Devaneios tolos... a me torturar.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A cirurgia de nariz...

Oi geeeente!



Arrumando velhas gavetas, encontrei uma caixa com os dizeres “jornalismo”. Eram as fotos do tempo da faculdade, um dos períodos mais incríveis da minha vida. Meus colegas com seus cabelos cafonérrimos, calças jeans fora de moda, e com carinha de bebê. Em uma foto, estava o “Nariz” (apelidinho carinhoso), de mãos dadas com uma das mais lindas colegas que eu tive. Ele, na época, cursava medicina, e todos se perguntavam como tinha conseguido conquistar aquela gata, possuindo aquele nariz todo. Pois é. Quem vê nariz não vê coração.

O Nariz era maravilhoso. Engraçado. Bem humorado. Inteligente. Hoje um médico de sucesso. Mas na época, era “o melhor amigo das mulheres”. Nunca foi, obviamente, o mais popular. Isso porque costumávamos encher os olhos com os estereotipos de beleza, os que cursavam educação física e possuíam a estética perfeita.

O Nariz gostava da Mariana. E ela, era linda de doer, e nem por isso burra, chata ou antipática. A Mari vivia pendurada no Nariz pra cima e pra baixo. Desde o início, ela se apaixonou por ele. Namoraram, casaram, tiveram filhos. O Nariz se formou, se especializou em cirurgia plástica, e... finalmente cortou aquele tucano.

Infeliz com meu nariz, consultei o Dr. Henrique (ex Dr. Nariz). E quando ele abriu a porta do consultório, quase tive uma síncope. Ele está lindo. Um sorrisão aberto, super atlético, bem sucedido, e principalmente, de uma simplicidade e simpatia que sempre lhe foram características.

Aproveitei pra ver a Mariana, que estava lá, trabalhando como sua secretária. Os dois são grandes parceiros. Pois a Mari estava bem acima do peso. Deixou para trás seus 54 quilos bem distribuídos. O rosto já apresenta as primeiras ruguinhas de expressão. Ela ainda é linda, reluz pelo que é por dentro, mas se olharmos a antiga foto, a situação se inverteu. Talvez hoje, as pessoas na rua se perguntem: O que esse homem divino viu nesta mulher comum e acima do peso?

Quando entrei na sala para a consulta, a primeira coisa que o Dr. Henrique me pediu foi: - Porque você quer mudar seu rosto? Porque o nariz te incomoda? Você está feliz? Você confia no seu poder de conquista? Acha que uma parte do seu corpo que você não gosta, compromete o todo? Fomos conversando, e eu respondendo às perguntas.

Então ele falou: - Eu recebo mulheres infelizes e inseguras todos os dias. Iludem-se que seios maiores farão com que as outras pessoas olhem para elas de maneira diferente. Acham que não encontraram um bom parceiro para dividir a vida porque possuem um nariz grande demais, uma boca pequena demais, orelhas de abano, uma gordurinha localizada. E aí, fazem todas essas cirurgias, para perceberem, que no fundo, nada mudou.

E ele continuou: - Lembra do meu apelido de nariz de fumar na chuva, napa, tucano? Pois ele nunca, nunca me prejudicou. Na verdade, ele me ajudou. Ajudou a fazer com que os outros se esforçassem para me conhecer além da aparência. Jamais precisei usar minha beleza exterior para conquistar alguém. Namorei a garota mais linda da universidade. Com ela me casei e tenho uma família. O nariz não me atrapalhou nos estudos, nem na profissão. O nariz nunca foi empecilho para a minha felicidade.
E eu disparei: - Então porque você fez plástica?

E ele riu: Por mim mesmo. Ninguém precisa carregar um nariz do tamanho do Everest a vida inteira. E quando eu percebi que eu queria ficar de bem comigo mesmo, e que realmente meu nariz não iria mudar nada para os outros, só para mim, eu mudei.

Saí de lá muito mais feliz. Percebi que realmente as mudanças na minha aparência nunca representaram mudanças em minha vida, em minhas relações e com relação aos que me amam de verdade.

Olhar no espelho e gostar do que vejo, hoje, para mim, reflete principalmente a aceitação de quem sou, e não da forma como me pareço. Por isso, amigos, vamos nos aceitar e nos amar, acima de tudo. Peito, bunda, nariz de Barbie, pele lisinha, barriga sarada não garantem felicidade.

 E viver para manter a aparência, é realmente a maior prisão que podemos construir para nós mesmos.
Sou a favor das cirurgias estéticas. Pelos motivos certos. E na medida certa.
Beijos!

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