Devaneios tolos... a me torturar.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O perfume que fica nas mãos....



Ganhei uma rosa. Não era meu aniversário. Nem foi no Natal. Não era Dia dos Namorados. Nem havia me reconciliado depois de uma briga. Não tinha feito algo extraordinário. Nem tinha ganho um prêmio qualquer.

Ué?! Seria o fim do mundo se aproximando? Alguém de consciência pesada se desculpando antecipadamente? Ou alguém que logo, logo viria pedir um favor?

Não. Foi simplesmente um presente inesperado em forma de flor.

Lembrei das ocasiões tradicionais para se dar flores a alguém:  amigo secreto, aniversários, velórios.

Principalmente velórios. Eles são sempre floridos. Centenas de flores coloridas. Lindas. Viçosas. Presenteadas pela morte.

Coisa estranha, não? Morto não sente cheiro de flor. Não pode tocar com a ponta dos dedos as delicadas pétalas. Flor não pode colorir o dia do morto. Nem alegrar-lhe a casa.

Então, porque praticamente só compramos flores nestas ocasiões?

Ora, me desculpem. Não quero flores a me enfeitar o túmulo. Quero flores a me enfeitar a vida.

Flores são como elogios. Dificilmente perdemos nosso precioso tempo com palavras gentis dirigidas a alguém, sem nenhuma intenção de recompensa. Simplesmente porque admiramos aquela pessoa. E fazemos questão de dizer o quanto ela é competente, amiga, inteligente, amável, leal.

Flores são abraços. Quantos abraços você dá por dia? Quanto carinho distribui?

Flores são afagos. Quantas vezes você senta em seu sofá, passando a mão pelos cabelos de alguém, pensando em quanto é feliz por ter aquela pessoa a seu lado?

Flores são homenagens. Você homenageia as pessoas em vida? Ou prefere dar-lhes o nome de ruas após seu falecimento?

Flores são pedidos de desculpas. Por ter estado ausente, por ter sido duro, por ter falado o que não devia. Por ter errado.

Flores são tão frágeis. Duram tão pouco. E são simplesmente inesquecíveis.

Flores transformam nosso dia, nossa vida.

Minha mãe sempre me traz jasmins, que tem cheirinho de Natal. Um amigo trouxe uma flor, roubada de sua formatura. E ela tinha cheirinho de conquista. Uma ouvinte da rádio trouxe uma dália. E ela tinha cheirinho de infância, na casa da minha avó.
Flores são sempre doces lembranças.

Porém, eu nunca presenteio com flores. Se você pensar, pode fazer muito tempo que não compra flores para alguém. Talvez, a pessoa que mais amamos neste mundo nunca tenha recebido de nós, uma flor roubada sequer.

Então, façamos enquanto é tempo. Porque flor, em cemitério, infelizmente quer dizer: Você chegou tarde demais.

E precisamos demonstrar nosso amor nem cedo, nem tarde, mas na hora certa!

“Um pouco de perfume sempre fica nas mãos de quem oferece flores”.


Beijos meus amores!

3 comentários:

  1. Eu sempre dou flores para minha esposa. Faço surpresa. Não existe uma data especifica para dar. Me dá na veneta, compro e entrego pessoalmente junto com um beijo bem caloroso. Normalmente compro rosas bem vermelhas (significando paixão mesmo). Dia 23 deste mês faremos 38 anos de casados. Mereço uma estátua....e ela, canonização....risosssssssssssss

    Francisco Lunardi

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  2. Tenho uma música pra ti Francisco... "Eu sou aquele amante a moda antiga... do tipo que ainda manda flores..."
    ;)
    Se todos fossem iguais a você...

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  3. A flor mais marcante que eu ganhei, foi de uma menininha que morava no meu prédio, mas no outro bloco... ela deveria ter uns 5 anos, mas nunca falei com ela e seus pais, ai um dia ela arrancou a única rosa do canteiro do prédio, linda a rosa, e a mãe dela brigou com ela, ela veio correndo na minha direção e me presentou... achei tão bonitinho aquilo!! Ela deu um sorrisinho, eu pedi obrigada, e ela disse "tchau"... Essa flor tinha o cheiro de inôcencia de criança!!!

    bjs

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