Oi geeente!
Quando a Olívia nasceu, uma névoa encobria seus olhinhos.
Dizem que bebês recém-nascidos não enxergam direito, que aos poucos, passam a
ver com mais clareza e definição.
Os olhos dela, antes escuros como duas jabuticabas, foram
clareando também. Não sei definir a cor que eles têm. São esverdeados, e até
azulados, quando de frente para a luz.
Mas a cor dos olhos não importa diante do que realmente chama
atenção: o brilho.
Tudo pra ela é novidade. Está na divertida fase de descobrir
para que servem as mãozinhas. Estica seus bracinhos, tenta tocar nos objetos,
toda descoordenada, mas sempre otimista.
Às vezes sento com ela na sacada, só para observar. Ela chega
a perder o fôlego quando passa o vento. Dá gritinhos quando algo chama sua
atenção, e acompanha com olhinhos atentos, as folhas que balançam, as nuvens
que passam no céu, o cachorrinho que atravessa a rua, as pessoas que caminham
apressadas.
Tudo para ela é diversão.
E quando está cansada do cenário, ou da brincadeira, não
pensa duas vezes em abrir o berro, chorando sentida, pedindo que alguém invente
algo mais divertido, para que possa aproveitar o tempo da forma mais intensa
possível.
Ela é clara como a água cristalina. Se gosta sorri, se não
gosta, faz birra, reclama e chora.
Não finge, não inventa desculpas, não dissimula.
Claro que para vivermos na selva de pedra da sociedade atual,
precisamos aprender a atuar. Não declaramos abertamente nossas intenções e
sentimentos.
Imagine se chorássemos ou gargalhássemos nas mais delicadas
situações.
Mas tem uma coisa que jamais deveríamos perder, disfarçar ou
esconder: o que faz nosso coração vibrar.
E o reflexo do coração são nossos olhos. Eles brilham sempre
que algo desperta nossa atenção.
Os olhinhos da minha bebê falam por ela. Dispensam palavras.
São curiosos, divertidos, atentos e rápidos.
Ela sorri com os olhos.
Ela encanta com o olhar.
Ela nos faz apaixonar toda a vez que aquelas duas bolinhas
brilham felizes.
Ela espalha felicidade através do olhar de anjo, de criança,
que ingênua descobre o mundo. Seus olhos são o espelho de sua alma.
E os nossos, que mensagem transmitem?
Quando perdemos a alegria, nossos olhos se apagam.
Ficam opacos. Sorrimos vazio, sem luz. Não nos iluminamos
mais.
Que passem os dias, que venham os meses, que passem os
anos...
Mas que nada, nem ninguém, consiga apagar a nossa luz.
Porque não morremos quando fechamos os olhos.
Morremos quando perdemos o brilho no olhar.
Beijo, meus amores!

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