Oi geeente!
Ah, se eu pudesse dar um conselho a você, diria para que
começasse agora mesmo a exercitar o hábito de ler. Na verdade, acho que este
conselho seria chover no molhado, porque quem lê colunas de jornais, costuma
ler livros também. Gostaria que esta mensagem chegasse a quem não lê.
Tenho pena de quem vive preso em uma única vida, e que não
tem a oportunidade de fugir dela de vez em quando, aventurando-se em universos
e sentimentos nunca antes imaginados. Ler é ter a chance de viver uma história
extraordinária, mesmo que não seja a sua.
Um bom livro é uma oportunidade única de, aconchegado entre
travesseiros e lençóis, esquecer dos problemas, da monotonia de um domingo de
tarde, de um dia difícil, e simplesmente despir-se de sua pele e encarnar um
personagem, que não o seu.
Quem se entrega a uma boa história contida em um livro, perde
o hábito de ficar na janela, bisbilhotando vizinho, não precisa cuidar da vida dos
outros, quando a sua está em período de banho Maria.
Dedicar-se a uma boa história é atravessar fronteiras sem
sair do lugar. Sentir gostos e cheiros. Ser tocado por um novo amor,
experimentar de novo uma primeira vez.
É percorrer o mundo sem pegar um avião sequer. E mais que
isso: conhecer o ser humano tão a fundo, a ponto de colocar-se no lugar do
outro, com suas angústias, fraquezas, pecados, crimes, castigos, punições e
redenções.
É se aproveitar dos erros dos outros, para não cometê-los na
vida real.
Quem lê tem mais assunto, é mais sensível e inteligente, e é
infinitamente interessante.
Quem lê carrega lições das histórias que viveu nos livros.
Cria asas sem sair do chão.
Quem lê dispõe-se a novas aventuras e, principalmente, tem a
mente aberta para qualquer desafio.
Amo essa gente curiosa, sensível e apaixonada, que lê.
Eu devoro um livro atrás do outro, com um desejo voraz de ser
jovem e ser velha, ser doente e sã, ser vilão e ser heroína, ser culpada e ser
inocente. Ser amada ou desprezada. Ser infeliz, ou ter um final feliz para
sempre.
Quando fecho minha mais recente paixão, ao chegar na última
página, por fim, agradeço por ser quem sou.
E agradeço ainda por não ter nenhuma história espetacular que
renda um livro dos mais vendidos.
Porque são nos dias comuns, de gente comum, que os milagres
acontecem.
Não precisamos ser derrotados em uma guerra, perdermos nosso
amor para sempre, sofrermos com doenças raras incuráveis ou sermos vítimas de
grandes intrigas e traições para aprendermos lições simples, que grandes livros
nos trazem.
No final das contas, sou grata por acabar meu Best Seller e
perceber que eu sou a personagem feliz de uma rotina que pode não ser
brilhante, mas que sempre termina com o carinho de quem eu amo, o abraço de
quem importa, e o apoio de quem eu preciso para viver.
Espero que as histórias dos livros continuem a nos ensinar
grandes lições, sem que precisemos passar por grandes sofrimentos para
aprendê-las.
Por isso, a todos que querem se tornar seres humanos melhores
e mais felizes com o que possuem, eu deixo o meu conselho: comecem a ler hoje
mesmo!
Beijos, meus amores!

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