Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

É setembro. Outra vez.

Oi geeeente!

É setembro e eu completo 36 anos. Ontem mesmo, no meu quarto, eu tinha 16. Vejo as flores dos ipês, das azaléias e das laranjeiras. Sinto, com o mesmo efeito renovador, o perfume das flores de cinamomo.

É setembro, eu completo 36, e tudo parece que foi ontem (e não foi?). A vida renasce em mais uma primavera, no mês em que eu nasci.

Fazer aniversário, pra mim, sempre foi um motivo de melancolia. Nunca fui adepta de festejar meu dia. Embora goste dos afagos que recebo dos amigos, preferia sempre pular essa data do calendário. E nada tem a ver com ficar mais velha. Tem a ver com a sensação de finitude.

Não sei quando deixei de acreditar na imortalidade.

Acho que quando percebi que tinha muito a perder, comecei a encarar a morte com outros olhos. Tenho medo dela me rondar num acidente de trânsito, numa queda de avião, numa doença maligna, numa bala perdida.

Quando pensamos em finitude, começamos a ter medo da vida.

É setembro e até ontem eu não pensava muito nisso. Meu espírito era livre e louco, sedento e nômade. Queria explorar, aventurar, desbravar. Sem limites ou consequências.

É setembro, e eu penso que amadureci, mas não envelheci. Ainda tenho alma de borboleta, porém, percebo que a carga de responsabilidades me tornou mais sensível à perda.

Parecia que antes, nada me fazia falta. E agora, já não tenho mais tempo a perder. E não quero perder ninguém.

Isso acontece, porque o tempo passou, eu cresci, a vida me ensinou a ser mais simples e seletiva, e só me restou o que é imprescindível.

Aos 36 eu só trabalho naquilo que acredito, só convivo com quem me faz bem, só cultivo aquilo que amo.

Já não tenho uma gaveta onde acumulo ódios e rancores. E também não guardo anotado o nome de quem me fez algum mal.

Já me perdoei pelos erros que cometi, e se quem foi atingido não me perdoou, desculpe, mas não carrego culpas. Não mais.

Quando chega a primavera e você olha para sua vida com a sensação de que ela poderia congelar agora, neste exato momento em que tudo está exatamente como você sonhou, você começa a ter medo do terrível e imutável destino de todos nós: o fim.

Quando eu tinha 16, eu pensava que demoraria um século para chegar aos 30. Que eu não precisava usar protetor solar. Que eu jamais teria cabelos brancos. Que bastava uma noite de sono, e tudo se resolvia.

Quando eu tinha 16, o porre passava logo e não deixava ressaca. O sono não dormido não cobrava seu preço. A juventude parecia não ter fim.

Quando tinha 16, eu era dona do mundo, e ele jamais me tiraria aquilo que conquistei.

É setembro, e eu tenho 36. E hoje eu sei que a pele envelhece, que o cabelo embranquece, que o corpo dá sinais de cansaço e que o tempo neste mundo é curto demais. Passa depressa demais. Os anos se transformam em dias. E décadas passam em meses.

É setembro, eu tenho 36, e hoje, sei que nenhum de nós é imortal. Que somos donos de nossos atos e reféns de suas consequências. Que amanhã pode ser tarde para dizer eu te amo, e pode ser impossível pedir perdão.

É setembro, eu tenho 36, e sei que a vida não começa aos 40. Ela começa todos os dias. E que o hoje é um presente que recebemos.

É setembro e eu sei, que cada dia é um começo. Mas ao mesmo tempo, é um começo que me aproxima mais do fim.

Por isso, não desperdiço tempo pensando no amanhã ou vivendo no ontem. A vida é agora. É preciso fazer valer cada floração da primavera. É preciso cultivar flores. E comemorar os frutos, que deixaremos por aqui, quando partirmos.

É setembro eu celebro a vida! E você?

Beijos, meus amores!

2 comentários:

  1. Primeiro, parabéns! Fazer 36 anos soa como uma nova fonte de juventude no seu texto. Nesta idade fui pai, e a tenho como o divisor das águas turvas que a vida demanda. Um abraço. Felicidades.

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