
Eu sofro de verborragia crônica. Sou uma matraca. Penso demais. Pergunto demais. Planejo demais. Na contra mão de tudo isso, adoro o oposto. Outro dia, conversando com uma pessoa muito querida, que é o oposto de mim... que fala pouco, observa muito, ri das minhas neuroses e vive o hoje sem pensar no amanhã... cheguei a conclusão de que preciso mudar um pouco. Ser mais sucinta. Menos bocuda. Mais centrada. Menos preocupada. Quero tudo no contrato, preto no branco, explicado e prometido. A vida não é bem assim. Não é feita de promessas e planos para o amanhã. A vida é hoje. E eu vou me permitir mais, agora!
Por isso escolhi essa letra, que diz tudo, em poucas palavras. É do Lenine, na minha opinião, um dos melhores poetas e compositores deste país.
Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta
Se pediu, agüenta...
Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora
Não tá bom, melhora...
Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite...
Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance
Use sua chance...
Se tá puto, quebre
Ta feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre
Corra atrás da lebre...
Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure
Quer saber, apure...
Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele...
Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
E quer dever, prometa
Prá moldar, derreta
Não se submeta
Não se submeta...
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