Oi geeente!
Toda a vez que minha filha Olívia começa a reclamar de fome,
eu sento confortavelmente no sofá, ofereço meu peito, e enquanto a pequena se
alimenta, pego meu smartphone e começo a navegar pelas redes sociais. Foi assim
que cheguei a uma conclusão que me fez parar para pensar.
É senso comum que a internet conecta o mundo. Mas nos
desconecta de quem realmente importa. É uma desconexão sutil, nem nos damos
conta. Mas, cedo ou tarde, isso fará a grande diferença em nossas vidas.
Penso que caminhamos para um futuro, onde seremos “avatares”
de nós mesmos. Estaremos lá, trancados no quarto, conectados a nossos aparelhos
eletrônicos, super evoluídos, deitados, olhos esbugalhados voltados para o
teto, extremamente sós. Porém estaremos virtualmente em diversos lugares ao
mesmo tempo. Como se pudéssemos deixar a casca para trás, poderemos estar na
festa virtual da nossa melhor amiga, na viagem de férias com a família, e na
reunião de última hora da empresa.
Estaremos presentes em pensamento em muitos lugares ao mesmo
tempo, sem estarmos realmente lá. Não sentiremos mais o cheiro do vento, o
arrepio causado pelo toque da grama molhada no pé descalço, o laço de um
abraço, a força de um olhar.
Isso parece ficção científica, mas se continuarmos assim, teremos
milhões de amigos virtuais, e nenhum ombro amigo do nosso lado.
Seremos as pessoas mais populares e solitárias do planeta,
com milhares de curtidas, compartilhamentos, bate-papo no chat, chamadas ao
vivo pelo skype, e ninguém para nos esquentar na cama numa noite de inverno.
Já nos tornamos meio androides, não existimos sem nossos
celulares inteligentes, sem wi-fi, sem a tecnologia.
Há crianças hoje em dia que nem aprenderam a falar, e já
passam seus dedinhos rápidos pelas telas touch screen, já fazem selfies nos
celulares dos pais e já tem seus tabletes com joguinhos coloridos e
barulhentos. Nunca viram uma galinha e dificilmente saberão o que é brincar na
chuva, andar de bicicleta, tomar banho de cascata.
De tão “conectados” no presente, deixamos de nos preocupar
com esse futuro. Mas ele pode chegar mais rápido do que imaginamos.
Voltando à questão de amamentar minha filha, como contei no
início do texto, no momento que ela mama, tenho hábito de entrar no Face, no Instagram,
e me distrair. Mas de uns tempos pra cá, ela começa a chorar!
Sim! Resmunga, faz cara feia, larga o peito e abre o berro.
Quando amamentamos nosso bebê, um forte laço invisível
conecta mãe e filho. É a linha do amor. Porque neste momento, eu preciso estar
atenta a ela, e ela atenta a mim. Cria-se uma ponte quase palpável entre nós. É
quando nos comunicamos, sem a necessidade de palavras.
A Olívia, tão pequena,
tão frágil, tão sábia, me fez compreender que toda a vez que eu estou com ela
de corpo presente, mas com a mente dispersa, essa ponte se rompe, e nos
distanciamos.
O choro dela me alertou para isso.
Foi ela, que me fez perceber algo tão óbvio para todos nós e,
no entanto, tão difícil de enxergarmos:
A internet está nos
conectando com o mundo, e nos desconectando do nosso mundo.
Está rompendo pontes, desfazendo laços, criando buracos,
dificultando abraços.
Enquanto é tempo, voltemos ao olho no olho, a conversa ao pé
do ouvido, às mãos dadas, e a conexão com quem está ao nosso lado, e que
realmente faz a diferença na nossa vida.
Voltemos ao tempo em que a amizade era tão real, que podíamos
tocá-la e que os amores eram tão presentes, que dormiam ao nosso lado.
Um beijo, meus amores!
Em tempo: é o exagero que faz o remédio virar
veneno.





