Devaneios tolos... a me torturar.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Eu estou na moda!

Bem vindos a um novo tempo.
O tempo das pessoas comuns.
Eu sou Michele. Moro numa cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul, com 25 mil habitantes. Peso 61 quilos (depois de dois dias sem comer, sem roupa, sem ar nos pulmões e sem brincos) e devo ter 1,67 de altura.
Sofro horrores com meus cabelos, e não é uma questão de aceitá-los como são, por serem afro ou cacheados ou sei-lá-eu-o-quê. Eles são feios mesmo. F-E-I-O-S ao natural.
Tenho mil e um complexos disfarçáveis facilmente com uma maquiagem e muito embora não me considere feia, conheço pelo menos mais duzentos bilhões de pessoas mais bonitas que eu.
Trabalho feito um camelo no deserto pra ter alguns dias de oásis. Tenho uma filha linda que é minha maior riqueza, mas tem apenas três anos e energia de sobra. Coisa que me falta, após acumular três empregos diferentes para ter um salário decente. (Obrigado Deus, vida, universo pelas oportunidades de trabalho! Gratidão, gratidão, gratidão!)
Mas o que quero dizer é que quando soa a badalada das 22 horas eu já sou abóbora há pelo menos duas... quando a noite chega me sinto aquela maratonista famosa, a Gabriela Andersen, que cruzou a linha de chegada fraca, desidratada e a beira de um desmaio, toda retorcida e arrastando uma perna, na Maratona Olímpica de 1984.
Mas eu tô na moda.
Sim, finalmente eu estou na moda.
Eu vivi para estar na moda.
Compartilho minha alegria com vocês, porque nestes últimos meses diversas oportunidades de trabalho têm surgido para que eu use minha experiência de mais de 20 anos na Comunicação, para apresentar produtos locais simplesmente porque eu GOSTO e eu USO!
Tô falando de lojas, fábricas e empreendedores que usam redes sociais de pessoas normais para mostrar como roupas incríveis, acessórios maravilhosos, serviços de qualidade também deixam pessoas comuns felizes.
Sim. Uma roupa bonita te deixa feliz. Um cabelo bem tratado e obediente te deixa feliz. Um brinco incrível te deixa feliz. Uma produção de maquiagem, foto te deixa feliz.
Porque quando a gente se enfeita, se enfeita para algo bom. Uma festa, um encontro, uma celebração.
Nunca vi ninguém ir ao cabeleireiro para um velório. A não ser o defunto. Porque até esse merece se despedir da vida com dignidade e beleza.
O que quero dizer é que apesar da internet tornar tudo tão vago e tão virtual, ela está tendo um efeito colateral maravilhoso: nos aproximar das coisas boas da nossa terra.
Onde encontro aquele estilo incrível da minha vizinha, que se veste tão bem? Onde a Maria pintou o cabelo mesmo? Quem fez as mechas na Antônia?
Olha o Josué num lugar paradisíaco, como eu chego aí? Carol, quero um colar igual ao teu! Luciane, tem ainda aquela blusinha linda que eu tinha visto no face?
Gente, olha a Luisa, depois que começou a academia realmente teve resultados. Me explica como eu faço pra mudar meu estilo de vida?
Sim. Apesar de recebermos informação de grandes marcas através das Tops internacionais, apesar de invejarmos as blogueiras e suas vidas (supostamente) de cinema provando sabores e desfrutando resorts sempre vestidas pelas grandes marcas, é aqui, agora que a gente vive.
Aqui passamos nossos dias, influenciadas por pessoas reais que nos inspiram. As receitas da nossa mãe. A roupa linda que nossa amiga encontrou no brechó ou postou no grupo de vendas. O passeio revigorante às nossas cachoeiras.
A mãe do coleguinha da minha filha que me ajudou a ficar mais tranquila de deixá-la na escola. A minha maquiadora preferida, que consegue afinar meu nariz como ninguém. O meu prato do coração ( e do estômago) no restaurante da cidade. A comida japonesa, mexicana, árabe que finalmente chegou por aqui!
Você é minha referência. É você que eu vou procurar. É com você que quero conversar.
Você que tem ideias engraçadas, inteligentes, sensatas. Você que tem sempre um programa divertido pra sugerir. Um filme legal, um livro. Uma nova bebida no Primo Café.
Uma massoterapeuta incrível.
Um creminho milagroso que você usou.
Uma loja cuja vendedora é uma simpatia. Em que os preços estão lá embaixo.
Onde começou aquela mega promoção.
Por favor, pessoa real: surja na minha timeline.
Apareça, manifeste-se, some, inspire, exista!
Chega de ficarmos presos a estereótipos de idade, tamanho de manequim, tipo de cabelo ou comportamento.
Estamos na moda. Todos nós. Ditamos tendência. Somos reais.
Que a indústria da publicidade se encaixe na gente.
Estamos cansados de tentar nos encaixar no minúsculo espaço dos padrões inatingíveis.
Um beijo!

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