Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Envelhecer sem perder a majestade!


Oi geeeente!
Outro dia, em Porto Alegre, me chamaram para participar de uma pesquisa sobre comportamento. As mesas, uma do lado da outra, apontavam as faixas etárias a serem abordadas. Eu (humildemente) me encaminhava para aquela que correspondia à faixa das balzaquianas, quando o mocinho que organizava, me corrigiu gentilmente: - A mesa dos 20 anos é aquela ali do lado. Aqui, dos 30 aos 40, abordamos mais questões sobre organização familiar, maternidade. Na outra queremos saber sobre comportamento e gostos da juventude.
Eu, que a cada manhã me aproximo mais dos 34 anos, saí saltitante até a mesinha dos 20, a bordo da minha bermuda jeans, da minha meia calça, minhas botinas, minha camisa xadrez, respondendo perguntas sobre gosto musical, carreira, viagens, etc. Geralmente as pessoas acham que não cruzei a fronteira dos 30. E, sinceramente, não cruzei mesmo.
A verdade é que (graças a Deus), ninguém mais envelhece. Nas viagens que faço, vejo senhoras de 80 anos borboleteando como se tivessem 15. Elas são alegres, vestem-se bem, adoram se cuidar, têm papos interessantes, e têm uma gana de viver, maior do que muita menininha por aí.
Já não existem mais avós como antigamente. Hoje, o auge da beleza de uma mulher acontece lá pelos 40 anos, simplesmente porque ela descobre-se segura de si, percebe o poder que tem, e não se permite envelhecer. Pelo menos não mentalmente.
Não estou dizendo que precisamos consultar a Cirurgiã Plástica Medusa, e pedir: - Por favor, petrifique meu rosto, para que eu não tenha pés de galinha!
Não é isso. Estou falando de manter-se jovem no visual e nas ideias. Continuar produtiva no mercado de trabalho, uma menina no brilho do olhar, e uma mulher linda, poderosa e sedutora, aos 60, 70, 80.
Vestir-se para ficar bela, manter o cabelo sedoso e saudável, investir em pequenos procedimentos pouco invasivos para manter o viço da pele, praticar exercícios físicos, manter o círculo de amigas, e sonhar. Sonhar sempre! Eis o segredo para perder 10 anos num piscar de olhos!
Há 50 anos, uma mulher de 40 já assumia a postura de senhora, deixava o cabelo branquear, fazia um coque, vestia seus óculos de lentes grossas, e passava suas horas de lazer cozinhando guloseimas para o neto, e tricotando meias de lã para o marido. A “vó” de antigamente, colocava a chapa pra descansar no copo de água, enquanto acendia a vela para Nossa Senhora, e rezava o terço.
Vovozinhas assim são artigos em extinção. Frutos de outra cultura, de outro modo de viver. Muitas vezes, foram mulheres podadas, impedidas de ter voz, em famílias enormes, que as viam apenas como cozinheira, como arrumadeira, como parideira. Não como uma mulher. Impedidas de desejar, de amar, de se cuidar, as mulheres de antigamente viviam presas dentro de seus próprios sonhos, muitas vezes caladas.
Envelheciam cedo, embrutecidas pelo trabalho duro, de sol a sol, e pelo pouco acesso à medicina. Adoeciam, morriam jovens. Tinham dezenas de filhos, e passavam a vida a amamentar.
Sou orgulhosa delas, guerreiras de seu tempo. Eram doces de espírito, verdadeiro aconchego, a nós, seus netos. Mas grande parte foi impedida de ser mulher.
Hoje, as coisas mudaram. A juventude que se vê em uma mulher de 30, 40, 50, 60, reflete a alma jovem que carregamos dentro de nós. Ainda criamos filhos e acarinhamos netos. Mas não esquecemos dos carinhos que precisamos ter conosco. Ainda somos mães e avós. Mas até a morte, seremos mulheres. Seremos a Luiza Brunet, a Bruna Lombardi, a Maitê Proença de nossos lares. 


As mulheres de hoje são senhoras do tempo. Dominamos os anos, e usamos eles a nosso favor!
E quem quiser nos dominar, literalmente, leva bala!
Beijo, meus lindos!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Reflexão para o chá das 5

... nenhum exército, por mais corajoso, pode nos ajudar a vencer as batalhas que travamos dentro de nós mesmos.

A gota d´água



... e por menor que seja, é sempre a última gota, que faz transbordar o copo...
Felicidade é aquilo que, doce e macio feito algodão, se disfarça de sonho, pra se instalar na gente.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Virei borboleta

... E já é tempo de agradecer a quem me destruiu, me dinamitou, me implodiu. Eu, era cheia de corredores, sotãos, alçapões e quartos escuros. Hoje, me refiz ampla, arejada, iluminada, feliz. Sem paredes. Sem divisórias. Sem esconderijos. Me mostro, me gosto, (te gosto), enfim, virei borboleta.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A busca

E, num momento de distração, o que eu procurava, simplesmente me encontrou.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Entre o silêncio e o grito




Minha cidade grita.

Não raramente, acordo de sobressalto com sirenes que cortam a avenida, berrando na madrugada.
Entre o sono e a realidade, começo a pensar se tenho algum amigo, parente, querido, na estrada.
Reporto-me a acidentes, perdas, danos.
Penso naqueles que estão com a vida por um fio, em ambulâncias, caminhões de bombeiros, presos nas ferragens, no frio asfalto da rodovia.
Penso nos que circulam pelas ruas, na calada da noite, promovendo violência. Talvez sejam por eles que as sirenes gritam.
Não durmo mais tranquila. Perdi a paz.

Minha cidade grita.

Pela manhã, nem bem o sol nasce, o barulho irritante de potentes sons, de gosto musical duvidoso, acorda crianças em seus berços. Perturba idosos. Polui o precioso e tranquilo silêncio.
São jovens, que sem saber usar o poder do sussurro, procuram provar sua masculinidade com batidas ensurdecedoras, e falta total de bom senso.

Minha cidade grita.

Grita no velório, enquanto choramos nossos mortos, e o carro de som vai passando, oferecendo produtos por R$ 1.99.
Grita na escola, enquanto as professoras se esforçam, em vão, tentando prender a atenção das crianças.
Grita em frente ao hospital, sem respeito pelos doentes.
Grita na missa, impedindo a oração.
Interrompe aquele que meditava em silêncio no banco da praça.

Minha cidade grita.
Grita nas buzinas, grita nos auto-falantes. Grita nas vozes alteradas. Meus conterrâneos querem conquistar o mundo na base do grito.
Minha cidade berra.
Adeus ao dourado silêncio de noites tranquilas. Até os pássaros estão acanhados nos amanheceres.
Talvez não haja mais galos.
Talvez não haja mais grilos.
Alguém ouviu as cigarras no último verão?
E até o sino, o barulho mais alto permitido outrora, agora anda acanhado. Badala quase que se desculpando.

A cidade grita.

As pessoas perderam o respeito pelo direito do outro ao silêncio. A poluição sonora não é punida. Porque, como disse Lispector: se há direito ao grito, então eu grito.
Porém, nessa guerra absurda de sons e vozes, o que talvez não tenhamos nos dado conta é que estamos ficando surdos.
Pode gritar!
Grita, que eu não te escuto.



Beijo, meus amores!