Devaneios tolos... a me torturar.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Para quando eu morrer...

Oi geeeente!


Recebi surpresa a notícia do falecimento de uma pessoa que há anos eu não via. Ela era responsável pela limpeza em uma rádio onde trabalhei. Uma mulher que era feita de pura bondade, sempre sorridente. Gostava de animais, de ajudar os outros, sempre simpática e agradável. Era muito humilde, e vítima de uma doença que lhe roubou a vida, foi enterrada na semana passada.

Quando fiquei sabendo, já era tarde. Mas uma das filhas me procurou, para saber se através da rádio, era possível realizar algum tido de campanha para pagar o enterro da mãe. Tinha custado cinco mil e quinhentos reais. E a família não sabia de onde tirar o dinheiro.

O enterro foi simples, como ela era. Mas nem por isso foi barato. Temo que morrer esteja mesmo pela hora da morte. Imaginem um enterro cheio de pompa e circunstância. Custa mais de 10 mil reais, se bobear, vai para os 20 mil.

Mas o preço da morte fica muito mais caro, se levarmos em conta um terreno no cemitério (Isso, no cemitério. Imaginem o preço do terreno no céu!). Aqui em Guaporé abriram uma espécie de “leilão” de terrenos no cemitério municipal, onde vale a maior oferta. O lance inicial fica em torno de cinco mil reais. Quem der mais, tem direito de escolher o melhor terreno para ser enterrado. É mais ou menos como comprar um apartamento: quem tem mais, fica com a cobertura.

O custo de vida está tão alto, que não dá mais nem pra morrer!Fala sério!

Por isso, aos meus queridos familiares e amigos, aproveito para deixar algumas recomendações antes da minha morte:

Por favor, não gastem quinze mil reais pra me enterrar. Gastem esse dinheiro comigo em uma viagem de navio pelo Mediterrâneo.

Não, não quero cobertura no cemitério. Quero uma casa aconchegante em vida, grande o suficiente para caber meus amigos e as pessoas que eu amo. Venham me visitar sempre que possível.

Não me deem o caixão mais caro. Minha avó, muitos anos antes de falecer, já falava em escolher seu caixão. A Dona Terezinha tinha uma certa obsessão por morrer com dignidade.

Gente, eu quero é VIVER com dignidade. Não pretendo ficar um só minuto no caixão. Quando bater minhas botinhas, automaticamente minha alma vai para um lugar muito mais feliz do que um caixão debaixo da terra. Mesmo que seja um caixão podre de chique.

Ah, também não venham me homenagear no túmulo. Como eu falei, não estarei lá mesmo. Me deem flores em vida, para enfeitar a sala da minha casa. E após minha morte, por favor, dirijam uma oração a mim quando estiverem reunidos, felizes, lembrando dos bons momentos. Querem me dar flores? Cultivem jardins, e deixem o mundo mais bonito!

Eu sei que todo mundo precisa ser enterrado, cremado, enfim. Então, podem me colocar no caixão mais barato, e podem me enterrar debaixo de uma árvore lá nas terras do meu pai. Que antes foram do meu avô. E antes dele, do meu bisavô. Vou virar pó mesmo. Não quero ocupar espaço no cemitério, não.

Muita gente acha que se mede o valor de uma pessoa pelo tamanho do seu enterro. Pelo número de flores que rodeiam seu caixão. Pelo número de pessoas que compareceram ao seu velório. Em cidade pequena, vale o ditado: “Gente importante tem a missa do velório rezada na Igreja. Porque não cabe todo mundo na capela mortuária”.

Uma ova! O valor da gente é medido pelo número de pessoas que conseguimos reunir em vida: porque valorizam nossa companhia, porque nos querem bem, porque nos amam de verdade.

O problema, minha gente, não é garantir que sejamos enterrados com glamour. O problema é garantir, que não sejamos enterrados vivos.

Portanto, tratemos de viver o máximo que pudermos, com a maior intensidade possível. Porque afinal, a morte, além de ruim e inevitável, ainda por cima é cara!

Beijos, meus amores!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Inverno bom pra piriguete!

Oi geeente!



Nesses dias de calor em pleno inverno, quando a temperatura chegou a (pásmen!) 30 graus em julho, lembrei de uma ocasião em que estava em Gramado num domingo de sol, na entrada da primavera. A cidade é pequena e, a cada esquina, nos encontramos com as mesmas pessoas, que estão fazendo o mesmo que nós: turistando.

Pois uma família, que pelo sotaque era do Nordeste, deve ter comprado aqueles pacotes turísticos de final de temporada, com os dizeres: Serra Gaúcha com neve!!!!

Gente, se já está difícil encontrar neve em Bariloche e Santiago do Chile, imaginem em Bento! Pois a família estava confiante, e precisava voltar pra casa com histórias de frio (muuuuito frio) pra contar.

Aquelas criaturas usavam manta e gorro num calor de 40 graus! Enquanto eu me jogava de boca num sorvete, as pobres crianças tomavam chocolate quente e o pai fotografava tudo. A mulher, com as bochechas já vermelhas de tanto calor, posava de casaco de couro e cachecol para uma foto no Lago Negro, e atrás dela o vendedor de pipocas estava de regata. (Imagine quem olhasse as fotos no Facebook! Ia achar que um dos dois estava precisando ser internado!)

Passei o domingo inteiro observando aquela família engraçada, que pagou uma banana para passar férias no frio, e fingiu que estava frio, só para não perder a graça.

No final do dia, desfigurados, os pobres devem ter voltado para o hotel, e devem ter dormido pelados na sacada, pra refrescar.

O que quero dizer é que realmente estamos vivendo um tempo impossível de definir estações do ano. E as pessoas ficam completamente sem noção de como se vestir.

Num sábado de julho, na praça de Guaporé, tanto tinha gente de casaco de lã e bota montaria, como de sandália e barriga de fora. Sim, as bordinhas de catupiry e os piercings saíram para tomar sol! (Nada contra borda de catupiry, mesmo porque eu tenho tanto pneu que posso montar uma borracharia). Destaco é o contraste.

Os pezinhos que estavam de fora em sapatos abertos eram tão brancos, que mais um pouco era preciso chamar a Funerária! Gente, pé de defunto passa vergonha.

Eu mesma estava usando uma básica com um casaquinho e lá pelas tantas precisei arregaçar as mangas e colocar os braços pra fora. Entre o branco da pele e o preto dos pelos dos braços, fiquei com medo de ser confundida com um macaco! Socorroooo!

Não estamos prontos para isso São Pedro! Aqui no sul as mulheres vão gradualmente se preparando para expor braços, pernas, pés e barrigas. Vamos timidamente pegando um solzinho, recuperando um pouco de cor, depois de meses debaixo de casacos pesados.

O inverno quente é a alegria das piriguetes! Isso as livra das graves infecções respiratórias, já que insistem em sair peladas mesmo com temperatura abaixo de zero!

Inverno quente é uma afronta à gauchada, que adora sentar pertinho do fogão à lenha, comendo pinhão, amendoim, batata doce e tomando mate. Tem que ser muito macho pra aguentar uma cuia de chimarrão no inverno dos 30 graus, sem suar!

Minha mãe resolveu fazer polenta no fogão campeiro lá de casa, e coitadinha, foi parara no hospital por desidratação. Entre mexer a polenta e suar, perdeu muito líquido.

Estou com medo do que vem pela frente. No ano passado nosso verão registrou temperaturas mais quentes que as do deserto do Saara.

Não sei que roupa comprar, como vestir minha filha de seis meses, não sei de saio de casa de poncho ou de biquíni.

Vivemos dias em que em menos de 24 horas vamos de zero a trinta graus, num piscar de olhos.

Acho que o clima está louco. Ou os loucos seríamos nós?

Beijos, meus amores!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Nem todo palhaço é feliz

Oi geeente!


Uma conversa entre adolescentes tratava sobre “boicotar a festa de 15 anos da amiga”. Fiquei imaginando a pobrezinha com uma festa vazia, sem os melhores personagens da turma. Principalmente sem os meninos tão esperados, ou sem as meninas consideradas “chefes de torcida” da escola.

Se você passou pela vida sem sofrer um boicote, considere-se feliz.

Boicotar, segundo o dicionário, é punir, recusando-se a ter relações amistosas, criar embaraços aos interesses.

A prática do boicote é muito mais comum do que se pensa. Está acontecendo neste momento, e pode ser que você seja o alvo.

Muitas vezes, ao abrirmos a boca para falar de alguém que não conhecemos, repassando informações maldosas, estamos praticando o boicote. Queimando alguém na sociedade, pelo simples prazer de fofocar.

Outras vezes detonamos estabelecimentos comerciais concorrentes, ou ainda eventos sociais.

Não por nada, percebemos uma migração coletiva de um restaurante para outro, de uma boate para outra, de um bar para o outro, deixando para trás um rastro de empreendimentos mal sucedidos e falências iminentes.

Pegamos também personagens de uma cidade, de um círculo de amizades ou um familiar para “Judas”, e malhamos o coitado até que não lhe reste nenhuma credibilidade.

Basta uma pisada na bola, para que o boicote coletivo aconteça. E aquele fulano ficará marcado para sempre pela mancada que deu, independente de tudo que tenha feito de bom na vida.

Particularmente, procuro me educar para não ser uma “boicotadora”. Porque às vezes, o somos sem nos darmos conta.

Nossa opinião sempre influencia alguém a agir de alguma forma, para o bem, ou para o mal. Precisamos velar por nossas palavras, para que elas trabalhem pela evolução e não pelo retrocesso.

É tão feio boicotar os outros. É tão triste ser boicotado.

Vejo meninas e meninos traumatizados a vida inteira pelos boicotes na escola. Vejo mulheres sozinhas, marginalizadas, porque são consideradas fora dos padrões da sociedade. Vejo homens rotulados disso ou daquilo. Idosos tido como inúteis. Pessoas com alguma deficiência apontados como incapazes. Boicotamos o tempo todo, fechando portas que serviriam de passagem para que as pessoas tivessem oportunidades de crescimento, de felicidade, de inserção na sociedade.

Não ganhamos nada com isso, praticamos por pura maldade.

Também somos recordistas em boicotar nosso próprio país e nosso povo. Muitos gringos que vieram acompanhar a Copa, de espantaram pela hospitalidade, pela excelente comida, pelas acomodações em hotéis, pela beleza das cidades. Chegaram aqui achando que no Brasil só tinha mato, macaco, mulher de bunda grande e samba. Que imagem vendemos? Óbvio que temos muitos problemas sociais, políticos, mas denegrir nossa própria imagem não vai nos elevar ao ranking de país desenvolvido e gente civilizada.

"O Brasil costuma se superar. Já tivemos nosso tempo de vira-lata. Passou. A tendência agora é a síndrome da hiena raivosa. O vira-lata fracassa por medo de vencer. A hiena nervosa deseja o fracasso coletivo como uma forma de vitória particular”

Concordo com o colunista Juremir da Silva. Somos especialistas em jogar caca em nosso próprio ventilador, e depois, sujos de “m”, quando tudo dá errado, afirmamos convictos: “Eu já sabia”.

Somos auto-boicotadores de mão cheia. Boa parte de nós não confia em si mesmo, não arrisca, não vai à luta, com medo do fracasso. Por isso mesmo passa longe das vitórias. Mereceríamos ser mais confiantes. Com certeza alçaríamos voos mais altos. Mas que triste mania temos, não é?

Boicotar os outros é muito ruim, triste e feio. Mas boicotar a nós mesmos, é imperdoável!

Beijos, meus amores!

terça-feira, 1 de julho de 2014

Nossos filhos, nosso espelho

Muitas vezes a escrita nos permite encontros e trocas de experiência com pessoas que jamais imaginaríamos. Escrever é se expor. Você publica sua opinião, e claro, fica lá preparada para ser julgada, apoiada ou criticada. É um risco que se corre.

Depois que fiquei grávida e tive meu bebê, por muitas vezes dividi com leitores meus sentimentos como mãe. As alegrias, as dificuldades, o modo como vejo o mundo e como pretendo criar minha filha. Em um desses encontros de trocas de experiências, aprendi uma lição inesperada, que divido com vocês.

Uma leitora contou que descobriu, ainda durante a gestação, que teria uma filha especial. A menina, chamada Alice, hoje tem a idade da minha filha Olívia.

Enquanto eu fazia todos os exames de pré-natal, pensei em como reagiria se recebesse a notícia de que meu bebê tinha algum problema de saúde.

Pois foi o que aconteceu a ela. No começo, ela conta que não conseguia comer, tomar banho, abrir a janela para ver o sol. Jamais rejeitou a criança, mas chorava desesperada, por dar a luz um ser que ela considerava frágil demais, para as maldades do mundo.

Pensava se, alguma dia, sua filha seria independente, conseguiria ter uma vida normal, sem a proteção dos pais.

Passado o impacto da notícia, ela afirma que a ficha caiu. Que finalmente pode perceber que seria mãe como qualquer outra. Que todas nós estamos correndo os mesmos riscos o tempo todo. O futuro é sempre uma caixinha de surpresas. Então, decidiu ser uma fortaleza, onde sua filha encontraria segurança, e mais do que isso, onde poderia encontrar a ferramenta que a levaria a uma vida como qualquer outra criança.

A mãe de Alice visitou escolas especiais, conheceu crianças prodígio dentro de suas limitações, que superaram limites e diagnósticos. Conversou com profissionais, montou um esquema de estimulação, onde a pequenina receberia todo o apoio para desenvolver-se na parte motora, na fonoaudiologia, para poder levar uma vida como qualquer outra menina de sua idade.

Sentiu-se forte e feliz pelo desafio que a vida tinha lhe dado: seria uma super-mãe, escolhida para conduzir um ser iluminado a evoluir com segurança, afeto, compreensão e amor.

Ela conta que, a partir do momento em que deixou de ver seu bebê como alguém com deficiências, passou a sentir-se incrivelmente preparada para esta tarefa.

Foi aí que ela lançou um desafio para mim, como mãe.

Diz ela:

“Temia por minha filha. Pelas maldades do mundo. Pela forma como as pessoas a olhariam. Talvez com pena, talvez com curiosidade, ou com desprezo. Como mãe, não aguentaria ver minha filhinha sofrer. Por isso, comecei por mim. Me propus a ver minha filha como normal, e assim tem sido desde seu nascimento. É claro que ela precisa de mais estímulos, mas tem se desenvolvido e nos surpreendido a cada dia. É um ser de amor. Puro amor. E quem é assim, sensível, puro, pode ser facilmente magoado. Já reparou, Michele? As crianças estão acostumadas a conviver com amiguinhos de cabelos loiros, cabelos castanhos, lisos ou ondulados, mais baixinhos, mais altos, mais magrinhos. Elas são criadas de modo a não discriminar essas diferenças. São diferenças consideradas normais. Agora, coloque numa sala de aula uma criança com cabelinho sarará, uma bem gordinha, ou com alguma deficiência física ou mental. São essas crianças as vítimas do tão temido Bullyng. Porque essas diferenças também não são respeitadas? Porque existem crianças que são pequenos monstrinhos? Preconceituosas e maldosas? É esta a pergunta que eu faço a você, e por extensão a todas as mães, que neste momento passam pelo desafio de educar e criar um filho. Eu estou criando a Alice para ser e para se ver como uma criança perfeitamente normal.

E você, como está criando a Olívia para ver a Alice?”

Com essa pergunta fecho este texto. Permitindo que todos nós façamos um exame da consciência, para encontrar a resposta.

Beijos, meus amores.

Na foto: esse figurinha é o Vinícius. Ele ganhou um ensaio através de um concurso feito pela Special Kids Photography. (Fotógrafo Eduardo Guillon)





sábado, 28 de junho de 2014

A leitura do ontem, a página em branco do amanhã

Oi geeente!

Não sei se isso é bom ou ruim, mas relendo a mim mesma, em textos de 10 anos atrás, fiquei com vontade de me dar umas taquaradas nas canelas. Bateria em mim com umas belas palmadas. (Ah não, palmada agora é crime!)

Eu e meus discursinhos furados, lições de moral de calcinha e achando que era dona do mundo. Uma vez um senhor disse que eu só escrevia “bobajadas”. Temo que ele tinha razão. Mas eram bobajadas de quem tinha 20 anos, por isso pareciam importantes.

Eu era uma “dessas aí” que me causam arrepios no Facebook. Era a indignada, a revoltada, a bobinha apaixonada, a que se achava... e não era.

Nesses 10 anos, muita coisa mudou... além do meu nariz. Graças a Deus!

Pude fazer uma autoanálise e perceber como cresci. Amadureci muito, mudei muitas vezes de ideia (ainda bem!), parei de julgar os outros, deixei de abordar pequenos assuntos, de gente pequena, como eu.

Não estou merecendo o Nobel de literatura, e muito provavelmente leia esse texto daqui a dez anos e tenha uma vontade louca de cometer o suicídio, de tanta vergonha. Porém, preciso confessar que me sinto muito melhor aos 30 do que aos 20.

Vejo a vida por outros ângulos, tenho horizontes mais largos, menos problemas, mais consciência de meus atos, mais domínio sobre meus sentimentos, bunda mais caída, ops, mente evoluída e mais consciência de que sou feliz.

Se você não passou os últimos dez anos escrevendo uma coluna para o jornal toda a semana, com certeza não conseguirá avaliar com tanta clareza quem você era e quem você se tornou em uma década.

Mas também poderá fazer um “mea culpa” sobre quantas vezes foi infantil, preconceituoso, inflexível, bobinho mesmo.

E com mais facilidade entenderá a infantilidade de muitas mulheres, a imaturidade de muitos homens, as idiotices praticadas na vida real ou na Rede Social.

Ficará mais tolerante ao perceber que o tempo só nos traz benefícios, se soubermos utilizá-lo de forma a evoluir, aprender, ter consciência de que não sabemos tudo, aliás, não sabemos nada.

Nem mil encarnações seriam suficientes para aprender o que as pessoas e o mundo têm para nos ensinar, de bom e de ruim.

Juro que lendo meus textos no blog, fiquei com vergonha de mim. Muitas vezes me deparei com uma verdadeira estranha, com ideias que não eram as minhas. Pensei em apagar todas as postagens que considero bobagens impublicáveis.

Mas depois parei, respirei fundo e percebi que aquela linha do tempo só comprova, na real, o quanto somos apenas uma obra inacabada. Sempre estaremos realizando pequenas e grandes reformas, internas e externas.

Infelizes não são aqueles que foram bobos, ingênuos, rebeldes sem causa, românticos incorrigíveis, infantis ou burros mesmo.

Infelizes os que não mudam nunca. E nem sequer percebem que estão sempre estacionados na mesma vaga, da mesma garagem, com vista a um mesmo paredão de cimento, sempre cinza.

Que bom que tive a oportunidade de me ler no passado. Porque fiquei feliz com quem sou hoje. E estou otimista que no futuro, as coisas tendem a melhorar.

Daqui a 10 anos, quem sabe, com muito estudo, sorte e novas experiências, eu conquiste mais pessoas que concordem com minhas ideias, ou pelo menos, que possam respeitá-las. Digo que uma pessoa de sucesso é aquela que conquistou respeito, ao invés de dinheiro.

Por hora, obrigado por me aturarem por uma década. Continuo pobre, mas feliz com a profissão que escolhi. E para os que definitivamente detestam a forma como eu penso, lá vai a trágica notícia: continuarei escrevendo! :D

Um beijo, meus amores!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Liberdade: Qual o significado pra você?

Oi geeente!



Que bom encontrar aquele colega dos tempos de escola, que seguiu por caminhos tão diferentes, e por muito tempo você ficou sem notícias.

Ele encheu uma mochila de sonhos e coragem e partiu pelo mundo, sem destino certo. Um caminhante que faz seu próprio caminho.

Aprendeu inglês na Inglaterra, provou da pizza italiana. Dormiu em albergues, mochilou pelos “States”.

Chegou ao topo da Cordilheira dos Andes e fez o passeio de balão na Capadócia.

Tem o passaporte carimbado de aventuras. Se apaixonou na França, na Espanha e na Austrália. Encontrou a fé no Caminho de Santiago de Compostela. E a perdeu tantas outras vezes, vendo de perto as misérias do mundo.

Foi garçom na Alemanha. Auxiliar de cozinha na Suíça. Professor de português na Grécia. Aluno a vida toda.

Diz ele que liberdade é caminhar. Não importa o rumo, desde que se caminhe. Asas abertas, sem raízes, sem amarras.

Você conhece algum homem-pássaro?

Confesso que, no começo, senti uma pontinha de inveja dessa liberdade de ir e vir, mas por fim, tive pena da solidão atrelada a esse estilo de vida.

Não pena dele, um caminhante convicto, mas pena de mim, se seguisse seu exemplo.

É sobre isso que quero falar nessa semana: o conceito de liberdade varia de pessoa para pessoa.

Meu amigo não tem mãe, nem pai, nem filho. Teve paixões, mas nunca amou profundamente a ponto de dividir com alguém sua liberdade. Porque o amor é uma prisão.

Quem tem alguém, vive preso a este sentimento. Se está longe, sente saudade, precisa voltar. Se está perto, abre mão de si, para cuidar do outro.

Depois que tive minha filha Olívia, que completou seis meses, percebi que quanto mais amamos, mais escravos do amor nos tornamos. Mas é uma escravidão voluntária. Queremos estar presos por toda a eternidade e além.

Os prisioneiros do amor zelam por seus pais, temem por seus filhos, são extensões do coração de seus amantes. Não andam sós, porque têm a responsabilidade de zelar pelo caminho dos seus.

Colocam-se em segundo plano sempre, porque amam além de si, amam além dos limites do amor.

Quem tem pra quem voltar não vai longe.

Quem tem pra quem voltar, não compra passagem só de ida.

Pedi pro meu amigo se ele não sentia falta de pessoas a quem se apegar, se não queria ter filhos, casar...

Ele afirmou que não. Disse que era feliz assim, de bem consigo mesmo, que aprendeu a se bastar e prefere pegar o rumo toda a vez que algo ou alguém começa a ganhar mais importância em sua vida.

Para ele, prisão é ter alguém que lhe pode a liberdade.

Para mim, liberdade é ter alguém pra me prender.

E pra você?

O que significa ser livre?

Beijos, meus amores.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Pátria amada (nem tão) idolatrada, salve, salve!

Oi geeeente!

Existe coisa mais triste que um filho ter vergonha de sua mãe?

Pois é assim que me sinto toda a vez que tenho vergonha de ser brasileira. E isso tem acontecido muito, ultimamente.

Sinto vergonha quando não nos manifestamos, e ficamos omissos a tantos absurdos.

Sinto vergonha, quando nos manifestamos, mas de forma errada, quebrando tudo, depredando, escondendo a cara, e perdendo a legitimidade.

Sinto vergonha do nosso Governo, quando se faz de cego ou é cúmplice na roubalheira e desvio de dinheiro público nas obras da Copa e tantas outras. E há mais de 500 anos a vergonha anda solta na política nacional.

Mas também tenho vergonha ao ouvir a massa mandando uma senhora, no caso nossa presidente, tomar naquele lugar, pro mundo inteiro ouvir.

Sinto vergonha quando invisto no turismo em meu país e sou assaltada toda a vez que compro um suco de fruta da estação, e pago 10 reais por ele. E quando uma pizza custa 100 reais.

Sinto vergonha quando vejo o atendimento à saúde precário, por falta de investimentos. Quando um bebê tem recursos para a realização de uma cirurgia que lhe salvará a vida garantidos pela Justiça, e a União recorre da sentença. Mas não recorre quando bilhões escapam pelo ladrão em obras que não são concluídas, são super-faturadas, ou são obras fantasmas.

Fico envergonhada quando sobra mês e falta salário, porque os preços não param de subir e dizem que não há inflação. Ou quando todos deixam de vender, e dizem que não há crise.

Obviamente sinto vergonha dos brasileiros que nos representam tão mal. Ou melhor, que não nos representam.

Acho engraçado quando usamos a criatividade para rir dos problemas, mas acho deprimente rir pra não chorar. Já diz a canção “rir de tudo é desespero”.

Esses aí que querem levar vantagem em tudo, que não tem educação, que usam o voto para tirar vantagens pessoais, que não trabalham por falta de vontade e vivem do Bolsa Família, os que exploram turistas e não turistas, os que desviam o dinheiro que salvariam vidas, não me representam.

O Brasil hoje é o centro do mundo, em um evento que deveria orgulhar a cada um de nós!

Que lindo ver, no quintal de casa, povos de todas as raças, cores, credos, línguas e culturas, juntos pelo esporte.

Que emocionante ver os jogadores entoarem seus hinos, e na plateia, tanta gente diferente, e no fundo tão igual.

Somos tão alegres, tão carismáticos, tão hospitaleiros, que se quisermos, daremos o maior espetáculo da Terra, nesta Copa 2014.

Por isso meus sentimentos se confundem em um misto de orgulho e vergonha, por tantas coisas boas e tantas coisas ruins acontecendo ao mesmo tempo.

Se desprezamos nosso Brasil, desprezamos a nós mesmos, porque a Nação, sou eu e você.

Pessoas ruins, pessoas sem caráter, pessoas corruptas estão em toda a parte, em todas as profissões, e também na política.

O problema é quando os bons se calam, para os maus gritarem.

Gostaria de encontrar um caminho, um jeito, uma receita mágica para fazer a parte podre do nosso país criar vergonha na cara. Mas milagres não existem.

Então, com minha bandeira verde-amarelo, torço sim pela minha seleção, e chego a seguinte conclusão: O Brasil só vai ter jeito quando cada um fizer sua parte.

Discretamente e cheia de esperança, eu faço a minha.

E você?