, e até azulados, quando de frente para a luz.
Mas a cor dos olhos não importa diante do que realmente chama atenção: o brilho.
Tudo pra ela é novidade. Está na divertida fase de descobrir para que servem as mãozinhas. Estica seus bracinhos, tenta tocar nos objetos, toda descoordenada, mas sempre otimista.
Às vezes sento com ela na sacada, só para observar. Ela chega a perder o fôlego quando passa o vento. Dá gritinhos quando algo chama sua atenção, e acompanha com olhinhos atentos, as folhas que balançam, as nuvens que passam no céu, o cachorrinho que atravessa a rua, as pessoas que caminham apressadas.
Tudo para ela é diversão.
E quando está cansada do cenário, ou da brincadeira, não pensa duas vezes em abrir o berro, chorando sentida, pedindo que alguém invente algo mais divertido, para que possa aproveitar o tempo da forma mais intensa possível.
Ela é clara como a água cristalina. Se gosta sorri, se não gosta, faz birra, reclama e chora.
Não finge, não inventa desculpas, não dissimula.
Claro que para vivermos na selva de pedra da sociedade atual, precisamos aprender a atuar. Não declaramos abertamente nossas intenções e sentimentos.
Imagine se chorássemos ou gargalhássemos nas mais delicadas situações.
Mas tem uma coisa que jamais deveríamos perder, disfarçar ou esconder: o que faz nosso coração vibrar.
E o reflexo do coração são nossos olhos. Eles brilham sempre que algo desperta nossa atenção.
Os olhinhos da minha bebê falam por ela. Dispensam palavras.
São curiosos, divertidos, atentos e rápidos.
Ela sorri com os olhos.
Ela encanta com o olhar.
Ela nos faz apaixonar toda a vez que aquelas duas bolinhas brilham felizes.
Ela espalha felicidade através do olhar de anjo, de criança, que ingênua descobre o mundo. Seus olhos são o espelho de sua alma.
E os nossos, que mensagem transmitem?
Quando perdemos a alegria, nossos olhos se apagam.
Ficam opacos. Sorrimos vazio, sem luz. Não nos iluminamos mais.
Que passem os dias, que venham os meses, que passem os anos...
Mas que nada, nem ninguém, consiga apagar a nossa luz.
Porque não morremos quando fechamos os olhos.
Morremos quando perdemos o brilho no olhar.

Beijo, meus amores!

quinta-feira, 13 de março de 2014

As filhas da mãe



Oi geeente!


Eu sou uma filha da mãe.
Filha da mãe de carteirinha.
Uma filha da mãe incorrigível.
Sou daquelas que viaja para o outro lado do mundo, e em cada restaurante que passa, sente saudades do tempero de casa.
Daquelas que, no mais leve resfriado, corre para farmácia caseira da mãe, em busca de um chá milagroso, ou de um carinho, que passa.
Sou do tipo que acredita que mãe tem solução pra tudo!
( E não tem?)
Minha mãe não tem o direito de ficar doente, nem de viajar sozinha.
Porque, se ficar doente, se demorar pra voltar pra casa, se viajar (!!!!), o mundo fica de pernas pro ar, a Terra começa a girar ao contrário no Sistema Solar.
Não entendo filho que não admira a mãe. Filho que fica anos sem falar com ela. Ou que discorda de tudo que ela faz.
Não posso admitir um filho que não ame e respeite a mãe que tem.
É que no meu mundo perfeito, mãe é colo, calor, aconchego, paciência, morada.
Todas as mães do mundo deveriam ser como a mãe que eu tenho.
Ela é psicóloga, médica, enfermeira, conselheira, chef de cozinha, juíza e advogada.
Ela é o sol e nós, os planetas.
Não importa se adotiva, se nova, se velha, se bela, se branca, preta, amarela. É o pilar que sustenta uma família.
Sei que meus parâmetros podem estar equivocados, e que há muitas mães por aí que não amam seus filhos, e muitos filhos que não amam suas mães.
Talvez resida nisso, a raiz do mal do mundo, uma natureza do lado avesso, onde o ventre não foi um ninho, onde o cordão umbilical não foi um elo de carinho.
Talvez, dos filhos sem mães, das mães sem filhos, tenha se originado a tristeza. Porque, onde há uma mãe de verdade, há sem dúvidas, felicidade.
Sei que a psicologia manda criarmos asas, sei que é preciso desprender laços, ter vida própria, libertar-se.
Mas nós, filhos da mãe, sabemos que por maiores que sejam as asas que nos fazem voar, são as raízes que nos sustentam, na base de nossa existência, no local que chamamos de lar.
Eu sou uma filha da mãe de nascença, e minha mãe não tem o direito de ficar velha (ela sempre será jovem de ideias), muito menos de morrer!!
Já que me criou assim, tão dependente dela, que aguente agora minha condição. Sou filha da mãe, e não abro mão.
Só espero seguir o exemplo dela, ser tão amada e respeitada, ser tão forte e ter um coração tão grande.
Sou uma filha da mãe confessa, e espero que, um dia, eu mereça que minha filha também seja!
Beijo, meus amores!

terça-feira, 11 de março de 2014

Mudança de estação

A bem da verdade, felicidade é uma questão de perspectiva. Chorar por menos um verão, ou sorrir, por mais um outono. Lamentar a folha que se foi, ou agradecer pelas raízes que permanecem.