Devaneios tolos... a me torturar.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Templo Sagrado


Oi geeente!

Quando fui a Roma (e não vi o Papa), não pude deixar de conhecer o Vaticano. Na Praça de São Pedro, em meio a milhares de turistas, me senti na verdadeira Torre de Babel. Parecia que as línguas do mundo todo eram faladas em um só lugar. E que os mais diferentes povos, com seus credos, cores e costumes tinham encontro marcado lá. Batinas misturadas a burqas, sáris, hábitos. Chineses, africanos, alemães, indianos, enfim, um encontro cultural que deixa qualquer um impressionado, tamanha diversidade.
Para chegar à entrada da Basílica de São Pedro, levei praticamente duas horas. Debaixo de um sol escaldante, no começo do verão europeu. Assim como eu, milhares se moviam lentamente em filas que não tinham fim, para poder entrar no templo.
Quando cheguei próximo ao acesso, percebi que muitas pessoas não conseguiam entrar, por causa de suas vestes. Uma brasileira que estava ao meu lado me alertou que cobrisse os ombros, e que puxasse a saia para baixo, de modo que cobrisse os joelhos. Por sorte, tinha em mãos um lenço grande, que permitiu que eu escondesse meus ombros, já que usava uma regata. Se não seguisse as regras, teria de voltar para o fim da fila, e providenciar roupas adequadas para não ser barrada pelos guardas.
Se você visitar a Mesquita Azul, na Turquia, terá de tirar seus sapatos. Cangas também são usadas para cobrir partes do corpo que representam desrespeito aos muçulmanos.
Aliás, não precisamos ir longe. No Templo Budista, em Três Coroas, também precisamos estar descalços, em sinal de respeito.
Quando visitamos países ou povos que possuem culturas diferentes da nossa, o mínimo que devemos fazer é seguir as regras do anfitrião. Comer de sua comida, agradecer a hospitalidade, e principalmente, respeitar suas regras, mesmo que não concordemos com elas.

Não é verdade?
Aí eu me pergunto, porque não colocamos em prática este princípio, com as pessoas.
Cada um de nós é um templo. Sagrado. Com regras próprias. Que precisa ser respeitado.
E a primeira coisa que nós fazemos ao nos relacionarmos com as outras pessoas, ao desfrutarmos de sua intimidade, é tentarmos transformá-las.
Relacionamentos amorosos fracassados são a principal prova do quanto isso é um erro.
Entramos na vida do outro, impondo nossas regras. Não importa a bagagem que o outro traz consigo. Os caminhos, as dificuldades, as alegrias, as crenças ou as histórias que o fizeram ser exatamente como é. Para nós, o que importa é que se adapte às nossas regras, ao nosso mundo, e à nossa forma de ver a vida.
Abrimos as portas da casa de quem amamos trocando móveis de lugar, tomando conta dos espaços vazios, varrendo os cantos dos cômodos, e nos instalando confortavelmente no sofá.
Não tiramos os sapatos em sinal de respeito. Invadimos.
Achamos que temos razão sempre, e culpamos os outros pelos fracassos em nossas relações.
Tarde demais nos damos conta que, para sermos respeitados, precisamos respeitar. Para entrar, precisamos ser convidados, e para estreitarmos laços profundos, precisamos conhecer o coração da outra pessoa, e permitir, que, aos poucos o nosso coração se abra.
Assim, com respeito, com calma, com compreensão e sem preconceitos, começamos a construir, juntos, um novo templo.
Um espaço sagrado, onde o “eu” dá lugar para o “nós”, e onde as mudanças necessárias se dão de forma progressiva e natural, transformando-se em uma relação, não onde a vontade de um prevaleça, e sim, onde a cumplicidade mostre o caminho.
Beijos, meus amores.

Nenhum comentário:

Postar um comentário