Devaneios tolos... a me torturar.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Esperando Olívia


Oi geeente!


Sinto que vou me transformar em uma cadeira. Parece que minhas pernas estão se afastando uma da outra, estou prestes a virar o “cadeirudo” (lembram do personagem da novela?). Entalar no sofá virou rotina. Minha calça legging estourou na bunda. Sim, parece coisa de comédia de terceira linha, mas quando me agachei, só escutei o barulho do rasgo. Sem falar no meu equilíbrio, que anda péssimo. Torci o pé caminhando em uma superfície plana, e quase fazendo xixi nas calças, precisei ser levada na Jurema, pra colocar o pé no lugar. Acredito em cegonha. Devo estar carregando minha filha no papo. Ele não para de crescer!
Me disseram que ia ser bom, não disseram que ia ser fácil. A médica recomenda caminhadas leves, então, sempre que o tempo permite, subo até o jornal à pé. Quando chego no morrinho perto do hospital, alguma força gravitacional começa a me puxar para trás. Outro dia reparei que os pedreiros da obra na esquina do Forum estavam prestes a me ajudar: Iam pedir pro motorista da patrola me carregar até o trabalho.
No começo, os enjoos. Agora cansaço, dores nas costas, nas cadeiras, nas pernas. O umbigo saltando pra fora da barriga. E a fome que me devora. Pareço um pinto em aviário. Só paro de comer quando desligam a luz!
Às vezes, converso com amigas grávidas, que estão na mesma fase que eu, e que não sentiram enjoos, desconfortos, nem ganharam 10 quilos. Fico feliz por elas, mas no íntimo, desejo que elas tenham hemorróidas. (Sim, sou uma criatura maléfica haha).
E o mais estranho é que enquanto passo por essa transformação, tudo que sei fazer é sorrir feito uma boba e sonhar.
Horas a fio olhando para uma barriga que tem vida própria, se mexe, e se entorta conforme os movimentos que minha bebê faz. Nada importa, enquanto ela está ali, aquecida, brincando, chutando, parece que dando cambalhotas.
Enquanto eu me sinto a pessoa mais estranha do mundo, mesmo quando não me reconheço no espelho, ou quando começo a chorar emocionada, por causa de um comercial de margarina, ainda assim, agradeço cada segundo que ela cresce saudável na minha barriga.
Na verdade, queria que ela permanecesse aqui. Mesmo quando da boca pra fora falo que não aguento mais meu peso, meus pés inchados e meu desconforto, ainda assim, meu coração teima em não aceitar que ela saia do lugar onde está tão protegida.
Dá tanto medo de colocar alguém no mundo. Tenho medo das maldades, da violência, das crueldades daqui de fora. Medo de não conseguir protegê-la.
Enquanto ela cresce tão inocente, eu faço planos para que ela seja feliz. Sacrificaria não só meu corpo, mas minha vida para que isso acontecesse. O que me encoraja a tê-la, é que eu vejo as coisas belas. Identifico beleza nas pessoas, nas paisagens, na vida.
Tive a oportunidade de sentir a presença de Deus na natureza, o privilégio de estar no topo de uma cordilheira coberta de neve em uma tarde gelada, e observar as nuances sem fim de um mar cristalino. O Velho Mundo, as culturas antigas. As diferentes formas de ser, de muitos povos. Sou uma viajante e uma observadora. Quero que minha filha também tenha esse privilégio. Quero que ela tenha asas.
Que saiba ir longe, mas que saiba observar com olhar mais atento ainda o que está perto: as pessoas. Que saiba amar a família e os amigos. Que se alegre com a chegada da primavera, e com os ipês em flor. Que ame os animais, busque a sabedoria dos idosos. Que saiba respeitar opiniões e diferentes formas de viver.
Que conheça a beleza de um amor correspondido, e que aprenda a ser forte, com os não correspondidos também. Que tenha um trabalho que ame, e que este, lhe proporcione não uma vida com luxo, mas com oportunidades. Que use os anos a seu favor, e que amadureça na aparência e rejuvenesça na essência.
Que saiba identificar, em algum momento, que existe amor incondicional. E que somente esse amor torna uma vida digna de ser vivida!
Beijos, meus amores!

Um comentário:

  1. Você não existe "Deusa de Guaporé". Ou melhor, existe sim, benzadeus!!!

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