Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A cegueira da visão

Oi geeente!


Já comentei várias vezes que, por conta da minha gravidez, andei passando muito mal, nos últimos meses. Mas eis que em uma manhã fria, acordei sem os enjoos tradicionais, mais animada. Consegui arrumar os cabelos, passar um reboco na cara, e saí faceira para o trabalho. Desci do carro, e atravessei a calçada me achando a última bolacha do pacote, rumo à Rádio Aurora.

Quando cheguei à escada que dá acesso à emissora, dei uma trombada de cabeça, mais propriamente na metade da testa, em um portão de ferro, que não estava totalmente erguido. Mas pensem em uma cacetada!

Como a vergonha vem em primeiro lugar, olhei ao redor pra saber se alguém tinha visto aquele mico. Depois, fora metade dos chifres que eu arranquei com a porrada, levei umas duas horas para lembrar quem eu era e onde estava. Sem falar que desfilei com uma marca vermelha dividindo o cabeção por uns dois ou três dias. Era a versão feminina do Rambo!

Agora eu pergunto, nobres leitores: De onde surgiu aquela m@#%* de portãaaaao? Eu nunca tinha visto ele lá antes!

Pois é. Num passeio pela cidade, em um sábado ensolarado, também reparei em prédios que surgiram “do dia para a noite”. Em jardins, que antes não estavam lá. Em canteiros, que haviam desaparecido. Em novas cores em casas antigas. Em muita gente desconhecida nas ruas. As coisas mudaram tão rapidamente, ou eu, que andei cega por aí?

Onde quero chegar com essa história toda?

Circulamos como baratas tontas. De olho no relógio. No celular. No Iphone. Respondendo mensagens. Atendendo ligações. Olhando para os pés. Pensamentos mil anos luz. Somos a geração do futuro. Estamos sempre no amanhã. Não conseguimos desfrutar o hoje.

Somos a geração fast food, disque pizza.

Que saudade do pão da minha avó. Eu sabia como ele era feito. Com paciência, via ela molhar a farinha, amassar, deixar crescer, assar. Depois fatiava, passava manteiga e servia com café.

Hoje em dia temos tudo pronto. Num mundo não muito distante, mandaremos fabricar nossos bebês, e a moto da UTI vem entregar em casa.

Precisamos desacelerar e observar mais. Há mudanças de cenários a cada nova estação. As folhas que amarelam, caem, as árvores nuas, os brotos, as novas folhas, as flores e os frutos. As sementes, e as novas árvores.

Precisamos perceber as mudanças ao nosso redor. Desde as mais sutis, às mais significativas. Precisamos erguer os olhos e enchê-los de horizonte.

Chega de cegueira.

A pancada me abriu os olhos. Eu simplesmente ando de cabeça baixa, sem enxergar os portões. Na porrada a gente aprende, mas não precisaria ser assim.

Não raro, nos deparamos com um homem que já não conhecemos, ao lado, deitado na cama. Ou com um filho que ontem era um bebê, e hoje já é um homem. Com um amigo íntimo que, de repente, tornou-se um estranho.

Assim como os cenários, as pessoas também se transformam. Se não acompanharmos essas metamorfoses, nos tornaremos cada vez mais sós.

Mas fiquemos bem atentos: pior que não enxergarmos as mudanças que acontecem ao nosso redor, é não enxergarmos as mudanças que acontecem conosco.

Essas são ainda mais importantes.

Conheço muita gente que é infeliz, sendo um completo estranho, vivendo no próprio corpo.



Beijos, meus amores!

Mural de recados:

Gente, se prestarmos atenção, perceberemos que todos nós andamos meio alucinados por aí. Outro dia, depois de muito tempo, conversei com um primo no Facebook. Eu disse a ele: -Nossa, como tu cresceu. Se tu me enxergar na rua, vem falar comigo, porque é capaz de eu não te reconhecer. E ele: - Pois é, isso já aconteceu diversas vezes.

Estão entendendo? Não podemos deixar que essa correria louca nos afaste da família, dos amigos, do contato pessoal. O mundo virtual não pode substituir o mundo real.

2 comentários:

  1. lindo arte de escrever desenhar fotografar, arte de amar o amor incondicional perfeito as
    flores no jardim o perfume no ar e as palavras
    que fazem tão bem inteligente e comprometida com a vida isto faz energia positiva gentileza
    que gera amigos. Uma caixa cheia de energia positiva que trupicadas e malabarismos tua criação nunca se afaste do amor condicional a vida.

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