Oi
geeente!
Num sábado à noite qualquer,
estava indecisa sobre o que pedir na tele-entrega para jantar. Filé ao molho
disso, ou daquilo? Pizza? Massas? Sushi? Sabe quando você abre a porta da
geladeira e nada te satisfaz?
Se temos muitas opções,
geralmente ficamos indecisos e perdemos a oportunidade de darmos valor às
coisas certas.
Lembrei dos meus primeiros
meses de gravidez, quando os enjoos fortíssimos não me permitiam sequer pensar
em comida. Todos os cheiros e gostos revoltavam meu estômago, de modo que havia
perdido um dos maiores prazeres da minha vida: encher bem o bucho. O único
alimento que não me fazia mal, e que dava água na boca era a maçã!
Sim, essa fruta comum, que
por vezes discriminamos na prateleira do mercado, porque está sempre à nossa
disposição, praticamente nas quatro estações do ano. Não tem o glamour de um
cacho de uvas dedo de dama, nem é tão exótica quanto a fruta do conde.
Simplesmente é uma tradicional e tão facilmente encontrada maçã.
Pois pra mim, naquele
período, maçã virou artigo de luxo. O gosto, o suco, a sensação de bem-estar
que proporcionava, elevou a fruta ao mais requintado prato da gastronomia
mundial.
Já
repararam como somos assim em nossa vida?
Pararam para pensar em como
só damos valor, quando o básico nos falta?
Observo o modo como as
pessoas agem e percebo que a maior fonte de arrependimentos em nossa vida é
essa: não valorizar o que é precioso, embora pareça comum. Até perdermos.
Por isso elaborei uma
oração, um mantra, para que eu jamais me esqueça de valorizar o que está ao meu
alcance e que realmente é importante para mim:
Que eu não precise sentir
fome para dar valor ao fruto.
Que eu não precise sentir
sede para dar valor à água.
Que eu não precise ficar
desempregada, para dar valor ao meu trabalho.
Que eu não precise sentir
abandono, para dar valor aos meus amigos.
Que eu não precise ser
traída, para dar valor à fidelidade.
Que eu não precise sentir
desamparo, para dar valor a um abraço.
Que eu não precise sentir
tristeza, para dar valor à alegria.
Que eu não precise perder
tudo, para dar valor ao que possuo.
Que eu não precise de
lágrimas, para dar valor ao riso.
Que eu não precise sofrer
uma injustiça, para aprender a ser justa.
Que eu não precise sentir
desamor, para demonstrar que amo.
Que eu não seja vítima da
mentira, para valorizar a sinceridade.
Que eu não precise me sentir
órfã, para dar valor aos meus pais.
Que eu consiga perceber que
a riqueza consiste nos laços de afeto verdadeiros, que se fortalecem no tempo e
nas dificuldades.
Que eu possa amar cada vez
mais quem está meu lado todo dia, e que enfrenta cada pequeno desafio do
caminho, em detrimento daqueles que oferecem um mundo perfeito e completamente
ilusório.
Que eu não encontre braços
cruzados, para dar valor a uma mão estendida.
E que eu não precise
enfrentar a morte, para dar valor à vida.
E que eu saiba ser grata,
por receber de presente aquilo que dá sentido à nossa existência: o amor
verdadeiro.
Amém!






