Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Reféns

Oi geeente!


 
No ultimo sábado, quando cheguei na rádio para trabalhar, encontrei o Eduardo escrevendo a matéria sobre a execução de um homem na Vila Verde. Como bom repórter, ele não deixou de registrar as imagens muito tristes, de cenas que, antes, eu só via nas matérias do JN. Seis tiros a queima roupa, dois na cabeça, às 8 da noite, no meio de todo mundo.

Nunca servi para fazer cobertura policial, porque fico muito impressionada. Na noite daquele sábado, estava em casa sozinha, e tive um pesadelo horrível, com homens armados, carros em alta velocidade e alguém fugindo, desesperado. Acordei apavorada, na madrugada, e escutei um barulho, do lado de fora do apartamento, que dá para um pátio, onde moram meus pais. Minha cachorrinha começou a rosnar, e eu ainda tremendo do pesadelo, resolvi ver o que era. Não sei como consegui caminhar do quarto até a sacada, onde tem uma porta de vidro para a área externa. Quando liguei a luz, pelo vidro, um homem alto, encapuzado, espiava para dentro de casa, com uma arma na mão.

A única coisa que consegui fazer foi gritar. Mas gritei tão alto, que acho que acordei metade do meu prédio.

E me acordei também! Tudo tinha sido parte do mesmo pesadelo! Estava ensopada de suor, e ao mesmo tempo, gelada, sem conseguir me mover. O coração a saltar pela boca.

Sentir medo paralisa. Quem tem muito medo, sente-se impotente, não reage, é vítima fácil, comida para os leões.

E, infelizmente, nós estamos sentindo medo. Nossas portas e janelas já não ficam mais abertas, e pensamos duas vezes antes de descer do carro para abrirmos o portão para entrar em casa. Portões eletrônicos, alarmes, seguranças particulares e câmeras batem recordes de vendas. Já não podemos circular por qualquer lugar, à noite, na nossa cidadezinha do interior. Enriquecemos, e atraímos aqueles que, buscam dinheiro, através do terror.



Observamos muitos se deixarem levar pelo vício da cocaína, do crack, das drogas pesadas, e, enquanto ficam chapados, a sociedade paga a conta aos traficantes.

Conheço pelos menos duas pessoas de meu círculo de amigos que tiveram suas casas invadidas por este tipo de marginal. Tenho conhecidos que ficaram amarrados, e sofreram violência, psicológica e física, cometida por este tipo de bandido.

Se, cada um de nós, conhece, em uma cidade de 23 mil habitantes, pelo menos duas vítimas de violência, significa que, muito em breve, as vítimas seremos nós.

Enquanto um amigo seu compra cocaína do pequeno traficante, alguém, graúdo, perigoso e disposto a tudo, direciona seu olhar para Guaporé. Porque há mercado. Há consumo.

Tente vender poncho e cobertor no Nordeste, para ver se você sobrevive. Claro que não! Então porque Guaporé atrai tantos traficantes? Quem acompanha o trabalho da polícia, sabe que, ao prender um, outros cinco aparecem. Alguém abastece essas células. Alguém cobra suas dívidas.

E o preço pode ser alto demais. Causa-me arrepios pensar nesse tipo de gente andando pela cidade. Bandidos, da pior espécie, circulando pelos bairros, cruzando com a gente nas ruas.

Reféns. Estamos nos transformando em reféns do nosso próprio poderio econômico. Uns dizem que é o preço do progresso. Mas eu acredito que, boa parte, é o preço pelas más escolhas que fizemos. Quem usa droga financia o crime. Ajuda a apertar o gatilho.

Quando era pequena, tinha muito medo de alma penada, bruxa, lobisomem, vampiro.

Hoje... tenho medo de gente!

“As grades do condomínio são pra trazer proteção. Mas também trazem a dúvida se é você que está nessa prisão.”

O Rappa

Nenhum comentário:

Postar um comentário