Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

É Natal. Outra Vez.

Oi geeeente!

Adoro jasmins roubados. Desde que me entendo por gente, sou culpada por esse pequeno delito. Desculpem-me os donos de jasmineiros da cidade. É mais forte que eu.

Dentre todos os sentidos, descobri que o olfato tem o poder de nos transportar ao passado. São os cheiros que me pegam pela memória e me levam aos melhores (e piores) momentos da vida.

Cheiro de pão caseiro me deixa de novo de frente para o fogão à lenha da minha avó Graciosa (ela definitivamente não poderia ter outro nome, talvez Dulce, porque além de graciosa foi a pessoa mais doce que já conheci). Mas lá estou eu, pequena, de olhos arregalados e com água na boca a espera do pão quentinho, para passar mel ou manteiga. Que tempo maravilhoso, lá na colônia, misturada com a natureza e com todos os sabores da cozinha da minha avó.

Cheiro de whisky me causa enjoo na hora! Nunca mais consegui colocar a bebida na boca, e pouco me importa se tenha 10, 20 ou 100 anos. Para mim, é horrível, mesmo que seja caro. Me remete diretamente ao primeiro porre, que me fez chegar em casa “vomitando as tripas”. Era adolescente, e mesmo sabendo dos riscos da bebida, obviamente precisei sentir na pele que beber demais, perder o controle dos movimentos do corpo, e principalmente, dos atos, é perigoso, vergonhoso e constrangedor.

Cheiro de molho de cachorro quente! Me remete ao Colégio Scalabrini, durante o recreio. Sinto o sabor do hot dog do bar da escola. Ouço a gritaria das crianças. O corre-corre desenfreado. Estou lá pulando sapata, trocando papel de carta com minhas colegas. Também recordo dos dias em que minha mãe mandava pão com chimia como merenda, ou banana, a mais vergonhosa das frutas, um verdadeiro vexame na época. O infeliz que comia banana na merenda, fatalmente seria taxado de macaco. Lembro também de alguns colegas corajosos, que desde pequenos aprenderam a não dar bola pra opinião alheia, e comiam orgulhosos suas bananas nanicas, caturras e da terra sem se esconder.

O cheiro do perfume dele! Quem nunca esteve apaixonado e não teve a sensação de levitar ao sentir o perfume do seu amor no ar? Às vezes a paixão vai embora, mas o perfume fica.

Flor de cinamomo!!! Quando eles começam a florescer, já sinto o doce sabor da primavera. Parece uma injeção de ânimo, um antidepressivo natural que me renova e traz paz. Nesta época os lugares, as pessoas, o mundo se torna mais bonito aos meus olhos. É o gatilho que dispara em mim a renovação da vida. É tempo de colocar braços e pernas de fora. Tirar as botas do inverno, ficar de pé no chão e vestir-me de luz, de verão, de alegria!

Mas de todos os cheiros que já senti, que me alegram ou que me entristecem, o de jasmim é disparado meu preferido.

Não resisto a roubá-lo. A levá-lo para casa. A tentar preservá-lo em meu vaso de flor.

Deixo ele lá, até que seu último suspiro de vida e de cheiro, encerre o ciclo de sensações que essa linda flor me traz.

O jasmim, pra mim, é a renovação da pureza. Quando ele espalha seu cheiro pelas ruas por onde passo, traz consigo a inocência dos Natais de minha infância. O cheiro da fantasia. Da crença no Papai Noel. Da capacidade de sonhar. O jasmim lembra que é tempo de reunir a família, de engordar uns quilos com a fartura na mesa, de ganhar presentes, de sentir-me especial. Com o cheiro de jasmim, meus avós ainda estão vivos, os primos estão chegando para as brincadeiras, o velho Noel está investigando se fui uma boa menina e estou lá, acreditando em todas as maravilhosas fantasias que povoam as cabecinhas dos pequenos.

O jasmim é minha fonte da juventude.

Toda a vez que ele espalha seu cheiro, eu sou criança. De novo.

Toda a vez que ele perfuma minha cidade é Natal! Outra vez.

Um beijo meus amores, e um mês de dezembro com cheirinho de saudade!

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