Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Vergonha na cara

Oi geeente!

Recebi uma carta de um trabalhador, pai de família. O salário dele girava em torno de R$ 700. Ele conta que começou a trabalhar na empresa, viu-a crescer. Viu seus donos adquirem bens, curtirem a vida, esbanjarem em festas e aparência. Crescerem em status.
Em contrapartida, a empresa foi indo cada vez pior. Conta ele, que mesmo quando as coisas já não iam bem, a ostentação aumentava. E os funcionários preocupados, foram orientados a continuar trabalhando e se dedicando, até o fim.
Ele conta que ficou sem receber dois meses e que manteve-se trabalhando, na esperança de que, se o pior acontecesse, pelo menos o que lhe era de direito, fosse pago.
Mas não foi o que aconteceu. Ele, como todos os outros que só deixaram o barco quando o mesmo naufragou, não receberam nenhuma recompensa pela fidelidade e dedicação.
Até hoje, estão sem seus direitos trabalhistas, sem seus salários atrasados, e cheios de dívidas acumuladas.
Buscam justiça, mas creem que ela não vai chegar.
O leitor pede para não se identificar, e sinceramente, não quero saber onde ele trabalhou, qual o nome da empresa, quem são os envolvidos. Quero dizer, que essa não é a primeira, nem a última história onde a corda estoura para o lado mais fraco.
Não gostaria de ser empresária e de ter, sob minha responsabilidade, inúmeras famílias. Fico pensando nas preocupações de quem emprega dezenas de pessoas, diante de crises econômicas e dificuldades financeiras. Ninguém está livre do fracasso. Mas a diferença de caráter está na forma como cada um administra ele.
Há pessoas que, simplesmente, não se importam. Livram o seu da reta, e que se dane o próximo. Tiram todos os bens possíveis do seu nome, usam de artimanhas e que os funcionários explodam.
Endividar-se, passar por crises homéricas, se enfiar em um mato sem cachorro, é bem comum nos dias atuais. Não penso que é vergonha cair, desde que, com humildade, caráter e honra, se trabalhe para recuperar o nome, livrar-se das dívidas, e ressarcir aqueles que foram prejudicados.
O que me surpreende é a capacidade de muitos de dar o calote e fingir que nada aconteceu. Ainda se fazem de vítima.
Em maior ou menor grau, a falta de vergonha na cara vai virando moda. A perua sai enlouquecida gastando em todas as lojas. Nunca mais paga. E se ligarem cobrando, diz que vai processar!
Fulano de tal pede dinheiro emprestado pro amigo e nunca mais devolve. Perde o amigo, mas não perde a pose.
Beltrano sequer paga a conta no supermercado há meses, mas anda no carrão do ano. Não estão nem aí! Devem, não pagam, e não se importam.
Talvez por isso esteja tão difícil hoje em dia encontrar um fiador. As pessoas dão calote em pai, mãe e filhos. O tempo da palavra de honra já se perdeu de vista. Não sabem nem o que é palavra. Honra, então!
Malandro é malandro, mané é mané. Não por nada muitos “golpistas” estão falidos hoje, e amanhã estão milionários.
Feio mesmo é ser honesto. Porque honestidade hoje, rima com burrice. Aquele que não leva alguma vantagem é bobo. Trabalha a vida toda feito burro de carga e não consegue sair do lugar.
Bonito mesmo é ser malandro. Dar nó em pingo d’água, comer lagosta e beber champagne a beira mar. Se fui pobre, não lembro! Se fui honesto... deve ter sido em outra encarnação!
Enquanto ninguém tomar uma atitude para que isso mude, os bons continuarão pagando pelos maus.
 O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade”. Albert Einstein
Beijos!

5 comentários:

  1. Disse tudo!! Aaaaahhhh como tem gente que precisa ler isso...e se atingir pelo 1 pessoa, no sentido de "despertar da consciência", vc já terá feito sua contrinuição para o mundo hehehehe beijosssssssssssssssss

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  2. Nossa, sou do tipo que fica doente quando está devendo. Mas devo estar em extinção, porque cada vez mais, as pessoas não pagam suas contas, nem sequer sentem vergonha, ainda frequentam nossas casas, nosso grupo de amigos, na maior cara de pau. Simplesmente "esquecem".

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  3. Eu tbém sou meio bitolada com essas coisas. Odeio ficar devendo, mas nunca tive boca pra cobrar. É que eu penso: se eu morro de vergonha de dever pra alguem, suponho que a pessoa sinta o mesmo. Mas nao, tem gente que realmente não está nem aí. Cada cabeça uma sentença.

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  4. "Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.
    No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.
    No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.
    No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar..."

    Martin Niemöller, 1933


    Continue sempre te incomodando e denunciando as injustiças, pois além de tudo é teu dever de ofício!

    Te cuida mas não te comporta.
    bj

    p.s

    Estás muito linda na foto do post anterior.

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  5. Que texto mara! Vou utilizar por aqui na rádio! Beijooo!
    Obrigado pelo elogio! ;)

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