Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O novo amante

Oi geeeente!

O amante


Antigamente, o maior problema dos relacionamentos que entravam em crise, era o Ricardão.
Aquele, moreno, alto, bonito, sensual. A solução dos seus problemas. Inteligente, e à disposição, pra um relacionamento íntimo e discreto. (Vocês conhecem a musiquinha do amante profissional).
Pois é. Hoje, até o Ricardão está fora de moda. O amante agora é outro.
Nem um pouco discreto, está entre grande parte dos casais modernos, e não raro, dorme, almoça, janta, toma o café da manhã, juntinho de você.
Tem vários nomes (celular, tablet, notebook, Ipod, Ipad), mas trata-se única e exclusivamente da incrível possibilidade de estar, o tempo todo, conectado com o mundo.
E-mails, facebook, blogs, sites, MSN, skype, e outros atrativos da vida tecnológica estão se enfiando em nossa vida de tal forma, que, se repararmos, nunca estamos sozinhos, nós e nosso par.
O celular toca, vibra, faz bip, importuna, apita, comanda o espetáculo.
É um tal de acessa a rede social, responde mensagem, curte, compartilha, bloqueia, adiciona, em qualquer local e hora do dia.
E o pior: é um amante tão bom, mas tão bom, que já não conseguimos viver sem ele. Não raro, perdemos o marido, o namorado... Até mesmo o Ricardão desiste da gente, diante de tanta paixão pela internet.
Se fico mais de 24 horas sem me conectar, começa a síndrome da abstinência: Quem me escreveu? Será que alguém postou no meu mural de recados? Será que aquele e-mail chegou? Será que a promoção da loja virtual começou? Será que fui escolhida no concurso de frases daquele site? Será que isso, será que aquilo?
Me sinto completamente perdida e nervosa, como se a festa mais descolada estivesse acontecendo, sem mim.
Nas viagens, a necessidade de compartilhar meus momentos com quem ficou, faz com que eu simplesmente não consiga desfrutar dos lugares, apreciar a vista, relaxar. É um tal de fotografa, filma, posta, comenta, responde... que... UFA, as férias acabaram e eu só consigo saber dos detalhes dos locais onde estive, olhando pras minhas próprias fotos!!! (Nem Jesus salva!)
Casais chegam em casa, sentam, cada um em seu sofá, conectam-se com o mundo todo e desconectam de si mesmos. Enquanto se aproximam do Japão, se distanciam um do outro. Criam abismos intransponíveis, destroem as pontes da convivência real, para apenas sentirem-se acompanhados eternamente, no mundo virtual.
Ora! O amigo virtual não abraça. Não beija. Não faz carinho. Nem massagem no pescoço. Não faz chá quando você estiver gripado, de cama, acabadão.
É apenas a ilusória sensação de ser popular e querido, em um tempo em que, acredita-se, que todo mundo tem que ser celebridade.
Proponho que esqueçamos as câmeras digitais, os celulares e todos os equipamentos tecnológicos, por pelo menos dois dias por semana.
Que possamos desfrutar de verdade das pessoas que nos cercam, e cercá-las da atenção que merecem.
Que possamos viver mais a realidade e entender melhor as pessoas reais, em detrimento de nossas frases feitas e intermináveis conselhos ou queixas virtuais.
Façamos isso!

(Mas não agora, porque, neste exato momento, preciso muito... acessar meu e-mail!)
Beijos meus lindos!

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