Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O que o espelho dos deuses refletem de você?

Conta a lenda que quando a deusa Ética resolveu descer do Olimpo, tomou forma de uma linda mulher, para impressionar a humanidade. Já por aqui, deslumbrava a todos que viam sua resplandecente figura ao longe. Porém, quanto mais a Ética se aproximava, mais as pessoas mudavam suas expressões e fugiam.Triste e desiludida, a Ética resolveu voltar para junto dos deuses, e no caminho encontrou a deusa Verdade. Percebendo a decepção da amiga, perguntou o que acontecera.
Ética explicou que apesar de ter descido em forma de uma bela mulher, todas as portas se fecharam, bem como os sorrisos. Todos se afastaram. Então a Verdade esclareceu a situação. “Cara Ética. A culpa não é sua. Nós, deuses, quando descemos para a Terra, por mais belos que estejamos em nossa forma humana, simplesmente nos tornamos espelhos de quem se aproxima de nós”.
Eu fico me perguntando qual meu reflexo no espelho dos deuses. E também me conformo em saber que o reflexo muda, conforme passam os anos. Embora a gente envelheça por fora, acredito que fiquemos mais bonitos por dentro, quando adquirimos mais sabedoria, humildade, generosidade, empatia.
Conheci muita gente que sofreu um envelhecimento precoce. Na velocidade de apenas uma conversa.
Aquele sorrisão branco, com os dentes perfeitamente alinhados. Pele lisinha. Com roupas bonitas, perfumes caros, cabelos sedosos, gestos milimetricamente delicados. Aquela pessoa que chega e chama atenção. Cuja beleza resplandece à distância.
Mas cuja pele se enruga e perde a cor. Cabelos vão caindo, quebrando, perdendo o viço. Cujas unhas escurecem e crescem retorcidas por todos os lados. Cujos dentes, ao nos aproximarmos, são escuros e corroídos. Cujo hálito deixa os locais contaminados, impregnados. Cuja voz incomoda os tímpanos. Cuja presença deixa o ambiente pesado, sombrio e triste.
Não há beleza que resista a uma alma amarga.
A uma boca que serve somente para diminuir os outros.
A uma mente doentia que inventa, aumenta ou simplesmente espalha as desgraças alheias.
A um dedo que aponta.
A um olhar que julga sem justiça.
A uma palavra maldita.
Há tempos consigo ver como é feia e triste a figura de quem fala do alheio.
Alimenta-se de pequenas e grandes tragédias.
Ri das desgraças da vida.
Aponta deslizes.
Envenena amizades.
Espalha dor.
E reproduz a maldade.
São os que fogem da ética e não se reconhecem no espelho da verdade.
São tão feios por dentro, que a escuridão que carregam escapa pela boca toda a vez que deixam jorrar de dentro de si aquilo que o coração está cheio: frustração.
Gente bonita diz coisas bonitas. Gente bonita carrega coisas bonitas do lado de dentro.
Gente bonita reflete luz.
Gente bonita não é só bonita na aparência. Gente bonita de verdade faz o mundo mais belo.
O que os espelhos da ética e da verdade refletem diante de você?

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