Oi geeeente!
Mudou do dia para a noite.
Não atendia o telefone, não topava mais o happy hour com amigas.
Saiu do facebook.
Do twitter.
Abandonou a turma.
Deixou de ir para a academia.
Amigos homens, cumprimentava só de longe.
Isolou-se no universo paralelo do amor.
Afinal, o que ele pedia era normal, no início do namoro: que as atenções ficassem voltadas para ele.
Quem antes era fundamental em sua vida, agora já não fazia falta.
Mudou de estilo, de gosto musical.
Passou a ri mais baixo, já não era extrovertida.
Dividiu a cama, e todas as senhas.
Era refém do amor.
Uma sombra.
Um zumbi.
Deixou de comparecer a festas de aniversário e ocasiões sociais.
Era vista sempre em dupla. Já não existia sozinha.
Exigências do amor.
Achava bonito o ciúme e o sentimento de posse.
Na verdade, sentia-se completamente dele. Tão dele, tão dele, tão ele.
Deixou de ser quem era.
Podaram-lhe as asas.
Arrastava-se agora. Pés firmes no chão.
Perdera a identidade.
Amigos de infância, amigos de faculdade, amigos de toda uma vida.
Reduzidos a pó, na sua vida nova.
Vivendo um grande amor.
Como era espelho de seu amado, também começou a refletir suas atitudes.
O proibia do futebol. Do churrasco. Do convívio com amigos.
Amigas mulheres, piranhas. Que se afastasse delas.
Até começou a pegar no pé da sogra.
Queria as senhas, queria fechar a conta das redes sociais. Queria ter suas digitais.
Exigia, sem perceber, o que lhe era exigido.
Queria o documento de proprietária.
E então, o que antes era tão bonito, tornou-se obsessão.
Cobranças, brigas, desacatos. Mil e um barracos.
O amor virou obrigação.
Promissória, dívida, dor, traição.
Tarde demais, perceberam, que o oxigênio do amor era a liberdade.
Que viver sem asas, era viver pela metade. E o amor precisa ser inteiro.
Tarde demais para ambos, chegaram à simples conclusão:
O amor não deve mudar ninguém. Mas o amor transforma. Se bem vivido, transforma a lagarta em borboleta. Se mal vivido, transforma a borboleta em lagarta.
Cultivaram a dois, o vazio da solidão.
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Quantas pessoas que você conhece já passaram por isso? Eu mesma conheço umas quantas. Relacionamentos doentios e possessivos geralmente tem prazo de validade curto. Chega uma hora, que um dos dois precisa romper as correntes. Salvar-se.
Medida certa: cada casal precisa ter seu tempo junto, mas também tempo para curtir amigos e família. Individualidade também é saudável no amor.
Camaleão: há pessoas também que mudam completamente a cada novo namorado. Se o namorado gosta de rock, viram roqueiras, se gosta de sertanejo, dormem de botas de cowboy, se gostam de música gaúcha, viram prendas de CTG, e por aí vai. Todo homem gosta de mulher que tenha personalidade. Preserve a sua!

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