Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Eu que não amo você...

Oi geeente!

Eu que não fumo, pedi um cigarro. Eu que não amo você...

Comecei a coluna dessa semana com essa música dos Engenheiros que eu amo, e que retrata um dos piores hábitos que nós desenvolvemos ao longo de nossa vida em sociedade: a negação da verdadeira intenção, dos sentimentos.

Quando somos crianças expressamos nossos sentimentos sem nenhum pudor, disfarce ou medo. Se gostamos, sorrimos. Se não gostamos, choramos. É incrível a verdade que há em uma criança, e é incrível a capacidade de nos afastarmos dessa verdade quando adultos.

Outro dia, recebi a visita de uma amiga, que tem uma menininha linda, bem naquela fase de falar o que pensa e o que sente, colocando os adultos em maus lençóis. A menina viu que em cima da mesa estava um litro de coca-cola e na hora, cutucou a mãe e falou: - Mãaae, tô com sede.
Eu, imediatamente servi um copo de refrigerante para a menina, enquanto ela olhava com carinha de “desculpa” para a mãe dela. Foi aí que a garotinha soltou a pérola: - A mãe disse pra eu não pedir comida, mas bebida podia, né mãe?

Eu comecei a rir, e pensar que desde cedo vamos sendo “educados” para esconder nossos desejos, disfarçar nossas vontades, nos mantermos firmes e eretos, mesmo nas situações mais difíceis. Somos doutrinados a fingir que tudo está ótimo e sob controle, mesmo quando não está.

Perdemos a naturalidade, essa maravilhosa e cativante qualidade de sermos originais, verdadeiros e únicos. Aos poucos, vamos nos tornando o que os outros esperam que sejamos.

Não me compreendam mal. Não penso que devemos sair por aí sem noção, passando por cima de tudo e de todos em busca de nossos desejos. Espontaneidade não significa falta de educação.

Mas em nome das regras morais e sociais, muitas vezes nos perdemos de nós mesmos nas pequenas coisas.

Ficamos com vergonha e medo de dizer que amamos. Ficamos com receio de abrirmos nosso coração, achando que os outros nos acharão fracos.

Ficamos tão mecanizados que começamos a agir de forma automática. Até mesmo quando pedem se queremos repetir a sobremesa na casa de alguém, nos constrangemos, achando que vão nos achar gulosos. E negamos a oferta, ainda que babando por mais uma bolinha de sorvete!

Banho de chuva, abraço apertado, riso solto, gargalhada, sujar a roupa, andar descalço, chorar em público, admitir o erro, comer até a barriga doer, dançar desordenadamente, brincar, sonhar... Coisas que praticamente não conseguimos mais fazer.

Porque afinal, crescemos, somos adultos. Precisamos ser responsáveis, politicamente corretos, defender uma causa bem complicada, falar difícil, sermos discretos, amarmos mansamente e sem arroubos, rirmos sem mostrar os dentes. Precisamos conter as emoções, demonstrar força e grandeza.

Deusulivre fraquejarmos! Admitirmos fracassos, termos um amor não correspondido, sermos demitidos, não conseguirmos a vaga no emprego, não chegarmos em primeiro lugar.

Escondemos nossos fracassos sem nos darmos conta de que são esses tropeços, que nos fortalecem. Nos escondemos atrás de uma perfeição que não existe.

Ah, deixemos disso! Por favor, não quero exaltem minhas qualidades, mas sim, que perdoem meus defeitos. Porque eles são muitos.

E quanto a nós.... que tal deixarmos a criança que existe dentro de nosso coração se manifestar? Ralar o joelho, quebrar a cara, começar de novo, sentar no chão e chorar?

Porque só assim viveremos de verdade, sem representar um papel na sociedade, fazendo apenas o que os outros esperam que façamos.

“ Pessoas perfeitas não mentem, não bebem, não brigam, não erram e não existem”.
Charlie Chaplin
Beijos meus amores!


5 comentários:

  1. Amada Miche, eu sou uma verdadeira "criança grande", entende!!! hj por exemplo to trabalhando de pantufas da Joaninha em plena administração mUnicipal, motivos de risos de meus colegas e daÍ??? daí que não me importam com o que as pessoas pensam ou deixam de pensar de mim, sou mais Eu e vivo de acordo com os meus sentimentos, sei ser racional e responsavel sem deixar o que eu realmente gosto de fazer nas entrelinhas pelo fato de ficar me preocupando com o q a sociedade vai pensar ou não.

    muito amor pra vc

    te adorrrrooooooooooo e eh sempre um privilégio ler seu blog.
    Bjs e bom FDS.

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  2. Dona Mi!

    Vou ser breve e direto: Que texto brilhante!

    Beijão pra você, lindona.

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  3. Felipe!! Que bom receber tua visita e principalmente teu recado. Um beijo, bom findi pra ti!!
    E Beta, pagava pra ver tuas pantufas na prefeitura haha ;) Beijo!

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  4. Oi!!! Infelizmente a gte vai ficando com medo do ridículo, e esse medo faz com que nós deixemos de viver muitas coisas inesquecíveis!
    Beijos
    Martha

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  5. Adorei seu texto e seu resumao da musica que eu amo!! PARABENS QUERIDA SUCESSO NA TUA VIDA!!!

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