Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Viver exige CORAGEM!

Oi geeente!




Num sábado desses, no programa de entrevistas que apresento na rádio Aurora, entrevistei a enfermeira Regina Fin, aqui da cidade, sobre o programa “Fique Sabendo”. Trata-se de um programa do Governo Federal que garante a realização de testes gratuitos de praticamente todas as doenças transmissíveis, incluindo Aids.

Diante das argumentações, decidi fazer o que todo mundo deveria fazer pelo menos uma vez por ano: um check up geral. Desde o fio do cabelo ao dedinho do pé.

Procurei minha médica, a Dra. Magáli, que prontamente enumerou exames de laboratório que mapeavam tudo, até mesmo a saúde da conta bancária da pessoa (a minha estava morrendo, por sinal!). Brincadeiras a parte, ela solicitou todos os exames possíveis e imagináveis, inclusive o HIV.

Eu nunca tinha feito este exame antes, e como todos nós, tinha certeza de que não estava contaminada com o vírus. Tinha certeza? Bom... todos achamos que não. Mas na hora de pegar o resultado do exame, cada um de nós tem uma dúvida diferente: “E se daquela vez que fiz sexo sem camisinha? E se meu parceiro me traiu e me contaminou? E se depois daquele acidente, na transfusão de sangue... e se, e se, e se, e se.”

Como diz a enfermeira, para ter certeza, é preciso fazer o teste. Quando abri o meu, e apareceu o resultado negativo, obviamente comemorei o fato de não ter nenhuma doença grave, mas lembrei de uma palestra que participei há muitos anos, com uma moça portadora de HIV.

Ela contou que evitou fazer o teste até o ponto que a doença se manifestou. E ainda com o resultado positivo em mãos, preferiu sofrer calada e em silêncio por muito tempo, antes de buscar ajuda.

Por quê?

Porque tinha medo da reação dos OUTROS! Ela colocou de lado a saúde, a vida, por medo do julgamento alheio. Da discriminação. Dos olhares e comentários maldosos. Do estigma.

Vocês já repararam como a opinião dos outros influencia a nossa vida? No caso dela, ao ponto de colocar em risco a própria vida.

Ela contou que com a ajuda de profissionais, superou o trauma e resolveu partir Brasil afora ajudando outras pessoas. E nos mostrou que ao negarmos um problema, não conseguimos fazer com que ele desapareça. A vida, meus queridos, exige de nós CORAGEM.

Cheguei à conclusão de que não adianta fugir: precisamos saber! Saber se estamos bem de saúde, saber se estamos sendo amados, saber se estamos a beira de perder o emprego, saber se as pessoas que estão ao nosso redor são sinceras, ou nos enganam. SABER!

Outra lição é que nós, considerados “saudáveis e normais”, precisamos APRENDER. Aprender a respeitar.

Já repararam como identificamos as pessoas pelas suas deficiências?

“Conhece fulano, aquele que é cego. A moça, aquela, que é surda. O menininho que tem Síndrome de Down. O rapaz que sofreu o acidente e amputou a perna”...

Dificilmente nos referimos aos outros por suas qualidades. Destacamos suas dificuldades. Nós, que não passamos por grandes perdas, grandes dramas, grandes batalhas pela vida, quase não possuímos cicatrizes. E achamos que as cicatrizes dos outros são defeitos. Mas não são. São troféus de batalhas. Para fechar, deixo um trecho do livro “Pequena abelha”, para todos aqueles que carregam cicatrizes da vida, para que se orgulhem delas:

Peço-lhe neste instante que faça o favor de concordar comigo que uma cicatriz nunca é feia. Isto é o que aqueles que produzem as cicatrizes querem que pensemos. Mas você e eu temos de fazer um acordo e desafiá-los. Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto.

Uma cicatriz, significa: Eu sobrevivi”.

Chris Cleave

Um comentário:

  1. Minha cara , concordo com você!

    O grande problema do mundo atual em que vivemos, se chama: Egoísmo, em tudo só se vê o "eu", e não tem mais espaço para o "próximo", infelizmente isso é uma tremenda "hipocrisia" !!

    Aprendi a dar mais valor para Deus depois de alguns acontecimentos em minha vida, e parei para pensar em tudo, e foi ai que descobri o porque estou aqui, e qual é a minha missão aqui na terra.
    Certamente já tinha esse instinto antes de amar o próximo, e poder ajudar quem precisa ou nescessita, porém com o entendimento que fui descobrindo, pude perceber que pequenos atos e gestos que antes passavam despercebidos por mim, e pela maioria das pessoas, são os que mais nos enchem de orgulho de sentimeno de dever cumprido e gratidão pela vida que nos foi dada, e em troca podermos ajudar e compartilhar com as pessoas tudo o que temos de bom.

    Completei 30 anos agora em Fevereiro, e reuni amigos, e familiares para uma festa de "trintão" ( bá, to ficando velho hein, rsrs), em fim, e como estava de mudas para minha nova moradia e tão sonhada, muitos me pediram se iria pedir algo para o apto, etc, em fim, coisas para mim.
    Mas sabes que não porque ocorreu esse fato que vou lhe comentar, mas já havia pensando algo de que pudesse receber presentes, mas não para mim, e sim para quem precisaria mesmo; e foi ai que houve um grande incêndio justo 1 semana antes do meu aniverário, e 400 famílias perderam tudo, então Deus logo veio falar comigo, e no meu aniversário, pedi roupas usadas e alimentos, para poder ajudar essas pessoas.
    Foi um sucesso, pois dei continuidade nessa campanha, e levei muita coisa para essas pessoas, e sabes o que eu ganhei em troca de presente de 30 ano?

    Alma renovada, sentimento de dever cumprido, de amor, de carinho, em fim, eu mesmo me senti mais amado por ter conseguido, nem que for apenas um pouco, a tornar o mundo em que vivemos, mais humano, e mais harmonioso.

    Em fim, viver deveria ser como o sol:

    "Sejamos como o sol que não visa nenhuma recompensa, nenhum elogio, não espera lucros nem fama, simplesmente brilha"

    Beijos, até a próxima

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